segunda-feira, 30 de julho de 2012

Geraldo, quarto-zagueiro de fé

Matéria de Edivaldo pereira Biguá e Tânia Biguá, página "Onde Anda Você?", do Jornal O Estado do Maranhão, de 02 de Abril de 2001.


Jogar futebol no Norte ou Nordeste, até bem pouco tempo, era como passatempo ou trampolim para conseguir algum emprego na área privada ou pública. A história de Geraldo é bem assim. Pernambucano de Recife, veio para São Luis em busca de aventura, fama e dinheiro. Acabou jogando nas principais equipes da capital maranhense e terminou sendo empregado nas Centrais Elétricas do Maranhão – CEMAR (atual “Companhia Energética do Maranhão”). Gostou tanto da cidade que não voltou mais para sua cidade natal. Recentemente converteu-se ao evangelho e ratificou o que diziam dele nos tempos áureos do tricampeonato conquistado pelo Moto Club (1966/67/68): Geraldo, quarto-zagueiro de fé.
Garra, vontade de vencer, determinação, perseverança, coragem, competência e fé são algumas virtudes de Geraldo Mariano Carneiro Virgílio, pernambucano, nascido em 21 de maio de 1944, no Bairro de Santo Amaro, em Recife. Contrariando os pais, José Vicente Virgílio e Dolarice Carneiro Virgílio, ele perseguiu o sonho de ser atleta profissional de futebol desde cedo. Em 1957, quando estava cm 13 anos de idade, foi treinar nas escolinhas do América de Recife. Já tinha um bom porte físico. Gostava de marcar, dar cobertura aos laterais e distribuir as jogadas de ataque. “Já jogava como um líbero”, acrescenta.
Paralelo à escolinha do América, passou pela peneira do Santa Cruz e jogou em times de Usinas de açúcar, no interior de Pernambuco e pelo Combinado da Vila, um time do Bairro de Santo Amaro. “Foram sete anos nessa vida de mambembe do futebol”.
A primeira oportunidade para jogar profissionalmente apareceu em 1964. “Eu e alguns amigos soubemos que tinha um dirigente maranhense que estava em Recife buscando reforços para o seu time que iria disputar o campeonato de profissionais daquele ano, em São Luis. Quando menos esperava, ele falou comigo e com outros companheiros. Aceitamos as condições e viemos para o Esporte Clube Nacional, que tinha sede na Rua São Pantaleão, no Centro de São Luis. O dirigente que nos trouxe foi o tenente Ferreira Novaes – ex-árbitro de futebol e um apaixonado pelo Nacional”.
Com Geraldo vieram de Recife Bilanga (goleiro), Quincas, Almir, Cio, Oton, Pedrinho, Moacir e Macarrão. Juntaram-se a Escorrega, Polegada, Cícero, Terrível, Elias, Jocemar e Ribamar Raxa (maranhense). Terminaram o campeonato em boa colocação; “Ficamos em terceiro lugar, atrás de Sampaio Corrêa e Moto Club. Ganhamos o direito de representar o futebol maranhense, junto com Sampaio e Moto, no Torneio Maranhão/Piauí daquele ano. Acontece que viraram a mesa na Federação Maranhense de Desportos, acabando por tirar nosso time e colocando o Maranhão Atlético Clube. Alegaram que o MAC ganhou a vaga por ter sido o terceiro colocado em arrecadação e que nos havíamos conquistado o terceiro lugar técnico da competição. A arrecadação valeu mais que o critério técnico”.
Com essa decisão, o Nacional ficou sem jogar e não tinha como faturar para honrar seus compromissos com os atletas. Muitos abandonaram o futebol ou retornaram para Pernambuco. Geraldo foi transferido para o MAC. “Passei um ano lá (1965). Tive o privilégio de jogar ao lado de Lunga e Valdeci (goleiros), Neguinho, Carlindo, Clécio, Croinha, Alencar, Barrão, Zuza, Wilson, Neto, Valdeci (centroavante), Negão e outros...”.
No Nacional e no MAC, Geraldo jogou de cabeça de área. Quando Clécio foi vendido para o América/CE, o técnico maqueano Ênio Silva deslocou Geraldo do meio de campo para a quarta-zaga. “Pronto! Gostei da posição e não sai mais dela. Tinha em mente que por mim só passava um de cada vez, a bola ou o atacante, os dois nunca!”.

 Moto Club na Taça Brasil de 68

Moto em 1968: em pé - Neguinho, Vila Nova, Carlos Alberto, Alzimar, Geraldo e Corrêa; agachados - Baé, Djalma, Pelé, Amauri, Santana e Zezico

Os melhores anos de Geraldo no futebol maranhense aconteceram em 1966/67 e 68, quando estava no Moto Club e levantou o tricampeonato estadual. “Quando cheguei ao Moto, o titular era Avim da Guia, um cracaço de bola. Infelizmente ele se machucou e voltou para o Rio de Janeiro. Professor Rinaldi Maia guindou-me à condição de titular e não dei chance a ninguém”.
Nesse tricampeonato o Moto montou um time inesquecível que ficou junto por três anos: Vila Nova; Paulo, Alzimar, Geraldo e Corrêa; Ronaldo e Ananias; Zezico ou Neto (Peixe Pedra); Hamilton, Amauri e Pelezinho. Ribamar Raxa também fazia parte do grupo que teve três treinadores: Rinaldi Maia, Bero e Marçal Tolentino Serra.

 Papão do Norte em 1969

 Moto Club em 1969. Em pé: Paulo, Paulo Figueiredo, atleta não identificado, Allmeida, Pinto, Osvaldo, Alzimar, Geraldo, Manga e Assis. Agachados: Corrêa, Antônio Chulipa, atleta não identificado, Toca, João Bala, Marcílio, Pelezinho e Cadinho.

Em 1969, aceitou convite da diretoria Sampaina e disputou o campeonato pelo Sampaio Corrêa, que acabou não fazendo nada na competição. O título ficou com o MAC, time que voltou a jogar em 1970, ajudando a conquistar o bicampeonato (1969/70). Em 1971, foi tentar a sorte no Guarani de Sobral/CE. “Fiquei só seis meses e decidi voltar”.
As amizades conquistadas ao longo do futebol valeram o emprego da CEMAR em Janeiro de 1972. Continuou disputando o campeonato de profissionais pelo São José, do amigo Mazinho. Com 28 anos de idade, trocou o futebol profissional pela segurança e estabilidade de um emprego público. Fincou de vez as raízes em São Luis.

2 comentários:

  1. boa noite estou escrevendo para dar uma noticia triste: Geraldo mariano e o meu pai e ele faleceu no dia 25/08/2013.

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