O Sampaio Corrêa ficou com o título de campeão do Torneio Início de 1980, disputado na tarde/noite do dia 03 de agosto daquele ano, no Estádio Municipal Nhozinho Santos, na festa de abertura do Campeonato Maranhense de 1980, ganhando na partida final do Tocantins, nas penalidades máximas, após 4 a 1, após empate em 1 a 1 no tempo normal de 40 minutos. O Tricolor, para chegar ao título, realizou três partidas, vencendo na estreia ao Expressinho por 5 a 4 nos pênaltis, depois de 0 a 0 no tempo normal. No segundo, o Mias Querido sensacionalmente derrotou o Moto por 2 a 0, numa façanha das maiores em apenas 20 minutos, numa partida disputada com maior violência pelas duas equipes. No terceiro jogo, o quadro sampaíno, com muita dificuldade, conseguiu empatar no tempo normal com o Tocantins, que foi a grande surpresa da competição para depois conquistar o primeiro lugar nas penalidades máximas.
Sampaio Corrêa, campeão do Torneio Início de 1980
Tocantins, vice-campeão do Torneio Início de 1980
PRIMEIRO JOGO / PRIMEIRA FASE Ajax 0x0 Imperatriz (nos pênaltis, Ajax 4x3)
SEGUNDO JOGO / PRIMEIRA FASE Tocantins 1x0 Vitória do Mar
TERCEIRO JOGO / PRIMEIRA FASE Sampaio Corrêa 0x0 Expressinho (nos pênaltis, Sampaio Corrêa 5x4)
QUARTO JOGO / PRIMEIRA FASE Moto Club 0x0 São José (nos pênaltis, Moto Club 5x4)
QUINTO JOGO / PRIMEIRA FASE Maranhão 1x0 Boa Vontade
SEXTO JOGO Maranhão 1x0 Ajax
SÉTIMO JOGO / SEMIFINAL Sampaio Corrêa 1x0 Moto Club
OITAVO JOGO / SEMIFINAL Tocantins 2x1 Maranhão
FINAL Sampaio Corrêa 1x1 Tocantins Renda: Cr$ 171.980,00 Público: 2.361 pagantes Juiz: Nacor Arouche Bandeirinhas: Lecílio Estrela e Renato Rodrigues Gols: Zé Ivan aos 11 minutos e Pirila aos 19 minutos do segundo tempo Sampaio Corrêa: Marcial; Tereso, Rosclin, Jayme e Celso Afonso; Flávio, Zé Ivan e Marcelo Riba; Ugo e Bimbinha Tocantins: Nivaldo; Toninho, Hércules, Elton e Edmilson; Zequinha, Roberto, Tonhão e Manoel Pedro; Pirila, Fernando e Jorginho
O Maranhão empatou na tarde do dia 10 de dezembro de 1979 contra a seleção pernambucana pelo Campeonato Brasileiro de Juniores, em pleno Estádio Municipal Nhozinho Santos.
A nossa seleção foi muito lenta durante todo o transcorrer da partida e terminou por não agradar ao diminuto público que compareceu ao local do espetáculo. Embora com lentidão, a nossa seleção procurou desde o início do jogo o último reduto adversário. No entanto, os pernambucanos se apresentavam com uma defesa bem plantada e sempre ganhavam dos nossos atacantes.
Aos 13 minutos do primeiro tempo, quando os mauricianos partiram para o ataque pela esquerda, houve um cruzamento para dentro da área e o zagueiro central Everaldo, num autêntico lance infeliz, tentou rebater de cabeça e colocou no canto esquerdo do goleiro Ribamar, fazendo o primeiro gol da partida, para o adversário. Com este resultado, terminava a primeira etapa e o torcedor maranhense ficou à espera pela etapa de complemento, que iria definir quem seria realmente o vencedor do prélio.
Na etapa complementar, o Maranhão voltou com mais vontade e logo os 2 minutos empatava a partida através do ponteiro-esquerdo Airton, escorando de cabeça um levantamento de bola feito pela ponta-direita para o meio da área. Com o empate conseguido logo nos primeiros minutos da etapa final, os comandados de Calazans procuraram o desempate, já que o quadro visitante ficou meio atordoado com o gol que levara.
A grande oportunidade surgiu para que o quadro maranhense obtivesse a vantagem no marcador, quando aos 5 minutos a defesa pernambucana cometia a penalidade máxima, que o juiz viu e marcou. O meia-esquerda Zé Raimundo foi o encarregado da cobrança e todos já esperavam o segundo gol do time da casa, mas, para surpresa geral, o jogador maranhense, não se sabe se por medo ou sentindo o peso da responsabilidade, chutou a bola no canto direito para o goleiro defender e mandar pela linha de fundo. Com esta oportunidade perdida, o Maranhão também perdeu a chance de estrear na competição da CBF com a vitória e propiciou ao quadro pernambucano um excelente resultado.
FICHA DO JOGO
Seleção Maranhense 1x1 Seleção Pernambucana Local: Estádio Municipal Nhozinho Santos Renda: Cr$ 9.905,00 Público: não divulgado Juiz: Hermínio Biscaro (RR) Bandeirinhas: Renato Rodrigues e Orlando Arouche Gols: Everaldo (contra) aos 13 minutos do primeiro tempo; Airton aos 2 minutos do segundo tempo Seleção Maranhense: Ribamar; Café, Everaldo, Oscar e Ivanildo; Dirceu (Gonzaga) e Zé Raimundo; Leonilson, Joaquim, Renato (Pedro) e Airton Seleção Pernambucana: Brivaldo; Paulo Afonso, Jaldo, Fernando e Escada; Lourival e Zé do Carmo; Jair (Clivandir), Luizinho (Wilson) e João Carlos
O Maranhão teve muita dificuldade para derrotas o Expressinho por 2 a 0 na tarde do dia 20 de julho de 1995. O time atleticano só encontrou o caminho do gol aos 37 minutos da etapa final quando o artilheiro Robson fez 1 a 0. Novamente Robson, aos 42 minutos, marcou o segundo gol. O Expressinho se fechou bem e tentou explorar os contra-ataques, mas, outra vez, por falta de preparo físico, o time caiu de produção no final e cedeu a vitória ao adversário.
FICHA DO JOGO
Maranhão 1x0 Expressinho Campeonato Maranhense 1995 Local: Estádio Municipal Nhozinho Santos Renda: R$ 813,00 Público: não divulgado Gols: Robson aos 37 e 41 minutos do segundo tempo Maranhão: Márcio; Betinho, Carlinhos, Josemar e Reginaldo; China, Júlio César e Jackson; Neto (Zezinho), Robson e Comes (Gaguinho). Técnico: Lira Expressinho: Robson; Rosivaldo, Josué, Valdeir e Zequinha; Joaquim, Sérgio Morales (Edilson) e Arnaldo (Evandro); Branco (Fabiano), Nilson e Papel. Técnico: Sardinha
O Moto começou bem a sua participação no torneio paralelo ganhando do Sport Belém por 1 a 0, em jogo disputado no estádio do Castelão, na tarde do dia 06 de setembro de 1986. O gol maranhense foi anotado aos 34 minutos do primeiro tempo, através do centroavante Tita, de cabeça.
A jogada do gol nasceu de um cruzamento do lateral-direito Paulo Verdan, que ganhou da zaga e fez o lançamento fora do alcance do goleiro paraense e na cabeça de Tita, que minutos antes já havia perdido uma boa oportunidade chutando em cima de Álvaro.
O moto apresentou um time quase que totalmente renovado e em que pese a natural falta de ritmo, até que satisfez aos seus torcedores, que saíram vibrando com a primeira vitória na copa.
Todos os novatos tiveram uma boa participação na peleja, notadamente o maranhense Hélio, na meia cancha, e Paulo Verdan, pela lateral-direita. Hélio e Paulo Verdan foram os grandes nomes do jogo, com uma atuação animadora.
No Sport Belém, o maranhense Bacabal se constituiu na sua principal figura. Porém, bem marcado por Mauro Patrício, não teve muitas oportunidades, a não ser no primeiro tempo, logo o Moto ter feito o seu gol quando recebeu livre e chutou em cima do goleiro Jorge.
O Moto dominou as ações durante os 90 minutos. A vitória foi justa, mas o placar de apenas 1 a 0 não retratou o que foi o domínio rubro-negro, embora a falta de ritmo tenha prejudicado uma melhor apresentação em termos de conjunto.
FICHA DO JOGO
Moto Club 1x0 Sport Belém/PA Local: Estádio Castelão Público: 6.855 pagantes Renda: Cr$ 65.141,00 Juiz: Odílio Mendonça Bandeirinhas: Jander Cabral e Severino Costa Neto Gol: Tita aos 34 minutos do primeiro tempo Moto Club: Jorge; Paulo Verdan, Mauro Patrício, Santos e Zequinha; Hélio, Antônio Carlos e Jânio; Oman, Tita e Rogério Sport Belém/PA: Álvaro; Alexandre, Hércules, Zeca e Cafuringa; Miguel, Gilson Abelha e Aleixo (Teodoro); Dorval (Luís Carlos), Bacabal e Juarez
Por culpa do árbitro da partida e do presidente do Moto Club, que resolveu bagunçar o Torneio Domingos Leal, o jogo entre Moto Club e Maranhão não chegou ao seu final, tendo sido suspenso aos 5 minutos da segunda etapa, quando o Moto resolveu retirar-se de campo por ordem do presidente, que mais uma vez mostrou incapacidade para o cargo.
Tudo começou quando o árbitro da partida, sr. Gildásio Lélis, expulsou o segundo jogador do Moto, no caso Edilson Leite, pro ofensas morais. Ela já havia expulsado no primeiro tempo o jogador Stefesson, também por ofensas. Isto chegou a irritar o presidente do moto Club, que não se conformou com o fato e determinou a retirada do time, fazendo com que o Maranhão fosse considerado vencedor por 1 a 0 – ao mesmo tempo, perde a equipe motorizada a parte que lhe caberia da renda, de acordo com a legislação esportiva.
O jogo teve um primeiro tempo movimentado, mas muito longe de ser uma excelente partida de futebol, pois as duas equipes mostraram fraco desempenho técnico e tático. Alguns lances de perigo se registraram durante os 45 minutos iniciais, sem muito entusiasmo por parte da torcida. Para a segunda etapa, quando se esperava um futebol melhor, deu-se a retirada do Moto Club, logo aos 5 minutos, e a vitória do Maranhão Atlético Clube, mesmo com a partida encerrada com o marcado de 0 a 0.
O que aconteceu na partida já vinha se desenhando há bastante tempo, pois desde o começo de 1979 os motenses sempre reclamaram das atuações dos árbitros da FMD. Não era segredo para ninguém que o dr. Cassas de Lima muitas vezes havia criticado severamente a divisão de árbitros da federação, acusando até a existência de um complô contra o quadro motorizado.
Em meio aos torcedores, a atitude do mandatário fabrilense também foi bem acolhida e a prova disso é que houve até aplausos quando da retirada do time das linhas do gramado. Grande parte da torcida do Moto Club ficou por mais de 40 minutos concentrada bem em frente ao portão de saída das arquibancadas do Estádio Municipal, à espera da saída do árbitro Gildásio Lélis para um acerto de contas e foi preciso grande esforço da Polícia Militar, para evitar que o apitador acabasse agredido. O comandante do patrulhamento do estádio teve que pedir reforço e só assim conseguiu afastar os mais afoitos, que a todo custo desejavam chegar junto do juiz. A saída do árbitro Gildásio Lélis deu-se mais de 40 minutos depois de terminado o jogo em uma das viaturas da polícia.
O público maranhense aos poucos vinha sendo afastado do estádio, exatamente por fatos dessa natureza. No episódio, ficou comprovada a falta de equilíbrio emocional do dr. Cassas de Lima para ser presidente do Moto, cargo que exigia sempre cautela para esse tipo de decisão, pois o dirigente nunca poderia tomar atitude de torcedor. Também ficou patenteada a necessidade de um maior cuidado na escalação de árbitros para a direção dos nossos jogos.
FICHA DO JOGO
Torneio Domingos Leal – 05 de dezembro de 1979 Maranhão 1x0 Moto Club Local: Estádio Municipal Nhozinho Santos Público: não divulgado Renda: Cr$ 77.500,00 Juiz: Gildásio Lélis Bandeirinhas: Roberval Castro e Francisco Sousa Maranhão: Neneca; Mendes, Tataco, Jorge Santos e Antônio Carlos; Juarez, Riba e Naldo; Osnir, Tica e Djaro Moto Club: Nenê; Bassi, Gonçalves Silva, Irineu e índio; Tião, Nascimento e Edmilson Leite; Stefesson, Antônio Carlos e Alberto
Foi reinaugurado na manhã deste domingo (26 de Novembro de 2023) o Centro de Treinamento do Moto Club, batizado de CT Pereira dos Santos, em homenagem ao seu ex-presidentes em décadas passadas.
QUEM FOI PEREIRA DOS SANTOS?
O nome do Centro de Treinamento é uma justa homenagem em ao Major Antônio José Pereira dos Santos, que prestou valiosos serviços ao Papão do Norte sem qualquer pretensão financeira, muitas vezes tirando do próprio bolso para dar ao clube. Ele foi Presidente, torcedor, Diretor, Conselheiro, enfim, um verdadeiro abnegado, um apaixonado pelo Moto Club. A sua vida mistura-se à do Papão do Norte, sobretudo pela dedicação e amor que o eterno mandatário doou ao rubro-negro. Pereira dos Santos nasceu no dia 15 de Maio de 1921, em Tutóia. Em 1929, de navio, a sua mãe conseguiu levá-lo para Recife, onde o garoto foi registrado, aos oito anos de idade. O seu padrasto, um renomado Militar da capital pernambucana, o incentivou aos estudos, sobretudo à formação Militar. Após a conclusão do Ensino Médio na Escola Preparatória do Exército de Recife, Pereira dos Santos passou a residir em Porto Alegre, onde prestou vestibular e estudou na AMAN, Escola Superior do Exército, e concluiu os estudos em Resende (RJ). Quando terminou de servir ao exército, foi promovido e ganhou o direito de escolher onde gostaria de morar. Por ter saído de Tutóia, sem qualquer perspectiva de vida e alcançado um bom padrão de vida pela carreira Militar, Pereira dos Santos acreditava possuir uma dívida de gratidão com aquela cidade e deveria voltar ao Maranhão para prestar algum serviço ao seu Estado natal. Com o espírito de querer participar da vida pública na capital maranhense e de todas as instâncias da nossa cidade (política, futebol, etc.), nunca mais retornaria ao Rio de Janeiro; São Luis seria o seu destino em definitivo.
O Major dedicava-se ao Moto dentro e, principalmente, foram dos gramados. Toda vez que alguém se apresentava a ele como Boliviano, Pereira dos Santos, brincando, retrucava, dizendo que “todo mundo tem direito a ter defeitos”. Na Praça João Lisboa ou no Nhozinho Santos, alguns torcedores do rival diziam que ele deveria virar boliviano para enriquecer a sua torcida e acabar o Moto. Pereira dos Santos, no mesmo tom de brincadeira, não perdia tempo: “Deus me livre!”, encerrando assim o assunto. Ele mesmo ia, durante os intervalos dos jogos, no meio da torcida do Moto e passava uma bandeira, onde o torcedor, sensibilizado e certo do destino que o seu dinheiro teria, contribuía com qualquer valor, jogando a sua quantia dentro da bandeira estendida. Partidário da idéia de que o verdadeiro torcedor era aquele que ia ao estádio, Pereira costumava dizer em programas de rádio que o Moto Club possuía a maior torcida do Estado, o que era prontamente contestado pelos diretores bolivianos. Para comprovar a sua teoria (e também poder provocar e gerar renda no Superclássico), faziam os ingressos separados (os ingressos vermelhos eram do Moto e os verdes eram do Sampaio) e vendiam em bilheterias separadas. Havia torcedores que compravam até mais de um ingresso, sempre na iniciativa em ajudar o clube e aumentar o número de bilhetes vendidos. Coincidência ou não, as vendas dos ingressos do Moto sempre superavam as somas dos bilhetes dos bolivianos, o que gerava polêmica (saudável, é claro) semanas a fio...
Dirigente dos mais antigos do futebol maranhense, Pereira dos Santos foi ainda Presidente da FMD, sempre dando total apoio ao Moto Club. Quando esteve à frente da presidência rubro-negra e teve que se afastar por motivos particulares, deixou o vice, Ibrahim Assub, dando continuidade ao seu trabalho. Atualmente com problemas de saúde, o ex-mandatário rubro-negro vive dos momentos em que dedicou boa parte do seu tempo, da sua saúde e das suas forças pelo clube que ajudou a reerguer após a saída dos Aboud. Sobre a sua importância dentro do Papão do Norte, Pereira dos Santos foi categórico ao afirmar, durante a inauguração do CT que leva o seu nome: “Sou suspeito para falar sobre esse Centro, porque vivo em função do Moto. Acho que fizemos um bom trabalho aqui, mas ele e só o começo e temos que continuar trabalhando pelo clube", ressaltou Pereira dos Santos, o homenageado. E com todo o merecimento.
Em Março de 1964, um golpe militar foi deflagrado contra o governo legalmente constituído de João Goulart. A falta de reação do governo e dos grupos que lhe davam apoio foi notável. Jango desistiu de um confronto militar com os golpistas e seguiu para o exílio no Uruguai. Antes mesmo de Jango deixar o país, o presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, já havia declarado vaga a presidência da República. O poder encontrava-se em mãos militares. Os militares envolvidos no golpe de 1964 justificaram sua ação afirmando que o objetivo era restaurar a disciplina e a hierarquia nas Forças Armadas e deter a "ameaça comunista" que, segundo eles, pairava sobre o Brasil (acreditavam que o regime democrático que vigorara no Brasil desde o fim da Segunda Guerra Mundial havia se mostrado incapaz de deter a "ameaça comunista"). Pereira participou e apoiou, como direitista, a Revolução de 1964, como Secretário de Segurança (Pereira foi, talvez, o único Comandante da Polícia Militar que ocupava paralelamente a função de Secretário de Segurança, cargo ocupado em 1965). Um ano antes, em 1963, foi eleito Deputado mais votado até então em nosso Estado. Houve eleição em 64 para governador. Queriam fazer uma revolução com cara de democracia. Após um ano, fariam novas eleições e o Brasil voltaria ao que era. Porém, durou 20 anos. Existia um combate ao comunismo. Houve a eleição para governador. O governo se dividiu e essa divisão favoreceu Sarney, que não tinha tanta projeção e foi eleito governador. Após eleito, Sarney optou pelo grupo do Arena, que era favorável à Revolução. Pereira acabou optando pelo grupo do MDB, a oposição ao Governo. Como era Militar, Pereira acabou sendo perseguido, cassado e afastado do Exército.
Nos anos 70, a FMD era composta em sua grande maioria por motenses e o Dr. Pereira dos Santos, com o seu estilo Eurico Miranda de ser, tinha voz muito ativa dentro da instituição. Havia uma grande tendência de o Sampaio ser o representante direto, mas se verificou que não havia um critério pré-definido que sustentasse a tese que o time boliviano fosse o representante maranhense no campeonato. Foi nessa lacuna que Pereira dos Santos viajou até o Rio de Janeiro para conversar pessoalmente com o então Presidente João Havelange, reivindicando a presença do Moto em uma seletiva contra o Sampaio para indicar o nosso representante. A CBD, não aceitando a indicação simples feita pelos dirigentes da FMD, mandou um ofício à Federação Maranhense de Desportos, determinando a realização de uma melhor de três entre Sampaio Corrêa e Moto Club de São Luis.
Os verdadeiros motivos para a inclusão do Moto em uma seletiva contra os bolivianos, porém, foram outrosI: o Sampaio Corrêa tinha um timaço formando por Jaime Tavares e seria o nosso natural representante na competição. No final de uma tarde, na Rua 28 de Julho, perto do Primeiro Distrito Policial, Nagib Heickel (empregado dos Aboud) chamou o Diretor Raposo e outros membros da diretoria do Moto para uma reunião. Comentou sobre a idéia de como conseguirem um bom dinheiro para o clube para o ano seguinte, 1974, pois o Papão atravessava uma fase ruim (foi o terceiro colocado no Maranhense em 1972). O clube havia dispensado boa parte do elenco e ficado com apenas oito atletas, todos pratas da casa. O Sampaio, por sua vez, já estava praticamente confirmado, pois Pedro Neiva de Santana, com o intermédio de José Sarney, conseguiu com a CBD o convite para que o Tricolor representasse o Maranhão na competição. Nagib, então, comentou que havia conversado com Jaime, para organizar uma melhor de duas partidas, onde o time que somasse quatro pontos seria o representante. O Moto, teoricamente, não tinha a menor condição de ganhar do fortíssimo Sampaio Corrêa daquele ano. Jaime Tavares, convicto de uma vitória fácil do Tricolor, aceitou o desafio, na intenção de apresentar alguns novos contratados à torcida naqueles jogos e testar a equipe para a competição. Valia pela rivalidade e até a vaidade em vencer o Moto Club antes da estreia na competição. Em suma, a seletiva serviria apenas para o Sampaio Corrêa golear o Moto, mostrar os novos contratados à torcida e o rubro-negro reforçar o caixa com a renda das partidas.
A seletiva foi oficializada na CBF e Sampaio Corrêa e Moto Club se defrontariam em uma melhor de duas partidas, com a necessidade de uma terceira em caso de dois resultados iguais, para ser conhecido o representante maranhense na competição (naquela época a vitória valia somente dois pontos; em caso de uma vitória de um empate, o time ficava com a vaga). Como anteriormenteI o Tricolor já estava garantido, a diretoria havia liberado os seus atletas para as férias. Com a inclusão do Moto, que não havia liberado o seu reduzido elenco, o Sampaio foi formado às pressas, tendo casos de jogadores que se reapresentaram às vésperas da primeira partida da seletiva. Muitos imaginavam que o Sampaio Corrêa, por ser o atual campeão do Brasileirinho e cheio de craques, com 25 atletas em seu plantel, bateria facilmente o Papão. Já o Moto Club apresentava um elenco reduzido e bastante limitado. O time, sob a presidência de Pereira dos Santos, contava com apenas 13 jogadores para essa seletiva. Pra ser mais exato, Sousa, Chico, Marins, Laudenir, Barbosa, Zé Augusto, Faísca, Lins, Nelsinho, Artur, Marcos Pintado, Nestor e Sérgio, sob o comando do experiente treinador Rack. Para reforçar o elencoI, o Moto pediu emprestado ao Club do Remo alguns atletas, já que as disputas do Campeonato Paraense haviam acabado havia uma semana. O grande destaque do time azulino era o craque Arturzinho. Com o que tinha em mãos, o Moto Club foi disputar a melhor de três jogos contra o elenco campeão do Sampaio Corrêa.
Para as partidas, trouxeram o árbitro carioca Carlos Costa. No primeiro jogo, realizado no dia 17 de Maio de 1973, o Moto Club atuou com a seguinte escalação: Sousa; Chico, Marins, Laudenir e Barbosa; Faísca, Lins e Zé Augusto; Arturzinho, Marcos Pintado e Laudenir II. O Sampaio Corrêa entrou a campo com Batista; Ferreira, Clécio, Nivaldo e Valdeci; Gojoba, Marcos e Iratan; Djalma Campos, Adelino e Itamar. A partida terminou 0 a 0 e as duas equipes voltaram a campo três dias depois, 20 de Maio. Assim perfilaram as duas equipes: Moto Club - Sousa; Chico, Marins, Laudenir e Barbosa; Faísca, Lins e Zé Augusto; Arturzinho, Marcos Pintado e Nestor. Sampaio Corrêa - Batista; Ferreira, Neguinho, Nivaldo e Valdeci; Gojoba, Marcos e Edmilson Leite; Lima, Adelino e Pelezinho. O árbitro ainda anulou um gol do Sampaio Corrêa, marcado por Adelino. Com o novo empate, houve a necessidade de uma terceira e última partida, realizada no dia 23 de Maio, com as duas equipes assim perfiladas: Moto Club - Sousa; Chico, Marins, Laudenir e Barbosa; Zé Augusto, Lins e Nelsinho; Arturzinho, Marcos Pintado e Nestor. Sampaio Corrêa - Batista; Ferreira, Neguinho, Nivaldo e Valdeci; Gojoba, Marcos e Edmilson Leite; Lima, Adelino e Pelezinho. Os jogadores do Remo se entrosaram rápido. O Sampaio se defendia e partia perigosamente no contra-ataque. Houve uma prorrogação 30 minutos.
Parecia que o terceiro jogo seria decidido logo na primeira etapa, mas o Sampaio Corrêa não soube aproveitar a superioridade territorial, grandes oportunidades de gol foram desperdiçadas do meio campo e o ataque. Inteligentemente, o Papão, mesmo com um plantel limitado, resistiu ao forte poder de fogo do time Tricolor. Sem reservas, o rubro-negro se desdobrava, ninguém ia ao ataque de forma desesperada e todos ficavam mais tempo segurando as jogadas na defesa. Com um campo pesado e escorregadio, os times encontravam dificuldade para mostrar o seu melhor futebol, prevalecendo o empate no tempo normal em virtude da enorme vontade de vencer e da fibra rubro-negra, que não permitiu que o Sampaio convertesse em gols a sua nítida superioridade dentro de campo. A jornada dos craques motenses pode ser classificada como heroica, pois o goleiro Sousa jogou machucado todo o segundo tempo, Nilsinho arrastava-se em campo e sem a menor condição física, e Marins comandava o time como um comandante gravemente ferido, sendo atendido de instante em instante pelo massagista do Moto. O Papão enfrentou problemas, obrigando-o a improvisações no último jogo. Abusou da retranca para jogar a última cartada nos pênaltis.
Após 300 minutos de jogo sem movimentação no marcador, motenses e bolivianos decidiriam a sorte através das cobranças de pênaltis. Antes das cobranças das penalidades máximas, o então Presidente do Moto, Nagib Heinckel, em tom forte disse que em caso de derrota, todos os atletas motenses estariam dispensados. Sérgio, reserva do Papão na decisão, contou sobre a reação dos seus companheiros: "estávamos sentados e relaxando perto do banco de reservas do Nhozinho Santos. Depois que o homem disso isso minhas pernas tremeram. Eu não conseguia nem levantar. E o que é pior, fui escalado para bater um pênalti". Heickel era assim: em caso de derrota, mau humor e ameaças, mas em caso de vitória, churrasco na casa dele, principalmente quando a vitória vinha sobre o maior rival. Em comum acordo, o Moto realizaria cinco cobranças, seguido pelas cinco do Sampaio. Marins, Lins, Marcos e Faísca assinalaram para a equipe do Moto; Sérgio desperdiçou. O Sampaio perdeu duas chances com dois caras que não costumavam perder pênaltis: Neguinho perdeu a primeira e, como Gojoba também desperdiçou a segunda cobrança, a disputa de pênaltis acabaria em 4x0 para o Moto Clube, que representou o Maranhão no campeonato Brasileiro de 73. Segundo relatoI, nos pênaltis, Neguinho deu um chute tão forte que a bola passou por cima do muro do estádio, parando na Catulo da Paixão. Um locutor de rádio ainda ironizou: “o grande capitão chutou uma bola que nem urubu pegava”, por causa da altura que a bola alcançou.
Ao final da cobrança de pênalti, o treinador Rack ajoelhou-se em cima da linha divisória, chorando e beijando um escapulário de Nossa Senhora da Conceição. O Presidente Nagib não resistiu à emoção e desmaiou no cento do campo, sendo amparado pro Pereira dos Santos e Carlos Guterres. Porém, a maior preocupação de Nagib era a sua torcida e fez questão de ser levado até ela para em seguida ser atendido pela equipe médica do Moto. A alegria de alguns atletas enquanto outros choravam deu um toque todo especial ao vestiário motense. Todos eram unânimes nos elogios ao Sampaio, que soube valorizar o grande triunfo motense, recebendo com esportividade o resultado: os diretores foram até o vestiário rubro-negro cumprimentar a todos. Mariceu contratou um macumbeiro, que ficou ‘batendo tambor’ dentro de uma Kombi, do lado de fora do estádio. A comemoração em um terreiro do pai de santo Zé Negreiro era mais do que justa. A diretoria ainda pagou C$ 400 de gratificação pela classificação e a maior zebra de todos os tempos. Com a vitória motense, segundo relatoI, Jaime ficou tão furioso que não quis ceder jogadores do Sampaio Corrêa para o Moto disputar o Brasileiro. No dia seguinte à vitória motense, as rádios tocaram insistentemente a música “E Agora José”, do cantor Paulo Diniz. A imprensa bateu forte no Sampaio, condenando a diretoria por ter aceitado o jogo, pois falavam que o Moto sempre crescia nos confrontos contra o time boliviano.
Contudo, antes de falarmos da aquisição, do projeto e da construção final da casa do Papão, destacamos aqui a imprescindível participação de dois verdadeiros patrimônios do rubro-negro para a realização do sonho em construir o seu CT: o GAMO, Grupo de Apoio ao Moto, e o Major Pereira dos Santos. O GAMO resolveu vários problemas do Papão, inclusive a aquisição da sua sede própria. O grupo foi formado no início da década de 1970, após a saída dos Aboud, por pessoas que poderiam efetivamente contribuir em favor do Papão do Norte. Nessa época, o então Presidente Pereira dos Santos articulou a aquisição do terreno no Paranã, mas não havia dinheiro para a compra. Foi criado, então, o Grupo de Apoio do Moto Club, composto, entre outros, por Manoel Pedro, Dr. Cassas de Lima, Pedro Fernandes, Deputado Julião Amim, Sérgio Coelho, Osmarino Matos, Dr. Calvet de Lima, Hilton Rocha, Raimundinho Sá, João Henrique, Ademir, o próprio César Aboud, entre outros. Por objetivo em prestar apoio financeiro ao clube,
o GAMO conseguiu fazer vários eventos para arrecadar recursos, como shows, bingos e outras atrações junto à torcida.
VÍDEO MOSTRANDO EM DETALHES TODAS AS DEPENDÊNCIAS DO NOVO CT PEREIRA DOS SANTOS (créditos: João Ricardo, jornalista)
O que parecia impossível, o Sampaio tornou realidade. Ganhar três dos quatro pontos disputados fora de São Luis, principalmente depois da vexatória derrota de 3 a 0 para o Ceará. Na noite do dia 10 de setembro de 1986, no Rio de Janeiro, o Sampaio conquistou um importante empate de 0 a 0 frente ao Fluminense, numa partida bastante disputada na base de muita disposição.
Os destaques no empate foram o goleiro Moreira, que mais uma vez fechou o gol, o zagueiro Luis Cláudio, que anulou o perigoso Washington, e o meia Zé Carlos, que foi um gigante no primeiro combate, embora todos os jogadores tenham jogador dentro de muita vibração.
O Fluminense, que vinha de uma derrota de 2 a 0 para o Internacional, precisava ganhar para se reabilitar e entrou em campo certo de que colheria um resultado fácil. Logo nos primeiros 20 minutos, o Tricolor carioca tentou decidir a parada e o Sampaio, que começou nervoso, dava a impressão de que não aguentaria levar o empate até o final dos 45 minutos do primeiro tempo, o que só ocorreu graças às defesas milagrosas do goleiro Moreira.
A pressão do Fluminense, no primeiro tempo, foi total, mas o Sampaio se safou e sustentou o empate. Na etapa final, o representante maranhense voltou com outra disposição e seguindo às orientações do veterano e experiente treinador Daniel Pinto, passou a explorar os contra-ataques, se aproveitando do desperto que aos poucos ia tomando conta do adversário.
O tempo foi passando e como o gol não saía, o Fluminense se desesperou totalmente, o que permitiu ao Sampaio, com tranquilidade cadenciar o jogo e leva-lo até o final com o sensacional empate de 0 a 0, o que dentro do Maracanã tem sabor de vitória.
O Sampaio recuperou dessa maneira os pontos perdidos dentro de casa e passou a ter chances reais de brigar por classificação, notadamente pelos outros resultados do grupo A, que não deixaram os favoritos dispararem na frente, a não ser o Sport Recife, que liderava o grupo, agora com 7 pintos, após vitória de 1 a 0 sobre o Sobradinho de Brasília.
FICHA DO JOGO
Fluminense/RJ 0x0 Sampaio Corrêa Campeonato Nacional - 10/09/1976 Local: Estádio do Maracanã Público e renda: não divulgados Juiz: Luis Carlos Martins Bandeirinhas: Olinto Preusler e Adão Reis Fluminense/RJ: Paulo Vitor; Edson Marinho (Edson Sousa), Vica, Ricardo e Eduardo; Jandir, Leomir e Renê; Marcão (Wilsinho), Washington e Paulinho Sampaio Corrêa: Moreira; Biluca, Luís Cláudio, Ivanildo e Paulo Lifor; Zé Carlos, Meinha e Mateus; Edinho, Santana (Paulo Sérgio) e Marco Antônio
Com a base do time tricampeão maranhense, o Sampaio surpreendeu o Operário de Campo Grande, em sua própria casa, e obteve a primeira vitória no grupo A da Copa Brasil (atual Campeonato Brasileiro e antigo Campeonato Nacional), ganhando de 1 a 0, gol do ponteiro-esquerdo Marco Antônio, aos 22 minutos do primeiro tempo, numa jogada do meia Mateus.
O Sampaio fez, em Campo Grande, uma partida muito parecida com as que disputou no campeonato estadual, ou seja, na base de muita raça e muita aplicação, nem se sentindo a falta do técnico Geraldo Duarte, que foi dispensado logo após o jogo contra o Ceará.
O novo treinador, Daniel Pinto, que conheceu os seus comandados no vestiário, com a sua grande experiência, numa rápida reunião com o auxiliar Paraíba, decidiu voltar Luis Carlos à lateral direita e Meinha ao setor de meio de campo, sacando Biluca e Rubinho, respectivamente. As alterações devolveram a garra ao time, principalmente porque Ivanildo, com a contusão de Dedê, também já estava assegurado na zaga.
Foi na base de muita valentia que o Sampaio sustentou o sufoco dado pelo Operário nos primeiros 20 minutos e num contra-ataque chegou ao gol de Marco Antônio. Os matogrossenses continuaram atacando, mas o goleiro Moreira voltou a jogar o que sabia e fechou o arco.
FICHA DO JOGO
Operário/MS 0x1 Sampaio Corrêa Campeonato Nacional – 07/09/1986 Local: Estádio Pedro Pedrossian Renda: Cr$ 195.340,00 Público: 8.811 pagantes Juiz: Emídio Marques de Mesquita Bandeirinhas: Márcio Pereira e Euclides Peres Operário/MS: Paulão; Baiano, Prego, Anchieta e Assis; Manicera, Belacir e Charles (Gilmar); Cido, Fernando Roberto e Valter (Amadeu) Sampaio Corrêa: Moreira; Luís Carlos (Biluca), Ivanildo, Luis Cláudio e Paulo Lifor; Zé Carlos, Meinha e Mateus; Edinho, Santana e Marco Antônio (Joãozinho).