sábado, 20 de julho de 2013

Hiltinho, a história de um goleador e ídolo no Maranhão Atlético Clube


Um dos grandes nomes do futebol maranhense nas décadas de 80 e 90, Hiltinho, um goleador nato por onde passou, rodou pelos principais clubes da capital maranhense (exceto Sampaio Corrêa) e fez fama até no exterior. Durante 17 anos pelos gramados, o craque ganhou títulos, foi artilheiro e virou um dos grandes personagens do futebol recente em nosso Estado. Se as sucessivas lesões encurtaram a sua vitoriosa carreira, o craque escreveu o seu nome na história do Bode Gregório com títulos e, principalmente, muitos gols: ele é o 19º maior artilheiro em toda a história do Maranhão Atlético Clube, com exatos 53 gols.

O maranhense Hilton Soares Lima Filho nasceu dia 05 de Junho de 1965 em Graça Aranha, cidade de aproximadamente 6 mil habitantes e próxima a Presidente Dutra, Gonçalves Dias, Governador Eugênio Barros, São Domingos do Maranhão e Governador Luís Rocha. Filho de Nilton Soares e Alaíde Araújo, tinha apenas 10 anos quando foi morar na cidade de Imperatriz. E o gosto pela bola vinha de família, já que Hiltinho tinha dois irmãos que também jogavam: Neto, profissional do Tocantins Esporte Clube (TEC), e Josilan, da base tocantinense. O jovem Hiltinho foi para a base do Tocantins por intermédio do já falecido Divino, que o viu atuar em uma partida amistosa pelo Colégio Evangélico Ebenézer, escola que ele estudava, no Centro de Imperatriz. Apesar da derrota por 4 a 3 para o juvenil do Tocantins, Hiltinho, na época com 14 anos, fez dois gols e foi integrado às categorias de base do Tocantins. Em 1983 apareceu a sua primeira chance de integrar a equipe principal do TEC: no jogo contra a Seleção de Santa Inês, os três atacantes da equipe não puderam participar. Convocaram então Hiltinho para compor o banco. David dos Santos, treinador goiano do Tocantis, o lançou a campo e novamente o craque deixou a sua marca: dois gol na vitória tocantinense pelo placar de 4x2. Assim, aos 16, Hiltinho já reforçava a equipe profissional do alviverde em algumas partidas. Já desde essa época Hiltinho atuava como centroavante e jogava mais pelo lado direito; com o tempo, jogou mais como homem de área e até de meia-atacante.

Com os irmãos Neto e Josilan no Tocantins

Fabinho, Bispo e Hiltinho no TEC

Tocantins Esporte Club Bicampeão Tocantinense 1983/84

Em 1984, Neto desistiu do futebol profissional e voltou para Graça Aranha, o GAEC; Hiltinho e Josilan ficaram em Imperatriz. O Prefeito de Graça Aranha comprou o passe de Hiltinho junto ao Imperatriz e ele disputou e venceu, aos 18 anos, a Segunda Divisão do Campeonato Maranhense, na época composta pelo Duque de Caxias, Renner (Rosário) e o Ferroviário. O GAEC não debutou na elite do futebol pelo fato de o estádio da equipe não ter sido construído. E foi nessa Segundona que Hiltinho despertou o interesse do Maranhão Atlético Clube: na preliminar de Maranhão e Moto, em Maio de 1984, o GAEC empatou com o Ferroviário; Hiltinho, o melhor em campo, fez o gol e, pela sua grande atuação, foi levado para um período de testes na equipe do Parque Valério Monteiro por intermédio de Seu Zuza, que na época trabalhava na diretoria atleticana e o viu em campo pela equipe do interior. E foi assim que Hiltinho e Chiquinho, ponta-esquerda do Imperatriz, se apresentaram no dia 11 de Junho ao MAC. Após serem observado em um único treino, o técnico Lula, ex-ponta-esquerda do Internacional e Seleção Brasileira, pediu a contratação de ambos para o quadro maqueano.

Hiltinho foi bicampeão de juniores pelo Maranhão em 1984 e 85, além de artilheiro da mesma competição (1985). O craque foi lançado na equipe profissional pelo treinador Eliézer Ramos e Hiltinho ganhou maior destaque com a saída do também artilheiro Bacabal para o Sampaio Corrêa (desde então, Hiltinho reinou soberano no ataque Quadricolor durante muitos anos, conquistado três vice-campeonatos estaduais pelo Bode: 1986/87 e 89). Em 85, enquanto Sampaio e Moto se apresentavam com 80% dos seus jogadores oriundos de outros Estados, graças aos investimentos de políticos da direção desses clubes, o MAC, dentro da sua filosofia de valorização do atleta local, descobriu atletas que marcaram a história do desporto maranhense: Juca Baleia, João Batista, Neto Martins, Batista, Daniel, Dionísio, Chiquinho, João Luis, Valter, Neco, César, Bacabal e do prórpio Hiltinho. Em 1988, houve uma briga entre Duquinha e o restante da diretoria motense; Duquinha, então, levou todo o elenco rubro-negro para o Vitória do Mar. Hiltinho acabou emprestado pelo MAC à equipe da Estiva, onde permaneceu durante apenas o Primeiro Turno do Estadual daquele ano.

 Hiltinho, no MAC, coloca a bola entre as pernas do goleiro Netinho

 No MAC em 1993

 HIltinho se livra da marcação de Antônio Carlos, do Moto Club

 Samará

Hiltinho, o segundo agachado, em sua curta passagem pelo Vitória do Mar

Em 1989, com 19 gols de Hiltinho na temporada, o MAC desfez o time após a perda do título Estadual e da participação na Taça de Prata – o MAC jogou na chave envolvendo equipes maranhenses e paraenses e ficou pela primeira fase da competição. Givanildo Oliveira, treinador do Paysandu, observou a atuação de Hiltinho na competição nacional, sobretudo pelas suas atuações nos jogos em Belém, e o levou por emprestado ao CSA de Alagoas, em Julho de 1990, apesar do interesse do Clube do Remo em contratá-lo. Raimundo Silva conseguiu a sua liberação junto à diretoria atleticana. Hiltinho, que atuou em poucas partidas pela equipe azulina, chegou a tempo disputar a decisão do primeiro turno, diante do Comercial, no Estádio Rei Pelé e foi campeão alagoano. De volta a São Luis no final do segundo semestre, Hiltinho vestiu novamente a camisa do Maranhão, alcançando a marca de 12 gols no Campeonato Maranhense daquele ano.

Campeão Alagoano pelo CSA

Em Janeiro de 1991, antes da sua rápida passagem pelo futebol belga, Hiltinho passou por um período de dois meses de testes em Buenos Aires, pelo empresário argentino José Rubilota. Vale ressaltar que o craque chegou a firmar contrato com a equipe paraense do Remo, mas acabou desembarcando na Argentina. Atuou pelo River Plate, chegando a participar de uma pré-temporada com a equipe pelo litoral de Buenos Aires. Porém, o craque lesionou-se seriamente no púbis após uma semana de sua chegada à capital portenha. Voltou a Buenos Aires para tratamento no Departamento Médico do clube e, como as inscrições para a Taça Libertadores da América daquele ano já haviam encerrado e Hiltinho acabou ficando de fora dos planos da equipe.

Da Argentina, ele foi levado, em Julho, por Rubilota para a Bélgica - foi no início da década de 90 que se abriram a porta aos atletas maranhenses para o futebol belga (Raimundinho Lopes, Orlando, Santa Rita, Edmilson - ponta-esquerda do Sampaio -, Isaías, Rubinho e Clayton foram alguns nomes mais conhecidos que tentaram a sorte no exterior). Hiltinho chegou no período de férias do futebol belga e, antes de assinar um contrato de seis meses com o KV Turnhout, para as disputas da Segunda Divisão e da Copa da Bélgica, teve uma brevíssima passagem de um mês de testes pelo Zweet Lwels (os “Leões Negros”) e pelo FC Seraing (três meses), ambos da Bélgica – Hiltinho chegou a realizar dois amistosos em cada equipe, mas não assinou contrato; passou cerca de 20 dias de testes no futebol grego, junto aos maranhenses Fuzuê, Orlando e Santa Rita, atuando pela equipe do Pelygro. Eles realizaram três jogos-treino e agradaram. Porém, como o empresário Rubilota pediu um valor muito alto para os padrões daquele país, os quatro retornaram para a Bélgica, futebol característico pela força e velocidade. E foi por lá que Hiltinho fez um dos gols mais bonitos da sua carreira: em seu primeiro jogo treino com o Turnhout, o craque teve a proeza fazer um golaço do meio de campo, feito esse repetido somente após a sua volta ao Brasil, atuando pelo Moto Club na goleada de 5 a 1 diante do MAC, dia 17 de Novembro de 1991, no Castelão (Hiltinho dividia o ataque motense com o uruguaio Sassias). Um gol antológico que nem o Rei Pelé conseguiu. 

 Hiltinho em uma revista especializada sobre o futebol na Argentina

 Foto do jogador em jornal da Bélgica

Hiltinho no Seraing, da Bélgica

Contundido seriamente desde a época dos treinos na Argentina, Hiltinho voltou a São Luis no segundo semestre de 1991 e fez tratamento com o Dr. Cassas de Lima. Assinou com o Moto Club ainda nesse ano por intermédio de Rubilota, que o repatriou ao futebol maranhense e detinha o seu passe. O Moto daquele ano atuava basicamente com o futebol de Milagres; Zanata, Edinho, Nenê e Danilson; Alfredo, Joélcio e Hiltinho; Chita, Sassias e Rildo. Em 1992 Hiltinho disputou o Campeonato Maranhense e o Brasileiro pelo Papão, além de ser campeão da Copa Integração. Mal aproveitado pelo Moto, a ponto de a torcida rubro-negra protestar pela sua condição de reserva, Hiltinho retornou, pela terceira vez, ao MAC, em 1993, por intermédio do Diretor de Futebol atleticano, o vereador Manga. Contudo, Hiltinho passou cinco meses parado, devido a uma cirurgia no púbis, em Março daquele mesmo ano. Para as disputas do Estadual, o Maranhão formou uma equipe caseira, priorizando os atletas da base – apenas Barrote (cearense) e Nevada (pernambucano) eram oriundos de fora. O MAC de 1993 era um time muito ofensivo e técnico, com um excelente meio campo com Jackson chegando como um meia-atacante e Álvaro armando, juntamente com Nevada, Mano e Luis Carlos. Hiltinho somente atuou no restante da competição e levantou o seu primeiro título estadual com a camisa atleticana.

Com a camisa do Moto Club, em 1992

Após o titulo maranhense, Hiltinho começou a rodar por diversos clubes: em 1995, após a sua segunda passagem pelo Moto Club (1994), vestiu a camisa do Bacabal Esporte Clube a convite de Zé Roberto, antigo ponta-esquerda da década de 60 pelo MAC e atualmente trabalhando como diretor de futebol do BEC. A grande atração do Bacabal, porém, ficou por conta da chegada, por intermédio do Governador João Alberto, de Andrade e Adílio, ídolos no Flamengo e Seleção Brasileira. Durante três meses a famosa dupla fez a alegria do Correão, que viu o seu o público triplicar nos jogos do Campeonato Maranhense daquele ano (passou de 1 mil para 3 mil pagantes por jogo). Após o terceiro lugar no Estadual com o BEC, Hiltinho, já com 32 anos, disputou o Estadual de 96 pelo Codó, antes de atuar no futebol tocantinense, em Setembro de 1996: a pedido do treinador Sérgio Belfort, vestiu durante dois anos a camisa da União Atlética Araguainense, sendo, inclusive, o artilheiro do Campeonato Estadual de 96, com 9 gols; em 1997, sagrou-se campeão da Copa Tocantins. 

 Com a dupla Andrade e Adílio no Correão, em 1995

 HIltinho no Bacabal Esporte Clube, em 1995

 Vestiário do Correão: Andrade, o primeiro, Hiltinho ao centro e Andrade, o último

No União Araguainense, em 1996

Em Janeiro de 1999, após um bom tempo parado depois da mais uma passagem pelo Moto Club, em 98, Hiltinho vestiu a camisa do Ferroviário Esporte Clube por intermédio do treinador Paulo Cabrera. Ao lado de Chita, vindo do futebol paranaense, Valbson e alguns atletas do futebol paulista, o artilheiro atuou no Campeonato Maranhense daquele ano, até encerrar a carreira após a participação do time da REFFSA no estadual. O seu último jogo como profissional foi no dia 09 de Junho de 1999, na derrota para o Bacabal, dentro de São Luis, por 3 a 0. Encerrava-se ali a sua vitoriosa carreira nos gramados, onde Hiltinho marcou aproximadamente 160 gols ao longo dos seus 17 anos como profissional. Pouco tempo depois de pendurar as chuteiras, Hiltinho recebeu um convite do Presidente Zé Raimundo para trabalhar nas escolinhas do Moto Club, ao lado dos coordenadores Braide Ribeiro e Arlindo Azevedo. Em 2009 teve a sua única experiência como treinador da equipe profissional do MAC, disputando o Campeonato Maranhense e a Taça Cidade de São Luis.

2 comentários:

  1. Realmente! Jogava demais! Infelizmente, o tempo não comprou passagm de volta. E naturalmente todos nós cumprimos a cronologia. Claro! Envelhecemos! Andei lado a lado desde grande e nobe futebolista. Na cidade de Imperatriz-MA. Parabéns, ao Bog do futebol maeanhense, por resgatar e manter o registro desta lenda: Hiltinho. Grande homem!

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