domingo, 8 de março de 2015

Moto Club 2x1 Sampaio Corrêa (1976): centésima vitória rubro-negra no Superclássico


O Moto Club de São Luís completou a centésima vitória diante do Sampaio Corrêa em toda a história do Superclássico na noite do dia 14 de Abril de 1976 (uma quarta-feira), ao derrotá-lo pelo placar de 2 a 1. O jogo, pela movimentação, agradou ao grande público que compareceu ao Estádio Municipal e dividido em um tempo para cada time.

A primeira etapa foi totalmente do Moto Club, que dominou de ponta a ponta graças ao erro de armação da equipe sampaína, que apareceu com Ferraz de meia-direita. Com o domínio da meia cancha, o Moto partiu para cima do Sampaio, que, ataboado, deixava que o adversário deitasse e rolasse no gramado. Aos 10 minutos o Sampaio perdeu a grande oportunidade dessa etapa de jogo com Durval, metendo a bola na trave. Aos 19 era Carbono quem inaugurava o marcador, ajudado pela infantilidade do goleiro Dé, que além de deixar que a bola pingasse na pequena área, deixou passar entre as suas mãos a cabeçada do atacante. E o time sampaíno continuava jogando errado, com a defesa sem cobertura, com as saídas de Eliézer na tentativa do gol e com os pontas totalmente anulados. Aos 28 minutos era Edmilson Leite quem ampliava o marcador chutando da entrada da grande área uma bola espirrada da defesa sampaína. Depois do segundo gol, a direção técnica do Sampaio tentou consertar as coisas com a entrada de Tupan no lugar de Ferraz, Isto foi o suficiente para equilibrar as coisas no meio-campo, mas não para mudar o panorama da situação. O Sampaio teria que tentar alguma fórmula para anular as investidas do Moto Club, principalmente o trabalho de Edmilson Leite, que jogava à vontade e Carbono sem marcação recebia as bolas sempre livre e partia já com a situação dominada e levando sempre perigo ao arco de Dé, mas nada foi feito.

Para a segunda etapa o panorama mudou. Passou a ser o Sampaio, já que o Moto resolveu erradamente garantir o placar que lhe era favorável. A sorte do Moto foi que o Sampaio não soube aproveitar a sua superioridade e, para infelicidade sua, teve outra bola na trave, numa bomba de Tupan. A direção técnica motorizada tentou despertar o interesse pelo ataque, fazendo entrar Meinha, Petinha e Prado, que infelizmente não surtiu efeito. Várias oportunidades de gols surgiram para a equipe sampaína, que foram sendo desperdiçadas por falta de tranquilidade no trabalho com a bola ou nos lançamentos para os pontas. Mas como o futebol é brincadeira, o Sampaio tirou de campo o ponteiro Maneca para a entrada de Bimbinha. Mesmo assim o Sampaio continuava dominando para conseguir o seu gol único, aos 41 minutos, por intermédio de Gilmar. Esse gol veio apenas para levar um pouco de esperança à sua torcida e mais motivação ao time, que quase conseguia o gol de empate numa jogada em que Ney fez milagre para neutralizá-la.

As organizações do jogo Moto x Sampaio, cuja renda seria revertida em parte à Campanha da Fraternidade, ameaçaram processar os responsáveis pela divisão da arrecadação do jogo, sem a prévia autorização das senhoras que fizeram a promoção da partida. Ao final do jogo, os dirigentes de Moto, Sampaio, Maranhão, Tupan e Vitória do Mar resolveram dividir o arrecadado no estádio, cerca de Cr$ 75.500,00, deixando que o restante do que fora apurado para a Campanha da Fraternidade. Acontece que a coma apurada por fora não chegou nem a 10% e o acordo afirmado anteriormente destinava 50% à Campanha da Fraternidade. Maranhão, Tupan e Vitória do Mar se beneficiariam de Cr$ 5 mil cada, enquanto Moto e Sampaio ficaram com cerca de Cr$ 30 mil.

A superintendência do estádio e a FMD mostraram-se inoperantes para evitar o rateio da arrecadação e quando as organizadoras do jogo protestaram, o Presidente da FMD tentava reaver a parte que os clubes levaram indevidamente. O Moto se prontificou a devolver, mas o Sampaio não se pronunciou e sabe-se que teria dificuldades em devolver a parte que cabia à campanha, quase Cr$ 10 mil, porque todo o dinheiro foi logo empregado em despesas do clube, tendo sido inclusive pago parte do repasse do atacante Cabecinha, comprado junto ao Maranhão Atlético Clube.

A arrecadação total a Cr$ 90 mil, muito abaixo da estimativa, pois a renda foi prejudicada pelo mau tempo e pela má distribuição na venda dos ingressos. As responsáveis pela Campanha da Fraternidade conseguiram passar apenas Cr$ 9 mil de ingressos, quando se esperava que passassem mais de Cr$ 100 mil. De certa forma, houve uma decepção geral por parte dos dirigentes e por este motivo tomaram a iniciativa de dividir o que foi apurado nas bilheterias do estádio, sem uma prévia prestação de contas.




FICHA DO JOGO


Moto Club 2x1 Sampaio Corrêa
Local:
Estádio Nhozinho Santos
Renda: Cr$ 90.000,00
Público: 9.211 pessoas
Juiz: Josenil Sousa
Bandeirinhas: Wilson de Moraes Wanlume e Raimundo Lima
Gols: Carbono aos 20 e Edmilson Leite aos 30 minutos do primeiro tempo; Gilmar aos 40 minutos do primeiro tempo
Expulsão: Cabrera aos 40 minutos do primeiro tempo
Moto Club: Nei; Ivan, Marins, Paulo Ricardo e Breno; Rogério, Nunes e Edmilson Leite (Meinha); Lima (Prado), Carbono (Petinha) e Cláudio (Santana). Técnico: Marçal Tolentino Serra
Sampaio Corrêa: Dé (Crésio); Zé Alberto (Cabrera), Paulinho, Sérgio e Ferreira; Elieser, Ferraz (Tupan) e Bolinha; Gilmar, Durval e Maneco (Bimbinha) (Moisés). Técnico: Brito Ramos

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