Todo grande clube é feito de vitórias, derrotas, ídolos e histórias que atravessam gerações. No futebol, a memória vale tanto quanto um gol nos acréscimos: quem desconhece o passado dificilmente entende o presente — e muito menos consegue imaginar o futuro.
Foi com esse espírito que, em 2011, publiquei meu primeiro livro, “Sampaio Corrêa: Uma Paixão dos Maranhenses” (independente), fruto da minha monografia do curso de Educação Física pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Na época, a obra resumia os então 88 anos de trajetória do Tricolor. Quinze anos depois, o apito inicial soa novamente com “Sampaio Corrêa: Grandes Conquistas” (Editora Livro Rápido), resultado de uma pesquisa muito muito mais ampla e detalhada, dedicada especialmente à apaixonada torcida boliviana.
Após o meu primeiro livro, a caminhada seguiu em 2012 com “Memória Rubro-Negra: de Moto Club a Eterno Papão do Norte”. Dois anos depois, chegou a vez de “Salve, Salve, Meu Bode Gregório: a História do Maranhão Atlético Clube” (independente), completando uma trilogia dedicada aos grandes clubes da capital.
Em 2017, já atuando no futsal escolar, publiquei “Menino Jesus de Praga e José Justino Pereira: Duas Histórias, Um Só Amor” (independente), registrando experiências marcantes com o futsal dessas duas escolas estaduais.
Enquanto isso, outra pesquisa crescia silenciosamente nos bastidores. A ideia inicial era contar a história dos clubes de todo o Maranhão, mas o volume de informações exigiu um recorte. Após quase dez anos de pesquisa, nasceu, em 2023, o “Almanaque do Futebol Maranhense Antigo: Clubes Menores da Capital” (Editora Livro Rápido), resultado de consultas a jornais, arquivos e incontáveis conversas com pessoas que participaram, direta ou indiretamente, da trajetória de Tupan, Vitória do Mar, Expressinho, IAPE, Botafogo do Anil, Graça Aranha, Ferroviário e Ícaro.
Nos anos de 2024 e 2025 vieram os dois volumes de “Almanaque do Futebol Maranhense Antigo: Pequenas Histórias” (Editora Livro Rápido), reunindo episódios curiosos, personagens esquecidos e acontecimentos que mostram que, no futebol maranhense, a realidade muitas vezes supera qualquer roteiro. Afinal, basta folhear os velhos jornais para perceber que, por aqui, o improvável sempre gostou de entrar em campo.
Para construir “Sampaio Corrêa: Grandes Conquistas”, escalei um verdadeiro time de especialistas: ex-jogadores, dirigentes, árbitros, radialistas, jornalistas, pesquisadores e torcedores que viveram ou preservaram esses episódios. Somam-se a eles cerca de 113 horas de entrevistas gravadas - entre materiais para a publicação do meu blog ou o podcast "Memórias do Futebol Maranhense" - e um mergulho em importantes jornais históricos, como Jornal Pequeno, O Estado do Maranhão, O Imparcial, Pacotilha/O Globo, Diário do Norte, Jornal da Tarde, Jornal do Dia, O Esporte e outras fontes indispensáveis.
Cada capítulo reúne uma conquista importante do Sampaio Corrêa, relatada de forma cronológica. Para isso, recorri a documentos, depoimentos e versões que nem sempre coincidem. E talvez seja justamente essa a graça da história: enquanto os arquivos registram os fatos, a arquibancada faz questão de acrescentar emoção. Quando faltam documentos, sobra memória; quando falta consenso, nasce aquela boa discussão entre torcedores — e, convenhamos, futebol sem debate não tem o menor sentido.
O leitor encontrará aqui relatos emocionantes, curiosos, improváveis e, em alguns momentos, tão inacreditáveis que parecem obra de um cronista bem-humorado. Mas todos carregam um elemento em comum: ajudam a compreender a riqueza de cada título do Tricolor e de seus personagens, que viverão para sempre no imaginário do torcedor e na galeria dos grandes ídolos do Sampaio Corrêa.
Naturalmente, alguns detalhes ficaram de fora destas páginas - algumas por carência de provas, outras por não aparecerem em tempo hábil durante a escrita deste livro e outras, é claro, que são impublicáveis. Não por falta de importância, mas por excesso de boas histórias. Felizmente, esse é um daqueles problemas que todo pesquisador gostaria de ter. Se este livro terminar deixando no leitor a sensação de que ainda há muito por descobrir, então o objetivo estará plenamente alcançado.

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