sábado, 15 de março de 2014

Clemer, um goleiro campeão do mundo com passagem por Maranhão e Moto Club



Quando despontou com apenas 15 anos no já extinto Tupan, da Madre Deus, o jovem Clemer sequer imaginaria o rumo que a sua carreira seguiria dali em diante. Apesar de um acidente grave que, por um instante o fez repensar a carreira, o goleiro nunca desistiu de seguir jogando futebol e tentar a sorte em um grande centro do Brasil. Conseguiu. Após rodar por alguns clubes maranhenses e do Norte, ganhou notoriedade na Portuguesa de Desportos vice-campeã Brasileira em 1996, despontando, em seguida, para clubes mais tradicionais, até conquistar o Mundial de Clubes no Japão. Coincidentemente, o nome de Clemer foi escolhido por seu pai numa homenagem a outro goleiro, Ray Clemence, que fez história no Liverpool.

Quando garoto, Clemer Melo da Silva, nascido em São Luis no dia 20 de Outubro de 1968, começou a jogar pelada no Habitacional Turu, na capital maranhense. Convidado pelo Presidente do Tupan, sr. Alexandrino, o garoto rapidamente ingressou nas divisões de base do clube indígena, a princípio como zagueiro. Devido a sua estatura (1m90), aceitou a sugestão de companheiros e passou a atuar no gol. Rapidamente foi elevado à categoria de profissional, em 1987, disparando o Campeonato Maranhense daquele ano pelo time indígena, treinador por Aurino Vieira e com a base formada por Clemer; Pedro, Dutra, Chico e Ivaldo; Mazinho, Batista e Vinicius; Adail, Neto e Lélio.

Clemer chegou ao Moto Club em 1987, quando tinha apenas 19 anos de idade. Bastante seguro na meta, realizou grandes jogos pelo Papão do Norte e logo despertou o interesse de outros clubes. A convite, logo foi para São Paulo, a fim defender, em 1989, o então Guaratinguetá Esporte Clube, clube paulista de menor expressão, e posteriormente o Santo André, que acabou comprando o seu passe. Ainda teve uma breve passagem pelo Guaratinguetá antes de retornar a São Luis, para defender, por empréstimo, as cores do Maranhão Atlético Clube, em 1990.

Um acidente quase mudou a vida e a carreira do jovem goleiro atleticano: quando retornava de um treino do Maranhão, Clemer envolveu-se em um acidente no próprio Bairro do Turu, quando um ônibus acabou atingindo a sua bicicleta. Com parte da mão acidentada, ele acabou se afastando por um tempos dos gramados, inclusive cedendo o posto de goleiro titular atleticano ao jovem Raimundão. Por causa do acidente, o Maranhão e até mesmo o Santo André não se mostraram mais interessados pelos seu concurso. Então os familiares de Clemer se reuniram e compraram seu passe junto à equipe paulista, na época, por Cr$ 7 milhões. Esse foi um presente dado pela família ao jogador.

Em 1993, já recuperado, Clemer foi jogar pelo Ferroviário do Ceará, tornando-se vice-campeão alencarino. Rapidamente o goleiro foi convidado a voltar ao Moto Club, na época contando com o goleiro Geraldo, desacreditado pela torcida e que acabou passando ao posto de reserva. Contratado a pedido do treinador José Carlos Quieróz, Clemer assumiu a posição, foi campeão da Taça Cidade de São Luís em 1993 e fez uma boa campanha no Campeonato Brasileiro da Série B em 1994. Pelas suas atuações, ainda nesse ano acabou transferindo-se para o Clube do Remo, onde foi levado pelo jogador Mazinho, que lhe abriu os olhos para novos horizontes, acreditando na sua condição de atuar em qualquer time do Brasil. Na time azulino, Clemer conseguiu conquistar duas vezes o Campeonato Paraense (1994/95) e chamou a atenção de outros clubes. Assim, posteriormente esteve no Goiás, entre 1995 e 1996, quando foi considerado um dos três melhores goleiros do Campeonato Brasileiro, até chegar à Portuguesa de Desportos, clube que mudaria definitivamente a trajetória de Clemer no futebol brasileiro.

A Portuguesa de Desportos de 1996, segundo ano de Clemer naquele time, não ganhou nenhum título de expressão, mas ficou marcada por estar entre as melhores equipes do país naquele ano, conquistando o título de vice-campeã brasileira. Assim, no ano seguinte, não só o goleiro foi contratado pelo Flamengo, mas também Rodrigo Fabri, então companheiro de Clemer. Clemer brilhou no clube carioca até 2002, antes de levantar pelo menos sete taças pelo time rubro-negro. Porém, a profissionalização de Júlio César acabou ofuscando o potencial de Clemer, e quando saiu da Gávea, o ex-goleiro já houvera sido relegado à condição de reserva.

Do Flamengo, seguiu para o Sul. Chegou ao Internacional em 2002. Após temporadas intermediárias em 2003 e 2004, Clemer ajudou o Inter a ser vice-campeão Brasileiro em 2005 e conquistou a Taça Libertadores da América e a Copa do Mundo de Clubes da FIFA em 2006, os dois títulos mais importantes de sua carreira. Em 2008 na final do Campeonato Gaúcho, Clemer marcou um gol de pênalti na goleada do Internacional sobre o Juventude por 8 a 1. Em 21 de Julho de 2007, completou, contra o Juventude, a incrível marca de 300 jogos como goleiro do Internacional. No final de 2007, com 39 anos de idade, renovou por mais um ano com o time. Já em final de carreira, Clemer recebeu propostas de partidos políticos para se candidatar a Deputado Estadual ou Federal nas Eleições de 2010, quando aposentou-se como jogador e virou preparador de goleiros do Colorado.



Um comentário:

  1. Um grande goleiro. Que seja um técnico de grande expressão no futebol brasileiro.

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