quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Sansão, firmeza da defesa atleticana


Texto extraído do livro "Salve, Salve, meu Bode Gregório: a História do Maranhão Atlético Clube"

Sansão, zagueiro do MAC

Quem assistia aos jogos do Maranhão entre 1969 e 1972, ficava encantando com a força e agilidade de um quarto-zagueiro que sabia como ninguém manter a liderança em campo e, de quebra, ser um dos grandes destaques da equipe em campo. Era um excelente jogador, mesmo sem ter técnica. Sua virilidade e capacidade de combate superavam tudo. Cumpria sua obrigação de forma espetacular. Era tranquilo na defesa por causa do vigor físico. Outra grande característica sua era a cabeçada no ataque, que sempre culminava em gols. Fora de campo, esteve sempre envolvido em conflitos com dirigentes porque não ficava calado diante das injustiças cometidas no futebol. Esse era Sansão, líder da defesa atleticana e que durante quase quatro anos viveu uma fase de ouro com a camisa do Glorioso. Além de títulos (coincidentemente os seus únicos na carreira profissional), Sansão ganhou o respeito da torcida, dirigentes, imprensa e desportistas em geral.

Raimundo Chagas nasceu no dia 19 de Janeiro de 1947, no lugarejo Rio São João, pequeno povoado localizado na estrada de São José de Ribamar. De uma infância muito humilde, o garoto Raimundo dividia o seu tempo entre os estudos e a diversão dos garotos, o futebol. Jogava em todas as posições, de goleiro a atacante. E foi desde muito cedo que ganhou o apelido que o consagraria dentro e fora dos gramados, já que ele usava longos cabelos e era forte, igual ao personagem do Livro de Juízes da Bíblia. No campo, era valente, habilidoso e leal com os companheiros, fazendo jus ao apelido. O seu pai, João Roberto Chagas, motense fervoroso, torcida para que algum dos filhos seguisse a carreira de jogador profissional. E o sonho começaria a se realizar quando Sansão, aos 15 anos de idade, passou a integrar, em 1963, o segundo quadro do Sete de Setembro do Rio São João, equipe formada por familiares do bairro que organizaram a equipe para disputas amadoras. Sansão jogava na posição de centroavante e somente quando despontou profissionalmente, dali a alguns anos, foi que abandonou a posição, atuando como quarto-zagueiro.

Sansão começaria a despertar o interesse pelos chamados grandes clubes da capital após deixar a região da cidade Balneária de Ribamar e mostrar o seu futebol nos gramados de São Luís. Nessa época, os times ludovicenses frequentemente visitavam os subúrbios ou as cidades menores em busca de novos talentos. E foi em um desses encontros que o jovem atleta foi levado para o Esporte Clube Nacional. O Diretor de Futebol da equipe, Domingos Dezoito, levou o Nacional para uma série de partidas no Sitio São João, em Ribamar. O dirigente acabou se encantando com o futebol hábil de Sansão e o convidou, em Outubro de 1966, para assinar como amador com a sua equipe. O craque jogou por quase dois anos no Nacional, até a equipe encerrar as suas atividades. Com a paralização, Casanovas, dono na Fábrica Santa Rosa e dirigente do Graça Aranha, o levou para o GAEC, em Setembro de 1967. Já nessa época, Sampaio e Moto haviam demonstrado interesse em contratá-lo. O fator dinheiro, contudo, pesou bastante e Sansão acabou acertando com o alvirrubro, aos 18 anos de idade. E foi pelo GAEC que Sansão acabou se profissionalizando, em Agosto de 1968, após renovação de contrato. Apesar da boa fase, Sansão e os atletas recebiam apenas os chamados “bichos” – as rendas dos jogos eram rateadas entre os atletas.

Pelo Graça Aranha, Sansão passou apenas um ano, antes de transferir-se, a convite de Antônio Bento, para o Sampaio Corrêa, na época comandado pelo treinador Bero. O time boliviano era formado por Zé Raimundo; Chaves, Sansão, Laxinha e Pulú; Faísca e Luis Carlos; Valdeci, Dino, Tutinha e Itamar. No ano seguinte, porém, o Sampaio encostou o time e Sansão acabou emprestado ao Maranhão, em Maio de 1969. Ficou no MAC até 1972, onde foi Bicampeão Maranhense e Tetracampeão da Taça Cidade de São Luís. Foi a sua melhor fase como profissional, ao lado de um elenco de peso: Brito; Baezinho, Luis Carlos, Sansão e Elias; Yomar e Almir; Euzébio, Antônio Carlos, Hamilton e Dario. Após uma fraca temporada em seu último ano pelo Glorioso, Sansão rescindiu o seu contrato com a equipe atleticana em Setembro de 1972 e assinou com o Moto Club, em Junho 1973. Contratado a pedido do treinador Marçal, ele reforçou o elenco rubro-negro para as disputas do Campeonato Brasileiro daquele ano. Dispensado após o término do Nacional, recebeu convite para atuar pelo River do Piauí, antes de uma breve passagem pelo São José, do Bairro do João Paulo. Em Teresina, Sansão passou apenas seis meses, pois os dirigentes não cumpriram com o que haviam proposto ao zagueiro. Sem condições de trabalho, Sansão deixou a equipe riverina, após duas únicas partidas.

De volta a São Luís, Sansão se bandeou para o Bacabal Esporte Clube, em Maio de 1975, antes de assinar contrato e defender as cores da Sociedade Esportiva Tupan, a convite do Presidente Dino, em Março de 1976. Jogou um ano e meio e, em seguida, resolveu encerrar a carreira. Sansão jogou apenas dez anos como profissional. Abandonou precocemente os gramados em sinal de protesto contra alguns dirigentes, que priorizavam os atletas de outros Estados em detrimento aos chamados pratas da casa, além de darem melhores condições de trabalho e salário aos jogadores de fora.

Embora estivesse no auge da carreira, Sansão não vislumbrava um futuro após encerrar profissionalmente com o futebol. As constantes noitadas eram a sua prioridade. Por diversas vezes deixava a concentração atleticana para ir beber, fato de domínio público entre dirigentes e até torcedores. Porém, Sansão dava conta do recado e quase sempre terminava a partida como o melhor jogador em campo. Após pendurar as chuteiras, foi empregado, na década de 1980, na Assembleia Legislativa, pelo desportista Carlos Guterres.


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