sexta-feira, 23 de maio de 2014

Ribeiro "Garfo de Pau"

Matéria publicada em 01 de Dezembro de 1997 (Edivaldo pereira Biguá e Tânia Biguá, página "Onde Anda Você?", do Jornal O Estado do Maranhão).

José de Ribamar Ribeiro herdou do irmão, Pedro, o apelido Garfo de Pau. A herança pode ser sido por causa das pernas arqueadas de ambos, mas é um daqueles nomes que surgem sem muita história. História mesmo fez o garoto, que começou jogando futebol no areal da Praça do Cemitério, por volta de 1945 e chegou a ser um dos melhores laterais-direitos do Maranhão. Marcava bem e mesmo a contragosto dos técnicos da época, e para desespero da torcida tradicional, apoiava como um verdadeiro craque de hoje. Quando muitos imaginavam que ele perderia um lance da defesa, lá voltava Ribeiro, mostrando um fôlego invejável.

No começo de tudo ele só frequentava os campos de várzea. Ainda batendo bola descalço, defendeu o Esporte Clube brotinho e o Esporte Clube Saudade. Irineu, meia-esquerda que jogava ao lado de Canhoteiro na Segunda Divisão do Campeonato Maranhense, foi quem convidou Ribeiro para ingressar no Maranhãozinho. Isso ele já tinha uns 17 anos de idade. A passagem por esse clube foi rápida. Quando serviu o Exército, Ribeiro voltou à Segunda Divisão defendendo o General Sampaio, time do 24 BC. Mas foi por pouco tempo, porque em seguida ingressaria, por volta de 1954, no Esporte Clube Nacional.

O nome de Ribeiro já era comentado nas rodas futebolísticas. Veio então o convite para fazer uns testes no Sampaio, quando estava praticamente certa a assinatura de contrato com o Ferroviário. A preferência tricolor foi um fracasso. O técnico, Coronel Henrique Santos, excluiu Ribeiro do teste “porque batia muito”, conta ele, repetindo as palavras do treinador. O também jogador Esmagado, que acompanhava o treino, pegou Ribeiro e o convenceu a ir treinar mesmo no time de baixo do Ferroviário. Começava a trajetória de sucesso desse “maranhense de São Luís”, como ele mesmo se orgulha em dizer.

Bicampeão – Em 1955, Ribeiro passava para o time de cima do Ferrim. Os títulos vieram com o timaço de 57, campeão estadual invicto, e bicampeão em 58. Mostrando que tem uma memória fantástica, ele lembra da decisão desse ano contra o Sampaio no Nhozinho Santos de casa cheia, porque os protões haviam sido liberados. Apitava a partida Antônio Bento Cantanhede Farias. Era a preparação da festa tricolor. Primeiro tempo, 1 a 0 Sampaio, gol de Lourival. No segundo tempo, o craque Canhotinho, depois de um choque com Nabor, saiu de campo, machucado, e não pôde ser substituído. “A partir daí o Ferroviário deitou e rolou”, relembra ele, contando os gols: o empate foi dele, Hamilton fez 2 a 1 e Santos (de pênalti) fez 3 a 1.

 Time do Ferroviário em 1970. Em pé: Ribeiro, Zé Raimundo, Vivico, Neguinho, Santana e Antônio Carlos. Agachados: Haroldo (massagista), Nivaldo, Mineirinho, Esquerdinha, Edmilson e Nêgo Luz (massagista)

Para tristeza os amantes do futebol, o Ferroviário acabaria em 58 e só voltaria aos campos no ano seguinte, para disputar a I Taça Brasil. O time destreinado perdeu em São Luís para a Tuna por 3 a 1. Os craques, com um pouco mais de treino, devolveram o placar de Belém e foram desclassificados na terceira partida, quando perderam por 2 a 0. Alguns atletas desse time ingressaram no MAC, dentre eles Ribeiro, Valber, Santos, Laixinha, Zuza e Negão. Ficaram sem títulos por anos seguidos.

Em 1961,o MAC perdeu para o Vitória do Mar por 3 a 1. Ribeiro jogou machucado porque não tinha ninguém para substituí-lo. Mesmo assim, após a partida, o locutor Jafé anunciava que ele seria multado em 20% e seu passe colocado à venda. Sua contratação pelo Ferroviário, de Fortaleza, estava certa, mas de tão zangado que ficou com a diretoria maqueana, ele preferiu assinar contrato em branco com Antônio Bento, do Sampaio. Pediu passe livre, só que sem saber, ficou atrelado ao tricolor por dois anos e oito meses. Valeram os títulos de 1961 e 1962.

Após esse tempo, Ribeiro assinou novamente contrato com o Sampaio por três meses. Estipulou seu passe: Cr$ 500 mil. Um dos jogadores mais bem pagos, ao lado de Hamilton e Carvalho, do Moto Club.

Na grande Seleção Maranhense de 1962, formada por Bacabal; Ribeiro, negão, Omena e Português; Gojoba e Ananias (Chico); Garrinchinha, Hamilton, Croinha e Joubert, que passou pelo Pará, Amapá, Amazonas e foi barrada pelo Ceará, os cearenses, encantados com Ribeiro e com a intermediação do professor Rubem Goulart, não pensaram duas vezes e o contrataram para jogar no América. Ribeiro atuou no América de 64 a 68 e só foi campeão em 66. Em 1969, chegou a ser vice-campeão, já defendendo o Ferroviário. Nesse período, recebeu dos cronistas da Rádio Uirapuru o certificado de melhor lateral-direito dos anos 1966/67/68. Recebendo essa mesma honraria estava Carlindo, lateral-esquerdo, também maranhense. O retorno de Ribeiro a São Luís aconteceu em 1970. Iria para o Sampaio, depois para o Ferroviário. Por causa do treinador tricolor e de u dirigente do Ferroviário, terminou optando pelo Moto. Encerrou a carreira 3m 1972, já com 37 anos de idade.

Ribeiro contou dois fatos pitorescos da sua vida, um deles em 1961, no clássico Sampaio e Maranhão, com empate em 1 a 1 no primeiro tempo. Na volta ao campo, ele disputou uma bola com Barrão, que o juiz Val Lume deu pênalti. Após a cobrança Garfo de Pau chutou a bola no árbitro. A confusão foi armada e ele foi expulso, sendo levado preso pela polícia. Ficou detido no 1º DP por 45 minutos. Outro fato aconteceu em 1962. A Seleção Maranhense empatou em 1 a 1 contra a Seleção Paraense, em Belém. Hamilton dez o gol, mas a jogada foi de Ribeiro. Após o jogo, o Governador Barata deu um abraço nele, mesmo estando todo sujo de lama.

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