domingo, 29 de setembro de 2013

Especial Sampaio Corrêa Campeão - 41 anos do título do Brasileirinho 1972

Em 2013 o Sampaio Corrêa completa 41 anos do inesquecível título do Brasileiro da Segunda Divisão de 1972. No começo de 1971, a Confederação Brasileira de Desportos criou o campeonato Brasileiro de futebol, sucedendo, assim, o torneio Roberto Gomes Pedrosa (popularmente conhecido como Robertão) e definindo os representantes brasileiros nas competições Sul-americanas. O Campeonato Brasileiro seria uma extensão do torneio Rio-São Paulo e aos paulistas e cariocas juntaram-se os baianos, gaúchos, mineiros e pernambucanos. Por concessão de clubes de outros Estados que ficaram de fora da competição, os dirigentes da Confederação de Futebol foram obrigados a criar fórmulas, divisões, taças, etc., pois a cada ano o número aumentava, até chegar ao estágio de 1989 com, 100 clubes. Assim, clubes de outras regiões do Brasil que não disputavam a chamada elite do campeonato, integravam o chamado Brasileirinho. O Sampaio Corrêa, ao lado do Maranhão Atlético Clube, foi o primeiro representante do Estado do Maranhão nas disputas do recém criado campeonato. As equipes maranhenses integravam o grupo C, ao lado de River e Flamengo do Piauí e do Guarany de Juazeiro. No ano seguinte, a Bolívia novamente representou e trouxe o título Nacional, o primeiro conquistado por um clube do Nordeste. Deixo abaixo um pequeno especial, com textos extraídos do livro "Sampaio Corrêa, uma Paixão dos Maranhenses" e áudios diversos do Canal no Youtube do Blog Futebol Maranhense e Podcast Memórias do Futebol Maranhense:


Em 1972 o Sampaio Corrêa foi administrado por uma junta Governativa. Jurandir Azevedo Santos, que havia assumido a presidência do clube em 1969 devido ao afastamento de Ronald Carvalho, ficou por seis meses na presidência do clube e tratou de conseguir recursos através de sua amizade no meio empresarial maranhense. Rupert Macieira e Walter Zaidan ocuparam, respectivamente, a presidência e vice-presidência do Sampaio Corrêa. Já com José Rui Salomão na presidência, nova crise e nova junta Governativa. Jurandir Santos voltava a ter nas mãos a responsabilidade de sanar débitos, dentre eles os quatro meses de salários atrasados de jogadores e funcionários, além de manter a equipe para as disputados do Campeonato Brasileiro (atual Segunda Divisão), graças à ajuda de amigos.

O campeonato de 1972 reuniu 23 times do Nordeste, divididos em quatro grupos. O tricolor compunha o grupo A, juntamente com Moto Clube de São Luis, Tiradentes e Flamengo do Piauí e Fortaleza e Guarany de Sobral. O Sampaio Corrêa fez uma excelente campanha. Aqui, vale ressaltar alguns problemas enfrentados pelo clube maranhense ao longo da disputa. Na segunda fase da competição, por exemplo, na cidade de Alagoinhas (BA) contra o Atlético, a delegação do clube maranhense chegou na cidade a poucas horas da partida. “O clima é um pouco diferente, o calor da torcida adversária, o fator campo e o principal, a longa viagem rodoviária, sentado em um ônibus com regular conforto, mas ficando os atletas com as pernas entorpecidas”, relatava o ‘Jornal do Dia’ quando do confronto no interior da Bahia.

Com uma equipe modesta, onde não despontava nenhum atleta de grande expressão nacional, o Sampaio Corrêa era uma autêntica formação de jogadores nordestinos, sob o comando do maranhense Marçal Tolentino Serra. O elenco foi um dos melhores ao longo de toda a história do clube, segundo relatos dos torcedores mais antigos e da crônica esportiva maranhense. Para os saudosistas, foi a melhor formação em toda a história do Sampaio Corrêa: A equipe que conquistou o Campeonato Nacional está no coração de todos os ‘bolivianos’: Jurandir; Célio Rodrigues, Neguinho, Nivaldo e Valdecy Lima, Gojoba e Edmilson Leite; Limas, Djalma (ídolo da torcida e o craque do time), Pelezinho e Jaldemir (um ponteiro driblador que agitava a galera).

O clube chegou à final jogando contra a Campinense da Paraíba. A Confederação Brasileira de Desportos sorteou no dia 14 de dezembro a cidade de São Luis como local da decisão entre Sampaio e Campinense e a FMD recebeu a comunicação enchendo a notícia de alegria a torcida maranhense pois com isto, o nosso representante terá muito mais chances de ser o campeão, porque joga com o apoio total. A partida foi um marco na época, principalmente pelo fato de se tratar de um título inédito no futebol maranhense e nordestino. Grande número de torcedores já se movimentam para levarem ao Municipal, foguetes, papel picado, escolas de Samba e muitos outros atrativos para o incentivo que o Sampaio necessita para sagrar-se campeão do Brasil. Pela primeira vez em sua história o clube chegava a uma decisão de campeonato a nível nacional: “nosso estádio foi bastante pequeno para conter o grande número de torcedores que suportou o ‘empurra-empurra’ e ‘passa por cima’, a fim de incentivar o Sampaio Corrêa a trazer para o futebol maranhense, o título nacional da primeira divisão.

A equipe maranhense disputou a final da competição com Jurandir; Célio Rodrigues, Neguinho, Nivaldo e Waldeci Lima; Gojoba, Djalma e Edmilson Leite; Lima, Pelezinho e Jaldemir. Paulo Figueiredo, goleiro titular, foi afastado pelo presidente Jurandir Santos por causa de um desentendimento do jogador com o treinador Marçal Tolentino Serra. A equipagem tricolor da grande decisão, um conjunto de camisas nas cores verdes com as golas amarelas e detalhes vermelhos, foi comprada na cidade do Rio de Janeiro.

Na grande decisão, realizada na noite do dia 17 de dezembro, o Sampaio Corrêa chegaou ao título após vencer a final contra o Campinense, em São Luis, por 5x1, na disputa de penalidades máximas, depois de um empate no tempo normal por 1x1, e a 0a0, na prorrogação. Volmir, aos 37 minutos do primeiro tempo (Campinense), e Pelezinho, aos 44 minutos da etapa final, fizeram os gols do tempo normal. O título então foi decidido nos pênaltis:

Por uma solicitação dos adversários apenas um jogador de cada time faria a cobrança de penalidade. Neguinho cobrou primeiramente pelo Sampaio e marcou os cinco gols. Na vez do Campinense, Ivan Limeira converteu o primeiro e no segundo o goleiro Jurandir defendeu a bola. A comemoração foi tão grande que alguns torcedores, atrás do suvenir, deixaram os jogadores de cueca no campo. O campeão maranhense encerrou a sua participação com oito vitórias, quatro empates e cinco derrotas, assinalando 19 gols e sofrendo apenas 8, além de ter um jogador como o artilheiro da competição - Pelezinho, que assinalou 8 gols.

A equipe de destacou pelo seu elevado espírito de luta e raro talento em termos de conjunto, com alguns jogadores revelando uma notável categoria, segundo consta da crônica maranhense: o meia Djalma Campos, considerado o maestro da equipe e o jogador mais virtuoso da competição, Jalmir um dribaldor emérito que desconcertava os advesários jogando na ponta esquerda, o rápido e insinuante Lima na ponta direita; os eficientes alas Hélio Rodrigues e Valdecy Lima, o experiente Gojoba como volante, a raça incomum de Neguinho, como xerife do time, e o oportunismo de Pelezinho, um centroavante rápido e inteligente. Apesar de destaques, o time inteiro era de uma impressionante coesão.  

Pôster do time - partida contra a Campinense (PB)

Sampaio Corrêa em foto oficial pelo título do Brasileirinho em 1972

Camisa utilizada na grande decisão contra a Campinense (PB)

Bola utilizada na grande decisão contra a Campinense (PB)

ENTREVISTAS

No Podcast "Memórias do Futebol Maranhense", três personagens daquela campanha deram depoimento, contando sobre o Brasileiro de 72, com histórias de bastidores e algumas passagens emocionantes do clube, sobretudo na grande decisão contra a Campinense. O xerifão Neguinho, que tomou para si a responsabilidade de cobrar as cinco penalidades, contou que, antes da decisão por pênaltis, em comum acordo, as duas equipes escolheram apenas um batedor - havia essa alternativa, além, é claro, da opção de cinco cobranças através de cinco atletas diferentes. Para ouvir a entrevista do eterno zagueirão e ídolo boliviano, clique AQUI. O lateral Célio Rodrigues, que participou de toda a campanha da Bolívia em 72, também comentou sobre a conquista. Para ouvir, clique AQUI. Por fim, o centroavante Pelezinho, um dos grandes destaques da equipe Tricolor no Brasileirinho. Para ouvi-lo, clique AQUI.

ÁUDIO

Aqui, deixo o áudio da heroica vitória Tricolor diante do Fortaleza, dentro do Estádio Presidente Vargas, no dia 18 de Novembro, pela Segunda Fase da competição. A narração é do já falecido Juraci Vieira:


CAMPANHA NO BRASILEIRINHO DE 1972

PRIMEIRA FASE (GRUPO C)

10/09/1972-Moto Club 1x0 Sampaio Corrêa
Estádio
Nhozinho Santos
Juiz: Ronald Monassa (PI)
Gols: Marcos aos 25 minutos do primeiro tempo
Moto Club: Ubirajara; Reinaldo, Marins, Sérgio e Pinheiro; Faisca e Joari; Tuica, Marcos (Garrinchinha), Zé Branco e Batistinha (Chicolé). Técnico: Antônio Pereira
Sampaio Corrêa: Paulo Figueiredo; Célio Rodrigues, Neguinho, Nivaldo e Romildo; Airton e Edmilson Leite; Prado (Paraíba), Zezé (Djalma Campos), Pelezinho e Jaldemir. Técnico: Marçal Tolentino Serra

19/09/1972-Flamengo (PI) 0x0 Sampaio Corrêa

24/09/1972-Tiradentes
(PI) 1x1 Sampaio Corrêa

01/10/1972-Sampaio Corrêa 1x2 Guarany de Sobral (CE)
Local:
Estádio Nhozinho Santos
Juiz: Ronald Monassa (PI)
Gols: Manoelzinho aos 40 e Nadinho aos 43 minutos do primeiro tempo; Neguinho (pênalti) aos 34 minutos do segundo tempo
Sampaio Corrêa: Jurandir; Romildo, Neguinho, Clécio (Nivaldo) e Valdecy Lima; Gojoba e Edmilson Leite; Lima, Djalma Campos (Zezé), Paraíba e Pelezinho (Djalma). Técnico: Marçal Tolentino Serra
Guarani de Sobral (CE): Jairo; Arteiro, Zezinho, Zequinto e Fidélis; Zé Maria e Teco-Teco; Manoelzinho, Isaac, Nadinho (Mariola) e Zequinha (Cabeção). Técnico: Sousa Neto

08/10/1972-Sampaio Corrêa 1x0 Fortaleza (CE)
Local:
Estádio Nhozinho Santos
Juiz: Ronald Monassa (PI)
Gol: Zé Carlos (contra) aos 24 minutos do segundo tempo
Sampaio Corrêa: Paulo Figueiredo; Célio Rodrigues, Neguinho, Nivaldo e Valdecy Lima; Gojoba e Airton; Lima (Prado), Paraíba (Lima) (Djalma Campos), Pelezinho e Jaldemir. Técnico: Marçal Tolentino Serra
Fortaleza (CE): Lulinha; Alexandre, Zé Paulo, Dimas e Ronner; Serginho (Josias) e Zé Carlos; Chinezinho, Nunes, Geraldino (Dudu) e Mimi. Técnico: Carlos Castilho

22/10/1972-Sampaio Corrêa 0x0 Moto Club
Local:
Estádio Nhozinho Santos
Juiz: Wilson de Moraes Vanlume
Público: 8.391 pagantes
Renda: Cr$ 31.647,00
Sampaio Corrêa: Jurandir; Célio Rodrigues, Neguinho, Nivaldo e Ferreira; Gojoba e Airton; Lima, Zezé (Djalma Campos), Pelezinho (Paraíba) e Jaldemir. Técnico: Marçal Tolentino Serra
Moto Club: Ubirajara; Reinaldo, Marins, Sérgio e Edair; Faisca e Joari; Eusébio (Wanderlei), Marcos, Zé Branco e Batistinha (Tuíca). Técnico: Antônio Pereira

29/10/1972-Sampaio Corrêa 5x0 Flamengo (PI)
Local:
Estádio Nhozinho Santos
Juiz: Francisco Monteiro da Silva (CE)
Gols: Itamar aos 14, Djalma Campos aos 19, Pelezinho aos 33 e Itamar aos 43 minutos do primeiro tempo; Lima aos 4 minutos do segundo tempo
Sampaio Corrêa: Jurandir; Célio Rodrigues, Neguinho, Nivaldo e Ferreira; Gojoba e Edmilson Leite; Lima (Prado), Djalma Campos (Lima), Pelezinho (Zezé) e Itamar (Pelezinho). Técnico: Marçal Tolentino Serra
Flamengo (PI): Ademir; Zé do Braga, Reginaldo, Matintin e Franklin; Café e Reinaldo (Carlinhos); Gringo, Mota, Décio Costa e Tião (Nivaldo). Técnico: Sousa Arantes

05/11/1972-Sampaio Corrêa 2x0 Tiradentes (CE)
Local:
Estádio Nhozinho Santos
Juiz: José Leandro Serpa (CE)
Gols: Sérgio (contra) aos 3 minutos do primeiro tempo; Lima aos 11 minutos do segundo tempo
Sampaio Corrêa: Jurandir; Célio Rodrigues, Neguinho, Nivaldo e Valdecy Lima; Gojoba e Edmilson Leite (Airton); Lima, Djalma (Zezé), Pelezinho e Itamar (Edmilson Leite). Técnico: Marçal Tolentino Serra
Tiradentes (CE): Toinho; Sérgio, Serjão, Murilo e Tinteiro; Simplício (Eliezer) e Soares; Caveirinha, Luizinho, Chiclete (Mimi) e Xavier. Técnico: Paulistinha
 

08/11/1972-Guarany (CE) 0x1 Sampaio Corrêa

18/11/1972-Fortaleza
(CE) 0x1 Sampaio Corrêa

SEGUNDA FASE (GRUPO E)


26/11/1972-Atlético (BA) 1x2 Sampaio Corrêa

29/11/1972-Itabaiana
(SE) 0x0 Sampaio Corrêa

03/12/1972-Sampaio Corrêa 0x0 Tiradentes (CE)
Local:
Estádio Nhozinho Santos
Juiz: Nacor Arouche
Sampaio Corrêa: Jurandir; Célio Rodrigues, Neguinho, Nivaldo e Valdecy Lima; Gojoba e Edmilson Leite (Airton); Lima, Djalma, Pelezinho (Zezé) e Jaldemir. Técnico: Marçal Tolentino Serra
Tiradentes (CE): Toinho; Esteves, Serjão, Murilo e Tinteiro; Eliezer e Soares; Caveirinha, Chiclete (Mimi) Luizinho e Wagner. Técnico: Paulistinha

06/12/1972-Sampaio Corrêa 2x0 Atlético de Alagoinhas (BA)
Local:
Estádio Nhozinho  Santos
Juiz: Adelson Julião (CE)
Gols: Pelezinho aos 29 do primeiro tempo e Edmilson Leite aos 6 minutos do segundo tempo
Sampaio Corrêa: Jurandir; Célio Rodrigues, Neguinho, Nivaldo e Valdecy Lima; Gojoba (Airton) e Edmilson Leite; Lima, Djalma, Pelezinho e Jaldemir (Itamar). Técnico: Marçal Tolentino Serra
Atlético de Alagoinhas (BA): Alex; Nelson, Enio, Silva e Juca; Deco e Catú; Rubinho (Paulinho), Santa Cruz, Ventilador (Dendê) e Vitor (Ventilador). Técnico: Silva

10/12/1972-Sampaio Corrêa 1x0 Itabaiana (SE)
Local:
Estádio Nhozinho Santos
Juiz: José Leandro Serpa (CE)
Gols: Jaldemir aos 30 minutos do primeiro tempo
Sampaio Corrêa: Jurandir; Célio Rodrigues (Ferreira), Neguinho, Nivaldo e Valdecy Lima; Gojoba (Airton) e Edmilson Leite; Lima, Djalma, Pelezinho e Jaldemir. Técnico: Marçal Tolentino Serra
Itabaiana (SE): Carlinhos; Danilo, Paulo, Assis e Messias; Gustinho e Liosmar; Piranha, Debinha (Rinaldo), Tatica e Guaraná.  Técnico: Valdemir Gusmão


13/12/1972-Tiradentes (CE) 2x1 Sampaio Corrêa

DECISÃO DO CAMPEONATO

17/12/1972-Sampaio Corrêa 1x1 Campinense (PB)
Local:
Estádio Nhozinho Santos
Juiz: Ronald Monassa (PI)
Gols: Wolmir aos 36 minutos e Pelezinho aos 45 minutos do primeiro tempo
Sampaio Corrêa: Jurandir; Célio Rodrigues, Neguinho, Nivaldo e Valdecy Lima; Gojoba e Edmilson Leite (Airton); Lima, Djalma, Pelezinho (Prado) e Jaldemir (Pelezinho). Técnico: Marçal Tolentino Serra
Campinense (PB): Olinto; Miro, Ivan Lopes, Deca e Zé Preto; Vavá e Dão; Dinga, Erasmo (Edgar), Pedrinho e Wolmir. Técnico: Zé Preto

Após a prorrogação (30 minutos), a decisão foi decidida nos pênaltis: Sampaio Corrêa 5x4 Campinense (PB)


CAMPANHA: 17 jogos - 8 vitórias - 4 empates - 5 derrotas - 19 gols a favor - 8 gols contra

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