quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Riba, o maior artilheiro do MAC



Em toda história do Maranhão Atlético Clube, nenhum atleta jogou tanto tempo e de forma tão brilhante quanto Riba. Um artilheiro nato que se dedicou e defendeu por 16 anos o Demolidor de Cartazes. Marcou, aproximadamente, 500 gols desde a partida de estreia contra o Nascente do Bairro do Anil, em 1968, até 1984, quando resolveu parar com a bola profissionalmente. A torcida o trata com carinho, respeito e admiração porque sabe que ele tinha amor à gloriosa camisa atleticana.

Se fosse levar em consideração as broncas da mãe, dona Honorata Gomes, Riba jamais teria se tornado um dos maiores artilheiros do futebol maranhense. Ele fugia de casa para aperfeiçoar seus toques de bola nas peladas batidas do Bairro do Sacavém, periferia de São Luis. Mesmo sendo franzino e baixinho, se destacava pela habilidade.

Começou a despontar aos 16 anos de idade, defendendo o Barcelona do Sacavém, um dos mais concorridos do futebol amador. O time, formado por garotos do bairro, tinha muita gente de talento: Chichico (goleiro), Verequete, Paraíba, Coca-Cola, Hélio, Índio, Pelé, Lamparina, Josivan, De Assis, Raimundo, dentre outros que o artilheiro não lembra os nomes. Mas os jogos ficaram registrados em sua memória. “Essa era uma rapaziada pesada. Tínhamos um incrível entrosamento. O bairro inteiro nos acompanhava nos jogos. Um tempo inesquecível”.

A excelente participação no campeonato anilense fez Riba ser convocado para a seleção do bairro, que no início de 1968 enfrentou a Seleção do Tirirical, no Estádio Nhozinho Santos, preliminar de Flamengo (RJ) 2x2 Moto Club. Com 1m66 de altura, 64 quilos de peso, excelente condição atlética, toque de bola, chute forte, impulsão, cabeçadas perfeitas, além dos deslocamentos precisos e grande espírito de solidariedade e companheirismo, ele acabou sendo aplaudido pelo público. Foi o autor do gol que definiu o resultado final da partida: 1x1.

Uma semana depois, Jaime Gomes, dirigente do Graça Aranha Esporte Clube, convidou Riba para disputar as últimas três partidas da fase de classificação do campeonato estadual de profissionais pelo GAEC. Ele aceitou e se juntou a Sansão, Casoca, Zé Maria, Simiti e outros dirigentes pelo técnico Calanzas. Não conseguiram classificar o time para o returno e o grupo acabou se desfazendo.

O sonho de jogar em uma grande equipe do futebol maranhense parecia não mais ser concretizada. Só que Jaime Gomes, após a desativação do departamento de futebol profissional do GAEC, levou Riba para o Maranhão Atlético Clube. Reforçou a equipe juvenil, se destacou como artilheiro e ficou esperando uma chance para jogar profissionalmente. Ela não tardou a aparecer. “O MAC foi jogar amistosamente contra o Nascente do Anil e o nosso técnico, professor Rinaldi Maia, me convocou. O Sacavém e o Anil inteiro estavam lá, no meu reduto. Fiquei no banco. Ainda no primeiro tempo o Nascente fez 1x0. No intervalo, o homem não me chamou. A torcida começou a gritar meu nome. O homem achava que a torcida estava pressionando-o e ele não suportava isso. Quando faltavam uns 20 minutos para acabar o jogo, ele nem falou comigo e muito menos me olhou. Se dirigiu para o massagista e disse: diz para o garoto ai do lado entrar agora e jogar enfiado entre os beques. Me aqueci rapidamente e fui pra briga. Deus me ajudou! Cinco minutos depois de ter entrado, empatei o jogo. Dez minutos depois, fiz o segundo e ganhamos por 2x1. Eu estava radiante e a torcida feliz e satisfeita. Mesmo assim o homem não me dirigiu a palavra em nenhum momento”. No outro domingo o MAC reabriu o returno do campeonato contra o Vitória do Mar, Jacinto, centroavante titular, estava discutindo a renovação de contrato e não quis jogar. Rinaldi Maia colocou Riba como titular. O MAC meteu sete no Vitória do MAC e Riba fez três. A partir daí, não saiu mais do time. Nesse ano foi artilheiro do campeonato juvenil e vice do profissional (o artilheiro foi Gimico, do Ferroviário).

Quem viveu com Riba, no MAC, costuma afirmar que ele era um exemplo como atleta e figura humana. Não bebia e nem fumava. Dormia cedo, não gostava de farra e se cuidava. Sempre foi atencioso com os companheiros, um líder natural. Caladão, jeito simples e humildade, sempre tinha – e continua tendo até hoje – um sorriso amigo, sincero, de quem sofreu e aprendeu com a vida. Perder o pai, Saturnino Ferreira Gomes, foi um grande choque na vida dele. A superação veio com o carinho dado pela torcida a cada partida disputada no MAC.

 Maranhão Atlético Clube em 1982: em pé - João Batista, Tataco, Timbó, Marinho, Cabeção e Wilson; agachados - Mário Palito, Tica, Hélio, Riba e Alcino.


As primeiras grandes conquistas foram o bicampeonato 1969/70, com uma formação inesquecível para os atleticanos: Da Silva, Baezinho, Sansão, Luis Carlos e Elias; Toca e Yomar; Euzébio, Hamilton, Jacinto ou Riba e Dário. Riba foi campeão do Torneio Matinho Rodrigues, da Taça Cidade de São Luís e conquistou outro campeonato estadual pelo MAC em 1979, participando de outra grande e marcante formação. Marcelino, Mendes ou Célio Rodrigues, Jorge Santos, Tataco ou Paulo Fraga e Antônio Carlos; Juarez, Emerson e Naldo; Osni, Riba e Dejairo. Tinha no banco Alcino, Neco, João Batista e outros. “Esse grupo foi o melhor que joguei. Nesse ano disputamos 18 pontos no campeonato brasileiro e ganhamos 15. Nos classificamos para a segunda fase da competição de forma invicta. Aliás, apenas o MAC e o Inter (RS) não perderam nessa fase para ninguém na primeira fase.”

Riba, quando garoto, era motense como a mão. Depois passou a ser atleticano, onde se tornou ídolo. “Quando chegava em casa após uma vitória sobre o Moto, depois de ter feito três gols, minha mãe me indagava porque eu tinha que marcar tantos gols assim no time dela”, comenta rindo.

 Uma das formações do MAC em 1979: em pé - Jorge Santos, Veludo, Paulo Fraga, Antônio Carlos, Mendes e Tataco; agachados - Dejairo, Juarez, Riba, Naldo e Serginho


Riba se espelhou em outros grandes atletas que marcaram época no MAC: Croinha e Hamilton, esse último, na opinião dele, o melhor atacante que já viu jogar. “Não dá pra comparar Hamilton a ninguém. Um gênio! Se jogasse hoje, seria destacado internacionalmente. Um mago da bola”. Durante os 16 anos no MAC, Riba foi emprestado duas vezes para o Ferroviário, uma para o Moto e outra para o Tiradentes (PI). Eram empréstimos rápidos, para disputas de campeonatos brasileiros. Em 1984, quando estava com 35 anos de idade, resolveu parar de jogar profissionalmente.

sábado, 8 de setembro de 2012

Moto Club Campeão Maranhense de 1974

Encontrei uma raridade: uma foto colorida do Papão do Norte na década de 70. Para ser mais específico, a equipe campeã maranhense de 1974. Deixo esse belo registro da equipe, que era comandada pelo vitorioso treinador Marçal e formada com a seguinte base:Claudinei, Ivan, Neguinho, Sérgio e Antônio Carlos; Gojoba, Soares e Santana; Lima, Paraíba e Coelho.


Ferroviário Esporte Clube - Campeão Maranhense de 1971

Em 1971, o Campeonato Maranhense foi disputado por seis equipes: além dos tradicionais Maranhão Atlético Clube, configurando-se como o atual campeão (1970), Sampaio Corrêa (atual vice) e o Moto Club, que encerrou a disputa de 1970 na quarta colocação, o estadual daquele ano contou ainda com a participação do Graça Aranha, do São José (equipe do Bairro do João Paulo), do Vitória do Mar, o chamado "Clube da Estiva" e do Ferroviário Esporte Clube, o tiime da REFFSA, a rede férrea de São Luis. Sob o comando do experiente Marçal Tolentino Serra, o Ferrim chegou ao título daquele ano com uma belíssima campanha: foram seis vitórias, três empates e apenas uma única derrota, logo na estréia para o Moto Club. A equipe assinalou vinte e dois gols e sofreu apenas três. A base da equipe campeã era a seguinte: Martins; Airton, Alzimar, Antônio Carlos e Carrinho; Valdinar, Joari e Carlos Alberto; Edson, Mineiro e Coelho.Abaixo, deixo a foto da equipe que chegou ao título e a campanha.


CAMPANHA - FERROVIÁRIO E. C CAMPEÃO MARANHENSE DE 1971

23/05-Moto Club 1x0 Ferroviário
26/05-Ferroviário 5x0 Vitória do Mar
09/06-São José 0x1 Ferroviário
13/06-Ferroviário 0x0 Sampaio Corrêa
20/06-Ferroviário 2x0 MAC
07/07-MAC 1x1 Ferroviário
11/07-Sampaio Corrêa 0x0 Ferroviário
15/07-Ferroviário 2x1 Moto Club
25/07-Vitória do Mar 0x7 Ferroviário 
24/08-Ferroviário 4x0 Graça Aranha

Papão do Norte após a paralização de 1951

O torcedor rubro-negro, inclusive até os mais antigos, já vivenciaram inúmeras situações de crises administrativas e financeiras pelas quais o Papão do Norte atravessou. O Papão ainda depende da boa vontade de dirigentes, conselheiros e até de parte da torcida para levar a campo o time. Quando o Moto anunciou o fechamento do seu departamento de futebol, em Agosto de 2010, houve uma comoção até mesmo a nível nacional. Após o rebaixamento do clube em 2009 e os fracos resultados no primeiro semestre do ano seguinte, alguns conselheiros deram entrada na FMF, pedindo a suspensão das atividades profissionais do Moto Club por tempo indeterminado. Contudo, muita gente desconhece, mas o Moto Club já fechou as suas portas antes desse fatídico ano de 2010. Porém, diferentemente desse ano, quando o clube voltou atrás e dois meses depois iniciava as disputas da Segunda Divisão do Campeonato Maranhense, em 1951 o Papão parou com as suas atividades profissionais e somente retornou aos gramados alguns meses depois. O motivo para a paralisação do departamento de futebol profissional foi o escândalo envolvendo o atleta alagoano Merci, vindo do Santa Cruz (PE) e que apresentava duplo registro junto à Federação Maranhense de Desportos - o atleta foi inscrito pelo Moto Clube de São Luis e pelo Sampaio Corrêa. Como o Papão perdeu a causa, os seus dirigentes acabaram retirando a equipe principal das competições da FMD. Na figura abaixo, a formação do Moto após a paralização. Temos na formação alguns grandes nomes, como Walber Penha, Cabeça, Baé, Peruzinho, Jonas, Zé Maria, Jesus, Diniz, Fernando, Jorge, Zezico e outros.


Moto Club de 1962

Temos abaixo uma das formações do Papão do Norte no ano de 1962. Na foto, vemos a seguinte escalação: em pé - Aloísio, Baé, Omena, Carvalho, Português e Gojoba; agachados - Garrinchinha, Zezico, Hamilton, Nabor e Joubert


Laxinha, craque tipo exportação

Matéria de Edivaldo pereira Biguá e Tânia Biguá, página "Onde Anda Você?", do Jornal O Estado do Maranhão.

No início, aos 11/12 anos de idade, vieram as peladas no Bairro do Monte Castelo. O sonho era ser profissional e ganhar a vida com o que mais gostava e sabia fazer: jogar futebol. Com um personalidade muito forte, foi conquistando espaços e chegou à equipe de juniores do Moto Club. Lá, ganhou o apelido que o consagrou por todo o Norte/Nordeste: Laxinha. Um craque “coringa” que jogou em várias posições nos principais clubes de São Luis e no Paysandu de Belém do Pará, que tratava a bola com intimidade e sabia o que fazer com ela.

Laxinha é maranhense, ao contrário do que muita gente pensa. Nasceu em São Luis, no dia 16 de Setembro de 1934. Filho de Driblador, lendário goleiro do Maranhão Atlético Clube da década de 40, cresceu vendo o pai jogar, cultivando o sonho de ser um atleta profissional. “Eu não pensava em outra coisa. A torcida, o prazer de estar em campo e defender um grande clube, era tudo o que eu queria”, relembra Laxinha. Ele conta ainda que os primeiros contatos com a bola aconteceram nas peladas batidas do Bairro Monte Castelo, ao lado de amigos como Maçariquinho (jogou no Sampaio e MAC), Pivide, Maçarico e Coelho – filhos de Maçariquinho -, Pedro, Aurino e o irmão de Leite Raimundinho. “Todos queriam ser atleta profissional”.

Com 14 anos de idade, Laxinha foi levado para o Tijuca, do Bairro do Tabocal, pelo amigo Manoel, que era goleiro do time. Com quase 1m80 e 67 quilos, Laxinha chamava a atenção de todos pela facilidade com que conduzia e tocava a bola. Sempre foi torcedor do Moto Club. Acompanhou os times que fizeram do Moto o grande “Papão Norte”, quando conquistou sete títulos estaduais consecutivos (1944/50). Em 1949, quando tinha 15 anos de idade, trocou o Tijuca do Tabocal pela equipe de juniores do Moto Club. Quem o levou para o Papão foi o massagista Nêgo Luz, que foi goleiro e que jogou com Driblador, pai de Laxinha, no MAC. Foi no Moto que ganhou o apelido de Laxinha. “No time principal, tinha um centroavante alagoano por nome de Laxinha. Todo mundo dizia que eu parecia com ele. Ai não deu outra, passaram a me chamar pelo nome que sou conhecido até hoje”. Ele recorda com saudade que nessa equipe do Moto jogavam ao lado de Canhoteiro, que jogou no São Paulo e na Seleção Brasileira: Boquinha, Enoque, Valdeci, Mourão, Lúcio, Ratinho e Bigú.

No Tijuca do Tabocal o no Moto, Laxinha jogava descalço. A primeira vez que calçou chuteiras foi no Flamengo time do Monte Castelo, que disputou o campeonato amador de São Luis em 1950. A primeira experiência como atleta “não-amador” aconteceu quando foi servi o exército e acabou jogando o campeonato maranhense de profissionais pelo General Sampaio, time do 24 Batalhão de Caçadores. “Foi muito gratificante  poder jogar ao lado de Formiga, Esmagado e outros que não me recordo no momento, em um campeonato que só tinha times bons e jogadores fora de série. A partir daqui eu tinha certeza que iria seguir em frente como profissional da bola”.

Com facilidade em se posicionar em campo e um toque de bola de primeira grandeza, Laxinha chamou a atenção de Valério Monteiro, que acabou tirando-o do General Sampaio, levando-o para o MAC. Ficou por lá cerca de três anos. Não conseguiu títulos, mas acumulou experiências jogando ao lado de Lunga, Moacir Bueno, Serra, Perú e outros atleticanos da época. Laxinha foi seleção maranhense de futebol algumas vezes.

 Maranhão Atlético Clube em 59
Em 1953, o Moto foi representar o estado tem uma Taça Brasil e o MAC emprestou Laxinha para o rubro-negro maranhense. “Não fomos bem na competição, fomos barrados pelo Paysandu, lá em Belém. A sorte é que eu atravessava uma grane fase e os paraenses acabaram ficando interessados em me contratar”. Laxinha cometeu um grande erro quando se transferiu para o Paysandu. Entusiasmado por ir jogar em um grande centro, acabou assinando em branco um contrato que iria lhe prejudicar três anos depois. De 1955 a 1957, ele defendeu o Paysandu no Campeonato Paraense. Foi vice-campeão estadual em 1955 e bicampeão em 1956/57. “O time dessa época era Dodó, Sidoca e Gilvano; Meia-Noite, Nonatinho, Luciano, eu e Cacetão”. Em 1957, Laxinha integrou a Seleção Paraense que foi disputar o Campeonato Brasileiro de Seleções. Ganharam todos da região e partiram para jogar no Rio de Janeiro contra a Seleção Carioca. “Perdemos de 6x0. Porém, joguei bem e houve o interesse do Botafogo de Garrincha, Didi e companhia em me emprestar. Ai aconteceu o inesperado. A diretoria do Paysandu valorizou demais o meu passe e o Botafogo acabou desistindo da competição. Essa foi a primeira decepção de Laxinha com o futebol. Ele viu seu sonho ser cerceado por dirigentes paraenses. Brigou e acabou abandonando o clube paraense, retornando a São Luis.

 Laxinha em ação pelo Moto em 1960, na vitória sobre o Flamengo (RJ) por 2x1, no Nhozinho Santos

Laxinha, o segundo agachado, no Papão de 1962

 Laxinha, entre Alzimar (esquerda) e Corrêa (direita), no Moto Club bicampeão em 1966/67 

 Laxinha, o penúltimo em pé, no Papão do Norte de 1964

Papão do Norte de 1962
Para manter a forma, treinava no Ferroviário Esporte Clube, do técnico Zequinha, que acabou gostando do futebol dele e pediu para a diretoria do Ferrim o contratar. “O Paysandu dificultou ao máximo minha transferência para o Ferroviário. Tomei conhecimento depois que a transação foi feita por 20 mil cruzeiros em dinheiro e mais a renda de dois jogos do Ferrim em Belém. Não ganhei nada com a negociação, a não ser um contrato com o time da RFFSA”. Nesse ano, 1958, o Ferroviário foi o bicampeão maranhense. Em 1959, o Ferroviário foi desfeito e vários atletas foram para o MAC e Moto. Para o MAC foram Zequinha (técnico), Ribeiro Garfo de Pau, Negão, Santos, Zuza e Laxinha. Nesse ano o MAC não conseguiu nada no estadual. Dois anos depois, Laxinha estava no Moto, seu time de coração. Por lá ficou seis anos e conquistou o bicampeonato estadual de 1966/67. Ele não esquece o time de 1967, formado por Bacabal; Paulo, Omena, Carvalho e Português; Ronaldo e Laxinha; Garrinchinha, Casquinha, Hamilton e Nabor. Em 1968 o Moto conquistou o tricampeonato, mas Laxinha havia sido transferido para o Sampaio Corrêa, depois de uma confusão com o técnico motense Rinaldi Maia. “Não aceitei a reserva e achei que era hora de mudar de clube”. Depois de passar uma temporada no Sampaio e não conseguir se destacar no campeonato, Laxinha começou a pensar em abandonar a carreira de profissional. Em 1969, ainda jogou algumas partidas amistosas pelo MAC. No final do ano, parou com o profissionalismo. Depois de doze anos como atleta profissional, Laxinha tentou a carreira de técnico. Dirigiu o Atlético da cidade de Pedreiras e a Seleção de Urbano Santos, que disputou o Torneio Intermunicipal. 

 Sampaio Corrêa de 1967: em pé - Pompeu, Nivaldo, Maneco, Marcial, Osvaldo e ico; agachados - Tutinha, Laxinha, Carlos Alberto, Santos e Jocemar.

Sampaio Corrêa de 1968: em pé - Zé Raimundo, Vico, Sansão, Faísca, Laxinha e Célio Rodrigues; agachados - Ernani Luz (massagista), Tutinha, Santos, Luis Carlos, Lobato e Itamar

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Canhoteiro, um mágico que jogava bola

É difícil e quase impossível que alguém ainda tenha algo a dizer sobre Canhoteiro. Aliás, José Ribamar de Oliveira que, como também já foi dito, nasceu em São Luís, capital do Maranhão, no dia 24 de setembro de 1932. O que nunca foi dito, ou se foi, foi muito pouco, é que, embora nunca tenha tido qualquer ligação com o clube, Canhoteiro nasceu na mesma noite do dia em que foi fundado o Maranhão Atlético Clube.

Segundo Dejard Ramos Martins, no seu ESPORTE – Um mergulho no tempo, “Canhoteiro formou no infantil do Moto Club de São Luís, mas seu maior momento foi no Paissandu Esporte Clube, do Zé Leão, ao lado de outros meninos do seu tempo: Esmagado, Enoque, Lourinho, Cleto, Ferreira, Josiel, Totó, Argemiro, Denizard, Bebeco, Salcher, Coutinho e outros. Foi, então, quando conheceu a primeira chuteira. Em 1952, o clube era o espantalho do futebol amador de São Luís. Até os considerados grandes – Sampaio Corrêa, Moto Club -, experimentaram a coesão do team de Zé Leão.”

Ainda segundo Dejard Martins, “. . . no dia 28 de abril de 1953, Lívio Corrêa Amaro, então presidente do América Futebol Clube, do Ceará, depois de uma temporada vitoriosa do clube rubro cearense em gramados maranhenses, transferiu a importância de seis mil cruzeiros com a seguinte destinação: um mil cruzeiros para Cosmo e igual quantia para Canhoteiro. Dois mil cruzeiros para o Sampaio Corrêa Futebol Clube, pela liberação de Cosmo, e dois mil cruzeiros para o Paissandu Futebol Clube, pela liberação de Canhoteiro. Dias depois, pelo Lóide Aéreo, ambos viajaram para o Ceará.”

Em meados de 1954, Canhoteiro chegava ao América do Ceará, clube de médio investimento no futebol, mas de intensa expansão social, haja vista que sua sede, ficava no bairro Aldeota, o mais aristocrata de Fortaleza. Além de intensa vida social, o América disputava também modalidades consideradas amadoras como Futsal, Basquete, Voleibol e Natação.

No clube alencarino Canhoteiro foi encontrar o goleiro maranhense Bacabal. Cosmo, aqui conhecido como “Becão”, era outro companheiro de time. O América já tinha o seu “Becão”. Era Walter Barroso. Encontrou também Merci e Matuto, embora esses não o conhecessem.

Nas décadas de 50 e 60, ainda sem as competições nacionais de hoje – existia apenas o campeonato brasileiro de seleções -, os clubes do Sul e do Sudeste faziam temporadas pelo Norte e Nordeste, com o objetivo de faturar para cobertura das folhas de pagamento, e para observar jogadores em ascensão. Foi assim com Ademir Menezes, com Babá, com Almir e, como não poderia ser diferente, com Canhoteiro.

Finalmente, em 1955, Canhoteiro chegou ao São Paulo Futebol Clube, onde permaneceu até 1963, e foi no Tricolor Paulista que se consagrou. Apesar de só ter conquistado um título, o do campeonato paulista de 57, Canhoteiro é apontado como um dos maiores jogadores da história do Tricolor da Barra Funda. Muitos chegaram a considerá-lo o “Garrincha da ponta esquerda”.

Em 1958, aos 26 anos e sem qualquer “trabalho de base” e três anos após chegar ao clube, Canhoteiro era titular absoluto do São Paulo ao lado de Mauro Ramos, da seleção brasileira, e de Zizinho, um de seus fãs declarados. Gino, o artilheiro, e Maurinho o outro ponteiro, além do também consagrado Dino Sani, formavam no mesmo time que o menino coroataense que começou a dar os primeiros chutes no Paissandu, ao lado de Esmagado, onde também começou a fazer embaixadas com moedas.

Considerado o mais habilidoso ponta da sua geração, foi sempre preterido em Copas do Mundo por conta da maior mobilidade tática de Zagallo e do chute mais forte de Pepe. Canhoteiro descobriu o segredo de abrir espaços onde não havia nenhum e dominou a arte de desconcertar zagueiros com dribles geniais. Foi um dos primeiros jogadores brasileiros a ganhar um fã-clube. No São Paulo, seu segundo clube, marcou 102 gols em 415 jogos. Defendeu também a seleção paulista, mesmo sendo maranhense. Naquela época, o local de nascimento do jogador, desde que fosse no Brasil, servia apenas como referência.



 Na seleção campeã do mundo de 1958 na Suécia. Canhoteiro perdeu lugar para Zagallo durante a fase de treinamentos dias antes do embarque

 Canhoteiro do São Paulo

Canhoteiro do São Paulo


Parece inacreditável, mas, a participação de Canhoteiro na Copa de 58, na Suécia, só não se concretizou por conta da sua grande amizade com Djalma Santos. Acontece que, nos treinamentos, o marcador de Canhoteiro era seu “compadre” Djalma Santos. Se ele jogasse tudo que sabia e fosse para cima do ex-lateral-direito, muito provavelmente iria desmoralizá-lo. A amizade e a consideração falaram mais alto, e Canhoteiro “guardou” seus dribles.

Por conta disso, muito mais que a operacionalidade tática de Zagallo e o petardo de Pepe, que não estavam preocupados em esconder o jogo, ganharam as vagas. Canhoteiro foi cortado e viu do Brasil a seleção vencer e encantar na Suécia.

Mesmo não sendo muito lembrado nas convocações da seleção brasileira, José Ribamar de Oliveira, o Canhoteiro, é considerado um dos melhores pontas da história do Brasil. Ele morreu no dia 16 de agosto de 1974, em São Paulo.

Juary, da Itália para o Moto Club

No futebol brasileiro a história de Juary se confunde com a dos "Meninos da Vila", famoso time do Santos campeão paulista de 1978. Mas a sua carreira no clube praiano começou bem antes, jogando nas equipes juvenis. Chegou jovem, com o sonho de jogar no "time de Pelé". Infelizmente, nessa época o clube passava por uma das piores crises técnicas da sua história, não tendo conseguido se classificar entre as 12 equipes que disputaram o segundo turno do Campeonato Paulista de Futebol de 1976.

No Campeonato Brasileiro de Futebol de 1976 houve uma melhora com a chegada de Aílton Lira, mas uma derrota para o Internacional por 3x1, de virada, com o Morumbi lotado de santistas,[1] mostraria que o time ainda não era competitivo. Foi o último campeonato que fez um dos remanescentes da Era Pelé, o ponta-esquerda Edu que deixaria o clube em seguida. O campeonato paulista de 1977 apresentara poucas melhoras, mas Juary teve a sua primeira grande chance quando naquele mesmo ano o Santos foi convidado a disputar o torneio Copa Cidade de São Paulo, do qual participariam a SE Palmeiras, o SC Corinthians e o Atlético de Madrid. Ao eliminar o arquirrival do Parque São Jorge, o Santos fez a final com o Atlético de Madrid. O zagueiro do time espanhol era Luís Pereira, titular da seleção brasileira da Copa de 1974 e considerado um dos maiores jogadores da posição da história do futebol brasileiro. Nessa partida, porém, diante de uma imensa torcida santista, o zagueiro vacilou na frente de Juary e viu o rápido garoto tomar-lhe a bola e fazer o primeiro gol da partida. O Santos não ficou com o título, mas no dia seguinte os jornais estampavam imensas manchetes que destacavam a "brincadeira" do grande Luís Pereira e o atrevimento daquele "menino" que não se impressionara com a fama do craque.

Ainda em 1977 estrearia o ponta-direita Nílton Batata, vindo do Atlético Paranaense. E no final desse mesmo ano surgiria na ponta-esquerda o rápido João Paulo, também do Estado do Rio de Janeiro. Em 1978, ao novamente ser eliminado no Campeonato Brasileiro de Futebol de 1978, num jogo com o Londrina no Pacaembu (derrota de 2x1[2]), o time passaria o período de parada pela Copa do Mundo de 1978 e se rearmaria graças ao trabalho do treinador Chico Formiga ex-jogador dos anos 50, que finalizaria o time dos "Meninos da Vila" promovendo o garoto Pita dos juvenis, para jogar ao lado de Clodoaldo e Aílton Lira no meio-de-campo. Após realizar alguns amistosos preparatórios no qual ficaria claro a qualidade do time, estreou no Campeonato Paulista de Futebol de 1978 contra o Corinthians.[3] Esse time não dava sorte para Juary, que nunca conseguiu marcar gols contra ele, porém a exibição santista foi primorosa e vencia com um gol de Pita até que numa jogada isolada o centroavante Geraldo Manteiga conseguiu empatar, já nas proximidades do final da partida. Mas a consolidação do time viria algumas rodadas depois no clássico contra o São Paulo FC. O time do Morumbi tinha uma formação experiente, campeã brasileiro em 1977, mas seus jogadores eram pesados e gostavam de um jogo truncado, bem ao estilo de um dos líderes do time, o famoso volante Chicão (que jogou a Copa do Mundo de 1978 no lugar de Falcão) e do técnico Minelli. Essas características não se mostraram adequadas para enfrentar a garotada santista, que acabou vencendo a partida por 3x1, com dois gols de Juary. A excelente campanha levou o Santos a disputar a final do 1º Turno com o Corinthians, mas dessa vez os santistas não obtiveram sucesso, sendo derrotados por 1x0, num jogo que ficou marcado pela fúria de Clodoaldo, que foi expulso, e transtornado, destruiu a porta do vestiário do estádio a pontapés.

Mas o campeonato daquele ano seria longo e ao final de 3 turnos, o Santos chegaria à semifinal contra o Guarani, outra dos times que sofreram bastante com os meninos. E o resultado não foi diferente, com o Santos vencendo por 3 a 1, com outro show da garotada. O otimismo pelo título ficou evidente quando na outra semifinal o São Paulo derrotaria o Palmeiras e se classificaria para disputar a final com o Santos. Mas a disputa acabou se mostrando difícil. Depois de uma vitória no primeiro jogo por 2x1, com gols de Pita e Juary, o Santos não conseguiria confirmar o título no segundo jogo, empatando por 1 x 1, com um time cheio de reservas. A terceira partida não contou com nenhum do trio de meninos mais famosos (Juary, Pita e João Paulo) e também não tinha Aílton Lira e Clodoaldo. No gol estava o fraco gloreiro Flávio, que substituira Vítor já há algum tempo. No tempo normal o Santos acabou derrotado por 2x0, mas segurou o empate sem gols na prorrogação e se tornou campeão, o primeiro título após a Era Pelé. Juary foi o artilheiro do campeonato, com 29 gols.

A ótima campanha ainda faria com que o Santos voltasse a ter jogadores convocados para Seleção Brasileira, sendo que Nílton Batata e Juary jogaram algumas partidas. Depois desse momento de glória, os Meninos da Vila não conseguiram se firmar nacionalmente, pois na época os times rivais como o Corinthians, que lançou Sócrates, ou de outros estados como as excelentes equipes do Flamengo, de Zico, Vasco da Gama, de Roberto Dinamite, e SC Internacional, de Falcão, davam poucas chances aos adversários.

Também nos Campeonatos Paulistas seguintes as campanhas foram irregulares, com um breve momento de vitórias seguidas sob o comando de Pepe, que lançou o último dos Meninos da Vila, o franzino Rubens Feijão. Mas a falta de títulos foi fatal e, em 1980, o Santos vendeu Juary para o futebol mexicano, sob a desculpa de que ele "não fazia gols no Corinthians". Pita e João Paulo ficariam por mais tempo, mas acabariam saindo do clube após a perda do título brasileiro de 1983 para o Flamengo. Antes de atuar na Cremonese, o centroavante se transferiria para o futebol português, onde seria campeão, em 1987, ao lado do famoso jogador argelino Madjer. No final de carreira, voltaria ao Santos, mas sem conseguir restaurar o brilho do passado. Terminaria a carreira de excelente jogador no Moto Club.




Nome: Juary Jorge dos Santos Filho
Nascimento: 16/06/1959
Local: São João de Meriti (RJ)
Clubes na carreira:
Santos (SP) (1977 - 1979 e 1989);
Universidad de Guadalajara (MEX) (1980 - 1982);
 Avellino (ITA) (1982 - 1983);
Internazionale (ITA) (1983 - 1984);
Ascoli (ITA) (1984 - 1985);
Cremonese (ITA) (1985 - 1986);
Porto (POR) (1986 - 1988),
Portuguesa de Desportos (SP) (1988);
Moto Clube (MA) (1990 - 1991);
Vitória (PE) (1991 - 1992).

Tutinha - Ferroviário e Sampaio Corrêa








quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Moto Club Campeão Maranhense 2004

Em 2004, o Moto Club sagrou-se Campeão Maranhense após dos jogos decisivos contra o Sampaio Corrêa. Curiosamente, o papão venceu as duas e plo mesmo placar: 2x1. Na grande decisão, dia 08 de Setembro, Jack Jone fez os dois gols, configurando-se como um grande carrasco na história dos confrontos entre motenses e bolvianos. Naquele ano, Paulo Cesar encerrou o campeonato no topo da artilharia pelo Moto, com nove gols. Abaixo, deixo a campanha do Papão do Norte e algumas imagens da decisão.

 Jack Jone carrega a taça de campeão

 Jogadores e torcedores rezam pela conquista do título

 Jack Jone e o capitão Ricardo Henrique carregam a taça de campeão

 Jogadores motenses comemoram o gol da vitória

Em pé: Jota Pinto, Jean Carioca, Dida, Fabinho, Aldinho, Ricardo Henrique, Paulo César, Zé Raimundo, Jean Marcelo e Júnior; agachados: Cosme, Jack Jone, William, Alberto, Robson, J. Pinheirense, Valbson, Lúcio e Marcinho

CAMPANHA DO MOTO CLUB NO CAMPEONATO MARANHENSE DE 2004

18/04-Viana 1x0 Moto Club / 21/04-Moto Club 4x1 Santa Inês / 02/05-Moto Club 5x1 MAC / 09/05-Caxiense 2x3 Moto Club / 12/05-Moto Club 2x1 Sampaio Corrêa / 16/05-Moto Club 1x2 Viana / 23/05-Moto Club 3x1 Caxiense / 30/05-MAC 3x2 Moto Club / 03/06-Sampaio Corrêa 0x0 Moto Club / 09/06-São Bento 0x0 Moto Club / 14/06-Moto Club 3x0 São Bento / 17/06-Moto Club 1x3 Chapadinha / 28/06-Moto Club 3x2 Imperatriz / 04/07-São Bento 0x1 Moto Club / 07/07-Boa Vontade 1x3 Moto Club / 12/07-Sampaio Corrêa 2x3 Moto Club / 22/07-Moto Club 2x0 São Bento / 25/07-Imperatriz 1x1 Moto Club / 28/07-Chapadinha 1x0 Moto Club / 12/08-Moto Club 0x1 Sampaio Corrêa / 18/08-Chapadinha 0x0 Moto Club / 26/08-Moto Club 0x0 Chapadinha / 01/09-Moto Club 2x1 Sampaio Corrêa / 08/09-Moto Club 2x1 Sampaio Corrêa

FICHA - DECISÃO
Sampaio Corrêa 1x2 Moto Club
Data: 08 de Setembro de 2004
Local: Estádio Nhozinho Santos
Juiz: Marcelo Filho
Público: 7.074
Gols: Jack Jone aos 22 minutos e China aos 34 minutos do primeiro tempo; Jack Jone aos 15 minutos do segundo tempo.
Moto Club: Junior, William, Jean Carioca, Ricardo Henrique e Lucio; Jean Marcelo, Marcinho e Paulo César; Cacá, Jack Jone e Robson. Técnico: Rui Scarpino
Sampaio Corrêa: Raniere, Sanchez, China, Luiz Henrique e Marcio Oliveira; Rogelio, Juruna e Zé Augusto; Magno, Carlinhos e Valber. Técnico: Marcos Magalhães