domingo, 3 de fevereiro de 2013

Podcast estréia no próximo sábado, dia 09 de Fevereiro

No próximo sábado, dia 09 de Fevereiro, estreia o podcast "Memórias do Futebol Maranhense", onde quinzenalmente algum ex-atleta contará um pouco sobre a sua vida nos gramados e passagens curiosas sobre o nosso futebol. Também haverá historiadores, torcedores, autores de livros e qualquer pessoa de relevância dentro do futebol maranhense. O primeiro convidado a contar um pouco sobre a sua carreira é o eterno goleador Hamilton Sadias Campos, craque revelado nos juvenis da Tuna Luso do Pará e que fez fama no futebol maranhense (Moto Club, Maranhão Atlético Clube e Ferroviário) e com passagem pelo Santa Cruz (PE). Hamilton é o 10º maior artilheiro da história do futebol brasileiro, com 499 gols.

Chamada com trecho da entrevista com Hamilton



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sábado, 2 de fevereiro de 2013

Camisa que o Sampaio Corrêa usou na grande decisão do Campeonato Brasilerio de 1972

Camisa que o Sampaio Corrêa usou na grande decisão do Campeonato Brasilerio de 1972, contra a Campinense (PB). Uma curiosidade: durante toda a competição, o time utilizou a tradicional camisa listrada. Para a decisão, foi feito no Rio de Janeiro esse modelo, todo em azul claro com golas e punhos vermelhos com detalhes amarelos. A camisa da foto pertence ao ex-jogador Gojoba, meia daquele time de 72.

 Camisa em detallhe

Sampaio Corrêa na foto antes do jogo contra a Campinense, em 1972

Juracy Vieira – o nosso Cozzi, Doalcei, Silvério

Juracy Vieira, Radialista Piauiense que adotou o Maranhão como seu ambiente de trabalho. As falas aqui disponibilizadas são parte do programa Minha Vida, minha história, que foi ao ar há cerca de seis anos na Rádio Educadora do Maranhão 560 KHz. Produzido por Herberth Pereira o programa era apresentado pelo Radialista Robson Jr. Detalhes: "Este foi o programa que deu mais trabalho na pós produção e o motivo era a incrível capacidade de Juracy Vieira em transformar pequenos episódios em boas histórias, um contador de causos nato, além de um talento fantástico para narrar futebol, o que aliás começa aos seis anos de idade ainda na escola quando narrava jogos no colégio. Juracy se vai e com ele uma página especial do esporte do norte e nordeste do Brasil. Foi uma honra estar com ele uma única vez para a gravação do programa.


Matéria sobre o sepultamento do radialista:


A mesa está posta na sala de visitas. Uma vistosa toalha de linho branco com detalhes bordados em rendas enfeita, naquele momento, o objeto mais importante da casa de Joaquim Albano, em Queimadas, povoado do município de Pacajus/CE, no início da década de 50.
A “espreguiçadeira” principal da casa (uma muito bem trabalhada cadeira de jacarandá com forro de palhinha) garante o repouso e a expectativa de Joaquim, dono da casa. Outros convidados especiais estão na sala, em volta da mesa. Sobre a mesa, a principal atração da tarde: um vistoso e bem cuidado rádio “ABC a voz de ouro”.

Talvez por conta da pequena quantidade de aparelhos ligados nas redondezas, em que pese a transmissão captada diretamente de São Paulo, mais precisamente do Estádio Paulo Machado de Carvalho, a voz límpida, emocionante, detalhada, de Oduvaldo Cozzi fazia diferentes as tardes de domingo pelo Brasil.

Foi assim na Copa do Mundo de 1954, quando decepção e constrangimento foram estendidos aos brasileiros daqui e de todos os lugares. A triste façanha foi repetida em 1954 quando, em Berna, na Suíça, a seleção da Hungria arrasou a seleção brasileira, eliminando-a com uma goleada de 4 a 2. E, mais uma vez, o rádio nos trouxe as desinteressantes alvíssaras.

Os rádios “ABC a voz de ouro”, “Transglobe”, “Phillips”, “Semp”, repentinamente se transformaram em eletrodomésticos dos mais úteis. Presente muito bem recebido por qualquer aniversariante. A partir daí o rádio teve expansão incontrolável, levando, inclusive, à transistorização. A comunicação mudou de forma considerável num país de dimensões continentais como o Brasil.

Sem muita aceitação – pelos inúmeros erros cometidos – as copas do mundo de 1950 e 1954 começaram a ser esquecidas. A de 1950, perdida de forma bisonha, no próprio território brasileiro, para uma seleção que percebeu a fraqueza psicológica brasileira e soube escolher o momento certo da conquista. A de 1954, “assistida à distância” via rádio, não causou tanta ira, porque perdida para a melhor seleção de futebol que já se formou nas disputas dos campeonatos mundiais: a da Hungria, de Puskas, Lántós, Hidegkuti, Kocsis e outros.

Em 1955 e 1956 tudo mudou. O rádio esportivo passou a ser uma potência e o primeiro e principal caminho da informação. Rádio Mauá, Rádio Nacional, Rádio Tupi, Rádio Bandeirantes, Rádio Jornal do Commércio, Rádio Tamoio, Rádio Copacabana, Rádio Continental, Rádio Gaúcha, Rádio Farroupilha, Rádio Guaíba, Rádio Eldorado, Rádio Gazeta, Rádio Record, Rádio Excelsior da Bahia, Rádio Borborema, Rádio Clube de Recife, Rádio Tabajara e Rádio Nordeste passaram a fazer a alegria do povo brasileiro nas tardes de domingo.

A década de 60 começou a todo vapor e o rádio não ficou atrás. Sem televisão e com poucos jornais impressos, em quase todas as residências do Brasil existia um rádio. As rádio-novelas eram atrações à parte e garantiam a mesma audiência que as tele-novelas atuais.

Quem não ouviu falar do “Direito de Nascer”? Quem não ouviu falar dos programas de auditório da famosa Rádio Nacional, do fabuloso programa “Papel Carbono” comandado por Renato Murce? Quem não lembra Emilinha Borba, Dalva de Oliveira, Dolores Duran, Vicente Celestino, Francisco Alves, Francisco Carlos, Carlos Galhardo, Sílvio Caldas, Orlando Silva, Orlando Dias, Moacir Franco. Quem não lembra os programas de César de Alencar?

Pois, foi nesse “boom” provocado pelo rádio, que o “Rádio Esportivo” cresceu, evoluiu, tomou conta do Brasil, popularizando Ary Barroso,  Oduvaldo Cozzi, Luís Mendes, João Saldanha, Orlando Batista, Fiori Giglioti, Doalcei Bueno de Camargo, Waldir Amaral, Jorge Cury, Oswaldo Moreira, Geraldo José de Almeida, José Cabral, Ruy Porto, Ivan Lima, Carlos Lima, Aldir Dudman, Júlio Sales, Peter Soares, Afonso Soares, Mauro Pinheiro, Mauro Campos, Barbosa Filho (maranhense), Alexandre Santos, Darcy Reis, Antonio Edson, Armando Oliveira (o baiano), Jones Tavares, José Ataíde,  Pedro Luiz, Edson Leite,  e tantos outros que hoje desfrutam dos caminhos abertos pelos iniciantes com muita luta e suor.

A segunda Guerra Mundial se aproximava do fim. Nos meses de fevereiro e março de 1945, enquanto morriam 6.000 soldados norte-americanos e 20.000 japoneses numa luta desumana pelo controle de uma ilha, no Brasil, mais precisamente em Teresina/PI, na Avenida Campos Sales, 1.555, vinha ao mundo Juracy Vieira da Silva que, 25 anos depois, estaria lado a lado, ombreando os maiores e mais importantes narradores de futebol do Brasil.

46 dias após o nascimento de Juracy Vieira, isto é, no dia 30 de abril de 1945, Adolf Hitler cometeria suicídio no seu bunker de Berlim. Hitler acabara de nomear Karl Doenitz seu sucessor como Chefe de Estado que, mais tarde decidiu render-se. Mas foi Alfred Jodl, general representante de Karl Doenitz, quem assinou a rendição incondicional de todas as forças armadas alemãs ao comparecer ao Quartel-General de Eisenhower, em Reims, no dia 7 de maio de 1945.

E, quem nasce numa efervescência dessas, não pode ser alguém sem importância. Muito jovem ainda, Juracy Vieira ingressou na Rádio Clube de Teresina, contratado como narrador esportivo. O nome e a fama correram mundo espraiando-se pelo Nordeste. A boa nova chegou aos ouvidos de Paulo Câmara, então Diretor da Rádio Nordeste de Natal, e Juracy Vieira mudou de mala e cuia para a capital espacial, integrando-se definitivamente ao “cast” de uma das maiores e mais importantes equipes de esporte do Nordeste.

A década de 60 se aproximava do fim, e o rádio esportivo do Brasil, que assumira lugar de destaque em 1958 com a conquista da Copa do Mundo, na Suécia, estava em expansão, todos brigando pela audiência que, como retorno, trazia status e bons salários.

Dono de audiência inconteste não apenas em Natal, mas em todo Rio Grande do Norte, Juracy Vieira atravessava fronteiras, ficava famoso e, numa rotina dos bons e competentes, foi contratado pela Rádio Poti de Natal, na época, uma das fortes células dos Diários Associados no Rio Grande do Norte.

E Juracy Vieira já figurava no rol dos mais vibrantes e melhores narradores esportivos do Brasil quando foi contratado a peso de ouro pela Rádio Cabugi de Natal (atual Globo Natal), onde conheceu nomes como José Lira e Hélio Câmara.

O trabalho alimenta a competência e esta leva à fama. Pois foi assim que Juracy Vieira da Silva foi contratado pela Rádio Olinda de Pernambuco, onde era Diretor de Esportes o não menos famoso Aldir Dudman que, esperto, preferia ter Juracy Vieira ao seu lado, no mesmo prefixo, que correr o risco de perder audiência, fato que aconteceria normalmente, tivesse o piauiense ingressado noutro prefixo da capital pernambucana. Na Rádio Olinda, Juracy começou a fazer parte da Cadeia Verde Amarela de Rádio e entrou definitivamente no “hall” da fama dos maiores narradores de futebol do Brasil.

Mas foi na Rádio Repórter de Recife, levado por Gilson Corrêa, que Juracy Vieira conquistou definitivamente espaço em meio e ao lado de feras como Oduvaldo Cozzi, Doalcei Bueno de Camargo, Geraldo José de Almeida, Fiori Giglioti, Ivan Lima – que tem lugar cativo entre os três maiores narradores de futebol do Brasil em todos os tempos – Jorge Cury, Waldir Amaral e até dos mais jovens como Osmar Santos, Dirceu Maravilha, José Silvério e Nilson César.

Com o final da Copa do Mundo de 1970 o rádio esportivo estava em êxtase. O regime político vigente dificultava ações e, embora fosse extremamente monitorado, o rádio tinha sua importância. E no Maranhão a importância do rádio não era diferente. Rádio Ribamar, Rádio Educadora, Rádio Difusora, Rádio Timbira, Rádio Gurupi brigavam pela audiência e, no esporte, onde as figuras de destaque eram Jafé Nunes, José Nunes, Fernando Souza, Luciano Silva, Osmar Noleto, Jota Alves, José Santos, Herbert Fontenele, Guioberto Alves, José Carlos de Assis, garantia o primeiro lugar quem tinha mais competência e ousadia.

E foi num rasgado gesto de ousadia que a Rádio Educadora trouxe de Recife o narrador Juracy Vieira. Para assinar contrato com a emissora do Clero, Juracy Vieira ganhou de “luvas” um Karmanghia e passou a fazer parte do time comandado por Oliveira Ramos. Narrador consagrado, Juracy passou a ser um dos mais altos salários do rádio esportivo maranhense.

A competência, a maturidade e, sobretudo, a vontade de vencer, levaram Juracy Vieira a procurar vôo mais livre. E ele aportou, ainda que provisoriamente, na Rádio Ribamar, fazendo dupla com o mineiro Luciano Silva numa equipe que ainda tinha Osmar Noleto, Herbert Fontenele e outros.

Em 1978, finalmente, Juracy Vieira chegou à Rádio Difusora para trabalhar na equipe chefiada por Fernando Souza e lá encontrou Carlos Alberto Lima Coelho, José Santos, Edy Garcia, Jota Alves, Luciano Silva, José Branco e até Adolfo Vieira.
E, na briga pela audiência, Juracy Vieira fez muitas diabruras. Como essa que aí segue:

“O jogo que não vi” – Saímos de São Luís para transmitir o jogo em Caxias entre Sampaio Corrêa e Caxiense, pelo Campeonato Maranhense. Estava tudo certo e praticamente pronto para realizarmos um bom trabalho. Chegamos cedo a Caxias, pois o jogo começaria às 16h, por causa da falta de iluminação no estádio local. Fomos para um hotel, tomar banho e almoçar. O contato com a empresa de telefonia, para reserva de linha havia sido feito com bastante antecedência, o que nos tranqüilizava. Toda a crônica esportiva de São Luís estava lá para a cobertura do evento. Pela Rádio Difusora, eu e Juraci Vieira, um dos maiores profissionais da área que conheci.

Na hora certa, fomos ao estádio e constatamos que a nossa linha de transmissão não havia sido instalada. Aliás a de ninguém. O telefone mais próximo estava a 500 metros e era impossível trazer uma linha de lá para o estádio. Essa tarefa também não foi cumprida por ninguém. Todos nós teríamos que ver o jogo e dar o resultado pelo telefone do hotel ou de vez enquanto fazer boletins falando sobre o jogo. Juraci pensou diferente. Me olhou e disse:

- Compadre, vamos transmitir esse jogo?- Vamos. Não sei como, mas topo a parada.- Então é o seguinte: Você vai pegar meu carro, vai ao estádio, pega a escalação dos dois times, todos os detalhes, enquanto eu peço ao gerente do hotel para passar uma linha do telefone para o apartamento para a gente transmitir esse jogo. Entendeu?

- Claro!- Então vá pegar as escalações e se prepare para comentar o jogo, homem.- Tudo bem . . .

E assim fiz. Peguei o carro e me mandei para o estádio. Levantei a situação do gramado, do juiz e auxiliares, público, clima para o jogo e retornei ao hotel. O homem já estava no “ponto” pedindo ao estúdio em São Luís para rodar a vinheta de abertura da Jornada Esportiva.

Entrou no ar e depois de todo aquele ritual característico na abertura da jornada me convocou para falar sobre as possibilidades do Sampaio sair com uma vitória, sobre o público e também sobre o juiz escalado para apitar o jogo. Falei tudo o que tinha anotado e voltei para o estádio. Quando a partida começou, retornei ao hotel e avisei que o jogo iniciara. Aí, começou também o meu trabalho de ida e vinda. Apesar de perto, levava uns três minutos para chegar ao local do jogo. O Sampaio venceu de dois a zero (não tenho certeza, pois passaram-se alguns anos). Na hora dos gols, eu não estava presente mas perguntava aos torcedores como havia acontecido e retornava para o hotel e fazia sinal que havia o gol. Juraci narrava a seu modo e logo depois eu entrava fazendo o papel de ponta de gol. Uma loucura.

Pelo menos infernizamos a vida de todos os cronistas que estavam lá e que não conseguiram trabalhar. Um ligou de uma residência para sua emissora e disse que não estávamos no estádio. Outro informava que havia dois loucos usando microfone para inventar um jogo que não estavam vendo. Na verdade foi um jogo fictício. Valeu pela criatividade, pelo improviso, pela vontade de querer fazer, mas erramos em não dizer que era um “serviço especial”.

Quando tudo terminou e os colegas chegaram ao hotel quiseram saber de onde transmitimos, se não fomos vistos no estádio e nem as linhas foram instaladas. Nossas explicações não foram convincentes e tenho certeza que somente agora alguns estão sabendo da verdade. (Carlos Alberto Lima Coelho – Show de Rádio)”.

Foi na Rádio Difusora, comandada pela família Bacelar, onde Juracy Vieira permaneceu mais tempo. Teve também uma rápida passagem pela Rádio São Luís e, atualmente, como membro vitalício da Academia Brasileira dos Maiores Narradores de Futebol, assiste de camarote os primeiros passos do filho Juracy Filho, na Rádio Capital. Porque escolheu isso. Certamente que poderia estar enriquecendo o rádio esportivo brasileiro trabalhando na Jovem Pan, na Globo, ou em qualquer das maiores emissoras de rádio do país. Talento tem de sobra para isso.

A imprensa maranhense ficou de luto na tarde do dia 23 de Fevereiro de 2012, uma quinta-feira, com o falecimento do jornalista Juracy Vieira, vítima de um A.V.C., aos 66 anos. Ele deixou esposa, filhos e netos. Juracy sofreu um infarto no domingo e foi levado às pressas ao hospital, onde foi submetido a um cateterismo. No mesmo dia, foi diagnosticado um derrame. Descanse em paz, Campeão.

Texto extraído e adaptado: http://robertlobato.com.br/juracy-vieira-segundo-zeca-soares-e-oliveira-ramos/

Livro “TERRA, GRAMA E PARALELEPÍPEDOS: os primeiros tempos do futebol em São Luís (1906-1930)”

“TERRA, GRAMA E PARALELEPÍPEDOS: os primeiros tempos do futebol em São Luís (1906-1930)” é uma pesquisa de fôlego sobre os primórdios do futebol na capital maranhense, fruto da pena inquieta do jovem historiador Claunisio Amorim Carvalho. A obra faz justa reconstituição da história das três primeiras décadas do futebol maranhense e homenageia todos os que contribuíram para reafirmar o futebol como o mais popular dos esportes, identificado por muitos como um dos elementos de unidade nacional. O livro ainda aborda questões sobre a criação de clubes e ligas em nossa capital, com uma linguagem fácil, dinâmica e que certamente agradará a todos os públicos. É um verdadeiro convite ao passado. 


Onde Encontrar “TERRA, GRAMA E PARALELEPÍPEDOS: os primeiros tempos do futebol em São Luís (1906-1930)”:

Livraria Athenas - Rua São João, 473 - Centro - São Luís (98) 3312-2786/3312-2785;
Livraria Leiamundo – Jaracati Shopping, loja 33/34- (98) 3266-0242;
Livraria Prazer de Ler - CCH/UFMA - Bacanga - São Luís (98) 3228-1090;
Livraria Poeme-se - Rua João Gilberto, 52 - Praia Grande - São Luís (98) 3332-4068;
Livraria Vozes - Rua do Sol, 496 - Centro - São Luís (98) 3231-5699/3221-0715;
Sebo Papiros do Egito - Rua Sete de Setembro, 150 - Centro - São Luís (98) 3231-0910;
Banca Lacerda – Av. dos Franceses – Alemanha (em frente ao CEM Margarida Pires Leal)

Eraldo Leite, goleiro de Cristo na Bolívia Querida

Eraldo de Vasconcelos Leite foi goleiro do Sampaio Corrêa no final da década de 60 e início da década de 70. Assim como qualquer garoto da sua idade, o jovem goleiro teve os primeiros contatos com a bola muito cedo. Rapidamente passou a integrar a equipe infanto-juvenil do Náutico, em 1966. Pelas suas qualidades, logo foi convidado defender o Santa Cruz, na mesma categoria. Posteriormente, Eraldo integrou a equipe do juvenil e aspirante do Sport Clube do Recife, no inicio de 1969. Alguns meses depois, em Setembro de 1969, o craque estava de malas prontas para viajar com a delegação do Flamengo (RJ), intermediado pelo gerente de campo do Sport, Tomires (Tricampeão carioca em 1953/54/55 pelo Flamengo e que posteriormente trabalhou com futebol no Sport e no próprio Flamengo). Apesar dos três meses de salários atrasados, Eraldo não viajou. Contudo, ele e alguns atletas do rubro-negro foram cobrar os seus vencimentos ao Presidente do Sport, José Rosemblit, na frente do presidente do Corinthians, Wadih Helú. Todos os atletas receberam o pagamento no mesmo dia junto a uma carta de dispensa, menos Eraldo e Adeildo. Para o jovem goleiro foi, sem dúvida, um dos dias mais tristes em sua ainda curta carreira no futebol. “Um dos dias mais triste em minha vida, pois já estava com 19 anos e sem chances de me profissionalizar . “Passei a noite do sábado sem dormir e chorando muito, orei e deixei nas mãos de Deus. Disse: Senhor, se for de Tua vontade, que eu continue como um profissional de futebol”, relembra Eraldo. No domingo pela manhã chovia muito na capital pernambucana. Eraldo jogava pelada no campo do Ferroviário, próximo à sua residência, quando foi abordado pelo treinador do Sampaio Corrêa, Ênio Silva, que o convidou a jogar pelo Tricolor maranhense. Em poucos dias Eraldo desembarcou na capital São Luis, levando ainda por sua indicação o volante Adeildo, que havia jogado no Sport. Na época que Eraldo chegou a São Luís, o goleiro do Sampaio Corrêa era Netinho, que depois jogou algum tempo entre os profissionais.

Chegou por um empréstimo de apenas três meses. Foi contratado pelo Sampaio para a equipe de profissionais. Na época ele ganhava Cr$ 250 mil e mais uma complemento de Cr$ 150 mil,sendo um dos mas bem pagos pelo clube. Trouxe ainda mais três atletas que atuavam em clubes pernambucanos: o lateral direito Paulo Alves (falecido), Claudemir e José Carlos (zagueiro central). Desembarcou em São Luis no dia 22 de Setembro de 1969 e, no aeroporto Hugo Cunha Machado, esperavam-nos o presidente boliviano, Dr. Rupert Macieira Gonçalves. Eraldo e os outros atletas ficaram hospedados por um tempo no Hotel Maranhense, localizado na Praia Grande. Depois, foram transferidos para concentração na Rua do Passeio, onde residiram pro alguns meses até serem levados para a concentração definitiva, localizada à Rua Santa Rita, número 62, no Centro de São Luis.

O goleiro estreou pelo Tricolor no dia 12 de Outubro de 1969, no extinto Torneio Nordestão, diante do River de Teresina, no Nhozinho Santos. Sob o comando de Ênio Silva, assim entrou a campo a Bolívia Querida: Eraldo; Oswaldo, Zé Carlos, Claudemir e Corrêa; Dedé e Roberto; Waldeci, Ivanildo, Bosco e Everaldo. Apesar do empate, o novo goleiro tricolor foi um dos melhores em campo e logo ganhou a simpatia da apaixonada torcida boliviana. Três dias depois do Sampaio atuou em Teresina diante do Flamengo. Apesar da derrota, novamente Eraldo foi o destaque do jogo. Mesmo machucado, o goleiro, pelas suas ótimas atuações, acabou sendo escalado para o jogo seguinte, dia 19 de Outubro, diante do Esporte Clube Piauí, ainda em Teresina. Eraldo havia sido vetado pelo departamento médico, mas o Presidente do Sampaio, que foi a Teresina somente para assistir àquela partida, assumiria toda a responsabilidade pelo jogo e defenderia todos os atletas perante a imprensa. Eraldo foi para o gol diante do Piauí e, apesar da derrota pelo placar de 2 a 1, foi mais uma vez considerando o melhor em campo. Após a partida, o goleiro recebeu da diretoria do clube uma carta, assinada por Claudio Ferreira (Vice-Presidente) e Rupert Macieira (Presidente), em agradecimento por ter atuado mesmo sem condições físicas normais.


No final de Novembro de 1969, durante um amistoso onde o Sampaio Corrêa goleou o Maranhão por 5 a 1, em uma jogada dentro da grande área o zagueiro Ribeiro foi rebater uma bola e por infelicidade deu uma pancada muito forte no rosto de Eraldo, que fraturou o maxilar, abandonando a partida. O goleiro foi levado para  a Santa Casa de Misericórdia, onde teve a sua cabeça engessada e por lá acabou passando a noite em repouso. Pelo desconforto, o gesso foi substituído por ataduras, em uma recuperação que durou mais de 40 dias. Porém, no dia 07 de Dezembro ele foi a campo assistir ao amistoso entre Sampaio e Paysandu. Eraldo estava nas arquibancadas do Municipal quando os alto-falantes do Estádio o chamaram aos vestiários do Sampaio. O Presidente boliviano o pediu para que jogasse aquela partida, pois havia feito uma  aposta e queria ganhar de qualquer jeito. A princípio, Eraldo relutou, mas foi convencido a trocar o uniforme e entrar a campo com a equipe. Após o jogo, novamente Eraldo foi o melhor em campo do elenco Tricolor e o Paysandu acabou oferecendo uma troca: daria ao Sampaio o Goleiro Holanda e mais C$ 20 milhões. A proposta era tentadora tanto para o atleta como para o Sampaio. Contudo, foi justamente nesse época que Eraldo conheceu e começou a namorar com Izabel. Resolveu não arriscar e decidiu continuar em São Luis. Com a saída de Ênio Silva, Alberino de Paula, o Bero, assumiu o seu lugar e, para o ano de 1970, assumiu o cargo de treinador boliviano o já falecido Edésio Leitão.

O ano de 1970 foi muito difícil para o Tricolor maranhense.  A diretoria contratou alguns atletas do Rio de Janeiro, Recife e Fortaleza, entre eles o goleiro Dudinha, José Carlos, Serjão, Adalberto, Célio Costa, Valdeci e outros. Eraldo acabou indo para a reserva de Dudinha. No Campeonato Maranhense daquele ano, o Sampaio Corrêa chegava ao Terceiro Turno em uma situação um tanto quanto delicada, quando o Maranhão Atlético Clube já havia conseguido a sua vaga para disputar a decisão do Estadual em uma melhor de três jogos: em um confronto diante do Ferroviário, dia 12 de Agosto, tanto a Bolívia Querida quanto o chamado time da RFFSA não poderiam sequer empatar, sendo então ambos eliminados, dando de bandeja a vaga para o Moto Club. Nessa partida o Dudinha estava adoentado e, mesmo assim, foi escalado para jogar. Apesar da sua grande atuação, deixou o campo no intervalo queixando-se de falta de condições físicas para prosseguir na partida. Por incrível que pareça o treinador Edésio quis o obrigar a prosseguir no jogo. O Presidente Rupert Macieira, ao lado do alambrado, chamou Eraldo para uma conversa reservada nos vestiários do Municipal. Rupert disse-lhe para entrar em campo e que confiava no goleiro. E Eraldo fechou o gol. O Sampaio acabou fazendo o gol da vitória de 1 a 0 aos 37 minutos do segundo tempo, classificando-se com uma grande vantagem sobre o MAC.

Sampaio Corrêa em 1971. Eraldo é o penúltimo em pé

O Sampaio Corrêa entrou determinado na decisão do Estadual diante do Maranhão, que naquela época também formava com um timaço, sob o comando do vitorioso treinador Marçal Tolentino Serra: Da Silva, Baezinho, Sansão, Clécio e Elias; Iomar, Almir e Walker; Euzébio, Antônio Carlos e Hamilton. Os atletas passaram a concentrar em uma escola de Agricultura e todos davam como certa escalação de Eraldo até antes do jogo, sobretudo pela sua atuação diante do Ferrim. Na hora de assinar a súmula, porém, o treinador colocou o Dudinha para jogar a primeira partida, realizada no dia 30 de Agosto. E o treinador pagou caro pela aposta: o Maranhão venceu a primeira partida decisiva pelo placar de 1 a 0, gol de Jacinto, que entrara no lugar do goleador Hamilton, aos 12 minutos de jogo. Na segunda partida novamente Edésio apostou em Dudinha e mais uma vez a Bolívia se atrapalhou com as suas próprias pernas: Com 2 a 0 no placar, gols de Célio Costa e Zé Carlos, o Sampaio permitiu uma virada espetacular, com três gols de Antônio Carlos e somente não deixou o campo com uma nova derrota por conta do meia Djalma Campos, que fez de pênalti o gol de empate. Para a terceira partida todos davam como certa a entrada de Eraldo no gol. E novamente o treinador colocou Dudinha como titular. Eusébio e Jacinto trataram de dar números finais ao jogo, vencido pelo Maranhão Atlético (2 a 0), bicampeão estadual. Apesar do vice-campeonato, o Tricolor realizou uma boa campanha no ano de 1970. Resultados expressivos foram obtidos, como a vitória diante do Náutico pelo placar de 2 a 1, em jogo realizado no dia 20 de Novembro.

Em 1971 a equipe do Sampaio Corrêa montou uma grande equipe. Walter Zaidam assumiu o cargo de Presidente naquele ano e diversos atletas se alternaram no elenco durante o ano: Eraldo, Toinho, Célio Rodrigues, Paulo Silva, Neguinho, Nivaldo, Gojoba, Soares, Djalma Campos, Adelino, Itamar, Heraldo Gonçalves, Roberto, Garrinchinha, Carlos Alberto, Prado, Pelezinho e outros. Apesar do vice-campeonato, o clube conseguiu alguns bons resultados, como o empate diante do fortíssimo Olaria do Rio de Janeiro, dia 29 de Julho, em São Luis. O Olaria na época era o fantasma carioca, com Afonsinho, Alfinete e muito craques (o clube estivera em excursão por São Luis e, dois dias antes, havia empata contra o Moto Club). Nesse ano Eraldo também atuou no combinado Sampaio/Moto, formando a Seleção Maranhense, diante do Botafogo (RJ) de Djalma Dias, Zequinha, Jairzinho e Nei Oliveira, em jogo amistoso disputado no Municipal, dia 15 de Outubro. O destaque do Fogão era o goleiro pernambucano Wendel, que havia defendido as cores do Santa Cruz e foi goleiro da Seleção Brasileira.

Eraldo deixou o Sampaio Corrêa no final de Outubro de 1971. Antes de sair, falou com o presidente Walter Zaidam para dar uma oportunidade ao Paulo Figueiredo, goleiro que jogava pelo Moto Club e que, por não se enquadar às normas do clube, estava de viagem marcada de volta ao Rio de Janeiro. Eraldo, já casado, voltou a Recife, onde ficou treinando no Sport e posteriormente atuando pelo Alecrim (RN), e Paulo Figueiredo assumiu o posto de titular no gol Boliviano.

Eraldo em ação em jogo no Nhozinho Santos

 Eraldo com o goleiro Wender, do Botafogo (RJ)

 Nos juvenis do Santa Cruz (PE)

 Juvenis do Náutico

 Eraldo em jogo pelo Sampaio Corrêa, no Nhozinho Santos

 Entrada do Sampaio Corrêa a campo. Eraldo vem à frente

 Sampaio Corrêa 2x1 Náutico (PE). Eraldo defendendo

 Formação do Sampaio Corrêa em 1969


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Moto Club nas Redes Sociais

Um novo Moto Club chega em 2013 e com ele novos canais para aproximar o clube do seu torcedor. Para isso, foram criados alguns canais do Papão do Norte na internet. Sob a Presidência do Radialista Roberto Fernandes, o Papão escolheu a sua nova diretoria para a temporada 2013:

Diretoria de esportes: Wilson Wyse e José Pinheiro Silva
Gerente de Futebol: Waldemir Rosa (Dadá)
Departamento financeiro: João Madson Araújo e Luciano de Moura Pereira
Departamento de projetos: Souza Neto, Rommeo Amim e Cordeiro Filho
Departamento de marketing: Han Nina Hohn, Neto Moraes e Célio Sérgio
Divisões de base: Roberto Júnior, Alex Hossan Ferreira e João Abreu
Departamento de patrimônio: Rochinha
Departamento jurídico: Adolfo Testi, Petrônio Alves, Wallace Serra, Jomar Câmara, Jorge Castro e Júlia Castro


MOTO CLUB NAS REDES SOCIAIS


Maranhão Atlético Club em 1979

Registro do time base do MAC em 1979, Campeão Maranhense daquele ano com uma campanha impecável: em 14 jogos, foram 09 vitórias, 04 empates e apenas uma derrota. A equipe marcou 26 gols e sofreu apenas 6. A equipe Quadricolor ainda disputou o Brasileiro daquele ano, realizando uma campanha maravilhosa, conseguindo vitórias dentro de Recife, Teresina e Uberaba.


Sampaio Corrêa x Avaí/SC - Campeonato Brasileiro 1974

Jogo no Nhozinho Santos pelo Brasileião de 74. Era o ano da estreia de um clube maranhense na elite do futebol nacional.




FICHA DO JOGO

Sampaio Corrêa 1x0 Avaí (SC)
Data: 24 de Março de 1974
Estádio Nhozinho Santos
Gol: Dionísio
Público: 11.679
Sampaio Corrêa: Gilson; Nandes (Arizinho), Morais, Raimundo e Santos; Lourival e Sérgio Lopes; Buião (Jorge Luís), Djalma, Dionísio e Ailton Técnico: Alfredo González
Avaí (SC): Rubens; Sousa, Acir, Prudente, Vilela e Osvaldo; Veneza e Zenon; Mardonio (Lourival), Balduíno, Toninho e João Carlos (Paulo Roberto). Técnico: Jorge Ferreira

Raimundinho Lopes - Matéria no Jornal O Imparcial (28.01.2013)


PÔSTER - Sampaio Corrêa Campeão Brasileiro da Série C 1997