domingo, 1 de dezembro de 2024
Comemoração do Sampaio Corrêa pelo título da Série C em 1997
Belo registro da comemoração de torcedores e jogadores com o troféu de campeão do Brasileiro da Série C em 1997. Detalhe para o pouco caso, na época, por parte da CBF com a premiação da competição, com um troféu simples e sem grande ornamentação. Abaixo, deixo o áudio com os gols daquela memorável decisão, diante da Francana, quando o Sampaio venceu por 3 a 1 e conquistou o título de forma invicta:
Baezinho, um lateral à frente do seu tempo
Texto extraído do livro "Salve, Salve, meu Bode Gregório: a História do Maranhão Atlético Clube"
Em Dezembro de 1948, o Fluminense carioca esteve em São Luís para um jogo amistoso no Santa Izabel, contra o Moto Club. Um garoto, com apenas nove anos de idade, resolveu assistir aquela partida: entrou pela cerca do Santa Izabel e viu o Papão do Norte ser derrotado por 2 a 0. O garoto, porém, ficou fascinado pelo ala do time carioca, que já se destacava por cobrar o lateral dentro da área, algo impensável naquele momento em São Luís. O jovem levou essa idéia para as peladas no Largo da Madre Deus, onde, naquele tempo, usavam-se bolas de seringa e de pano. O garoto era o franzino Sebastião Silva, o Baezinho.
De origem humilde no Bairro da Madre Deus (os seus pais eram pescadores e muito pobres), o jovem, que atendia pelo apelido de Tione, passou a infância e boa parte da adolescência batendo bola juntos aos garotos da sua idade (jogava no chamado time de touca). Em uma dessas brincadeiras, completamente entusiasmado com o seu desempenho, gritava para os atacantes que tinham a bola tirada por ele: “Aqui é Baé e ninguém vai passar por mim”, referindo-se ao então zagueiro do Moto Club e porteiro da Fábrica Santa Isabel e que encantava a torcida com as suas saídas perfeitas de bola. Baé deu lugar então a Tione e o garoto foi fazer testes no Flamengo do Monte Castelo, até chegar à Seleção Estadual de Amadores. Logo na primeira partida, ele enfrentou o Moto Club, em um amistoso no Santa Isabel. O jogo seria transmitido pelo rádio. Jafé, quando foi pegar a escalação da Seleção, não teve dúvidas: chamou o franzino cabeça-de-área de Baezinho. Esse encontro acabou empatado em 2 a 2 e o garoto Baezinho foi um dos destaques. O treinador uruguaio Luis Comitante o olhou e pediu a sua contratação por César Aboud junto ao Flamengo. O seu primeiro contrato com o Papão foi assinado na condição de não-amador.
O craque começou a sua carreira no Moto em 1957, aos 18 anos, como centro-médio (atual volante). Comitante, porém, achava-o muito baixo para a posição e o remanejou para a lateral-direita. No começo da sua carreira, Baezinho recebia uma ajuda de custo do rubro-negro, muito importante por completar o ordenado em casa. O jogador ainda não trabalhava e completava os estudos no Colégio Sotero dos Reis. Somente em 1960 foi que ele conciliava a carreira de atleta com os trabalhos na fábrica, como carregador do estoque de algodão. Trabalhava no período da manhã e da tarde, treinando após o final do expediente. Foi bicampeão em 1959 e 1960.
Hoje se fala nesse tipo de lateral, que defende e ataca, mas Baezinho já fazia isso no Moto Club (e com total maestria). Com a sua mudança por Luis Comitante para a ponta-direita, o craque rubro-negro passou a voltar já fazendo a cobertura pelo meio: quando chegava no campo do adversário, cruzava a bola para o outro lado do campo e voltava para apoiar - caso perdesse a bola, ficava difícil fazer a cobertura, pois o adversário poderia lançar a bola nas suas costas. Outra grande característica do jogador era o famoso arremesso lateral que ele colocava na pequena área e, na maioria das vezes, na cabeça dos centroavantes. Muitos gols de Hamilton e Casquinha, por exemplo, nasceram dessas bolas lançadas no tiro de lateral por Baezinho. Após o horário do treino, ele passava a ensaiar as cobranças de lateral com bolas de medicinibol. Quando ia para os jogos, a bola se tornava leve: Baezinho dava uns três a quatro passos para trás e arremessava a bola para a área.
Em 1968 ele fraturou o braço e jogou pouco pelo Papão. Após rescindir com o clube, foi levado, a convite do agora treinador Omena, ao Maranhão, em 1969. Atuando pelo Bode Gregório, Baezinho venceu o seu ex-clube. “Dr. César ficou zangado por não saber que haviam me transferido. Ele dizia que eu era patrimônio do Moto e que o haviam traído”, relembra o jogador, que foi campeão naquele ano pelo Glorioso com a seguinte formação: Da Silva; Baezinho, Carlos, Sansão e Elias; Yomar, Toca e Almir; Euzébio, Jacinto e Dário. No ano seguinte, o bicampeonato, com o MAC reforçado com o goleiro Brito e o centroavante matador Hamilton. Pela equipe do Parque Valério Monteiro, Baezinho foi capitão e titular absoluto.
Baezinho ainda teve uma boa passagem pela Seleção Maranhense, juntamente com autênticos craques, como Laxinha, Hamilton, Garrinchinha, Nabor, Ribeiro, Esmagado e outros. Seus dois maiores orgulhos são ter defendido os clubes por onde passou com muito profissionalismo e, apesar de jogar na defesa, nunca ter sido expulso de campo. Por nunca ter recebido um único cartão vermelho em toda a sua vida (nem como jogador profissional ou como treinador das categorias de base e das escolinhas das quais dirige), o craque já deveria ter sido condecorado com o prêmio Belfort Duarte, título dado pela CBF aos atletas profissionais que nunca receberam um único cartão vermelho. Até hoje no Maranhão existem apenas três atletas que deveriam receber esse prêmio: Negão, Baezinho e Walber Penha.
A carreira do disciplinado atleta foi acabando na década de 1970. Nos primeiro anos ainda chegou a jogar no São José e Vitória do Mar. Esteve no Ferroviário em 1978, mas por pouco tempo. Voltou ao Moto para tomar de conta das categorias de base, a pedido do médico Ibrahim Assub e do radialista Magno Figueiredo. Foram mais de oito títulos nas categorias juvenil e júnior, além de ter revelado craques como Zé Filho Branco e Geraldo (jogaram no futebol da Bélgica), Clayton (naturalizado, jogou a Copa de 1998 pela Seleção da Tunísia), Chita, Zé Filho, dentre outros. Nunca teve uma contusão séria e resolveu parar por conta da idade - ainda hoje Baezinho joga futebol (na lateral-direita, diga-se de passagem) e se cuida bastante, apesar dos seus mais de 70 anos de idade. Pelo tempo no futebol, aprendeu a ser treinador de futebol e sabe dar massagem (quando estava prestes a encerrar profissionalmente no futebol, Baezinho iniciou um curso de enfermagem). Em 2002 foi condecorado com a medalha do Mérito Timbira, pelo Governador do Estado. Por uma carreira cheia de títulos, o jogador Lamenta que os dirigentes não lhe fizeram nem metade do que ele fez aos clubes que eles dirigiram. Isso pouco importa. Baezinho venceu na vida pelo esporte e o seu exemplo de profissionalismo ficará para sempre como modelo a ser seguido pelas futuras gerações.
Ferroviário em 1957
Belíssimo registro do Ferroviário em 1957. Na foto, vemos o eterno goleador Hamilton, o último agachado. Hamilton, naquela ocasião, veio da Tuna Luso Comercial, de Belém, após passagem da equipe paraense por São Luís para uma série de apresentações. Hamilton chegou a peso de ouro no futebol maranhense, comprado pelo presidente Clóvis, do Ferrim. Foi o inicio de uma belíssima história do craque pelo Ferroviário e posteriormente por Moto e Maranhão - no final da carreira, Hamilton ainda disputou algumas partidas pelo profissional São José no Estadual de 1974, em uma passagem apenas discreta.
Futebol maranhense em 1967
VILA NOVA-Apesar de ter ficado de fora do grande Jogo do ano foi aquela partida com o Santos apresentou-se com bom gabarito técnico e ganhou a posição de titular no extraordinário esquadrão do Moto Clube de São Luís.
PAULO-Não tem lá grandes qualidades técnicas mas sabe marcar o seu adversário com seriedade e afirmou-se desde a saida do veterano Baèzinho.
ALZEMAR-Craque da relação do ano de 1966. Portou-se condignamente nos jogos em que foi chamado a intervir e na seleção maranhense que jogou com o Santos e marcando sensacionalmente o famoso jogador Pelé.
ALVIM DA GUIA - Excelente domínio de bola, marcador severo e demonstrando reais qualidades para firmar-se em qualquer equipe do futebol nacional.
CORREIA-O famoso marcador "Carrapato" como é chamado pela torcida motorizado. É um jogador que não tem muitos recursos técnicos mas sabe marcar com precisão o seu adversário e dar os lançamentos à sua linha de ataque.
NELIO-Bem veterano Já, tendo participado de vá rias competições interessa duas e inclusive internacionais, pois chegou a participar de Torneio Nos Estados Unidos. Foi um baluarte no conjunto do Ferroviário Esporte Clube. Tem bons conhecimentos técnicos sendo o craque que melhor se apresentou nas hostes do time da REFESA.
SANTANA-Jovem mela armador que iniciou a sua carreira esportiva no Sporte Clube Desterro, transferindo-se em seguida para o juvenil do Maranhão Atlético Clube posterior- mente ao Sampaio Corréa agora defendo o Moto Clube de São Luis. Craque mesmo na expressão da palavra inclusive sendo apontado como "craque do ano e ainda ficou na vice-liderança dos artilheiros do campeonato que passou. Este jogador deu nova vida quando começou a jogar Clube.
ZEZICO-Chamado o no time principal do Moto clube: durante o campeonato findo atuou em várias posições assim fosse chamado pelo seu treinador e cooperou para o bicampeonato do Moto Clube fazendo uns belos gols. Acreditarmos nós que depois de Ananias é mais antigo do plantel rubro-negro.
GARRINCHINHA-Depois de brilhar em várias equipes do Sul do País, transferiu-se para o Ferroviário Esporte Clube. Deu outro colorido no time da antiga Estrada de Ferro, Com a sua experiência conseguiu levar o Ferroviário no título de vice-campeão maranhense de 67.
PELEZINHO-Craque nascido no simpático bairro do Anil. Começou no Primeiro de Maio defendeu o Vitória do Mar; passou para o Sampaio Corrêa, jogou no Sport Clube do Recife e retornou pro nosso futebol para defender o Moto Clube de São Luis. Não participou de todas partidas que o rubro-negro maranhense realizou no campeonato, isto porque teve o braço direito fraturado quando o campeão maranhense intervinha nos jogos pela Taça Brasil. Mas Pelezinho contribuiu para o bicampeonato do Moto Clube.
RIBAMAR-Foi o mais positivo na posição durante o ano de 67. Começou o ano no Sampaio Corrêa mas logo em seguida ingressou no Moto Clube e com excelentes "gols" contribuiu na grande campanha do bi-campeonato.
O COMANDANTE-O Professor Rinaldi Mala, Diplomado pela Escola Nacional de Educação Física do Brasil. Técnico em Futebol, foi o grande escolhido como o "técnico do ano" de 1967 e consequentemente o treinador da seleção do ano que passou.
Federação comemorou 57 anos de luta pelo nosso esporte
A Liga Maranhense de Esportes, promoveu em 1919, o primeiro campeonato da cidade, que teve o Luso Brasileiro, como campeão. Em 1938 (data que depois será pesquisada) a Liga Maranhense de Esportes, passou a denominação de ASSOCIAÇÃO MARANHENSE DE PORTES ALETICOS (AMEA), promovendo então o campeonato, que foi o primeiro da nova mentora, título conquistado pelo Tupan, que por sinal, foi seu último cétro. Em 1937, o último campeonato promovido pela Liga Maranhense de Esportes, o campeão, foi o Maranhão Atlético Clube. Até 41, a AMEA funcionou com esta denominação. No dia 20 de agosto daquele ano, passou então a chamar-se, Federação Maranhense de Desportos (FMD), tendo como primeiro presidente, o doutor Flávio Bezerra, que depois deixou o cargo, para o Dr. Herminio Bello, que renunciou em favor de Raul Torres, até 46, até a volta do Dr. Flávio Bezerra em 43, ficando até 46 quando assumiu o vice-presidente Ribamar Ferreira, que foi substituído pelo Prof. Luis Rego, em 16 de abril de 47. Foram presidente ainda, o coronel Giordano Rodrigues Mochel, Dr. Luis Magno Portéla Passos, Sr. Wady Nazar, Dr. Nivaldo Macieira, Desembargador Nicolou Dino, Major José Pereira dos Santos, Coronel Eduardo Mote Sr. Raimundo Silva, da Costa Oliveira, Dr. Olliapio Guimarães, e agora, o doutor Antonio Arozo.Foram presidente ainda, da Liga Maranhense e da Associação Maranhense de Esportes Atléticos, o doutor Alarico Nunes Pacheco, Capitão Pinheiro Filho, Saladino Cruz, entre outros.
Com a presença da diretoria da Federação Maranhense de Desportos, dos membros do Tribunal de Justiça Desportiva, de dirigentes do Departamento de Futebol, de alguns clubes da Divisão Mista e de parte da crônica esportiva, foi assina da ontem à noite na sede da Federação, a transferência do terreno na Rua do Alecrim. para a firma Maranhão Imóveis e empreendimentos Ltda., de Mário Lameiras, para construção da sede própria da Federação Maranhense de 'do Desportos, prédio que terá três andares, sendo que o térreo pertencerá única mente à entidade, e dois outros, aquela firma construtora, com a mentora regional, não gastando quase nada, para ter seu patrimônio, em grande vitória da administração do doutor Olimpio Guimarães. Inicialmente, João Canelo Carvalho, do Cartório Tabelião, dr, Celso Coutinho, foi a leitura da documentação, quando em seguida, assinou a mesma, em companhia de doutor Olimpio Guimarães do senhor Mário Lameiras, Além destes três, usaram da palavra, o doutor Pedro Mornes, pelo TJD, o doutor José Pereira dos Santos, pelos clubes da Divisão Mata, ali representantes por Ferroviário, Moto, Vitória do Mar, e doutor Olivia Viana.
Agora, a firma construtora vai movimentar as documentação, pelos órgãos competentes, parado das obras, pois a desejo do doutor Olímpio Guimarães é deixar a Federação sua sede concluída, merecendo os aplausos gerais, pelo multo que vem fazendo em prol do futebol maranhense.
Prova Jorge Féres - lamentável morte de um motociclista (texto)
Texto extraído do jornal Pacotilha/O Globo, de 18 de maio de 1953
Realizou-se ontem às 9:20 nesta capital a sensacional prova de motociclismo denominada “Jorge Feres” Da qual participaram elementos do departamento motorizado do moto clube de São Luís em número de 25.
Toda a cidade assistiu emocionada a grande corrida que teve seu percurso da praça João Lisboa à base aérea do tirirical e vice-versa.
Pelotões do exército e do P.M.E. E guardas de trânsito foram colocados em toda a extensão da pista. A praça João Lisboa fez se ouvir a banda de música da PME Gentilmente cedida aos promotores da prova pelo cel. Benedito Freitas Diniz. Dentre outras autoridades colaboraram com o departamento motorizado do moto clube o major Giordano Mochel comandante do 24 BC presidente da F.M.D. Dr. Durval Paraíso, inspetor de trânsito candidato Chagas sub inspetor de trânsito tenente Abílio Costa da PME dr. Rui Mesquita, diretor do DRF; tenente José dias de Carvalho Comadante da Guarda civil Manuel Fonseca chefe de tráfego dos SAELTPA os senhores Alberto Aboud, Jorge Morais, Rego, Newton, pavão, João Moncherek, Simão Félix, dr. Luiz Passos, dr. José Geria, Irineu Pereira, presidente Do sindicato dos chofeures, Jornalistas Vilela de Abrel, Nonato Masson, Costa Araújo e Benito Neiva, Murilo César e Abraão S. Filho, Que transmitiram a prova através da rádio Timbira enfermeiro Cassiano, Nilo Ramos, além de grande número de choferes profissionais.
O serviço de alto. Falantes Moacir Neves, os três automóveis da empresa De sorteios ltda, A camionetes dos senhores Walter Fontourae Nagib Feres e todos os carros da política civil, Cooperando vale aos amente nos serviços de fiscalização da pista e transporte de policiais para os pontos de sinalização quando registrou se triste e lamentável acidente, nas proximidades do Galpão Municipal, momento em que o corredor Benedito Santos, sócio da firma Manoel Fernandes e Cis, chocou a contra um automóvel Austin, que se encontrara estacionado naquele local. Benedito Santos, desenvolvia uns 600 quilômetros horários, horário aproximadamente, de parelha com corretos Lourival Santos, "Fuzil". Ganhou distância do seu adversário e na curva, ao pressentir o perigo tentou frear sua máquina, BSA, sendo infeliz na manobra, verificando o impacto fatal. A motocicleta engavetou na traseira do Austin, sendo Benedito Santos projetado por cima do automóvel, estatelando se no solo, tendo morte instantânea.
Nesse momento o motocicleta "Fuzil” abandonou o páreo e justamente, com o senhor, funcionário do DCT, socorreu o inditoso companheiro transportando-o para o pronto socorro, onde uma turma de médicos, inclusive o Otávio Passos, prefeito da capital, já se encontrava provando socorrer as outras vítimas que se encontravam naquele hospital: leda Cunha Almeida, 10 anos, branca, residente e rua José Bonifario; Virgilio Matos Filho, 12 anos, moreno, estudante: Dirton Matos, 9 anos, estudante, moreno que sofreu fratura da base do crânio, ao ser atingido por uma motocicleta, no canto da Vila Panos: Raimundo Matos Mello, 20 anos, solteiro, pardo; Rosidin Araújo, 43 anos, que pilotava uma Harley Davidson, no páreo de 750 cc. da prova e Belarmino quina Douglas no páreo de Gomes, que pilotava uma ma. 500 cc.
Todas as vítimas, exceto Benedito Santes e Dirton Matoi, este faleceu às 13 horas 15 minutos de ontem, no HPS, sofrendo contusões e escoriações generalizadas, retirando para sua residência, fora de perigo.
SEPULTAMENTO - Benedito Santos residia & rua da Carioca, no bairro de Monte Castelo e deixe viuva a sra Santos 6 filhos. Seu enterramento verificou-se ás 9 horas de manhã de hoje, com acompanhamento de motocicletas, choferes, elementos da Imprensa e grande número de pessoas.
BANDO PRECATÓRIO - as termino da prova de ontem foi organizado um bande precatório, na praça João Lisboa, sendo recolhidos Cr 2.900,00, os quais foram entregues, ontem à tarde, a viúva de inditoso Benedito Santos.
CAUSAS DO DESASTRE COM BENEDITO SANTOS - segundo declarou a reportagem o dr. Durval Paraiso, inspetor estadual de trânsito, motivou o desastre em que perdeu a vida o motociclista Benedito Santos, a imprudência do sr. William Morais Rêgo, o qual desobedecendo a ordem que lhe fora dada pelo guarda conhecido por "Piloto" estacionou o Austin, na curva fatídica. O guarda "Piloto” declarou que advertiu o sr. William Morais Rego, mandando que o mesmo colocasse o seu carro, fora da pista, quando do rumo da Caixa Dagua, tendo aquele senhor manobrado o seu veículo, colocando-o mais adiante, não cumprindo a determinação de guarda.
SOLICITARÃO ABERTURA DE INQUÉRITO - segundo apuramos, elementos de Departamento Motorizado da Moto Clube já se articularam com o dr Mario Santos no propósito de mover uma ação contra o sr. William Morais R. Brandão, afim de que o mesmo indenize a vida do malogrado motociclista, bem como solicitarão abertura de inquérito policial afim de apurar as responsabilidades no desastre.
O DESASTRE COM DIRTON MATOS - na curva em frente da entrada da Vila Passos, inesperadamente, e corredor Raimundo Nonato Alves perdeu o equilíbrio atirando se para o lado do canteiro, da Avenida, quanto a sua máquina, uma B SA, chocou se contra os dois garotos, Virgilio e Dirton Matos, choque do qual resultou este último morrer.
O sepultamento de Dirton realizou-se na manhã de hoje.
FALA O SR. MORAIS REGO - esteve hoje, em nossa redação, o Sr. William Morais Régo Brandão, proprietário de automóvel que se achava estacionado em frente à casa residência do des. Acrizio Rebelo, na ocasião em que se verificou o desastre que equacionou a morte do motociclista Benedito Santos, o qual prestou-nos as seguintes declarações: "Absolutamente, nenhum guarda pediu-nos para retirar carro do local estava estacionado. O que houve foi o seguinte: quando passávamos em frente a Caixa d'Agua, o guarda "Piloto", estranhou que o guarda de serviço no Canto da Viração nos tivesse dado passagem, só que lhe explicamos que iriamos estacional, automóvel em frente á residencial do des. Acrisio Rebelo.
Conforme o Roteiro da prova, publicado pelo vespertino "Pacotilia — O GLOBO", em sua edição de sábado último, um local onde verificou-se o desastre não estava incluído referido no Roteiro".
O CASO DO ROTEIRO - em suas edições anteriores, e vespertino "Pacotilla — GLOBO publicou o roteiro da prova tendo o local onde se verificou o desastre com Benedito Santos, incluído no mesmo. Em virtude, porem, do desastre ocorrido, sábado pela manhã, próximo ao Galpão Municipal, motivado por uma vala ali existente, o Sr . Jorge Morais Rêgo, chefe do Departamento Motorizado do Moto Club, em companhia dos motociclistas Edson Brawn de Araújo Ernani Cavalcanti, se articularam com Inspetor de Transito e estiveram em nossa redação, juntamente com este, solicitando que publicássemos o novo roteiro determinado, sendo que os corredores desceriam pele rua do Passeio e Caminho da Boiada, para evitar a vala mencionada acima.
A tarde, porém, ja se encontrando fechada a vala, os dirigentes do Departamento Motorizado de Moto Clube deliberaram usar a pista demarcada anteriormente, cientificando fato no Inspetor de Trânsito no qual colocou inúmeros guardas naquele trecho afim de fazer policiamento necessário, tendo desde as 7 horas da manhã , o Serviço de alto falantes volantes percorrendo toda a pista, várias vezes, avisando transeuntes e motoristas acerca dos locais por onde passaria correndo.
sábado, 30 de novembro de 2024
Toninho Cerezo veste a camisa do Imperatriz (1982)
Dos arquivos do historiador e ex-árbitro aspirante a FIFA Jackson Pereira Silveira: "Atendendo a meu convite Toninho Cerezo veio a Imperatriz para um jogo apresentação e de quebra trouxe o também jogador Reinado, pela segunda vez a Imperatriz. Partida essa que aconteceu em 1982 entre a Seleção de Imperatriz (LID) e o combinado dos times do Imperatriz e Tocantins (TOCANTRIZ) cujo árbitro foi José Francisco dos Santos (Boquinha) e o técnico da Seleção LID foi o Sr. Brás, com o placar de 3 para a seleção e 2 para o combinado. E Jackson acrescentou: "Brandão, Cerezo e Reinaldo só jogaram um tempo". Na foto aparece um outro ícone do futebol amador de Imperatriz, Toinho Bareta.
Moto Club campeão maranhense de 1950
Matéria extraída do Jornal do Dia, de 08 de janeiro de 1951:
O moto Club de São Luís levantou mais uma vez o campeonato de nossa cidade, sendo o primeiro clube em todo o continente a levantar 7 vezes consecutivas o título máximo do esporte bretão de uma localidade. Grande foi o público que se deslocou para o estádio Santa Isabel para assistir o superclássico sob o apito do renomado juiz da F.M.F Ivan Capelleti demonstrando na renda que atingiu a marca de Cr$ 25.138,00, Batendo o recorde do presente campeonato.
A partida em si agradou plenamente de vez que foi disputada palmo a palmo pelos 22 integrantes que procuravam a Vitória para as suas coroas, No que foram coroados de êxitos, Os 11 motorizados pelo placar de 3 a 1, Numa Vitória para as suas cores, alcançando o título de heptacampeão havendo o Sampaio perdido horrorosamente e com lealdade absoluta.
Foi iniciada a partida às 16, 55 horas cabendo a saída aos rubros negros que fizeram o primeiro ataque por intermédio de Batistão, que centrou para Pinheirense finalizar sendo a pelota rebatida por Serejo, que a devolveu aos seus. O Sampaio ataca por intermédio de Alfredinho, passando para Estanslau, E este de primeira passa para o Tidão, que chuta sem direção indo à bola perder-se pela linha de fundo. Voltam os motenses a carga
Sem nada conseguindo de produtivo passando o Sampaio a ter Franco domínio sobre o seu antagonista e fazendo com que a defesa motorizada se desdobrasse. A fim de que não fosse aberta a contagem, principalmente Rui, que fez espetaculares defesas.
Aos 10 minutos de luta passa o moto a jogar melhor coordenando o seu ataque quando aos 13 minutos Galego dá um passe a Hênio, E este como era assediado por Arnaldo devolve a esfera a Galego que de primeira a tirar a frente para o mesmo Hênio, Que na Carreira atira indefensavelmente contra a meta sampaiana Confiada a hélio marcando o primeiro gol da tarde para as suas cores.
Nesta altura o Sampaio procura reagir encontrando resistência no moto que pressiona fortemente sem nada consegui de produtivo.
Os dianteiros sampaianos com um ou outro ataque isolado procura vão empatar não o conseguindo devido ao goleiro Rui que estava vigilante e fazendo uma grande partida. Num desses ataques quando o cronógrafo marcava exatamente 18 minutos Alfredinho deslocando-se para a esquerda depois de venci Mourão atirou fortemente contra a cidadela motorizada e quando a maior parte da assistência contava com o gol certo Rui numa magnífica defesa atira a bola para escanteio. Henrique cobra o escanteio sendo rechaçado pela defesa motense indo a bola aos dianteiros que procuravam consolidar a Vitória com mais um gol.
Quase ao término do primeiro tempo dengoso perdeu uma ótima oportunidade de aumentar a contagem depois de uma série de passes dentro da área.
Entrevista com o goleiro Bacabal
Entrevista extraída do jornal O Estado do Maranhão:
Raimundo Nonato Mato de Abreu, 59 anos, casado, uma família para criar, agente arrecadador do Governa Estadual, morador da Rua São Cristóvão, no bairro de Santa Cruz, é nada mais nada menos que o famoso Bacabal, goleiro dos melhores que já atuaram no futebol maranhense.
Apesar da pequena estatura para os modernos padrões de futebol (1,65m de altura de Bacabal), ele já foi inclusive titular de selecionado maranhense por alguns belos anos em que só os momentos bons vividos com os companheiros dentro de campo valiam.
Hoje, pouco ligado ao futebol apesar de ser um filho jogando de centroavante no Maranhão Atlético Clube, Ваcabal diz não sentir mais a mínima vontade de ver o futebol maranhense, principalmente pelas constantes crises que atravessa. Acha-o muita desorganizado, com os dirigentes escolhendo sempre tirar o máximo em proveito próprio, se preocupar que destrói, aos poucos, a sua fome substancial de existência.
Funcionário ativo da Secretaria da Fazenda, Bacabal tem algumas mágoas das etéricas que sofria, por isso preocupou dissuadir o filho de ser goleiro como ele (garante que se era melhor goleiro que centroavante) porque "todo mundo só quer ver a careira do miserável". Entre os melhores goleiros do seu tempo, Bacabal citou Harry Carey - para ele um goleiro de circo -, Walber Venha, Nadinho, Joselias.
Perguntado sobre atual estágio do futebol maranhense, ele respondeu que o futebol maranhense "sempre teve crises, mas a de agora dificilmente vai ser superada porque os defeitos estão nas pessoas que a fazem. É uma questão de mudar os homens", completa.
Não acredita muito nos treinadores de goleiros por que não são professores de nada, e agarrar no gol só pode enganar quem já esteve debaixo daqueles paus, mas como pretende que no futebol de hoje ele é uma figura necessária. Lamenta profundamente o abandono a que os dirigentes submetem as categorias inferiores e diz que nos é a maior prova de que seus dirigentes não fazem a mínima questão de superar a crise.
Pessoa extremamente simples, Raimundo Nonato Matos de Abreu, o Bacabal, nos recebeu com um carinho enorme, apresentou-nos a toda a família e, numa forma de elogio e agradecimento, ele pediu para trazer sempre o melhor pelo futebol para ajudá-lo a sair da crise que foi mergulhado. Um abraço velho Race.
O ESTADO: Por que o apelido de Bacabal?
Bacabal: É porque eu nasci na cidade de Bacabal, no interior do Maranhão.
O ESTADO: Você quando veio para São Luís, veio contratado on, como muitos, velo tentar a sorte?
Bacabal: Eu jogava pela Seleção de Bacabal no Intermunicipal. E jogando aqui em São Luís, na fase decisiva, contra Vitória do Mearim, Pedreiras e São Bento. Chegamos a perder todos os jogos e num deles eu tomei seis gols. Mas graças a Deus eu me destaquei e fui convidado para vir embora para São Luis, Na época existia o Santa Isabel, um clube paralelo ao Moto Clube. Eu fiquei no Santa Isabel, mas como ainda tinha pouca idade, pude ser aproveitado pelo juvenil do Moto. Foi então que eu fui para o Moto. Voltei para o Santa Isabel e em seguida fui emprestado ao Onze Amigos, de onde, depois de conseguir uma boa projeção, voltei para o Moto e encontrei o Walber Penha e o Ruy, um paraense que depois foi embora para o Ceará. Foi então que o Moto estava dispensando alguns jogadores e eu fiquei só com o Walber Penta, que na época era o titular do Moto Clube. Ai, do aspirante eu fui promovido ao quadro titular.
O ESTADO: E isso foi em que ano?
Bacabal: Foi por volta de 1950 ου 1951.
O ESTADO: Quanto tempo você jogou no Moto e a partir de que ano você passou a titular?
Bacabal: Nós fizemos uma longa excursão pelos estados nordestinos. Jogamos em Natal. Mossoró, João Pessoa, Maceió, Fortaleza e Recife. O Ruy tinha deixado o Moto eu e o Walber Penha que ainda era o titular. Num jogo em Recife o Walber Penha se contundiu, eu entrei e joguei toda a excursão. Foram 29 dias excursionando. Quando regressamos a São Luís estava sendo preparada a seleção de amadores e me chamaram. Nós eliminamos o Pará co Piauí e nos tornamos campeões do Norte e partimos para o Rio de Janeiro para enfrentar os cariocas. Lá tomamos a primeira de 6 x 0 e a última de 9 x 1. Quando voltamos a São Luis, eu, Merci, Cosme e canhotinha fomos contratados pelo América de Fortaleza.
O ESTADO: Quer dizer, do, Moto você pulou para o América de Fortaleza, um grande clube, principalmente hoje, que tem um belo patrimônio. Lá você encontrou um excelente goleiro de nome Maciel. O que aconteceu a partir daí? Houve uma disputa pela posição? Como foi isso?
Bacabal: O Maciel jogou no América de pois de mim. Quando eu cheguei em Fortaleza, em 1952, o goleiro do América era o Rodrigues, conhecido como "Rodrigão". O América tinha um grande time. Em Fortaleza, nessa época, jogavam grandes goleiros, como o Zé Dias, o Ivan Roriz, o Jairo, o Aluísio. Eu estreei contra o Calouros do Ar e o time era: Bacabal, Menezes, Geraldo, Merci e Coroado; Pacatuba. Dorian e Pedro; Cosme, Zeca e Esquerdinha. Chegamos a ser vice-campeões.
O ESTADO: O Zeca nós conhecíamos. Era sem dúvida um excelente jogador de futebol, com um estilo parecidíssimo com o Ananias. Vocês foram campeões juntos, по América?
Bacabal: E o Zeca era um craque. Nós fomos vice-campeões. Perdemos na final para o Fortaleza, que tinha jogadores do quilate de Vareta, Piolho, Aluísio, Veras, Sapenha. O Ceará também tinha um grande time, onde despontavam Pipiu e Damasceno. Como fomos vice-campeões, fomos disputar um pentagonal em Salvador. O América foi destaque e cu joguei muito bem. Quando chegamos de volta a Fortaleza eu fui negociado com o Botafogo da Bahia, onde joguei de 1952 a 1957.
O ESTADO: Isso pelo Botafogo da Bahia..
Bacabal: E, pelo Botafogo da Bahia. O meu time de origem era o Botafogo da Bahia, mas eu joguei pelo Vitória numa excursão por Recife, Caruaru, Campina Grande. Também joguei pelo Bahia e seleção baiana, junto com o Joselias e o Nadinho, sendo que o titular era o Joselias. Pelo Botafogo eu fui vice-campeão, disputando a final com o Bahia. Em 1953 cu disputei o torneio Bahia-Pernambuco, Casei na Bahia e constituí família. Morava na cidade baixa. Foi então que o Moto me convidou para voltar e eu aceitei, pois além de ganhar bem eu iria jogar na minha terra e num bom time. De 1957 até 1968 eu joguei aqui no Moto e como titular.
O ESTADO: Mas foi aqui que você encerrou a carreira. Era hora de parar ou você sentia que ainda dava para jogar?
Bacabal: Eu vim para o Moto em plena forma. Eu tinha trinta ou trinta e um anos e estava no auge da forma técnica e física. Quando eu saí do Botafogo ainda faltavam oito meses para acabar o meu contrato e ainda havia interesse do Botafogo na renovação. Havia até uma garantia de emprego. Eu deveria me apresentar para um emprego no Departamento Nacional de Estradas de Rodagem. Foi o que fiz. Quando voltei para Salvador havia um western no hotel, convidando para eu voltar ao Moto. Eu sempre fazia meus contratos com uma cláusula.
O ESTADO: Houve algum momento em que você tivesse pensado em largar tudo e ir embora?
Bacabal: Claro que houve. A crítica às vezes é destrutiva. Já pensou a gente ver companheiros atacantes perderem gols feitos, driblar todo o time adversário e chutar para fora e a crítica dizer que foi por infelicidade. Agora se a gente toma um gol, é culpado da derrota...pois foi nessas horas que eu pensei em largar tudo e ir embora. Já pensou, você sair na rua e ficar pensando que todo mundo vai te agredir? Pois eu passei noites em claro, pensando nisso. Só quem perde jogo é goleiro e treinador., já aconteceu uma vez comigo, quando o Moto Clube ganhava de 2 x 1 do Sampaio e fomos expulsos eu, o Casquinha, o Louro e o Calado. Me culparam da derrota. O Sampaio venceu por 4 x 2.
O ESTADO: Goleiro defende pênalti?
Bacabal: Não, o cobrador é quem perde. Goleiro nenhum defende pênalti. São 7 metros por 2,44 de altura e o mais que o goleiro, com os dois braços abertos consegue impedir, é apenas um metro. Sobram seis. É muito difícil para o goleiro e fácil para o cobrador. Às vezes o miserável do goleiro fica ali sozinho para tentar corrigir um erro que nem sempre é dele. O cobrador dá uma porrada e ainda tem gente que acha que o goleiro foi mole, que se fizesse isso ou aquilo defenderia o pênalti. Vai lá Tentar pegar.
O ESTADO: Durante sua vida esportiva você fez bons contratos?
Bacabal: Para a época sim. Mas para o dinheiro de hoje eles não valiam nada.
O ESTADO: Os jogadores de antigamente que não nasceram em berço de ouro, mas que ganharam algum dinheiro, por que estão em dificuldades?
Bacabal: Quando eu percebi que estava chegando a hora de parar, arranjei um emprego no Estado. Naquele tempo a gente usava até uniforme. Era a Guarda Portuária. Quando eu saía de campo, muitas vezes vinha terminar o plantão. As mesmas condições foram oferecidas para outros por políticos que tinham muita influência. Alguns não quiseram e diziam que não queriam porque terminariam o jogo muito cansados e não teriam condições de trabalhar. Alguns reclamavam muito das condições do trabalho e resolveram não aceitar. Eu aceitei e hoje ele está me servindo muito. Tenho uma faixa salarial de aproximadamente Cz$ 160.000,00 e só não vivo melhor porque a família é grande.
O ESTADO: E hoje, qual é a sua ligação com o futebol?
Bacabal: Eu estive durante 23 anos envolvido com o futebol e hoje não tenho mais ânimo para ir aos estádios, por isso só vejo jogos pela televisão. Faz três anos que não vou ao futebol. Mas não quero mais nenhuma ligação direta com o futebol.
O ESTADO: E o seu filho que hoje é centroavante do Maranhão Atlético Clube, seguiu os seus conselhos futebolísticos ou se rebelou e fez o que quis?
Bacabal: Eu acho que ele só tem a me agradecer pelo que eu fiz por ele. O que ele é hoje em dia, um grande artilheiro, deve agradecer a mim, pois ele queria ser goleiro e eu sempre fui contra. Sempre o orientei muito para ele nunca se meter com curriolas. Sempre fiz ver a ele que a imprensa merece todo respeito, mas que a gente não deve se impressionar muito com os elogios dela. Tem gente que recebe um elogio da imprensa hoje e amanhã vira a gola da camisa e sai achando que é o dono do mundo ou que é algum Pelé. A crítica é sempre construtiva, mas o jogador fica todo cheio de dedos e no jogo seguinte não joga nada. Eu sempre o aconselhei a não ouvir rádio ou ler jornais até dois dias depois do jogo. Ele começou jogando no gol. Foi então que eu o fiz mudar de ideia, dizendo-lhe que a posição é muito ingrata e que o goleiro é um miserável incompreendido. Onde o goleiro pisa, nem capim nasce. O atacante perde gols incríveis, mas o goleiro, se toma um gol que alguém considera fácil, é o fim do mundo. Até uma vez que o adverti definitivamente. Cheguei num treino e ele estava agarrando no gol (é um ótimo goleiro) eu o chamei e disse: "Se você quer jogar futebol, pare com esse negócio de pegar no gol. Se for para pegar no gol você vai ter que parar". Ele, vendo que eu falava sério, passou a treinar em outra posição. Foi quando o Calazans assumiu no São José e eu pedi para ele ser testado em outra posição. Ele entrou de centroavante e marcou cinco gols. Está lá até hoje. Você pode ver que tem 100 mil pessoas no estádio, mas quando um jogador está com a bola, só ele joga, fica à vontade, pois o público só vê defeitos no miserável do goleiro. Todos ficam torcendo por uma falha do goleiro, esperando por ela, torcendo para que o goleiro se dane. O infeliz joga bem durante oitenta e nove minutos e se no minuto seguinte falhar e tomar um gol, a culpa de tudo, e principalmente se perder o jogo, é toda dele. Mesmo que ele tenha feito milagres nos 89 minutos anteriores.












