quarta-feira, 25 de julho de 2012

Dr. Cassas de Lima, um apaixonado pelo Moto Club

                   O post de hoje é especial: vou falar um pouco sobre o médico Dr. Cassas de Lima, que trabalhou durante muitos anos em favor do Moto Club e foi o meu professor no curso de Educação Física pela Universidade Federal do Maranhão, em 2005. Fui, inclusive, membro da sua última turma enquanto professor daquela instituição.

Quando falamos em figuras que fazem parte e às vezes se misturam á própria história do Moto Club de São Luis, fica praticamente impossível não associar a figura do médico ortopedista Antônio José Cassas de Lima, um dos baluartes na vida do rubro-negro maranhense. No Papão do Norte, além de médico, o Dr. Cassas de Lima foi de tudo: dirigente, conselheiro, auxiliar, Presidente do GAMO (Grupo de Apoio ao Moto) e, principalmente, torcedor. Com muito trabalho, amor e dedicação ao Moto Club, Cassas foi Tricampeão Maranhense em 1968, Bicampeão em 1974, Campeão em 1977 e Tricampeão em 1983.
Nascido em Vargem Grande (MA) no dia 02 de Fevereiro de 1942, Cassas de Lima é casado com Maria da Graça Sousa Cassas de Lima e pai de três filhos (Vinícius, Ulisses e Geovani). Os seus genitores são Ari Teixeira Lima e Florinda Cassas de Lima, esta última descendente de Libaneses com Sírios e nascida na Argentina. A paixão de Cassas de Lima com o futebol vem desde os tempos de garoto, onde aprendeu a gostar da bola. Porém, quando adolescente, o médico mantinha o sonho pela carreira militar ou ser piloto de avião. Como foi logo reprovado nos exames militares e sem condições financeiras para a realização do segundo sonho, a Medicina foi a opção que, segundo o próprio Cassas de Lima, o realizou como profissional. Foi cinco vezes campeão pelo time da Faculdade de Medicina, jogando como zagueiro central. Após vários anos de aprendizado em São Paulo e a formatura, veio a estrada em direção ao Moto Club, a convite do Major Pereira dos Santos, em 1968, época onde o rubro-negro chegou ao seu primeiro tricampeonato estadual.

 Cassas do banco de reservas do Papão

Durante mais de 20 anos, houve uma perfeita sincronia entre Cassas e o Moto, onde ele manteve sempre uma liderança firme, sempre chefe do departamento médico e diretor do clube (Cassas foi Presidente do Papão em 1980, quando foi buscar jogadores do Vasco da Gama do Rio de Janeiro para o rubro-negro maranhense). Seu consultório, na Travessa da Passagem, Centro de São Luis, é o ponto central das reuniões do clube e Cassas de Lima não faz qualquer objeção, mesmo sacrificando sua profissão, tudo em nome do Moto Club. Ele sacrificou vida, família e patrimônio pelo rubro-negro. O seu consultório era uma espécie de segunda casa dos jogadores, pois diversos atletas eram operados muitas das vezes de graça por ele. Cassas, inclusive, chegou a hospedar jogadores em sua própria residência. Em uma oportunidade, durante um mês segurou leito para um atleta do Moto recém operado chamado Cadinho. O jogador Zé Branco, que rompeu os ligamentos do joelho numa bola dividida contra o goleiro Carlos Afonso, do MAC, em um jogo debaixo de muita chuva, foi operado por Cassas de Lima e passou quase um ano sem jogar. 
Cassas auxiliando um atleta: "Eu opero", garante ele.
 
Cassas de Lima muitas das vezes deixava de ser o Presidente para ser o torcedor, tamanha a sua paixão pelo Moto Club. No Campeonato Maranhense de 1983, segundo informações colhidas por mim junto ao ex-treinador Marçal para o livro do Moto Club, a primeira partida do Papão na competição, dia 17 de Julho contra o Maranhão, foi anulada pelo TJD e remarcada para o final do campeonato. O jogador Lutércio, em um problema interno, destratou agressivamente a cozinheira do Moto e Marçal Tolentino Serra, pela indisciplina, o barrou. Dr. Cassas, junto com Paulo Brito, o levou para pedir desculpas ao treinador, para que ele fosse reintegrado ao elenco. Sentindo a necessidade de um atleta com o potencial de Lutércio no elenco, Marçal o aceitou de volta após um pedido de desculpas também à cozinheira. Para a decisão contra o MAC, dia 21 de Dezembro, somente participariam os atletas inscritos no início da competição, Marçal acabou escalando Lutércio com a faixa de capitão. Enquanto pôde, Marçal o afastou dos jogos, mas no momento decisivo, por não contar com atletas de peso no banco, acabou o escalando. Marçal não poderia brigar contra Lutércio sabendo que ele era um excelente jogador e que seria fundamental naquela decisão, pois havia jogadores no elenco que não poderiam atuar naquela decisão. Nesse ano, o Moto concentrava no Seminário Santo Antônio, perto do Ribeirão. Lá perto também havia um campinho, onde o Moto treinava. Os atletas de fora, depois, também moravam no hotel Ribeirão e, em dia de jogos, todos se concentravam lá.

 Moto de 1977. Em pé: Cassas de Lima, Haroldo, Marão, Irineu, Paulo Ricardo, Bitonho, Meinha, Ney e Alexandre Francis (diretor); Agachados: Gaudêncio (massagista), Prado, Adãozinho, Carbono, Edmilson Leite e Acir. O mascote é Edmilson Mariceuzinho.

Nos anos 80, Cassas, por problemas com dirigentes, afastou-se do Papão do Norte. Na época, especulava-se que o médico estaria assinando com o Sampaio Corrêa. Uma resposta categórica, porém, foi o bastante para encerrar o assunto: “Não servirei outro clube que não seja o Moto. Meu coração é rubro-negro e este sentimento vai comigo para o túmulo!”. Esse era o médico, desportista e apaixonado pelo Moto Club, Dr. Cassas de Lima. 

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