sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Célio “Batata” Rodrigues

Matéria de Edivaldo pereira Biguá e Tânia Biguá, página "Onde Anda Você?", do Jornal O Estado do Maranhão.

 Ser peladeiro e passar à condição de profissional, fato comum a muitos garotos que saíram do chamado campo de várzea para os gramados. Com Célio Rodrigues foi assim. Jogar de chuteiras só aconteceu quando ele estava com 16 anos, disputando o Torneio Início ao Campeonato Maranhense. A zaga central do Nacional, da Rua do Norte (comandado por Lauleta), Célio perdeu nos pênaltis para o Sampaio Corrêa. Mas a partir dai sentiu que poderia ser atleta profissional. E foi. Ganhou títulos nos Estados do Maranhão e Piauí. Escreveu seu nome nos anais do futebol profissional da região e marcou pelo talento e pelas enormes panturrilhas, vulgarmente conhecidas como “batata das pernas”.

Célio Furtado Rodrigues nasceu no dia 12 de Outubro de 1948, em Penalva, interior do Estado. Logo cedo veio com a família para São Luis. Os primeiros contatos com a bola aconteceram no Bairro da Coréia. Com 15 anos de idade e com 1,64m, já era o zagueiro central do Ceará Sporting, da Coréia. Um ano depois disputava o Torneio Início ao Campeonato Estadual de Profissionais pelo Nacional da Rua do Norte. “Foi a primeira vez que calcei chuteiras na minha vida. Meu primo, conhecido como Dico Polar, que jogava comigo no Ceará Sporting, foi quem me indicou ao Nacional”, conta ele. A estreia foi contra o Sampaio Corrêa. O jogo terminou empatado em 0x0 no tempo normal. A derrota veio na cobrança de pênaltis. Ele se deu bem pela excelente performance. A partir dai teve a certeza que queria ser atleta profissional.

Em 1967 Célio integrou a Seleção Maranhense de amadores, o mesmo tempo que prestava serviço militar no 24º Batalhão de Caçadores. Período marcado por uma tragédia ocorrida na reinauguração do Estádio Nhozinho Santos. “É impossível não lembrar do período que fui da Seleção de Amadores. Jogamos contra o Amapá em Macapá e perdemos por 2x1. No jogo de volta, em São Luis, empatávamos de 1x1 quando no segundo tempo gritaram que o estádio estava desabando. Foi um corre-corre geral e a partida foi interrompida, o placar prevaleceu e fomos desclassificados”. Neste mesmo ano Célio foi disputar o Campeonato de Profissionais pelo Vitória od Mar como lateral-direito. Jogavam Manga (goleiro); Célio, Valois, Evilásio e Pulú; Douradinho e Luis Carlos Fanta; Almeida, Roxo, Diomar e Carrinho. Um time de talentos que deu trabalho aos grandes da capital.

Depois de oito meses, Antônio Bento Catanhede Farias e Barrosos, diretores do Sampaio Corrêa, levaram Célio Rodrigues para o Tricolor de São Pantaleão. Foi bem recebido e ganhou o apelido de Batata por causa das suas enormes panturrilhas. Foi lá de 1968 até Março de 1973. “A melhor formação que participei no Sampaio foi a de 1972. Fomos campeões de tudo o que disputamos: campeão da Taça Cidade de São Luis, campeão do II Torneio Maranhão/Pará, campeão do Torneio Início do Campeonato Estadual, campeão Maranhense e do Brasileirinho. O time era bom demais. Se tomava um ou dois gols, não nos preocupávamos, pois tínhamos a certeza que viraríamos o placar”. Essa máquina Tricolor de 1972 era formada pelo goleiro Jurandir (PE), Célio Rodrigues (MA), Neguinho (MA), Nivaldo (RN) e Valdecir Lima (PB); Gojoba (MA), Djalma Campos (MA) e Edmilson Leite (PI); Lima (PB), Pelezinho (MA) e Jaudenir (CE). Técnico: Marçal Tolentino Serra (MA).

 Bolívia no Brasileirinho de 1972

 Célio Rodrigues com a camida do Sampaio no Brasileirinho de 72

 Sampaio Corrêa campeão do II Torneio Maranhão Pará, em 1973 (Célio é o primeiro em pé)

 Sampaio Corrêa em 1971: em pé – Célio Rodrigues, Marinaldo, Osvaldo, Faísca, Vadinho e César Habib; agachados – Fifi, Ivanildo, Rôxo, Roberto e Itamar


 Sampaio Corrêa de 1969: em pé – Santos Leite (técnico), Célio Rodrigues, Jefferson, Djalma Campos, Osvaldo, Faísca, César Habib e Balbino; agachados – Fifi, Bosco, Ivanildo, Roberto e Itamar. 

 Com a camisa do Sampaio Corrêa em 1971


Quem viu Célio “Batata” Rodrigues jogar, garante que ele era muito disciplinado. Apesar da marcação dura, era muito leal, “Tenho orgulho em dizer que nunca machuquei alguém, sempre respeitei meus adversários”. Outras grandes características dele era que defendia e atacava com habilidade incomum. Cruzava com facilidade as bolas para a área, dando enorme colaboração ao ataque. Seu vigor físico causava inveja. Jogaria hoje em qualquer time do Brasil, principalmente por ser um lateral ofensivo.

Em Março de 1973, Célio Batata, como era conhecido no Piauí, foi vendido para o E. C. Tiradentes, de Teresina. Foi a maior transação feita com um jogador da época. “O Tiradentes pagou 28 milhões de cruzeiros pelo meu passe. Cheguei em Teresina e me juntei com outros atletas piauienses e de vários pontos do país. Fomo campeões da temporada e representamos muito bem o Estado no Campeonato Brasileiro. Esse foi um período de “vacas gordas”. As vitórias eram constantes e o time vivia só das gratificações. “O salário era guardado limpinho na poupança”, relembra. O timaço do Tiradentes era formado pelo Tinho, que depois foi para o São Paulo, Célio Batata, Dias, Murilo e Tinteiro; Joel, Carlos Alberto Garcia (ex-Corinthians) e Edmilson Leite; Vicentinho, Cario Cambalhota (ex-Flamengo/RJ) e Paraná (ex-São Paulo/SP). No Piauí, Célio ainda jogou a temporada de 74 e perdeu o título para o rival River.

Em 1975, o Sampaio não andava vem e ficou fora das finais do Campeonato Estadual. Os classificados eram Maranhão, Ferroviário e Moto. Sentindo que iriam deixar de ganhar sem o time de maior torcida nas finais do campeonato, os próprios dirigentes dos times classificados resolveram criar um terceiro turno e dar chance ao Sampaio Corrêa. Os dirigentes sampaínos foram buscarem Teresina três reforços: Célio Rodrigues, Joel e Acir. Pior para quem abriu esse precedente. “Ganhamos o turno e o campeonato. A decisão foi contra o Moto. Jogávamos pelo empate e acabamos ganhando de 1x0, gol de Itamar, que nesse dia jogou de ponta direita. A festa foi grande”.

 Sampaio Corrêa campeão em 1975

 Sampaio Corrêa campeão maranhense em 1975 (Célio é o quarto em pé)

Torcida boliviana comemorando o título de 75


Célio passou apenas três meses em São Luís e teve que voltar a Teresina. Por lá as coisas não andavam bem. O Tiradentes estava mal e não contava com o apoio do Governo Estadual. “O Coronel Canuto deixou a presidência do clube e as coisas descambaram. Comecei a viver os piores momentos da minha vida como atleta e ser humano”. Com salários atrasados, o grupo do Tiradentes andava com os nervos à flor da pele. Em um belo dia, após um jogo, quase todo o elenco do time foi para a boate da Ana Paula. Quando estavam tomando umas cervejinhas, surgiu uma confusão e o resultado final foi uma morte por espancamento e dois feridos a bala. Os feridos foram Anastácio (roupeiro), que acabou ficando paralítico, e Valdeci. O morto foi o corretor de automóveis conhecido como Jacó. Ele atirou enquanto teve balas, depois foi espancado e morreu no dia seguinte quando se submetia a uma cirurgia. O fato foi amplamente divulgado em todo o Brasil. Infelizmente o Tiradentes acabou e nove jogadores tiveram que cumprir pena de um ano na Penitenciária do Piauí, enquanto aguardavam o julgamento. Eles foram inocentados pelo júri popular. “Eu estava fora do grupo que ficou preso, mas vivi momentos que não gosto nem de lembrar. Fiquei mais de seis meses sem ver a cor de qualquer dinheiro. Dei graças a Deus quando o Moto comprou o meu passe em 1976. Estava de volta à minha terra e à minha gente”. 

 Célio Rodrigues com a camisa do Papão do Norte

 Moto Club campeão maranhense em 1977

 Moto campeão de 1977: em pé - Cenilson, Vivico, Irineu, Tião, Célio Rodrigues e Beato; agachados - Paulo Cesar, Adãozinho, Toninho Abaeté, Edmilson Leite e Léo

 Superclássico no Nhozinho Santos, em 1977


Em 1977 o Moto montou uma verdadeira máquina e conquistou o título da temporada. O time era formado por Reginaldo (PA), Célio Rodrigues (MA), Vivico (MA), Irineu (MA) e Bitonho (PI); Tião (RJ), Toninho Abaeté (PA) e Edmilson Leite (PI), Caio (RJ), Paulo César (PE) e Aberto (RJ). Em 1978 Célio trocou o Moto pelo Maranhão Atlético Clube. Um ano depois era campeão pelo Demolidor de Cartazes ao lado de Veludo, Tataco, Paulo Fraga e Antônio Carlos; Juarez, Tica e Naldo; Osní, Riba e Djairo. Em 1980 foi para o Vitória do Mar. Jogou apenas três meses por lá e resolveu parar com a bola profissionalmente, aos 34 anos de idade. “O corpo já estava ficando pesado e já não dava mais para fazer o que mais gostava em campo, que era defender e apoiar simultaneamente. Jogar no Vitória já tinha sido um erro e preferi não continuar errando”.



* Matéria de 04 de Janeiro de 1999 em O Estado do Maranhão

Um comentário:

  1. Realmente o Célio foi um grande lateral e, um craque da bola, nos conhecemos no Exército 24º Batalhão de Caçadores, mas antes já tinhamos jogados contra, eu pela seleção de Rosário e, ele pelo Sampaio Correa, por sinal um timaço que contava com jogadores, como. Djalma, João Bala, Fifi,etc... Gostaria muito de saber se ainda encontra-se em S. Luis!!!

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