segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Morte em campo durante jogo do Moto Club

Trecho extraído do livro "Memória Rubro-Negra: de Moto Club a Eterno Papão do Norte":

Uma tragédia anunciada. Esse era o diagnóstico clínico para o zagueiro motense Beto, atleta com passagem pelo Papão e que entraria para a triste lista de jogadores que chegaram a óbito em pleno gramado. O trágico incidente ocorreu durante uma partida do Moto Club de São Luis na capital, pelo Campeonato Maranhense de 1985. O atleta Beto, que sucumbiu em campo com a camisa rubro-negra, era casado, embora estivesse separado da esposa havia cerca de 30 dias, devido a um desentendimento com o sogro, que chegou inclusive a baleá-lo na perna direita. Era pai de um menino de três anos. A torcida rubro-negra sempre o via com a raça e disposição que lhe era particular durante os jogos do Papão. Contudo, o que grande parte da dos torcedores simplesmente desconhecia era que Beto sofria de aneurisma cerebral, problema congênito que não pronuncia nenhum tipo de sintoma capaz de avisar que vai acontecer. Quando ocorre, o quadro é praticamente irreversível. Para os médicos que o atenderam em campo, uma sentença: o esforço físico desprendido na partida “pode ter abreviado a morte do atleta por uma ou duas horas. Se ele não tivesse feito nenhum esforço, não quer dizer que o problema viesse a ser evitado. Ele estava condenado a morrer e a rotura da aneurisma era uma questão de uma a duas horas”. O aneurisma era inevitável e poderia acontecer tanto o jogador correndo como andando, se divertindo, sentado, deitado e até dormindo. É um problema congênito que não pronuncia nenhum tipo de sintoma capaz de avisar que vai acontecer. Foi uma fatalidade em campo.

A partida na noite do dia 14 de Setembro de 1985, no Estádio Castelão, transcorria na sua mais plena normalidade, com Moto Club e Tocantins em campo, em jogo válido pelo Segundo Turno do Campeonato Maranhense. Aos 36 minutos do primeiro tempo, o zagueiro Beto caiu já praticamente desfalecido em campo. Encerrava-se ali a sua vida e uma curta carreira de sucesso nos gramados do futebol maranhense. Sob a vista de 2 mil torcedores, os jogadores de Moto e Tocantins ficaram de joelhos e de mãos dadas no gramado, rezando. Em menos de 1 minuto, ao cair clinicamente morto, já estava sendo atendido pelos médicos. Os médicos Cassas de Lima, Ibrahim Assub Neto e João Silva, que prestaram socorro imediato ao jogador, “disseram que a sua morte não seria evitada nem que o problema tivesse acontecido dentro da UTI do Hospital mais aparelhado do mundo, pois aneurisma cerebral é irreversível”. Ao chegar perto do jogador, caído no centro do gramado, “sentiram logo a gravidade da situação e que fizeram o possível para ressuscitá-lo, porque clinicamente Beto já estava morto. As massagens do coração e a respiração boca-a-boca foram apenas tentativas, que de antemão já sabiam que não seriam bem sucedidas”, uma vez que os sintomas indicavam uma rotura de aneurisma de artéria cerebral, devido a convulsões que exalaram os últimos suspiros do atleta motense. 

Este foi um dos últimos lances de Beto antes da tragédia

Após a autópsia, o corpo do zagueiro Beto foi embalsamado pelo Dr. João Silva. Foi velado na Capela da Santa Casa de Misericórdia, de onde seguiu Maceió, Alagoas, onde foi recebido pelos seus familiares. A tragédia alterou a programação de jogos do Segundo Turno do Campeonato. Como não prevaleceram os 36 minutos jogados, nem a vitória parcial do Moto por 1x0, a partida foi reiniciada, de forma integral, começando no 0x0, em nova partida, realizada no dia 26 de Setembro. No novo confronto, o Tocantins venceu pelo placar de 1x0.

Os jogadores do Moto Club lamentaram o trágico fim do ex-companheiro. Alguns, inclusive, chegaram a lembrar os últimos contatos que tiveram com Beto, considerado por todos como a “alegria da sede” do Papão. Marinho, que foi seu companheiro de quarto na concentração no Seminário Santo Antônio e que conviveu mais perto com ele as últimas 24 horas de vida, contou que Beto, “na tarde do jogo, se mostrava inquieto e que até disse que estava com o corpo muito quente, por dentro”. Para tranqüilizá-lo, aconselhou-o a dormir um pouco, mas ele não conseguiu conciliar o sono. Já o goleiro Moreira, um dos melhores amigos de Beto, comentou que o zagueiro, minutos antes do jogo contra o Tocantins, disse estar sentindo uma dor-de-cabeça forte. O seu companheiro de zaga, Gaúcho, frisou que “preferia ficar eternamente na reserva, desde que o Beto permanecesse vivo. Queria ser titular novamente, porém, nunca em circunstâncias iguais a estas”.

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