sábado, 12 de julho de 2014

Simite, zagueiro tipo exportação


Matéria de Edivaldo Pereira Biguá e Tânia Biguá, página "Onde Anda Você?", do Jornal O Estado do Maranhão, de 11 de Setembro de 2000

Graça Aranha em 1967. Em pé: Juvenal, Paulo, Bastos, Simite, Cazoca e Serra (técnico); Agachados: Galdêncio (massagista), João Pinto, Zé Mamá, China, Zé Osvaldoe Ferreirinha

A dificuldade em pronunciar um sobrenome diferente transformou Smith em Simite. Um quart-zagueiro que se profissionalizou no Vitória do Mar em 1953, quando estava com 18 anos de idade. Em busca do dinheiro, que muitos imaginavam correr no futebol, passou por clubes como Auto Esporte de Teresina de Flamengo de Parnaíba, ambos do Piauí. Dez testes no Fortaleza, mas acabou na Seleção de Sobral/CE. Decepcionado, no final de 1963 retornou a São Luís. Defendeu amistosamente o Sampaio Corrêa e terminou voltado a jogar no Piauí, pelo Comercial de Campo Maior. Novamente na terra natal, três anos depois, passou pelo Ferroviário e Maranhão. Encerrou a carreira de atleta profissional no São José. A grande maioria que o viu jogar admite sem medo de errar que ele era um jogador tipo exportação.

Para começar, Simite tenta explicar o apelido, já que seu nome verdadeiro é Raimundo Nonato Smith Pereira. “Assim que comecei a jogar bola, os amigos insistiram em me chamar de ‘Simite’ e eu, chateado, dizia que meu sobrenome era Smith. Eu chega a soletrar para eles: ‘Esse, erre, i, tê, agá’. Eles, para me sacanear, só me chamavam e Simite. Quando resolvi não ligar mais, o apelido já estava perpetuado”.

Nascido em 30 de Setembro de 1935, filho caçula do senhor Vitorino Pereira e da senhora Joana de Anunciação Smith Pereira (ou outros dois filhos do casal são José e Luís. Simite começou a bater bola descalço no campo onde hoje funciona o Hospital Getúlio Vargas, no bairro da Jordoa, em São Luís, entre os anos de 1946/47. Era metido a jogar na ponta-direita. O primeiro time oficinal que apareceu na vida dele foi o Universal, do bairro do João Paulo. “Lembro-me bem de dois amigos inseparáveis dessa época: Neguinho e Baralhada. Eles eram os grandes nomes do time”. Um belo dia, o zagueiro central do Universal faltou e acabaram improvisando Simite para aquele setor. O melhor de tudo foi que ele jogou bem, gostou da nova posição e acabou de aperfeiçoando ao ponto de ser considerado até hoje como um dos grandes jogadores da posição”.

Durante os quatro anos que defendeu o Universal, demonstrou ter muita personalidade. Era alto para os padrões da época (1m75) e tinha muita disposição. Chegava sempre junto dos atacantes. Era viril e duro, mas leal. Tinha como ponto forte o cabeceio. Jogava por amor à camisa que vestia. O primeiro contrato como atleta profissional foi no Vitória do Mar, em 1953, quando estava com 18 anos de idade.

O Vitória tinha conquistado o inédito e único título da história do clube em 1952 e estava à procura de novos valores. Simite apareceu em um treino, jogou, agradou e imediatamente foi contratado. Juntou-se a Lelé, Benedito Sousa, Abimael, João Cinco, Zé Rolha, Gordo, Misael, Ferreirão, Xapola, Cobrinha, Lobato, Dico Preto, Batatais e outros. Segundo ele próprio, sua permanência no Vitória do Mar durou entre três e quatro anos. Alega que a melhor formação do time da Estiva, durante o tempo que passou por lá, contava com Batatais no gol, Zé Rocha, Simite, Lelé e João Cinco; Benedito Souza e Cobrinha; Ferreirão, Joãozinho, Ivan e Lobato.

Com 22 anos de idade, aceitou o convite do Auto Esporte do Piauí e acabou trocando São Luís por Teresina. “Foi uma boa época para mim. Estava bem e ganhava um salário melhor do que no Vitória do Mar”. Quando tudo parecia que ia melhorar a vida de Simite, veio a notícia no final da temporada que a diretoria do Auto Esporte não queria renovar o seu contrato. Foi um caos total! A salvação chegou com o contrato assinado com o Flamengo de Parnaíba. “Joguei dos dois anos no Flamengo. Fui campeão invicto, ao lado do amigo e conterrâneo Juvenal. Estava tão bem que o Fortaleza se interessou pelo meu passe. Deixei Parnaíba e fui para a capital cearense. Na bagagem, muita esperança de fazer um grande contrato”.

Uma contusão no joelho direito acabou com o sonho de Simite. Sem clube e sem dinheiro, aceitou proposta para disputar o torneio intermunicipal cearense pela Seleção do município de Sobral. Na competição, encontrou-se com os amigos maranhenses Ananinas e Pelado, que jogavam pela Seleção de Camucin. E foi só. Desiludido com o futebol cearense e com a falta de sorte, acabou retornando a São Luís, no final de 1963. Aproveitou a folga para rever amigos e parentes que moravam no Bairro da Madre Deus. Sem ter um emprego certo, Simite aceitou jogar vários amistosos pelo Sampaio Corrêa. De repente, recebeu uma excelente notícia: o Comercia, de Campo Maior, queria contratá-lo para disputar o Campeonato Piauiense. Não pensou duas vezes. Juntou o que tinha e se mandou para o interior do Piauí. “Nos dois anos que fiquei lá (1964/65), fiz boas amizades e ganhei um dinheirinho”. Maiobinha, lateral-direito do Sampaio Corrêa, também foi para o Campo Maior.

No início de 1966, já casado e com um filho, resolveu voltar a São Luís e acabou se ajeitando no Ferroviário Esporte Clube. “Dessa época, lembro-me bem do Américo (Esquerdinha) e Preto Baldez, duas feras na bola e nos estudos. Amigos de fé”.

A idade já estava começando a pesar e a decepção com o futebol ia aumentando. Mas fazer o quê? Na vida, só sabia jogar e ver bons filmes nos cinemas, principalmente no Roxy. O jeito era ver até onde as pernas aguentariam 90 minutos de uma partida.

Em 1967, Simite, Zé Bernardo, Pinagé, Ferreirinha, João Pinto, Burra Preta, Bastos, Juvenal, China e outros foram convidados para defender o Graça Aranha Esporte Clube (GAEC), que disputava a segunda divisão da capital maranhense. “Formamos um belo time e conseguimos conquistar o título e uma vaga para disputar o campeonato de profissionais pelo GAEC. Jogamos só um ano por lá. Em 1968, a maioria transferiu-se para o Maranhão Atlético Clube”.

No MAC, Simite se uniu a Da Silva, Baezinho, Luis Carlos, Elias, Sansão, Yomar, Toca, Euzébio, Antônio Carlos, Hamilton, Dario, Jacinto, Zé Neguinho, Jorge e outros comandados do professor Rinaldi Maia, conquistando o campeonato estadual de 1969. “Lembro-me bem desse título porque jogamos uma melhor de duas partidas contra o Ferroviário. Tínhamos a vantagem de dois empates. No primeiro jogo o placar foi de 1 x 1. Simite não participou da campanha do bicampeonato do MAC em 1970. No início do ano, foi para o São José, time do Bairro do João Paulo e que participava do campeonato profissional maranhense. Disputou uma temporada e resolveu parar após completar 35 anos de vida, 17 como atleta profissional.

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