sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

"MOTO CLUBE, O JUBILEU É VERDE E ROSA E A FESTA É RUBRO-NEGRA"


A ARBCES Turma de Mangueira, uma das mais tradicionais escolas de samba de São Luis e a mais antiga do Maranhão, comemorou em 2004 os seus 75 anos de história, onde constam diversos títulos e enredos memoráveis dentro do carnaval ludovicense. No ano em que a escola completava o seu jubileu, os foliões da cidade de São Luis recebiam um grande presente: a construção e entrega da Passarela do Samba, localizada no Anel Viário. Na verdade, tratava-se de um espaço adaptado para as comemorações carnavalescas e que, no restante do ano, seria desativado para o fluxo normal de veículos daquela área. O ponto alto do carnaval de 2004, contudo, ficou por conta do tão aguardado desfile da escola que vestia as cores verde e rosa. Nesse ano, em específico, porém, a agremiação carnavalesca do bairro do João Paulo deixaria as suas tradicionais cores de lado e trajaria o vermelho e preto na avenida, reavivando uma parceria de sucesso entre o samba e o futebol na avenida: a Turma de Mangueira estará levando, para a recém-inaugurada passarela do samba, o enredo ‘Sonhos realizados – O jubileu é verde e rosa e a festa é rubro-negra’, homenageando um dos clubes de maior tradição do Estado, o Moto Clube de São Luis, além de lembrar a memória de um dos seus maiores compositores, Messias, que também foi jogador de futebol.

Os membros da Turma de Mangueira prometeram transformar a passarela em uma verdadeira arquibancada, levando toda a emoção dos jogos para a Avenida do Anel Viário. A idéia de homenagear o Papão do Norte surgiu pela estreita ligação entre componentes da escola, que também fazem parte de torcidas organizadas do Moto, a Motofolia. O desfile contaria a história das torcidas organizadas e do próprio Moto Club. A inspiração para o tema surgiu durante o jogo Moto x Vasco da Gama, pela Copa do Brasil de 2003, quando cerca de 30 membros da bateria da Turma da Mangueira, que participavam do projeto “Manguerê”, do Unicef,  foram convidada a se fazer presente nas arquibancadas. Também pela afinidade de alguns componentes da Motofolia também pertencerem a Turma de Mangueira, resolvemos homenagear o Moto Club, afirmou o compositor Valtinho do Pagode, um dos responsáveis pela organização da escola. Curiosamente, a escola começou a trabalhar o seu tema-enredo havia apenas uma semana antes do desfile, marcado para a noite do dia 22 de Fevereiro.

O samba enredo “Sonhos realizados – o Jubileu é verde-rosa e a festa é rubro-negra”, de autoria de Waltinho do Pagode, Alysson Ribeiro, William Mota, Nonato, Josias, Edinho e Zé Pivô (os puxadores eram Allysson Ribeiro e Judázio Catito): Canta meu povo, para ser feliz / Eu sou Mangueira e Moto Club em São Luis / Canta meu povo, para ser feliz / Eu sou Mangueira e Moto Club em São Luis. Orgulhosamente a Verde e Rosa / Mostra em cena essa união / Estendo o convite às torcidas / Elas são merecidas do nosso grande amor / O sonho virou realidade / A mais queria vem á passarela apresentar / Seu Jubileu de Brilhante Clássico de emoção / Sampaio e Moto / Moto e Maranhão / Alô, Mangueira, eu sou Papão! / Salve Messias, minha grande inspiração / Olha o gol! / É gol de falta/ Que emoção! / Balança arquibancada, o Papão é campeão

Durante o período de preparação para o desfile, vários contratempos ocorreram, o que dificultou a preparação de toda a escola. Até dois dias antes da Turma de Mangueira entrar na Passarela do Samba, apenas um carro alegórico, o abre-alas, estava pronto. Os demais estavam em fase de acabamento. Em compensação, as fantasias foram confeccionadas também na madrugada do dia 20, novamente véspera da apresentação da escola, do então carnavalesco José Carlos Junior. No total, a Turma de Mangueira, sob a presidência de Paulo de Tarso, foi para a avenida, segundo consta, com três carros alegóricos e quatro tripés, além de 14 alas (com 100 componentes cada), assim distribuídos: comissão de frente, futebol feminino, ala das festas (fofões), quadro alegórico e pernas de pau, imprensa, Messias, Alamoto, Bateria, Clássico das Emoções (paz no futebol), velha-guarda, Dragões da Fiel, baianas, Gaviões da Ilha e Motofolia. Na ala da imprensa esportiva, vários jornalistas confirmaram presença; na ala Clássico das Emoções, paz no futebol, que fazia alusão aos clássicos do futebol maranhense entre Moto Club, Maranhão Atlético Club e Sampaio Corrêa, onde os passistas vestiram fantasias alusivas aos uniformes de bolivianos e maqueanos.

O carro abre-alas trazia um bolo em comemoração aos 75 anos da própria Turma de Mangueira, falando um pouco da vida de Messias, um dos grandes compositores da história da escola e falecido há mais de 50 anos. Em seguida a escola retrataria um pouco sobre a história do Papão do Norte e das torcida. Do desfile, além de integrantes das torcidas organizadas, participaram integrantes da diretoria motense. Também foram convidadas as torcidas organizadas do clube, como a Dragões da Fiel, a Motofolia, Alemoto e Gaviões da Ilha.

Na noite do dia 22 de Fevereiro, às 20h00, milhares de pessoas compareceram, ao desfile das escolas de samba de São Luis, ocorrido na passarela do Anel Viário. Mesmo com mais de três horas de atraso, as oito agremiações esbanjaram alegria, samba e muito entusiasmo. A demora foi motivada por que as impressoras da Comissão Organizadora do evento quebraram na tarde de domingo, quando os mapas de apuração e o próprio regimento do desfile estavam sendo impressos, deixando os jurados impossibilitados de trabalhar. Debaixo de muita chuva, a Turma de Mangueira foi a segunda escola a desfilar, reverenciando os 75 anos da própria agremiação e também o time do Moto Club de São Luis. A escola trouxe 1.800 componentes para a passarela. Além das cores verde e rosa, por causa do tema, a agremiação incorporou também o vermelho e preto. Uma ala homenageou, especialmente, o time de futebol. A Turma de Mangueira ficou na última colocação (8º lugar), com 142 pontos. A Turma do Quinto, que homenageava o Presidente do Congresso Nacional e ex-presidente da República, o Senador José Sarney, foi a campeã, com 180 pontos. Valeu pelo registro da justa e eternizada homenagem ao Papão do Norte na Passarela do Samba, assim como a sua gloriosa história nos gramados.
 

 

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