sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Haroldo Ascensão Prado

Quando um torcedor passa a desejar um jogador adversário é porque acredita que esse jogador pode fazer a diferença. Isso aconteceu com o ponta-direita Prado, na década de 1970. Ele foi alvo de cobiças. Chamava atenção pelas arrancadas preciosas que fazia rumo ao ataque. O domínio de bola, os dribles e o jeito tipicamente moleque do brasileiro eram suas principais características. Fazia a alegria dos corações que apreciam um bom futebol. Conquistou títulos por onde passou. Aos 51 anos de idade, está com todo gás para trabalhar. Formado em Educação Física e História e cursando Direito, aspira dirigir uma equipe. Quer ensinar o que aprendeu na Universidade, aliando o conhecimento da bola como profissional de Sampaio e Moto no Maranhão, além de Paysandu e Remo no Pará. Falando em desenvoltura, mostrando que continua politizado e cônscio de seus direitos, faz questão de dizer que está mais maduro, mais calmo. Um avis para aqueles que o conheceram e sabem o quanto tem um gênio difícil.  Continua mostrando um jeito ríspido no momento em que está defendendo o que é de direito. Tenta se controlar porque sabe o que é perder a cabeça. Já passou por isso. Quando foi um jovem atleta de 21 anos de idade, quebrou a sede do Sampaio por não aceitar o atraso no pagamento de seus salários. “Há males que vêm para o bem”, comentou Prado sobre o episódio que gostaria de esquecer. Depois dessa no Sampaio, ele passou pelo Moto e chegou ao futebol paraense. Fez fama, foi ídolo e pôde dar melhores condições à mulher Conceição e a primeira filha, Rosângela.

Essas e outras boas lembranças do tempo da bola fazem parte da história desse premiado ponta. Quando pequeno, ia ao Estádio Santa Isabel, levado pelo tio Serra ‘Pano de Barco’, lateral de vários clubes. Já adolescente, jogou futebol de salão na Escola Técnica. Entrou para o futebol de campo aos 17 anos, com o juvenil do Sampaio Corrêa. Rapidamente ingressou no seleto time dos profissionais. “Com juvenil, participei de uma excursão a Belém, pelo Torneio Maranhão/Pará. Quando voltamos, entrei no time principal do Sampaio numa data inesquecível: 3 de Maio de 1969. Era dia do meu aniversário de 18 anos”. Após a temporada, Prado ficou conhecido. Sua estreia oficial aconteceu em 17 de Fevereiro de 1970. O Sampaio perdeu para o Maranhão Atlético Clube por 1 a 0 num torneio que contava com a participação do Feira de Santana da Bahia. Jogavam Netinho; Célio Rodrigues, César Habibe, Clécio e Ribeiro; Adeildo, Roberto e Haroldo, Prado, Célio Costa (Djalma) e Itamar. O técnico foi Ivo Hoffman. Vieram os títulos do Brasileirinho e do Campeonato Maranhense em Dezembro de 1972. Logo após, o Sampaio encerrou as atividades e não acertou o pagamento devido a Prado. De cabeça quente, ele quebrou tudo o que havia dentro da sede do clube, localizada na Rua de Santa Rita, no Centro de São Luis. Ganhou na marra os salários e o passe livre. 

 Sampaio Corrêa em 1971

Sampaio Corrêa em 1972. Em pé: Nivaldo, Paulo Figueiredo, Neguinho, Célio Rodrigues, Eraldo e Gojoba; agachados: Djalma Campos, Prado, Vamberto, Roberto, Zé Carlos e Pelezinho

Em 14 de Janeiro de 1973, estreou pelo Moto, que disputou o Torneio Maranhão-Pará. Participou apenas de um jogo, com vitória por 3x1 diante do Paysandu jogando com Assis; Sérgio, Marins, Sansão e Edair (Elias); Faísca e Joari; Prado, Olavo (Zé Augusto); Zé Branco e Batistinha. Técnico: o carioca Antônio Pereira. Despertou o interesse dos dirigentes paraenses. “Quando o jogo acabou, fui sondado pro alguns diretores do Paysandu. Aceitei a proposta e no mesmo dia peguei minha mala e me mudei para Belém/PA. Depois vim buscar minha família”. Prado considera esse período no Paysandu bastante feliz. “Pela primeira vez um time do Norte e Nordeste do país participou do Campeonato Brasileiro da Divisão Especial. Estávamos reforçados com o atacante Fio Maravilha, o meia Ivair e o goleiro Edson Borracha”. Mesmo contrariando uma norma de não contratar jogador adversário, o time do Remo comprou o passe de Prado, atendendo solicitação do treinador Paulinho de Almeida. “Esse caso raro aconteceu em 1975. Deu certo. Fui bi, tri e tetracampeão”. Depois veio emprestado para o Moto em 76 e participou da campanha do título de 1977.

Moto de 1977. Em pé: Cassas de Lima, Haroldo, Marão, Irineu, Paulo Ricardo, Bitonho, Meinha, Ney e Alexandre Francis (diretor); Agachados: Gaudêncio (massagista), Prado, Adãozinho, Carbono, Edmilson Leite e Acir. O mascote é Edmilson Mariceuzinho

No retorno ao Pará, voltou a se desincompatibilizar, agora com o treinador Jouberth, aquele que revelou Zico (Flamengo e Seleção Brasileira). Ganhou o passe e veio trabalhar em São Luis. “Fui contratado pelo Sampaio. Ajudei na conquista do titulo de 1978”. O seu último jogo foi contra o Moto pelo Campeonato Brasileiro, vitória por 1x0. A partir daí Prado não se entusiasmava mais para continuar jogando futebol. Antes de parar de vez, participou de uma partida pelo São José, doa 4 de Julho de 1981, eliminado pelo Moto no Torneio Início. Depois, assumiu a função de técnico juvenil no Tupan e no Sampaio. No Tupan revelou Paulo Lifor e Ayrton Oliveira, o Oliverrá, que jogou na Bélgica; no Sampaio foi auxiliar-técnico de Spinoza. E ai veio nova polêmica. Ficou 14 meses sem receber salários, entrou na justiça e se afastou. Assumiu o lugar do pai como oficial de Justiça do Estado. Paralelamente formou-se em Educação Física, depois em História pela Universidade Federal do Maranhão.

Texto extraído do Jornal O Estado do Maranhão, de 01 de Julho de 2002

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