quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Antônio Chulipa Ramalho, craque da Bolívia Querida

Matéria de Edivaldo pereira Biguá e Tânia Biguá, página "Onde Anda Você?", do Jornal O Estado do Maranhão.

Antônio Ramalho começou no juvenil do Maranhão Atlético Clube. Com coragem, determinação, humildade e responsabilidade, acabou se destacando no futebol maranhense, goiano, mineiro e brasiliense. Ficou conhecido no mundo da bola com vários nomes: Toinho, Antônio, Chulipa e Ramalho Um maranhense que tem muito orgulho de sua história e da sua terra.

Antônio Augusto Ramalho Corrêa nasceu no Bairro da Jordoa, no dia 15 de Abril de 1944. É o quarto de uma família de nove irmãos. Bem cedo mudou-se para o Bairro da Coréia, onde deu os primeiros passos com a bola. Era conhecido como Toinho. Nos dias de jogos do campeonato maranhense de profissionais, Toinho ia para o Municipal Nhozinho Santos, onde vendia laranjas. “Eu ficava imaginando como era boa a vida dos boleiros. Eu os via sempre paparicados e ficava sonhando em um dia ser como eles”, diz sobre o que mais tarde viria a se tornar realidade.

Palmeirense de coração, o garoto teve a idéia de fundar a Sociedade Recreativa Palmeiras, em 13 de Novembro de 1960. Fundou a equipe e jogou nela. Como se destacou, foi chamado para o juvenil do Maranhão Atlético Clube. “Me lembro bem dessa época, em 1961. O técnico era Calazans. Joguei só uma temporada no MAC. Um ano depois pude realizar meu grande sonho, que foi vestir a gloriosa camisa do Sampaio Corrêa”.

Toinho jogava no juvenil do Sampaio Corrêa e continuava vendendo laranja em frente aos portões principais do Nhozinho Santos. “Um dia Antônio Bento me viu vendendo as laranjas e me disse que jogador do Sampaio não seria vendedor de laranjas. Ele comprou todo o meu estoque, pediu para eu dar as laranjas e entrar com ele no estádio. Contente, chamei um amigo e disse para ele vender as laranjas para mim que eu dividiria o dinheiro apurado com ele e fui para o jogo. Nessa tarde, assisti ao jogo e ganhei dinheiro de dois lados. Foi inesquecível essa passagem”.

Em 1962, quando chegou ao Sampaio Corrêa, Toinho se encontrou com feras: Milton, Botão e Enemer (goleiros), Chico, Lourenço, Roxo, Pompeu, Parodi e outros. Dois anos depois, assinou contrato de atleta profissional e vivem um tempo de glória. “1964 foi um ano de ouro para o Sampaio. Fomos campeões da categoria aspirante, Bicampeão do Torneio Início, Bi da Taça Cidade de São Luis, Campeão Estadual e do primeiro Torneio Maranhão/Piauí. O nosso futebol de salão se sobressaiu com Djalma, Fifi, João Bala e companhia”. No ano seguinte, a receita foi dobrada. O Sampaio Corrêa conquistou o Bi Aspirante, o Tri do Torneio Início, o Tri da Taça Cidade de São Luis e o Bi Estadual. “O que mais me orgulha dessa época é que o Sampaio era formado por dez jogadores maranhenses e só um de fora, que era o zagueiro Osvaldo, que tinha vindo do Rio de Janeiro. Presta atenção no time: Catolé no gol, na linha vinham Nivaldo, Quincas, Osvaldo, Vico, Pompeu, eu (que já era chamado por Antônio), Cadinho, Jesuíno, Carlos Alberto e Racha”. Todos jogavam por amor à camisa e enchiam a torcida de orgulho.

 Sampaio Corrêa campeão de 1965/66 Em pé: Catolé, Osvaldo, Nivaldo, Quincas, Vico e Pompeu; Agachados: Antônio, Cadinho, Jesuíno, Carlos Alberto e Ribamar Racha

 Sampaio Corrêa campeão em 1961: em pé: Ernani Luz, Omena, Chico, Antônio, Cláudio Ferreira (diretor), Roberto, Vadinho, Rinaldi Maia (técnico) e Antônio Bento Farias Catanhede (diretor); Agachados: Zé Raimundo, Batuel, Peu, Walfredo, Carioca, Jarbas, Nivaldo, Sabará, João Bala e Pernambuco (auxiliar de massagista)

 Sampaio Corrêa em 1965: em pé - Vadinho, Osvaldo, Manga, Maneco, Walfredo e Nivaldo; agachados: Jarbas, Jocemar, Antônio, Peu e Joel

 Sampaio Corrêa campeão em 1964: em pé - Vadinho, Manda, Omena, Walfredo Carioca, Maneco e Bero; agachados: Ernani Luz (massagista), Antônio, Maioba, Jarbas, Sabará e Chico

Sampaio Corrêa em 1964

No segundo semestre de 1966, Antônio se mudou para o Distrito Federal. Treinou e aprovou no Cruzeiro brasiliense. Destacou-se por lá da mesma forma que já havia feito no futebol maranhense. Jogava de ponta-direita ou de centroavante, explorando o seu ponto forte que era a velocidade e a resistência física. Gostava de arrancar com a bola nos pés para a linha de fundo ou em diagonal, da ponta para o meio. Criava muitas oportunidades de gol e dava dor de cabeça aos marcadores. Era corajoso e quanto mais apanhava mais ia para cima. Lá ficou conhecido como Ramalho. Um ano e seis meses depois que chegou no Distrito Federal, começou a andança de Ramalho pelo pa´si. Em Anápolis/GO, defendeu o Ipiranga e acabou conhecendo Nelson Gama, que depois veio a ser técnico do Sampaio Corrêa. Em Minas Gerais passou pelo Araxá, América, Formiga, Atlético Mineiro e Valério Doce.

Moto Club em 1969: em pé - Paulo, Paulo Figueiredo, atleta não identificado, Almeida, Pinto, Pereira, Osvaldo, Alzimar, Geraldo, Manga e Assis; agachados - Corrêa, Antônio, atleta não identificado, Toca, João Bala, Marcílio, Pelezinho e Cadinho

Em 1969, veio passar férias em São Luis e acabou jogando 30 partidas no Moto Club. “Eu, Carlos Alberto, o goleiro Assis, Oberdan e Pinha ganhávamos por jogo disputado no Papão. Só assinei contrato no ano seguinte, depois que retornei do Rio de Janeiro, onde passei rapidamente no Bangu e Campo Grande. Voltei a ser o Antônio e ainda ganhei outro apelido: Chulipa”. Em 1971, Antônio Chulipa foi Campeão Estadual defendendo o Ferroviário Esporte Clube, que tinha Martins no gol, Ailton, Alzimar, Vivo e Antônio Carlos; Valdiná, Mineiro e Carlos Alberto; Antônio Chulipa, Juarí e Coleho. “Foi o mestre Marçal Tolentino Serra que me deu a oportunidade de estar no meio dessas feras”. De 1972 a 1991 Antônio Chulipa rodou muito. No Ceará defendeu o Calouros do Ar. No Distrito Federal, atuando pelo Brasília Esporte Clube, foi campeão brasiliese em 1976. Jogou sete anos no Vitória do Mar e nove anos (1983 a 1991) no Boa Vontade. “Em 1990/91 fui considerado o jogador mais velho em atividade no Brasil. Eu estava com 46/47 anos e ainda corria atrás da branquinha”. É ou não motivo de orgulho ter um jogador, que além de talentoso, tinha uma saúde de ferro?

Juca Baleia, a Muralha Boliviana!

Juca Baleia em matéria no Esporte 10, da TV Mirante

Matéria com Juca Baleia no futebol Master

Matéria da Sportv, no quadro "Fora De Série", em 2010

Pesando mais de 100kg (chegou a ter 120kg) em 1,85m , Juca virou a principal atração da Copa do Brasil de 1992. Enfrentando o Palmeiras – no início da era Parmalat- em sua estreia na competição em São Luís, o goleiro fez defesas impossíveis. No jogo de volta em São Paulo, todos queriam conhecê-lo. Torci como nunca para aquele time com as cores da Bolívia e que tinha o patrocínio da CCS (marca mais alternativa que eu conheço) na camisa. Não deu, o futebol já tinha os seus abismos, e o Palmeiras fez 4 a 0 sem dó nos maranhenses. E o placar só não foi maior porque o goleirão pegou muito outra vez. Ficou de consolação a fama e a camisa do arqueiro Carlos, que jogou a Copa de 86 e na época defendia o alviverde. Na ocasião, Juca Baleia, um dos maiores ídolos do futebol maranhense, vestia a camisa do Sampaio Corrêa, e, com mais de cem quilos, foi a atração das partidas. Há quem garanta que Juca Baleia chegou a jogar com cento e vinte quilos.

Quase vinte anos depois daquele confronto, Juca continua de alguma forma ligado ao futebol e desenvolvendo um trabalho muito bacana. Ele preside a Associação de Garantia ao Atleta Profissional do Maranhão, AGAP, que cuida de ex-jogadores.

Juca nasceu Juvenal Marinho dos Passos no dia 03 de maio de 1959. Iniciou no futebol como amador em times de São Luís. No profissional, passou pelo Expressinho, Maranhão Atlético Clube, Sociedade Esportiva Tupan, Bacabal Atlético Clube, Moto Clube até se consagrar com um tricampeonato maranhense (1990/9/92) pela Bolívia Querida, na época, treinado pelo amigo José Ribamar Miranda Filho (Marcial). Se aposentou em 1993. 

 Juca Baleia com a camisa do Sampaio Corrêa

Quem acompanha e conhece o futebol maranhense, sabe que quase não há revelações na posição de goleiro. Quase todos os bons goleiros que vestiram camisas de clubes maranhenses vieram de outros estados. Paulo Figueredo, Assis, Lunga, Flávio, Paulo Márcio, Salvino, Moreira para ficar apenas nesses, são alguns. Poucos nasceram no Maranhão: Clemer, Claudecir, Marcial, Bacabal, Ronilson, Flaubert e Juca Baleia. Mesmo atuando apenas em equipes do Nordeste brasileiro, Juca Baleia ficou nacionalmente conhecido quando o Sampaio Corrêa enfrentou o Palmeiras.

O espanto se tornou maior em função da inesperada agilidade e precisão na saída do gol. O segredo, segundo, ele, era o fato de praticar também Vôlei e Handebol, que ajudavam a aumentar a agilidade. Apesar de ser ídolo da torcida, não escapou do preconceito, o que o chateava. “Enfrentei muitas barreiras, mas venci todas. Era normal chegar um treinador de fora e desconfiar de mim. Mas quando eles me viam no jogo, não acreditavam. Eu fechava o gol. Aí eles apareciam para me cumprimentar”, diz.

Juca Baleia com o Sampaio Corrêa Bicampeão Maranhense 1990/91

Juca Baleia em São Paulo, durante jogo pela Copa do Brasil

Juca Baleia mantém o espírito jovem e brincalhão. Ainda pratica futebol – como goleiro – atuando na categoria Cinquentão da APAL (Associação dos Pais e Amigos do Lítero) que disputa o campeonato interno da AABB (Associação Atlética Banco do Brasil) de São Luís. Como presidente da AGAP-MA, Juca Baleia tem realizado inúmeros projetos, todos visando melhorar as condições de vida daqueles ex-jogadores que, por um motivo ou outro, não tiveram oportunidade de desenvolver outra atividade profissional e ainda dependem dos favores dos amigos conquistados através do futebol.

Joca, um camisa 10 competente

Matéria de Edivaldo pereira Biguá e Tânia Biguá, página "Onde Anda Você?", do Jornal O Estado do Maranhão.

Joca nasceu com o dom de jogar bola. Começou a aparecer no cenário do futebol maranhense aos 16 anos de idade, através do Esporte Clube Madre Deus. Depois de uma excelente passagem pela equipe da empresa Pacotilha (Jornal O Imparcial), foi convidado a trabalhar e jogar na Saeltip (hoje CEMAR). Era um camisa 10 bastante respeitado pela competência. Trocou o amadorismo pelo profissionalismo quando aceitou o convite para jogar no Maranhão Atlético Clube. Mais foi no Graça Aranha que chegou a ser campeão. A opção por um emprego o tirou da bola muito cedo.

Joca é o segundo filho de uma família de 12 irmãos. Assim como ele, outros três se envolveram com o futebol: Basílio, que jogou no Moto, Manoel Martins, que despontou no Tupan e hoje é “Matemático”, profundo conhecedor do futebol maranhense, e João Batista, que vestiu a camisa da Saeltip. Uma das coisas que dá satisfação à família Martins dos Santos é o fato de todos, incluindo o pai Basílio e a mãe Silvina, serem ludovicense e terem sido educados e criados no Bairro da Madre Deus, que fica próximo ao Centro da capital maranhense e que se destaca por ser celeiro de craques de futebol e de grandes personalidades da cultura e política estadual.

Joca e os irmãos se juntavam a Cambota, Vicente e outros companheiros da época para bater peladas no campo da Salina, onde hoje está instalado o Prédio do Tribunal Regional Eleitoral, no Anel Viário. Por volta de 1953/54, Joca foi convidado a defender as cores do Esporte Clube Madre Deus. Por lá encontrou Baezinho e Macaco - filhos do bairro que depois de destacaram nas grandes equipes do maranhão e da região – e foi disputar o campeonato da localidade contra o Fluminense, Brotinho, Maranhãozinho, Ponte preta e outros.

Família grande, problemas maiores ainda. O pai pescador e às vezes sentia dificuldades em dar tudo do bom e melhor para a mulher e os 12 filhos. O jeito era envolver os filhos para ajudar no orçamento familiar. Joca conseguia alguns trocados jogando futebol. Era difícil entender como uma pessoa calma, tranquila, beirando à preguiça pudesse se transformar dentro de campo em um meia armador (meia-esquerda), de alta qualidade técnica, precisão nos passes e nos chutes à gol e que, em uma falsa lentidão, estava sempre no lugar certo do paradeiro da bola nos momentos dos jogos.

Com 18 anos de idade (1955), além de jogar na Madre Deus, Joga defendia a forte equipe da empresa Pacotilha. “Era um time bom. Por causa dos derrames que sofri, não consigo lembrar os nomes dos meus companheiros. Aliás, lembro-me de pouca coisa dessa época tão importante da minha vida, Aproveito para pedir desculpas ao omitir nomes que eu gostaria imensamente de citar aqui. Pessoas que foram fundamentais na minha evolução como atleta e como pessoa humana. Que Deus os proteja e que eles me perdoem”, disse.

No Esporte Clube Madre Deus, Joca jogava descalço. Na empresa Pacotilha, calou chuteiras pela primeira vez. A adaptação foi tão grande que ele passou a ser convidado a jogar por outras equipes amadoras de São Luis. “Meu primo Zé Martins, que era associado da Saeltip, me levou para um treino da seleção da associação. Chegando lá, me colocaram no time reserva. Não é piada não: nós ganhamos os titulares por 10x0. Eu fiz os 10 gols. O goleiro titular, Borboleta, se encabulou com meu chute. O pessoal da Saeltip me convidou pata jogar por eles em um amistoso que o grupo ia fazer contra o Sacavém. Com 20 minutos de jogo, nós estávamos ganhando de 4x0, todos os gols meus. A partida acabou em 4x3 para nós e eu ganhei um emprego na companhia”, lembra Joca. Era tudo o que Joca e a família queriam: um emprego que fosse certo, seguro e que o deixasse tranquilo para continuar jogando sua bola.

Nos campeonatos amadores a Saeltip era representada por dois times: o Ouro Branco e o Saeltip, onde Joca jogava. As boas atuações renderam a ele algumas convocações para integrar a seleção amadora de futebol de São Luis. “Com a seleção fui jogar em várias cidades do interior do Estado”, informa.

Ataque do Maranhão nos anos 1959/60: Moacir Graça, Laxinha, Jaie, Joca e Edson Moraes Rêgo

Em 1957, Joca aceitou o convite de Carlos Verry, técnico do Sampaio Corrêa, e foi excursionar no interior do Piauí. Assim que o grupo retornou a São Luis, Carlos Verry queria contratá-lo. “A oferta foi pouca e eu preferi não levar essa história adiante”. Um ano depois, Napá (um dos grandes dirigentes atleticanos do passado) precisava arrumar alguém para substituir Serra Pano de Barco, que tinha acertado sua transferência para o Sampaio. Quando Napá viu Joca no Saeltip, não teve dúvida de que ele seria o substituto de Serra. Chegando no MAC, Joca encontrou Derval, Cabeça, Maçarico, Nunes, Marianinho, Jaime, Nélio, Moarcir Graça, Edson Rêgo e outros. Se tornou líder dentro e fora de campo. A carreira no MAC durou até o final de 1960, ano que inclusive foi convocado para a Seleção Maranhense de profissionais. Tudo estava indo muito bem, até que um pequeno desentendimento o fez sair do MAC. “Me chateei porque estávamos acertados que eu ganharia 2,5 mil cruzeiros por mês e, depois de alguns meses de atraso, queriam me dar apensas 2 mil cruzeiros por mês. Senti que era hora de trocar de time”, frisa Joca. E foi o que aconteceu. Em 1961 Joca foi para o Graça Aranha Esporte Clube (GAEC). Uma formação marcante do GAEC não lhe sai da cabeça: Juraci, Barnardino, Pelado, Cabeça e Nunes ou Wilson Santos; Serra Pano de Barco e Nonato Cassas; Jaime, Waldecy, ele e Pinagé. “Com esse grupo conquistamos o título mais importante do clube: Campeão da Taça Jubileu de Ouro – 350 anos de fundação da cidade de São Luis, em 1962. A final foi contra o Sampaio Corrêa. Ganhamos por 1x0, com um gol meu. Emoção inesquecível”, recorda.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

PÔSTER - MAC Tricampeão Maranhense 1993/94/95


VÍDEO - MAC x Moto em 1940 (Estádio Santa Isabel)

Provável jogo entre Maranhão Atlético Clube e Moto Club de São Luís, em 1940, no Dia do Trabalhador, no extinto Estádio Santa Isabel (Canto da Fabril). Esse raro registro é um dos, senão o mais antigo em vídeo de uma partida de futebol maranhense conservado. O primeiro registro de que se tem notícia foi feito em 1925, no Estádio da Rua do Passeio (Estádio do Luso), onde hoje fica o SENAC (ao lado do Hospital Português) entre Sampaio Corrêa e Santa Cruz (MA) mas, infelizmente, esse registro foi perdido com o incêncio da Botelho Film, no Rio de Janeiro, empresa que fora contratada na ocasião par cobrir a partida. Esse video faz parte do acervo do historiador Jesus Martins. Créditos do vídeo ao canal no Youtube do torcedor Ramssés Silva


Caio, um Campeão Mundial Interclubes que vestiu a camisa do Papão do Norte

Deixo aqui um post especial sobre a carreira do ex-atleta Caio, ponta que fez fama no Moto Club e Grêmio (RS). O texto abaixo foi extraído e adaptado do livro "Memória Rubro-Negra: de Moto Club a Eterno Papão do Norte", onde o próprio Caio, gentilmente, cedeu um longa entrevista para a conclusão de um capítulo especial sobre a sua vida e carreira. Deixo também fotos e um vídeo do programa Esporte 10, da TV Mirante

Matéria sobre o ex-jogador Caio, no programa Esporte 10 (TV Mirante)

As histórias que Caio contra do futebol são ricas como sua carreira. Depois de ser dispensado no inexpressivo Madureira (RJ) e conhecer os louros da fama no Sul do país, ele desembarcou em São Luis, para traçar seu caminho de títulos e vitórias. O Moto Club foi o ponto de partida. Para chegar à Portuguesa de Desportos e sagrar-se Campeão Mundial pelo Grêmio (RS), em 1983, foi num passo de mágica. Hoje, Luis Carlos Tavares Franco, o famoso Caio Turista, convive com um mundo completamente alheio à profissão que desempenhou com arte e maestria. Durante muito tempo foi gerente de vendas de uma Fábrica de Pré-moldados e Derivados, no Bairro do Anil, em sociedade com Paulo Figueiredo, técnico em engenharia. A falta de experiência de ambos, contudo, fez com que o empreendimento durasse pouco tempo.  Para ele, ser ídolo sem torcida é indiferente, importante é que o futebol lhe reservou momentos inesquecíveis. Como é que um jogador em plena forma, campeão do mundo, pretendido por grandes clubes do país, resolve parar de jogar? Caio assume que não soube administrar o muito dinheiro que ganhou e a precipitação de parar. Caio é carioca de Madureira e casado com a maranhense da cidade de Bacabal, Zelda dos Santos Carvalho Franco, e pai de Rafaela, 31 anos, e Caio Rafael, de 27 anos.

Nascido a 16 de Março de 1955, Caio foi criado em Madureira, um dos bairros de maior importância no comércio do Rio de Janeiro. O garoto teve uma infância muito humilde, onde o seu pai, Valter Franco, era fotógrafo, a família de Caio sobrevivia à base de muita dificuldade (filho de uma família com mais quatro irmão, Caio foi o único a despontar nos gramados). Ainda garoto, Caio já atuava pelo infantil do Brasil Novo, clube do próprio Bairro do Madureira e do qual o seu pai era sócio. Durante uma partida amistosa entre o Botafogo e o Brasil Novo, Caio arrebentou e despertou a atenção de Joca e Joel, treinadores do dente de Leite do Fogão, que imediatamente o levaram para treinar entre os seus atletas dessa categoria. Por influência do seu pai, botafoguense, Caio passou a frequentar o chamado dente de leite do alvinegro. Para treinar, pegava o trem de Madureira até a Central do Brasil, indo em seguida para o campo do Botafogo. Ficou ali dos 11 aos 17 anos, onde foi subindo de categoria (dente de leite, juvenil e os profissionais). Conciliava os treinos com os estudos, em um dos melhores colégios da capital carioca (Colégio Piedade e Faculdade Gama Filho).

Iniciou a sua carreira profissional no Botafogo como ponta-direita. Estreou no dia 23 de Maio de 1975, na derrota para o América em pleno Estádio do Maracanã, pelo Campeonato Carioca daquele ano. O craque jogou apenas essa partida - como um Botafogo recheado de craques como Zequinha, Gérson, Afonsinho, evidente que o jovem Caio não encontrou espaço e acabou emprestado ao Madureira, por indicação de Zequinha. Por obra do destino, estreou justamente contra o seu ex-clube, o Botafogo, na derrota por 3 a 0 para o alvinegro carioca. Em um Campeonato Carioca onde os grandes estavam respaldados por verdadeiras feras (Flamengo com Adílio, Andrade, Zico; Vasco com Roberto Dinamite), o Madureira apenas figurou dentre mais um na competição. Caio, porém, foi um dos grandes destaques da equipe. O ponta-direita passou dois anos na equipe da Rua Conselheiro Galvão, que também dá nome ao estádio do Madureira, antes de transferir-se, em 1977, aos 22 anos, ao Moto Club por intermédio do Coronel Santana, que havia sido treinador do Maranhão Atlético Clube e que havia conhecido Caio durante um jogo no Rio de Janeiro.

Caio já deixou a capital carioca com o contrato assinado, após ganhar passe livre no clube do interior carioca. Chegou a São Luis em uma quarta feira à tarde, dia 18 de Maio, e à noite já estava nas tribunas do Nhozinho Santos, para acompanhar a vitória do seu novo clube diante do Tupan por 3 a 0. A sua estreia seria dali uma semana, diante do Sampaio Corrêa na grande decisão do Terceiro Turno. Apesar da derrota para o seu grande rival, Caio foi um guerreiro dentro de campo, acabando com o lateral Ferreira, da Bolívia Querida. Pelas suas grandes atuações, logo o craque acabou caindo nas graças da torcida motense. Naquele ano o Papão tinha um timaço, que jogava no 4-3-3 e dirigido pelo gênio Marçal, que começou a lança-lo como centroavante (Caio veio ao Papão como ponta-direita): Marão; Célio Rodrigues, Vivo, Irineu e Breno; Tião, Toninho Abaeté (Beato) e Edmilson Leite; Caio, Paulo César e Alberto. Caio foi Campeão Maranhense e disputou o Campeonato Brasileiro daquele ano. Craque, sempre levava a torcida ao delírio quando ia à linha de fundo, geralmente pela lateral, no lado de fora da linha divisória do gramado. Uma passagem, segundo o próprio jogador, ficou marcada: Ivanildo e Rosclin eram dois zagueiros do Sampaio Corrêa e adeptos do melhor estilo “a bola pode até passar, mas o zagueiro...”. Durante um Superclássico, Caio havia pedido ao bandeirinha que não o atrapalhasse quando da sua ida à linha de fundo. Edmilson Leite lançou a bola e Ivanildo, afoito, passou batido após um toque sutil de Caio. O zagueiro boliviano somente foi parar com as pernas abertas abraçado à bandeirinha de escanteio. Caio ainda ironizou, parando propositalmente a jogada e estendendo a mão a Ivanildo, como quem dizia: “apende a jogar futebol!”, levando a torcida à loucura. Gênio.

A fama de Turista nasceu por conta do Jornalista Herbert Fontenelle. Na época, especulava-se que, por falta de acerto no contrato, Caio ia embora para o Rio de Janeiro; após uma conversa com o Dr. Cassas de Lima, dirigente do Papão, os problemas se resolviam e Caio retornava aos treinos. Na verdade, segundo o próprio jogador, o que muita gente não sabia era que o atleta estava noivo e ela ainda residia no Rio de Janeiro. Na época, Caio morava em uma pensão na Rua do Sol, de propriedade da Dona Pampulha – outros residiam na sede do Tirirical. O Presidente Pereira dos Santos, do alto da sua autoridade de Major da Polícia, prometeu mandar prendê-lo após uma nova sumida. Nunca mais Caio desapareceu, enterrando de vez a mania de viajar sem um aviso prévio. A fama de turista, porém, permanece até hoje...

No inicio de 1978, após um jogo amistoso entre Moto Club e Paysandu, onde o próprio Caio foi o autor de um golaço histórico, pegando de primeira a bola cruzada por Breno, ele e Paulo César (destaques da partidas), foram por empréstimo ao próprio Paysandu, para as disputas da Taça de Ouro no primeiro semestre daquele ano. Após a eliminação precoce do bicolor na competição, ambos retornaram ao Papão para as disputas do Campeonato Maranhense. E chegaram a tempo de ver o Moto chegar ao vice-campeonato diante do seu maior rival, formado com o tri Prado, Cabecinha e Bimbinha. Em sua primeira passagem pelo rubro-negro maranhense, já com o seu passe valorizado, o atleta permaneceu no Papão até o dia 27 de Junho de 1979, após três gols na goleada sobre o Vitória do Mar por 8 a 0 (Marçal o havia colocado como meia-esquerda). A essa altura, Caio já vinha sendo observado por João Avelino, olheiro e auxiliar técnico de Oswaldo Brandão, da Portuguesa de Desportos. Avelino estava nas arquibancadas durante a goleada contra o Vitória do Mar e não teve dúvidas em levar o ponta-esquerda para o Canindé. Quando a Portuguesa o procurou, o atleta já havia conseguido o passe livre e renovado por mais um ano com o Moto. Como gratidão em sua primeira passagem pelo rubro-negro, Caio deu ao Moto o direito de negociá-lo para um grande centro como o futebol paulista, mediante é claro os 15% referentes à transação para a Lusa. Chegou no andamento do Campeonato Paulista daquele ano, quando Oswaldo Brandão, treinador da Lusa, foi mandado embora e João Avelino assumiu o cargo. O clube sofreu uma grande reformulação no elenco, chegando alguns bons jovens atletas para o plantel, como Rui Lima, Quaresma, Cacá, Gerson Sodré e o próprio Caio, que terminou o Campeonato Paulista daquele ano como vice-artilheiro (19 gols), um a menos que Rubem Feijão, do Santos.

 Comemoração da torcida e dos jogadores pelas ruas, do aeroporto até o Estádio Olímpico

 Comemoração da torcida e dos jogadores pelas ruas, do aeroporto até o Estádio Olímpico

 Caio, terceiro agachado, no Grêmio

 Jogadores desfilando com a taça do Mundial, em 1983

 Comemoração da torcida gremista na volta do time ao Brasil, após o Mundial de Clubes, em 1983

 Grêmio campeão da Taça Liberdadores da América de 1983

 Caio comemorando o segundo gol na final da Libertadores de 1983



Caio com a camisa do Grêmio

Grêmio Campeão da Libertadores 1983

Caio ficou na Lusa até Março de 1983, sem ao menos conseguir deixar a equipe do Canindé entre os quatro primeiros colocados durante a sua passagem pelo clube lusitano. As suas grandes atuações e o seu refinado trato com a bola, porém, foram o suficiente para despertar o interesse do Grêmio, que o levou após uma breve negociação. Quando retornou de férias em São Luis, em Janeiro de 1983, Caio não teve o seu contrato renovado com a Lusa, embora ele tenha sido ídolo do clube e um dos grandes nomes do elenco da Portuguesa. O jogador, então, passou a treinar separadamente do grupo, até ser emprestado à equipe de Porto Alegre por intermédio de Wilton, preparador físico que, na época, trabalhava no São Paulo Futebol Clube e que trabalhava agora no clube porto-alegrense. O tricolor gaúcho precisava com urgência de um centroavante para as disputas da Taça Libertadores. Contrataram César, que atuava no futebol português, mas não estava rendendo em campo pela diferença do calendário entre o futebol nacional e o de Portugal. A diretoria, então, oficializou a vinda de Caio, que chegou por empréstimo de dez meses e na condição de reserva de César, um atacante de Portugal. Foi uma briga bonita. Na arrancada, Caio levou a melhor, pois estava com condicionamento físico adiantado. Vestiu a camisa do Tricolor gaúcho ao lado de nomes como o polêmico Renato, o habilidoso Mário Sérgio e o vigoroso e habilidoso Hugo de Leon, na época em sua melhor fase. O treinador era Valdir Espinosa. Caio foi a grande peça do Grêmio para as conquistas da Taça Libertadores e Mundial de Clubes de 1983 (foi dele, inclusive, um dos gols da grande decisão contra o Peñarol, pelo torneio sul-americano). Porém, a grande mágoa do ponta foi chegar a Tóquio na condição de reserva: o treinador Espinosa havia solicitado a contratação do centroavante Paulo César Caju, contrariando o ataque titular que vinha atuando até então na Libertadores e ajudado a equipe a chegar àquele Mundial. Caju não aguentou sequer o primeiro tempo e Caio foi logo lançado a campo, sendo ele, inclusive, o autor do passe do tento da vitória gremista sobre o Hamburgo, da Alemanha, por 2 a 1. Na chegada ao Brasil, a multidão tomou de conta do aeroporto. De lá até o Estádio Olímpico, em carro aberto, os jogadores foram empurrados pela massa, sorrindo, chorando e comemorando aquele inesquecível titulo. Era um momento de muita glória na carreira de Caio. Como prêmio pela conquista, a diretoria Tricolor pagou a cada atleta a quantia de U$ 6 mil. Apesar de todo luxo, alto salário no Sul e, na época, configurar dentre os vinte maiores goleadores da história do Grêmio (48 gols), resolveu deixar o Grêmio, em Dezembro de 1984, quando entrou em férias e abandonou os gramados por conta de uma grave contusão - uma distensão na virilha, durante um jogo pela  Libertadores de 1984. Após sucessivas idas e vindas, o jogador, já com 30 anos de idade e sem esperanças de uma recuperação total daquela lesão, resolveu parar. Na época, havia interesse de Santos e Palmeiras pelo seu empréstimo, mas o jogador comunicou o seu desligamento à diretoria gremista. O jogador ainda teve uma proposta para ser vendido ao Benfica de Portugal, mas o Grêmio, agora dono do seu passe, não aceitou – Caio saiu da Portuguesa para o Grêmio por empréstimo com o passe estipulado. Em suma, chegou a Porto Alegre com o passe lá embaixo. 

 Caio, o terceiro agachado, com a camisa do Moto Club

 Caio treinando no Papão


 Caio do Moto Club


Ao contrário do que muitos pensam, quando deixou o Grêmio, veio para o Maranhão para outro ramo – investiu em uma rede de Farmácias pela cidade. Em uma dessas peladas de fim de semana na praia, para espanto do agora aposentado jogador, ele não mais sentiu a tão incômoda contusão que o atrapalhara nos gramados. Tinha parado com o futebol, mas na época Mário Carneiro, Dr. Cassas de Lima, Ibrahim Assub e outros dirigentes rubro-negros pediram para o jogador atuar pelo Papão do Norte (como a equipe gaúcha era dona do passe do ponta, Caio não poderia mais atuar por nenhuma outra equipe). Mário foi até Porto Alegre e conseguiu a liberação do atleta para a sua segunda passagem pelo Papão, na época trinador por Zé Eduardo Branco e formado por um verdadeiro timaço: Moreira, Marinho, Ademir, Luís Cláudio e Zequinha; Ribas, João Neto e Raimundinho Lopes; Antônio Carlos, Caio e Zé Roberto. Caio estreou pelo Moto Club e assinou um contrato, no mínimo, inusitado: não viajaria e não concentraria. Isso provocou muitas críticas na época. Nesse ano, 1985, o Papão do Norte somente não foi campeão maranhense por conta do abalo pela perda do jogador Beto, que faleceu a campo durante um jogo contra o Tocantins. O ânimo do elenco não era mais o mesmo e o rubro-negro viu o Sampaio Corrêa chegar ao bicampeonato.

Caio ficou no Papão do Norte até 1989, ano do título maranhense e início do longo jejum de títulos pelo qual o rubro-negro passou ao longo de toda a década de 1990 (ainda teve uma breve passagem, em 1986, pela Tuna Luso, durante seis meses). Após a reapresentação do plantel, em Janeiro de 1990 foi realizada uma reunião com o grupo, insatisfeito com os salários atrasados. O Presidente Edmar Cutrim, em alto e bom som, tentou pôr fim àquele encontro: “se há alguma estrela no Moto Club aqui, essa estrela sou eu, que pago tudo aqui!”. Caio o contestou: “Estrela, só no céu e quando o tempo tá bom. Nunca vi o senhor colocar uma chuteira e entrar a campo. A sua obrigação é pagar o elenco. Se não quiser, largue o clube que sempre tem alguém que queria ser Presidente!”. Retirou-se da reunião, assinando em seguida, por revanchismo, com o Sampaio Corrêa, levado pelo então Presidente Pedro Vasconcelos. Pela Bolívia Querida, foi bicampeão (1990/91), abandonando em definitivo os gramados logo em seguida, já com 36 anos. Passou a trabalhar com escolinhas de futebol pelo Cohatrac e foi treinador e auxiliar pela Caxiense, Tupan, Imperatriz, Maranhão e no próprio Moto Club. A sua última experiência como treinador foi em 2000, pela equipe do Açailândia, onde encerrou a competição na honrosa nona colocação. Para quem usufruiu das maiores e melhores mordomias, em hotéis cinco estrelas de todo mundo e hoje convive no Bairro do Cohatrac, o jogador foi alvo de muito folclore, sobretudo pelo pós-futebol. Porém, o que fica é a bela contribuição de um jogador que fez fama no Brasil e deu à torcida do Moto Club o privilégio de vê-lo atuar com o manto rubro-negro.

VÍDEO - Maranhão 1x1 Fluminense (RJ) - Copa do Brasil 2000

Deixo aqui vídeo e súmula da partida Maranhão Atlético Clube 1x1 Fluminense, pela Copa do Brasil de 2000. Vale registrar que nessa edição o MAC realizou a melhor campanha de um clube maranhense na competição, chegando às Oitavas de Final. Agradecimentos do vídeo à TV Macão.

 MAC x Fluminense (RJ)

Maranhão 1 x 1 Fluminense (RJ) - 04/05/00
Local: Estádio Castelão
Público: 8.693 pagantes
Juiz: Paulo César Oliveira (SP)
Gols: Agnaldo  aos 10 munutos e Rogério aos 31 minutos do 2º tempo.
Maranhão: Marcelo Pincovae, Dinho, Daniel, Jean Marcelo e Lusitana; Fischer, André e Glauco; Robenildo, Luís Carlos  e Cal. Técnico: Rogério Jansen
Fluminense (RJ): Zetti; Paulo César, César, Emerson e Vanin; Fabinho, Donizete Amorim e Roberto Brum; Leandro, Magno Alves e Agnaldo. Técnico: Valdir Spinosa


Milson Cordeiro

Matéria de Edivaldo pereira Biguá e Tânia Biguá, página "Onde Anda Você?", do Jornal O Estado do Maranhão.

Não é de hoje que a maioria dos garotos quer ser atacante na hora do “racha”. Um maranhense nascido em Viana foi diferente até nisso. Milson de Jesus Cordeiro, que veio para São Luis comum ano e meio (quadro de uma família de cinco irmãos), só queria jogar na defesa. Tinha um prazer especial em marcar os craques da pelada. Azar dos atacantes; melhor para os clubes e times que tiveram esse craque do lado, tanto no futebol de campo como no salão.

Milson, que nasceu em Março de 1941, optou pela defesa desde cedo. E fez dessa escolha um dom de Deus. Aos 12 anos de idade, quando iniciava nas peladas de futebol disputadas em um campo no Bairro do Monte Castelo (bem em frente onde funciona hoje o Centro Médico), só queria jogar se fosse atrás. “Era bom aceitar os desafios e dificultar as ações dos atacantes, principalmente porque eu era franzino e eles achavam que iam passar por mim com facilidade. Eu não abria de jeito nenhum” conta ele com ar de satisfação. Essas peladas o Monte Castelo se estenderam até 1955. Dos amigos da época, Milson lembra bem de dois: Cardoso, conhecido como Zé Fedeu (jogou no Moto Club), e Aurino.

Seu primeiro time de futebol de campo amador foi o Flamengo do Monte Castelo, que participava do Campeonato da Segunda Divisão promovido pela FMD. O Flamengo tinha Tião como líder e dono. Dois anos depois (1957), com 16 anos de idade, Milson vestiu a camisa do Sampaio Corrêa já como jogador não-amador (o equivalente a um semiprofissional). Chegou ao Tricolor através de Carlos Verri, que era cunhado do então Prefeito de São Luis, Epitácio Cafeteira. Verri arrebentou na época na turma de estudantes que além de gostar, conhecia futebol como ninguém: Milson, Nonato Cassas, Alméro, Biné, César Bragança, Canhotinho, Luisinho e outros que atuavam no Santos, comandado por Jafé Mendes Nunes. E Milson acrescentava: “Esse era um time que dava gosto jogar. Verri foi buscar três jogadores na Maioba para que nós pegássemos experiência: Zé Fernando (goleiro), Pedro Bala (ponta-esquerda), Regino (ponta-direita). Jogamos juntos durante quatro anos e, modéstia à parte, formamos um timaço, que tinha amor à camisa”.

A família de Milson era motense, a começar pelo pai, Álvaro Cardoso, sócio de carteirinha do rubro-negro. Depois que o filho começou a jogar no Sampaio, seu Álvaro deu a maior força e ele até mudou de time. No Sampaio, Milson jogou em todas as quatro posições da defesa (lateral-direito, lateral-esquerdo, zagueiro-central e quarto-zagueiro). Segundo ele, gostava mais de jogar na direita. Foi bicampeão estadual (1961/62) e foi bicampeão do Torneio Maranhão-Piauí. Um time que traz boas recordações era formado por Zé Fernando; Milson, Vadinho, Maneco, Damasceno e Decadela; Nilson, Fernando e Serra Pano de Barco; Canhotinho e Pinagé. No Sampaio, ainda jogou ao lado de Walfredo Carioca, Jarbas, Barrão, Djalma e João Bala, no fim de sua carreira, quando estava se transferindo para Bacabal, onde ingressou o BASA (Banco da Amazônia).

Mesmo do lado oposto, Milson se lembra bem de muitos adversários: “Tive vários desafetos ao longo da minha carreira no futebol de campo. Marquei vários craques fora de série. Dois deles ficaram guardados em minha lembrança: Nabor, que jogava na meia e na ponta-direita, e Louro, um ponta-esquerda do Moto. Eram habilidosos e tinham um grande preparo físico. Nabor além de tudo era malandro. Sabia bater mesmo sendo atacante. Vivemos momentos incríveis. Eles sabiam que eu não dava moleza também. Se era para bater, eu batia. Se era para sair jogando, eu saia. Dançava conforme a música”.

 Sampaio Corrêa campeão Estadual em 1965: em pé – Terrível, Milson Cordeiro, Chamorro, Válber, Serra “Pano de Barco” e Biné; agachados – Macaco, Regino, Barrão, Lourival “Bazar de Barulho” e Pedro Bala

 Sampaio Corrêa bicampeão em 1965: em pé - Milson, Zé Raimundo, Ribeiro, Hélio, Vadinho e Walfredo do Anil; Agachados: Neném, Massaúd, Casquinha, Chico e Peu

Um outro momento inesquecível para Milson foi quando o Sampaio jogou amistosamente contra o Fluminense do Rio de Janeiro, em 1964, no Nhozinho Santos. Segundo ele, o Flu era uma verdadeira máquina de jogar bola. Tinha sete jogadores da Seleção Brasileira: o lendário goleiro Castilho, Pinheiro, Edmilson, Maurinho, Escurinho, Valdo e Telê Santana. “Foi a primeira e última vez que joguei na lateral esquerda no Sampaio. Marcamos 1x0 numa jogada que começou com Nonato Cassas e que Garrinchinha completou para o gol (Garrinchinha havia sido emprestado pelo MAC ao Sampaio só para esse amistoso). Depois do gol, só deu eles. Corri feito louco atrás do ponta Mauricinho. Perdemos o jogo por 4x1”. Nesse ano, 1964, Milton voltou a ser campeão Estadual pelo Sampaio. Em 1965 o Sampaio foi novamente bi, só que nesse ano Milson jogou pelo Maranhão Atlético Clube ao lado de feras como Negão, Zuza, Alencar, Croinha, Wilson, Laxinha, dentre outros. Ele relembra que foi para o MAC chateado com a diretoria do Sampaio, que havia forjado seu contrato de amador para profissional, para que ele não jogasse futebol de salão, sua outra paixão. No início de 1966 Milson passou no concurso do Banco do Comércio e Indústria de Minas Gerais. Depois foi para o Banorte. Durante quatro anos se dedicou mais ao futebol de salão nos campeonatos Estaduais e bancários e jogava campo no Sampaio quando podia.

Em 1970, já no Banco da Amazônia, foi morar em Bacabal, cidade do interior do Estado. Lá, por causa da fama, foi convidado a ser técnico e atleta do Botafogo, que pertencia a Zé Carreira. Chegou a ser campeão bacabalense por várias vezes, até que decidiu largar definitivamente a bola por vários motivos. Três deles foram: os problemas nos joelhos, a falta total de tempo para treinamentos e por causa do Banco. Isso aconteceu já em 1980.