terça-feira, 30 de julho de 2013

Propaganda Rádio Timbira

Belo registro da Rádio Timbira, o "primeiro time de esporte no rádio". A foto conta do Jornal O Imparcial, de Fevereiro de 1972. Abaixo, deixo um texto do jornalista Oliveira Ramos, do Jornal Pequeno, sobre a Timbira.


Nós, o Esporte e a Rádio Timbira

A Rádio Timbira é uma emissora radiofônica de São Luís, capital do Estado do Maranhão e foi à primeira rádio maranhense. Atualmente a emissora pertence ao governo do Maranhão e a Assembléia Legislativa do Estado do Maranhão, sendo proibido qualquer favorecimento político ou partidário. Portanto, é uma rádio oficial do Maranhão. Foi fundada no governo Getúlio Vargas e surgiu a partir de solicitações do interventor Paulo Martins de Sousa Ramos. Com o apoio das autoridades federais, foi concedido para a rádio oficial o prefixo PRJ–9, que ocupou a onda média (amplitude modulada), sendo sintonizada através de 1940 quilohertz.

Para a montagem da rádio, a Philips, empresa especializada no ramo, enviou ao São Luis o técnico mato-grossense Édson Braune de Araújo, cuja importância foi vital para a sobrevivência do rádio maranhense. Inaugurada solenemente no dia 15 de agosto de 1941, a PRJ-9 entrou no ar às 21h00 com o pronunciamento do interventor Paulo Ramos, que foi ouvido em mais de 60 municípios do Estado. Por meio da rádio pioneira, o Maranhão passou a compor a maior cadeia de comunicação da época no Brasil, os Diários Associados, comandado por Assis Chateaubriand. A partir daí, a PRJ-9 passou a ser chamada de Rádio Timbira, devido aos povos indígenas que habitavam o país. A rádio Timbira passou por momentos memoráveis, com um elenco impecável, uma estrutura com vários departamentos para atender as necessidades dos ouvintes e com grandes locutores, vivendo períodos de altos e baixos em sua trajetória. Trabalhamos alguns meses na Rádio Timbira, “A voz do Maranhão”. Ali, sob o comando do genial Ruy Dourado e Fernando Leite, redigimos um noticioso de trinta minutos, apresentado pelos não menos geniais Itaporan Bezerra, Lauro Leite, Carlos Henrique, Nonato Alves, Jairo Rodrigues e Alberto Farias, este último uma das mais belas vozes do Maranhão em todos os tempos.

Hoje, poucos sabem da nossa estreita ligação com o rádio AM, mas essa ligação sempre foi muito forte. Iniciada ainda em Fortaleza, quando, na Ceará Rádio Clube (antiga PRE-9), emissora dos Diários Associados, auxiliávamos nos estúdios e nos textos dos vários programas, o emergente Oliveira Ramos (Francisco de Oliveira Ramos). Depois, no Rio de Janeiro, fizemos estágio curricular na Rádio Imprensa, na época instalada na Rua Felipe Camarão, próxima – muito próxima – do estádio Mário Filho. Alguns não sabem que, nos cursos de Comunicação Social, onde nos graduamos em Jornalismo, se estudava e produzia textos para publicidade, rádio, televisão e jornalismo impresso (revistas e jornais). Aproveitamos a experiência na Rádio Timbira, onde fomos encontrar grandes profissionais. E, agora, quando essa emissora tão importante comemora 70 anos de fundação, ao recordar nossa rápida passagem pela Rua dos Correios, a primeira lembrança que nos vem é de uma equipe de Esporte que, de tão brilhante e competente, pouca importância tem quem era o “comandante”.

Falar de Esporte era falar de Rádio Timbira. Falar de Rádio Timbira era falar de Walber Ramos Martins (Canarinho), Murilo Costa Ferreira, Zé Pequeno e suas paródias, Jairo Rodrigues, José Carlos de Assis, Magno Figueiredo, tão bom e brilhante quanto Ivan Lima, Doalcei Camargo, Jorge Cury. Falar de Esporte e da Timbira é, ao mesmo tempo falar de Haroldo Herbert Silva e lembrar de suas memoráveis viagens para o México. É falar dos personagens interpretados brilhantemente por Ruy Dourado, como o Xeleléu, “o homem que sabe das coisas”. Mas, nem tudo se resumia ao “cast” da 1.290. Durante esses 70 anos, muitos acertos, mas os erros (administrativos) foram bem maiores, tanto que a emissora, hoje, apesar do esforço do gestor Juracy Filho, está muito distante dos tempos de glória. E, todos que têm alguma noção de rádio sabem que as interferências políticas – quase sempre equivocadas e distantes da preocupação com a competência – acabaram levando “a Voz do Maranhão” a ter como limites o Estreito dos Mosquitos. Os governantes nunca se preocuparam com o “nome”, o “prestígio”, o “alcance estadual e interestadual” e a “importância como meio de difundir a cultura do Estado” da Rádio Timbira que, além de ter sido a primeira rádio AM do Maranhão, também já foi a melhor, a maior e a mais ouvida. Foi superada pela Rádio Educadora, em 1970/71, quando a Voz do Clero foi dirigida pelo falecido Oliveira Ramos. Mas a Rádio Timbira sempre esteve entre as três primeiras em audiência e, por ali passaram os melhores profissionais da radiofonia do Maranhão. Quem, no Esporte, conseguiu até hoje superar Jairo Rodrigues e sua “perspicácia”; Canarinho, e sua narração em cima do lance; ou a inconfundível narração de Luís Magno Figueiredo?

Um comentário:

  1. Lembro de como meu pai sentia orgulho em trabalhar na rádio timbira, era comum ele me levar aos domingos quando ele dava plantão. Otimas lembranças

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