Belo registro de dois grandes craques do futebol maranhense: o zagueiro Neguinho, o "Deus da Raça", e do "Menino da Vila do Anil", o habilidoso Carlos Alberto. Na época do registro, em Novembro de 1974, Neguinho atuava pelo Moto Club e Carlos Alberto defendia as cores do Ferroviário.
terça-feira, 19 de maio de 2015
Maranhão Atlético Clube no ano de 1936
Belo registro do Maranhão Atlético Clube no ano de 1936, quando do vice-campeonato maranhense. Naquela no, a equipe ainda ostentava camisas nas cores vermelho e preto (chamado, então, de rubro-negro, vindo a ser denominado quadricolor apenas alguns anos depois, quando incluiu o azul em seu escudo e uniforme). Na época da foto, o MAC havia realizado em toda a sua história apenas 114 jogos, com 71 vitórias, 14 empates e apenas 20 derrotas. O Bode, até então, mantinha superioridade diante do Sampaio Corrêa, com oito vitórias diante dos bolivianos, com apenas 6 derrotas. Também mantinha superioridade diante do Tupan, um dos maiores clássicos da época, com 14 vitórias diante do chamado "Grêmio Indígena", contra 11 vitórias do Tupan.
Xavier, caríssimo Peru
Matéria de Edivaldo Pereira Biguá e Tânia Biguá, página "Onde Anda Você?", do Jornal O Estado do Maranhão, de 16 de Março de 1998
Página sobre a Seleção Maranhense editada no Álbum de 1954
Nos quartéis o respeito como Coronel Xavier, mas nos campos de futebol foi o nome que consagrou o “half” esquerdo mais temperamental do Maranhão. Jogador de muito potencial, com passagens pelo Moto, Maranhão Atlético Clube, Sampaio Corrêa e Seleção Maranhense, ele marcou época na década de 50.
Francisco Xavier Gomes Filho nasceu na cidade de Bequimão, interior do Estado. Viveu lá apenas alguns meses. Criado em Alcântara, só aprendeu a gostar do futebol quando veio morar em São José de Ribamar, cidade localizada a 37 km de São Luís. Até então era conhecido como Chico.
Em 1946, com 14 anos de idade, passou a ser interno da Escola Técnica Federal do Maranhão. Número 20 na chamada, por ser um “branco vermelho”, recebeu o apelido de Peru. E não adiantou se zangar. Aliás, desde então o garoto mostrava que não levava desaforo para casa. Esse apelido, no entanto, teve que engolir por toda sua carreira de jogador de futebol, que se tornou mais evidente nos campos da ETFM, hoje CEFET.
Dois anos depois Peru já fazia parte da seleção da escola. A equipe participava de jogos intercolegiais e da disputa da Segunda Divisão do Campeonato Maranhense com o nome de Tupy, cujo técnico era Jafé Mendes Nunes. Peru jogava com extrema facilidade, sendo um elo da defesa com o meio de campo. Um centromédio, que era impiedoso com os adversário. Quando estava com 18 anos o inspetor de alunos da escola, João Ribeiro Lima, o conhecido Fatiguê, técnico do Moto nas horas vagas, levou Peru para treinar com ele. Com um contrato de atleta não amador, foi empregado na Fábrica Santa Izabel, da família Aboud, para poder ganhar dois salários mínimos da época, um pelo Moto e outro pela fábrica.
Nesse ano, 1952, o Vitória do Mar recebia investimento de um grupo da Estiva e conquistava assim o primeiro e único título de sua história, o Campeonato Maranhense. Peru, que tinha se destacado na campanha do moto, recebeu convite do Sport Clube Recife, mas não aceitou a mudança de clube e cidade porque estava muito apegado a São Luís.
O jogador casou cedo, com 13 anos, em 1953. Mesmo assim não deixava de aprontar das suas. Quando o Flamengo veio jogar amistosamente contra o Moto, na segunda partida, a revanche para o rubro-negro carioca, que havia perdido o primeiro jogo no Santa Izabel por 2x0, ele novamente se envolveu em confusão. Brigou logo nos primeiros minutos com o ponta-esquerda Chico. Ambos terminaram sendo expulsos de campo.
Peru saiu do Moto em 54 para ingressar no Maranhão Atlético Club. Nesse ano recebeu a convocação para a Seleção Maranhense, que enfrentaria o Ceará. Perdendo por 1x0 aqui e lá, o Maranhão saiu da competição desclassificado.
Ele seguia sua carreira sem títulos pelo MAC. Em 56 voltou â Seleção Maranhense, do técnico Comitante, que novamente foi barrado pelo Ceará, apesar de ter vencido aqui por 4x2. No jogo de volta, perdeu no tempo normal por 1x0 e na prorrogação por 3x0.
Em 58 o Sampaio entrava no quarto ano sem títulos. O Presidente Ronald Carvalho tratou de formar um time mais técnico para ter condições de ir em busca do caneco. Dentre outras contratações, trouxe Peru. O passe, estipulado em Cr$ 25 mil, foi o mais alto da época. Quando o negócio foi fechado, um jornal estampou no dia seguinte a manchete: “O Peru mais caro do Brasil!”, fazendo alusão à contratação do jogador.
Mesmo ganhando um dos maiores salários da época, Peru não deixava seu lado temperamental, um jeito “Edmundo de ser”, como ele mesmo se auto define. Na sua estreia, contra o timaço do Ferroviário, que ia em busca do bicampeonato, o juiz Cebola validou um gol, que Peru não concordo. Não deu outra. Ele agrediu o juiz de tal maneira que a Federação Maranhense de Futebol queria excluí-lo para sempre do futebol. Isso só não aconteceu por causa da defesa do Presidente e advogado Ronald Carvalho. A pena foi de seis meses longe dos gramados.
Depois de passar esse tempo na “geladeira”, só participando de amistosos com nome trocado, Peru foi convidado para fazer um teste no América do Rio de Janeiro. “Jogador sem nenhuma assistência”, como ele mesmo conta, veio embora para São Luís em menos de u mês.
Convocado para o serviço ativo do exército ainda em 58, o comando da região Militar o proibiu de participar do futebol profissional. Assim ele encerrava a sua brilhante carreira e deixava de fazer o que mais gostava na vida, apesar do jeito agressivo de encarar jogadas e decisões de árbitros.
Francisco Xavier Gomes Filho nasceu na cidade de Bequimão, interior do Estado. Viveu lá apenas alguns meses. Criado em Alcântara, só aprendeu a gostar do futebol quando veio morar em São José de Ribamar, cidade localizada a 37 km de São Luís. Até então era conhecido como Chico.
Em 1946, com 14 anos de idade, passou a ser interno da Escola Técnica Federal do Maranhão. Número 20 na chamada, por ser um “branco vermelho”, recebeu o apelido de Peru. E não adiantou se zangar. Aliás, desde então o garoto mostrava que não levava desaforo para casa. Esse apelido, no entanto, teve que engolir por toda sua carreira de jogador de futebol, que se tornou mais evidente nos campos da ETFM, hoje CEFET.
Dois anos depois Peru já fazia parte da seleção da escola. A equipe participava de jogos intercolegiais e da disputa da Segunda Divisão do Campeonato Maranhense com o nome de Tupy, cujo técnico era Jafé Mendes Nunes. Peru jogava com extrema facilidade, sendo um elo da defesa com o meio de campo. Um centromédio, que era impiedoso com os adversário. Quando estava com 18 anos o inspetor de alunos da escola, João Ribeiro Lima, o conhecido Fatiguê, técnico do Moto nas horas vagas, levou Peru para treinar com ele. Com um contrato de atleta não amador, foi empregado na Fábrica Santa Izabel, da família Aboud, para poder ganhar dois salários mínimos da época, um pelo Moto e outro pela fábrica.
Nesse ano, 1952, o Vitória do Mar recebia investimento de um grupo da Estiva e conquistava assim o primeiro e único título de sua história, o Campeonato Maranhense. Peru, que tinha se destacado na campanha do moto, recebeu convite do Sport Clube Recife, mas não aceitou a mudança de clube e cidade porque estava muito apegado a São Luís.
O jogador casou cedo, com 13 anos, em 1953. Mesmo assim não deixava de aprontar das suas. Quando o Flamengo veio jogar amistosamente contra o Moto, na segunda partida, a revanche para o rubro-negro carioca, que havia perdido o primeiro jogo no Santa Izabel por 2x0, ele novamente se envolveu em confusão. Brigou logo nos primeiros minutos com o ponta-esquerda Chico. Ambos terminaram sendo expulsos de campo.
Peru saiu do Moto em 54 para ingressar no Maranhão Atlético Club. Nesse ano recebeu a convocação para a Seleção Maranhense, que enfrentaria o Ceará. Perdendo por 1x0 aqui e lá, o Maranhão saiu da competição desclassificado.
Ele seguia sua carreira sem títulos pelo MAC. Em 56 voltou â Seleção Maranhense, do técnico Comitante, que novamente foi barrado pelo Ceará, apesar de ter vencido aqui por 4x2. No jogo de volta, perdeu no tempo normal por 1x0 e na prorrogação por 3x0.
Em 58 o Sampaio entrava no quarto ano sem títulos. O Presidente Ronald Carvalho tratou de formar um time mais técnico para ter condições de ir em busca do caneco. Dentre outras contratações, trouxe Peru. O passe, estipulado em Cr$ 25 mil, foi o mais alto da época. Quando o negócio foi fechado, um jornal estampou no dia seguinte a manchete: “O Peru mais caro do Brasil!”, fazendo alusão à contratação do jogador.
Mesmo ganhando um dos maiores salários da época, Peru não deixava seu lado temperamental, um jeito “Edmundo de ser”, como ele mesmo se auto define. Na sua estreia, contra o timaço do Ferroviário, que ia em busca do bicampeonato, o juiz Cebola validou um gol, que Peru não concordo. Não deu outra. Ele agrediu o juiz de tal maneira que a Federação Maranhense de Futebol queria excluí-lo para sempre do futebol. Isso só não aconteceu por causa da defesa do Presidente e advogado Ronald Carvalho. A pena foi de seis meses longe dos gramados.
Depois de passar esse tempo na “geladeira”, só participando de amistosos com nome trocado, Peru foi convidado para fazer um teste no América do Rio de Janeiro. “Jogador sem nenhuma assistência”, como ele mesmo conta, veio embora para São Luís em menos de u mês.
Convocado para o serviço ativo do exército ainda em 58, o comando da região Militar o proibiu de participar do futebol profissional. Assim ele encerrava a sua brilhante carreira e deixava de fazer o que mais gostava na vida, apesar do jeito agressivo de encarar jogadas e decisões de árbitros.
segunda-feira, 18 de maio de 2015
Nestor, coração maqueano
Matéria de Edivaldo Pereira Biguá e Tânia Biguá, página "Onde Anda Você?", do Jornal O Estado do Maranhão, de 26 de Janeiro de 1998
Time campeão em 1970: em pé - Jurandir Brito, Raul Guterres, Nestor, Zé Neguinho, Goulart, Carlos Mendes, Marçal, Luis Carlos, Raimundo Silva e Carlos Guterres; agachados - Da Silva, baezinho, Sansão, Antônio Carlos, Clécio, Jorge Silva, Elias, Campos e Dario; sentados - Marciano, Patrcínio, Walker, Ivanildo, Euzébio, Almir, Yomar, Jacinto, Hamilton e Sanatiel
Um dos grandes dirigentes do futebol maranhense está com 88 anos e continua com um coração apaixonado pelo Maranhão Atlético Clube. Nestor Ferreira Campos pode não ter o mesmo vigor que o levava a enfrentar desafios, mas ainda pulsa em suas veias um antigo amor, que o transformou em um dirigente sem nunca ter tido experiência semelhante. Coisas do destino.
Ele sempre gostou do futebol e do MAC. Fazia malabarismos para entrar no estádio Santa Izabel e ver seu time jogando. O maior deles era se embrenhar pelas matas da Quinta do Barão para burlar a fiscalização e não pagar ingresso, já que o dinheiro que ganhava não dava para extravagâncias. Mas chegar a ser dirigente, isso nunca havia passado pela cabeça dele. Até que numa bela noite do ano de 1968 Nestor resolveu participar da assembleia que elegeria a nova diretoria do clube. Encontrou com velhos conhecidos: Nicolau Duailibe, o Presidente que deixava o cargo, e Raul Guterres, ex-dirigente que não podia assumir a presidência por causa do emprego na Receita Federal. Além dos dois podia-se ver na plateia vários jogadores maranhenses, que estavam sem receber salários fazia oito meses.
O sim – Nicolau, que sabia das paixões de Nestor, pediu que ele tomasse a frente do MAC, garantindo que todos os dirigentes mais antigos o ajudariam. A decisão tinha que ser rápida. Quando os jogadores disseram que esqueceriam os atrasos para enfrentar uma nova vida, ele não teve escapatória e terminou aceitando. Fazendo pessoalmente as cobranças dos sócios, pedido ajuda aqui e acolá, Nestor seguia com a difícil tarefa de manter em dia o pagamento do plantel. Quando o salário atrasava por algum motivo, os jogadores iam bater na casa dele, na Rua do Ribeirão. Se fosse na hora do almoço, ele sabia que no fogão estaria só o próprio prato, já que a ordem era para não deixar ninguém com fome. Inteirava com ovo a pouca comida restante e se dava por satisfeito, pois tinha alimentado quem ia até ele pedir ajuda. Soltava um dinheirinho para um e outro, resolvendo temporariamente os problemas de cada um.
Um virador – A vida do dia a dia era grande e nada fácil. Além de procurar manter o pagamento dos salários dos jogadores, zelava pelo material de treino e jogo do MAC. Andava atrás de empresários amigos, pedindo contribuições para a compra de camisas, calções, meias e chuteiras. “Quando eu não conseguia colaboradores, batia na porta dos gerentes das casas do comércio, que por confiarem em mim, me vendiam fiado”, conta.
Como alfaiate, muitas vezes sentava na máquina de costura para consertar os uniformes ou fazer outros novos. Para evitar gastos, após os jogos levava a equipagem do time para casa. A lavadeira Maria José “Buchinho” dava um duro danado, segundo as determinações do exigente patrão, que queria ver tudo muito limpo. “Muitas vezes eu chegava de manhã e seu Nestor já tinha tirado o grosso da sujeira de noite, para facilitar o trabalho. Ele era incansável”, diz ela, que aos 70 anos ainda mora com Nestor e mantém a mesma alegria que encarava o duro trabalho do passado.
O MAC não tinha sede própria na época. Os troféus, as reuniões, tudo ficava para a casa de Nestor. Os treinos aconteciam na casa de dona Conceição, no Turu. O carro dele, uma rural, rodava cheia. Em dia de jogo servia de transporte para a equipe.
Com muito esforço e colaboração dos dirigentes, o Presidente conseguiu montar um excelente time caseiro. E para a sua glória foi campeão no final de sua administração, em 1969. O time da época era formado como Da Silva; Baezinho, Luis Carlos, Sansão e Elias; Toca e Yomar; Euzébio, Hamilton, Riba e Jacinto (ou Dario).
Na nova eleição do MAC, Nestor saía da presidência. Entrava um cargo e, por causa do excelente trabalho realizado no ano anterior, entrava para outro, que terminou eternizando-o no clube: o de diretor. Uma espécie de supervisor-representante da presidência. Por aos seguidos foi assim, com ele sempre à frente na administração do material (ao lado de Carinha e Marciano) e na direção das equipes, principalmente em viagens, que foram muitas. Na cozinha, ele levava para trabalhar dona Ana, nova integrante da equipe.
Hoje só lhe restam as lembranças e as lamentações pelo fato do Maranhão Atlético Clube não estar participando das disputas do futebol, pois queria continuar indo aos estádios torcer pelo “Glorioso” de tantas conquistas.
Ele sempre gostou do futebol e do MAC. Fazia malabarismos para entrar no estádio Santa Izabel e ver seu time jogando. O maior deles era se embrenhar pelas matas da Quinta do Barão para burlar a fiscalização e não pagar ingresso, já que o dinheiro que ganhava não dava para extravagâncias. Mas chegar a ser dirigente, isso nunca havia passado pela cabeça dele. Até que numa bela noite do ano de 1968 Nestor resolveu participar da assembleia que elegeria a nova diretoria do clube. Encontrou com velhos conhecidos: Nicolau Duailibe, o Presidente que deixava o cargo, e Raul Guterres, ex-dirigente que não podia assumir a presidência por causa do emprego na Receita Federal. Além dos dois podia-se ver na plateia vários jogadores maranhenses, que estavam sem receber salários fazia oito meses.
O sim – Nicolau, que sabia das paixões de Nestor, pediu que ele tomasse a frente do MAC, garantindo que todos os dirigentes mais antigos o ajudariam. A decisão tinha que ser rápida. Quando os jogadores disseram que esqueceriam os atrasos para enfrentar uma nova vida, ele não teve escapatória e terminou aceitando. Fazendo pessoalmente as cobranças dos sócios, pedido ajuda aqui e acolá, Nestor seguia com a difícil tarefa de manter em dia o pagamento do plantel. Quando o salário atrasava por algum motivo, os jogadores iam bater na casa dele, na Rua do Ribeirão. Se fosse na hora do almoço, ele sabia que no fogão estaria só o próprio prato, já que a ordem era para não deixar ninguém com fome. Inteirava com ovo a pouca comida restante e se dava por satisfeito, pois tinha alimentado quem ia até ele pedir ajuda. Soltava um dinheirinho para um e outro, resolvendo temporariamente os problemas de cada um.
Um virador – A vida do dia a dia era grande e nada fácil. Além de procurar manter o pagamento dos salários dos jogadores, zelava pelo material de treino e jogo do MAC. Andava atrás de empresários amigos, pedindo contribuições para a compra de camisas, calções, meias e chuteiras. “Quando eu não conseguia colaboradores, batia na porta dos gerentes das casas do comércio, que por confiarem em mim, me vendiam fiado”, conta.
Como alfaiate, muitas vezes sentava na máquina de costura para consertar os uniformes ou fazer outros novos. Para evitar gastos, após os jogos levava a equipagem do time para casa. A lavadeira Maria José “Buchinho” dava um duro danado, segundo as determinações do exigente patrão, que queria ver tudo muito limpo. “Muitas vezes eu chegava de manhã e seu Nestor já tinha tirado o grosso da sujeira de noite, para facilitar o trabalho. Ele era incansável”, diz ela, que aos 70 anos ainda mora com Nestor e mantém a mesma alegria que encarava o duro trabalho do passado.
O MAC não tinha sede própria na época. Os troféus, as reuniões, tudo ficava para a casa de Nestor. Os treinos aconteciam na casa de dona Conceição, no Turu. O carro dele, uma rural, rodava cheia. Em dia de jogo servia de transporte para a equipe.
Com muito esforço e colaboração dos dirigentes, o Presidente conseguiu montar um excelente time caseiro. E para a sua glória foi campeão no final de sua administração, em 1969. O time da época era formado como Da Silva; Baezinho, Luis Carlos, Sansão e Elias; Toca e Yomar; Euzébio, Hamilton, Riba e Jacinto (ou Dario).
Na nova eleição do MAC, Nestor saía da presidência. Entrava um cargo e, por causa do excelente trabalho realizado no ano anterior, entrava para outro, que terminou eternizando-o no clube: o de diretor. Uma espécie de supervisor-representante da presidência. Por aos seguidos foi assim, com ele sempre à frente na administração do material (ao lado de Carinha e Marciano) e na direção das equipes, principalmente em viagens, que foram muitas. Na cozinha, ele levava para trabalhar dona Ana, nova integrante da equipe.
Hoje só lhe restam as lembranças e as lamentações pelo fato do Maranhão Atlético Clube não estar participando das disputas do futebol, pois queria continuar indo aos estádios torcer pelo “Glorioso” de tantas conquistas.
quinta-feira, 14 de maio de 2015
Raul Guterres, atleta completo
Basquete da FAME em 1954. Em pé: Raul, Hugo, Bittencourt, Daniel, Rubem Goulart e Almeida e Silva; Agachados: Teopblister, Arruda, Bragança, Ronald Carvalho e Flávio Teixeira
Matéria de Edivaldo Pereira Biguá e Tânia Biguá, página "Onde Anda Você?", do Jornal O Estado do Maranhão, de 20 de Outubro de 1997
Quantas pessoas tiveram a oportunidade de treinar e chegar a ser atleta em várias modalidades? Com certeza pode-se contar nos dedos. Raul Guterres é um dos que está no rol dos mais completos. Jogou futebol, basquete, vôlei e futsal; também atuou no atletismo. Uma demonstração de muita vitalidade. Raul, quase 71 anos de idade, contabiliza o saldo deixado pelo esporte com muito discernimento. Com uma memória fantástica, ele fez questão de lembrar o nome de outros atletas que foram grades como ele. Se a nossa reportagem fosse atrás de tantas histórias, seria necessárias três páginas como esta para falar quem foi este homem, que “exclusivamente como amador”, como ele faz questão de frisar, defendeu com tanto esmero as equipes por onde passou.
O início – com 15 anos de idade, Raul, 1m60 de altura, passou a jogar no gol de futebol de campo. Era de uma impulsão e elasticidade que impressionavam. Esses dois predicativos aliados à garra terminavam fazendo com que ele fosse diferente. Sua carreira ficou marcada porque, além de tudo, Raul defendia muitos pênaltis.
Foi campeão estudantil em 42 pelo Ateneu. Ele no gol e a zaga com Biló Murad e Mário Silva (já falecido). Em 23 de Janeiro de 1943 ingressou no FAC – Futebol Atlético Clube -, time estritamente amador da primeira Divisão que disputava campeonatos ao lado de Moto, MAC, Sampaio e Tupan.
Com a extinção do FAC, aceitou o convite para defender o MAC. Nesse mesmo ano, 1943, o time foi campeão maranhense e ele estava no banco para o cearense Pintado, o gazo que passava carvão em volta dos olhos nos jogos noturnos do Estádio Santa Izabel.
Na cabeça de Raul Guterres ainda estão bem nítidos os nomes de muitos jogadores de times da década dele, de 40. Pelo MAC: Raul Guterres, Erasmo, Arel, Batistão, Vicente, Mercy, Celso Cantanhede, Inaldo, Mozart, Duo, Nezinho, Moura, Coelho, Cosmo, Dilson, Tarrindo, Tataraí, Justino e Batista; Pelo Sampaio: Baltazar (gol), Cido, Cerejo, Reginaldo, Jejeca, Decadela, Bodinho, Albano, Govani e Zé Pequeno. Pelo Moto: Rui (gol), Santiago, Carapuça, Sandoval, Frázio, Nascimento, Pepê, Galego, Valentim, Zuza e Jaime; Raul coloca no alto do pedestal dos melhores que viu atuando no futebol maranhense: Pepê, Hamilton e Croinha.
O complemento – paralelamente ao futebol, Raul Guterres jogava basquete (o segundo em preferência) no Oito de Maio, de Rubem Goulart. Conquistou o tricampeonato m 1947/48/49. Era praticamente o mesmo time que jogava vôlei, também pelo Oito de Maio, muitas vezes campeão. Como um dos que estavam na casa de João Rosa para fundar o futsal, Raul terminou sendo goleiro da “bola pesada”. E voltou a conquistar títulos: tricampeã pelo Santelmo em 1948/49/50.
O nosso atleta não media esforços para dar sua parcela de colaboração às equipes que integrava. Já cursando Direito na UFMA, participou dos Jogos Universitários pela FAME – Federação Acadêmica Maranhense de Esportes: Recife em 50, Belo Horizonte em 52 e São Paulo em 54. Além de futebol, basquete e vôlei, competia no atletismo nos saltos em altura e distância, assim como nos arremessos e lançamentos de dardo. Lembra com orgulho do Presidente da FAME em 54, o também estudante de Direito, hoje desembargador, Almeida e Silva.
Outra grande lembrança foi o “não” que deu ao Ceará Sporting (para substituir o famoso Gutemberg), ao Remo paraense (que o queria no lugar de Vélez) e ao Juventus e Portuguesa, clubes paulistas. “O estudo e o quartel não me permitiam pensar em futebol para ganhar dinheiro”, justifica-se.
Em 1947 Raul Guterres largou todos os clubes e passou a jogar somente pelo 24 BC. Porém, não deixou a vida esportiva fora do quartel. Anos mais tarde, assumiu a presidência do MAC (1965) e ficou por lá até 1971. Dos muitos títulos conquistados, ressaltamos o de bicampeão maranhense profissional em 69 e 70. Time: Lunga; Neguinho, Negão, Clésio e Carlindo; Zuza e Barrão; Valdeci, Wilson, Croinha e Alencar. Banco: Adaulto Neto, Vareta e Moacir Bueno.
Ainda foi técnico da Seleção de Pinheiro, campeão intermunicipal em 1966 e passou pela diretoria do Jaguarema de 1971 a 1973. Recebeu em 1987 a Medalha do Mérito Esportivo no fim da gestão do Secretário da SEDEL, Biló Murad. Nesse mesmo ano, na homenagem prestada no governo Cafeteira, quando assumiu a SEDEL o sobrinho Carlos Guterres, Raul recebeu uma placa que dizia: “Pela contribuição à grandeza do desporto maranhense, a homenagem do Governo do Estado”.
O início – com 15 anos de idade, Raul, 1m60 de altura, passou a jogar no gol de futebol de campo. Era de uma impulsão e elasticidade que impressionavam. Esses dois predicativos aliados à garra terminavam fazendo com que ele fosse diferente. Sua carreira ficou marcada porque, além de tudo, Raul defendia muitos pênaltis.
Foi campeão estudantil em 42 pelo Ateneu. Ele no gol e a zaga com Biló Murad e Mário Silva (já falecido). Em 23 de Janeiro de 1943 ingressou no FAC – Futebol Atlético Clube -, time estritamente amador da primeira Divisão que disputava campeonatos ao lado de Moto, MAC, Sampaio e Tupan.
Com a extinção do FAC, aceitou o convite para defender o MAC. Nesse mesmo ano, 1943, o time foi campeão maranhense e ele estava no banco para o cearense Pintado, o gazo que passava carvão em volta dos olhos nos jogos noturnos do Estádio Santa Izabel.
Na cabeça de Raul Guterres ainda estão bem nítidos os nomes de muitos jogadores de times da década dele, de 40. Pelo MAC: Raul Guterres, Erasmo, Arel, Batistão, Vicente, Mercy, Celso Cantanhede, Inaldo, Mozart, Duo, Nezinho, Moura, Coelho, Cosmo, Dilson, Tarrindo, Tataraí, Justino e Batista; Pelo Sampaio: Baltazar (gol), Cido, Cerejo, Reginaldo, Jejeca, Decadela, Bodinho, Albano, Govani e Zé Pequeno. Pelo Moto: Rui (gol), Santiago, Carapuça, Sandoval, Frázio, Nascimento, Pepê, Galego, Valentim, Zuza e Jaime; Raul coloca no alto do pedestal dos melhores que viu atuando no futebol maranhense: Pepê, Hamilton e Croinha.
O complemento – paralelamente ao futebol, Raul Guterres jogava basquete (o segundo em preferência) no Oito de Maio, de Rubem Goulart. Conquistou o tricampeonato m 1947/48/49. Era praticamente o mesmo time que jogava vôlei, também pelo Oito de Maio, muitas vezes campeão. Como um dos que estavam na casa de João Rosa para fundar o futsal, Raul terminou sendo goleiro da “bola pesada”. E voltou a conquistar títulos: tricampeã pelo Santelmo em 1948/49/50.
O nosso atleta não media esforços para dar sua parcela de colaboração às equipes que integrava. Já cursando Direito na UFMA, participou dos Jogos Universitários pela FAME – Federação Acadêmica Maranhense de Esportes: Recife em 50, Belo Horizonte em 52 e São Paulo em 54. Além de futebol, basquete e vôlei, competia no atletismo nos saltos em altura e distância, assim como nos arremessos e lançamentos de dardo. Lembra com orgulho do Presidente da FAME em 54, o também estudante de Direito, hoje desembargador, Almeida e Silva.
Outra grande lembrança foi o “não” que deu ao Ceará Sporting (para substituir o famoso Gutemberg), ao Remo paraense (que o queria no lugar de Vélez) e ao Juventus e Portuguesa, clubes paulistas. “O estudo e o quartel não me permitiam pensar em futebol para ganhar dinheiro”, justifica-se.
Em 1947 Raul Guterres largou todos os clubes e passou a jogar somente pelo 24 BC. Porém, não deixou a vida esportiva fora do quartel. Anos mais tarde, assumiu a presidência do MAC (1965) e ficou por lá até 1971. Dos muitos títulos conquistados, ressaltamos o de bicampeão maranhense profissional em 69 e 70. Time: Lunga; Neguinho, Negão, Clésio e Carlindo; Zuza e Barrão; Valdeci, Wilson, Croinha e Alencar. Banco: Adaulto Neto, Vareta e Moacir Bueno.
Ainda foi técnico da Seleção de Pinheiro, campeão intermunicipal em 1966 e passou pela diretoria do Jaguarema de 1971 a 1973. Recebeu em 1987 a Medalha do Mérito Esportivo no fim da gestão do Secretário da SEDEL, Biló Murad. Nesse mesmo ano, na homenagem prestada no governo Cafeteira, quando assumiu a SEDEL o sobrinho Carlos Guterres, Raul recebeu uma placa que dizia: “Pela contribuição à grandeza do desporto maranhense, a homenagem do Governo do Estado”.
domingo, 10 de maio de 2015
Faleceu o historiador Manoel Raimundo do Amaral
Faleceu nessa madrugada, 10 de Maio, o historiador Manoel Raimundo do Amaral, ilustre torcedor do Sampaio e conselheiro do clube. Amaral foi uma pessoa que muito contribuiu com o memorial boliviano, doando bolas antigas, como a do título brasileiro de 1972, faixas, flâmulas, recorte de jornais, além de camisas históricas.
Piauiense da cidade de Piripiri, Manoel Raimundo do Amaral chegou ao Maranhão na década de 60, quando passou a adotar a Bolívia Querida em sua vida. Com uma vida inteira ligada ao futebol do nosso Estado, Amaral foi durante muitos anos Presidente e secretário do time tricolor, além de outros cargos pela Federação Maranhense de Futebol. Começou usa carreira de pesquisador aos 26 anos e, através de outros trabalhos, recebeu vários prêmios e comendas, tais como: "Personalidade do Futebol Brasileiro", pela Enciclopédia do Futebol Brasileiro,"Personalidade do Futebol Maranhense", pela Sociedade Esportiva Tupan, "Personalidade Desportiva Maranhense/ACLEM 2000" e "Medalha do Mérito Timbira", como Comendador, pelo Governo do Estado do Maranhão, em 2001.
Amaral também proporcionou um momento histórico nos clássicos Sampaio e Moto. Na década de 1970, o Moto Club alcançou um longo período sem derrotas frente ao Tricolor. Amaral, então, como um ferrenho boliviano que sempre foi, decidiu que só cortaria o cabelo no momento em que a Bolívia Querida quebrasse essa escrita.
O problema foi que nem ele e nem o mais pessimista dos tricolores poderia imaginar um jejum tão longo, que já perdurava por longínquos 26 jogos. Entretanto, no Campeonato Maranhense de 1975, na última partida da competição, realizada sob as vistas de mais de 14 mil motenses e bolivianos apaixonados, o Sampaio venceu o Moto Club por 1 x 0, sagrando-se campeão maranhense.
Contudo, outra marca foi quebrada: após 2 anos e 11 meses de sofrimento (tempo do jejum boliviano), Amaral desceu ao gramado, percorreu a extensão dos travessões de joelho e depois cumpriu a promessa, acabando com os longos cabelos que caíam sobre os ombros. Assim, finalmente o Raimundo do Amaral cortou os cabelos, no final do grande clássico.
Piauiense da cidade de Piripiri, Manoel Raimundo do Amaral chegou ao Maranhão na década de 60, quando passou a adotar a Bolívia Querida em sua vida. Com uma vida inteira ligada ao futebol do nosso Estado, Amaral foi durante muitos anos Presidente e secretário do time tricolor, além de outros cargos pela Federação Maranhense de Futebol. Começou usa carreira de pesquisador aos 26 anos e, através de outros trabalhos, recebeu vários prêmios e comendas, tais como: "Personalidade do Futebol Brasileiro", pela Enciclopédia do Futebol Brasileiro,"Personalidade do Futebol Maranhense", pela Sociedade Esportiva Tupan, "Personalidade Desportiva Maranhense/ACLEM 2000" e "Medalha do Mérito Timbira", como Comendador, pelo Governo do Estado do Maranhão, em 2001.
Amaral também proporcionou um momento histórico nos clássicos Sampaio e Moto. Na década de 1970, o Moto Club alcançou um longo período sem derrotas frente ao Tricolor. Amaral, então, como um ferrenho boliviano que sempre foi, decidiu que só cortaria o cabelo no momento em que a Bolívia Querida quebrasse essa escrita.
O problema foi que nem ele e nem o mais pessimista dos tricolores poderia imaginar um jejum tão longo, que já perdurava por longínquos 26 jogos. Entretanto, no Campeonato Maranhense de 1975, na última partida da competição, realizada sob as vistas de mais de 14 mil motenses e bolivianos apaixonados, o Sampaio venceu o Moto Club por 1 x 0, sagrando-se campeão maranhense.
Contudo, outra marca foi quebrada: após 2 anos e 11 meses de sofrimento (tempo do jejum boliviano), Amaral desceu ao gramado, percorreu a extensão dos travessões de joelho e depois cumpriu a promessa, acabando com os longos cabelos que caíam sobre os ombros. Assim, finalmente o Raimundo do Amaral cortou os cabelos, no final do grande clássico.
sexta-feira, 24 de abril de 2015
Serra "Pano de Barco"
Uma das formações do Sampaio Corrêa de 1959/60. Em pé: Zé Raimundo, Milson Cordeiro, Vadinho, Maneco, Macaco e Decadela; Agachados: Nilson, Fernando Pernambucano, Serra "Pano de Barco", Canhotinho e Pinagé
Matéria de Edivaldo Pereira Biguá e Tânia Biguá, página "Onde Anda Você?", do Jornal O Estado do Maranhão, de 07 de Agosto de 2000.
Na infância, quando todos os garotos eram apaixonados por futebol, Serra vibrava com bons filmes e se espelhava nos grandes atores de 1940/50. O futebol surgiu por acaso na vida dele, que estava prestes a completar 20 anos de idade. Jogava sem uma posição fixa. Certa vez, improvisado no gol, vestindo uma camisa de cor berrante e bem folgada, magro na hora de abrir os braços, dava a impressão que seria carregado pelo vento. Um torcedor resolveu batizá-lo de “Pano de Barco”. Atuou principalmente pela lateral-direita. Depois de defender várias equipes amadoras de São Luís, se profissionalizou e rodou por clubes de ponta do Maranhão, Piauí e Rio de Janeiro. Hoje, longe do futebol, se dedica a servir a Deus.
Em 1940/50, a brincadeira natural da garotada era o futebol. Não faltava espaço para jogar. Em todos os bairros da Ilha de São Luís tinha uma salina ou uma quinta, que acabavam virando um campo. O grande time maranhense da época era o Moto Club. Contrariando a normalidade do período, o garoto Benedito Vicente Serra, ludovicense e nascido em 05 de Abril de 1930 no Bairro da Madre Deus, filho dos rosarienses José Maximiano Serra e Joana Francisca Serra, acabou optando por assistir filmes no cinema. Sem condições de comprar ingressos, não se envergonhava em varrer os cinemas em troca de entradas. Indo aos cines São Luís (que depois se tornou conhecido como Rialto – Rua do Passeio), Olímpiada e Rival (que ficava na Rua Grande), aprendeu a gostar dos grandes astros e estrelas da época. “Eu sonhava em ser um daqueles galãs. Gosto de relembrar os nomes deles e a situação em que viviam e como vivem até hoje. Tenho catalogado na memória e no papel mais de 350 nomes de atores e atrizes do cinema nacional e internacional”, conta ele, mostrando que gostava mesmo da situação dos astros, que contracenavam com grandes estrelas, “mulheres verdadeiramente nota 10”, segundo Serra. Todo dinheiro ganho era investido em roupa e adereços que pudessem lembrar seus ídolos do cinema.
Em 1950, quando já estava prestes a completar 20 anos de idade, sem chances de vencer na carreira artística, resolveu jogar futebol. “Foi um início fácil. Jafé Mendes Nunes, radialista e técnico de futebol de salão e campo, me chamou para jogar como lateral-direito ao lado de verdadeiros craques: Caroba, Rui, Xavier (Peru), Gimico, Garcia, Moacir Bueno, Leôncio, Lelé Rodrigues e Calango (apelido do ex-atleta e árbitro profissional Wilson de Moraes Wan Lume). Todos esses feras jogavam no Tupi, do Bairro do Caminho da Boiada. Fomos campeões da segunda divisão e passamos a disputar o Campeonato Estadual da Primeira Divisão”.
Em apenas um campeonato Serra mostrou todo o seu potencial e acabou sendo convidado para jogar no Maranhão Atlético Club. Era a grande chance de se jogar um profissional de futebol. “Fui contratado para jogar no MAC na mesma posição do Tupi. Com o passar do tempo, acabei virando uma espécie de coringa, que se dava bem em qualquer posição” Confessa que o seu maior objetivo era estar no grupo e defender o clube.
Com habilidade nata, o inteligente Serra se adaptou aos esquemas táticos do futebol. Tinha um físico privilegiado e seu fôlego de gato permitia que corresse o tempo todo em campo. Jogava falando, orientando e, às vezes, xingando os companheiros. Chutava muito bem com as pernas direita e esquerda. Walfredo Maranhense, ex-companheiro de Sampaio Corrêa, relembra: “Com ele a bola corria. Sabia cadenciar o jogo quando era preciso”.
Serra jogou no MAC no período de 1952 a 1958. Durante esse tempo, conheceu muita gente boa que passou pelo clube. Cita Derval (goleiro), Rabelo “Carne Assada”, Batistão, Jejeca, Marianinho, Arel, Reginaldo Menezes, Mucurão, Coelho, Nélio, Moraes, Edson Moraes, Rego, Nonato, Xavier (Peru), Laxinha, Durvalino, Nunes, Kid, Calazans, Zé Ferreira, Cural e outros. “Muita gente passou pelo MAC e eu fui ficando. Acabei me tornando o líder do time. Pena que não tenha conseguido o título. O máximo que alcancei foi ser vice-campeão nas temporadas de 1956/57”, relembra.
No final de 1957, aconteceu uma coisa marcante na vida de Serra. Por não concordar em pagar pensão alimentícia à mulher que vivia com ele na época, acabou sendo predo em uma quarta-feira. No domingo o MAC iria jogar com o Moto. Deram um jeito de soltá-lo momentos antes da partida. Veio a vitória por 4x1. Cural e Moraes fizeram i gol cada e Serra fez dois. O gol do Moto foi de Aracatu. É evidente que depois do feito ele foi posto em liberdade.
Em 1958, “Pano de Barco” trocou o MAC pelo Sampaio Corrêa. Juntamente com Fernando Pernambucano, Vadinho, Peu, Zé Carlos “Barca Furada”, Jereba, Milson Cordeiro, Zé Raimundo, Macaco, Nonato Cassas, Canhotinho, Regino e outros, deu muitas alegrias à torcida sampaína. “Serra era cheio de molecagem nas concentrações. Gostava de andar engomadinho e adorava cantar em castelhano. Fazia coleções de revistas e dizia que era um artista. Nós o chamávamos de La Sierra por conta disso tudo”, relembra Milson Cordeiro, companheiro no Sampaio.
Em 1961 o Sampaio Corrêa foi campeão estadual. Serra jogou apenas o primeiro turno porque foi negociado com o Auto Esporte do Piauí e chegou a ser vice-campeão estadual e jogou na seleção piauiense.
Em 1962 retornou a São Luís e jogou no Graça Aranha Esporte Clube (GAEC), que havia subido da primeira divisão para a divisão especial. Um ano depois, foi tentar a sorte no Madureira do Rio de Janeiro, quando já estava com 32 anos de idade. “Era difícil tentar a sorte nessa idade. Uma ótima experiência que infelizmente não deu certo”. Em 1965 Serra voltou novamente a São Luís, como técnico do GAEC. Implantou o sistema tático 4x2x4 e chegou a ser campeão de um torneio chamado “Torneio da Morte”. Gostou da experiência e acabou dirigindo por vários anos equipes profissionais de São Luís, Teresina e seleções de cidades do interior do Maranhão que participavam do Torneio Intermunicipal.
Em 1940/50, a brincadeira natural da garotada era o futebol. Não faltava espaço para jogar. Em todos os bairros da Ilha de São Luís tinha uma salina ou uma quinta, que acabavam virando um campo. O grande time maranhense da época era o Moto Club. Contrariando a normalidade do período, o garoto Benedito Vicente Serra, ludovicense e nascido em 05 de Abril de 1930 no Bairro da Madre Deus, filho dos rosarienses José Maximiano Serra e Joana Francisca Serra, acabou optando por assistir filmes no cinema. Sem condições de comprar ingressos, não se envergonhava em varrer os cinemas em troca de entradas. Indo aos cines São Luís (que depois se tornou conhecido como Rialto – Rua do Passeio), Olímpiada e Rival (que ficava na Rua Grande), aprendeu a gostar dos grandes astros e estrelas da época. “Eu sonhava em ser um daqueles galãs. Gosto de relembrar os nomes deles e a situação em que viviam e como vivem até hoje. Tenho catalogado na memória e no papel mais de 350 nomes de atores e atrizes do cinema nacional e internacional”, conta ele, mostrando que gostava mesmo da situação dos astros, que contracenavam com grandes estrelas, “mulheres verdadeiramente nota 10”, segundo Serra. Todo dinheiro ganho era investido em roupa e adereços que pudessem lembrar seus ídolos do cinema.
Em 1950, quando já estava prestes a completar 20 anos de idade, sem chances de vencer na carreira artística, resolveu jogar futebol. “Foi um início fácil. Jafé Mendes Nunes, radialista e técnico de futebol de salão e campo, me chamou para jogar como lateral-direito ao lado de verdadeiros craques: Caroba, Rui, Xavier (Peru), Gimico, Garcia, Moacir Bueno, Leôncio, Lelé Rodrigues e Calango (apelido do ex-atleta e árbitro profissional Wilson de Moraes Wan Lume). Todos esses feras jogavam no Tupi, do Bairro do Caminho da Boiada. Fomos campeões da segunda divisão e passamos a disputar o Campeonato Estadual da Primeira Divisão”.
Em apenas um campeonato Serra mostrou todo o seu potencial e acabou sendo convidado para jogar no Maranhão Atlético Club. Era a grande chance de se jogar um profissional de futebol. “Fui contratado para jogar no MAC na mesma posição do Tupi. Com o passar do tempo, acabei virando uma espécie de coringa, que se dava bem em qualquer posição” Confessa que o seu maior objetivo era estar no grupo e defender o clube.
Com habilidade nata, o inteligente Serra se adaptou aos esquemas táticos do futebol. Tinha um físico privilegiado e seu fôlego de gato permitia que corresse o tempo todo em campo. Jogava falando, orientando e, às vezes, xingando os companheiros. Chutava muito bem com as pernas direita e esquerda. Walfredo Maranhense, ex-companheiro de Sampaio Corrêa, relembra: “Com ele a bola corria. Sabia cadenciar o jogo quando era preciso”.
Serra jogou no MAC no período de 1952 a 1958. Durante esse tempo, conheceu muita gente boa que passou pelo clube. Cita Derval (goleiro), Rabelo “Carne Assada”, Batistão, Jejeca, Marianinho, Arel, Reginaldo Menezes, Mucurão, Coelho, Nélio, Moraes, Edson Moraes, Rego, Nonato, Xavier (Peru), Laxinha, Durvalino, Nunes, Kid, Calazans, Zé Ferreira, Cural e outros. “Muita gente passou pelo MAC e eu fui ficando. Acabei me tornando o líder do time. Pena que não tenha conseguido o título. O máximo que alcancei foi ser vice-campeão nas temporadas de 1956/57”, relembra.
No final de 1957, aconteceu uma coisa marcante na vida de Serra. Por não concordar em pagar pensão alimentícia à mulher que vivia com ele na época, acabou sendo predo em uma quarta-feira. No domingo o MAC iria jogar com o Moto. Deram um jeito de soltá-lo momentos antes da partida. Veio a vitória por 4x1. Cural e Moraes fizeram i gol cada e Serra fez dois. O gol do Moto foi de Aracatu. É evidente que depois do feito ele foi posto em liberdade.
Em 1958, “Pano de Barco” trocou o MAC pelo Sampaio Corrêa. Juntamente com Fernando Pernambucano, Vadinho, Peu, Zé Carlos “Barca Furada”, Jereba, Milson Cordeiro, Zé Raimundo, Macaco, Nonato Cassas, Canhotinho, Regino e outros, deu muitas alegrias à torcida sampaína. “Serra era cheio de molecagem nas concentrações. Gostava de andar engomadinho e adorava cantar em castelhano. Fazia coleções de revistas e dizia que era um artista. Nós o chamávamos de La Sierra por conta disso tudo”, relembra Milson Cordeiro, companheiro no Sampaio.
Em 1961 o Sampaio Corrêa foi campeão estadual. Serra jogou apenas o primeiro turno porque foi negociado com o Auto Esporte do Piauí e chegou a ser vice-campeão estadual e jogou na seleção piauiense.
Em 1962 retornou a São Luís e jogou no Graça Aranha Esporte Clube (GAEC), que havia subido da primeira divisão para a divisão especial. Um ano depois, foi tentar a sorte no Madureira do Rio de Janeiro, quando já estava com 32 anos de idade. “Era difícil tentar a sorte nessa idade. Uma ótima experiência que infelizmente não deu certo”. Em 1965 Serra voltou novamente a São Luís, como técnico do GAEC. Implantou o sistema tático 4x2x4 e chegou a ser campeão de um torneio chamado “Torneio da Morte”. Gostou da experiência e acabou dirigindo por vários anos equipes profissionais de São Luís, Teresina e seleções de cidades do interior do Maranhão que participavam do Torneio Intermunicipal.
Lourival "Bazar de Barulho"
Sampaio Corrêa em 1955: Neto Peixe Pedra, Lourival e Pipira
Matéria de Edivaldo Pereira Biguá e Tânia Biguá, página "Onde Anda Você?", do Jornal O Estado do Maranhão, de 26 de Junho de 2000
Lourival é da época em que jogar futebol era sinônimo de paixão pelo esporte e pelo clube que defendia. Ninguém se tornava profissional. Ganhar dinheiro, só como atleta “amador marrom”, o suficiente para tomar umas e outras cervejas com os companheiros após cada partida. Com pouco mais de 1m60 e 59 quilos, esse ponteiro tinha muita coragem, habilidade e técnica: impunha respeito aos adversários. Batia mais do que apanhava. Dentro e fora de campo sempre foi casqueiro. Adorava uma boa briga. Ao longo dos seus quase 72 anos de vida, ganhou alguns apelidos que condizem com a sua personalidade: “Prejuízo”, “Consumição”, “Loló da Bolívia” e o mais marcante de todos, “Bazar de Barulho”.
Lourival começou nossa conversa demonstrando sua antiga paixão pela bola. “Tem dia que acordo com uma vontade danada de bater uma bolinha. Depois da minha família, a bola foi a minha maior paixão”. De cara dá pra perceber que para ele o outros da época jogar futebol era puro prazer. O atleta procurava honrar a camisa que vestia. Ao contrário dos dias atuais, o nome do clube estava à frente de qualquer interesse, fossem eles financeiros ou políticos. Com algumas exceções, todos trabalhavam e saiam direto do serviço para o campo. Não pera permitido o uso do “regra três”, ou seja, o reserva. Apenas onze atletas faziam parte da equipe. Quem se machucasse durante uma partida, adoecesse ou faltasse ao jogo por qualquer motivo, desfalcava o grupo. “Nós tínhamos que ser bons de bola e responsável. Todos dependiam de todos”, complementa.
Lourival foi uma pessoa que nunca frequentou uma cadeira de escola, Não saber ler nem escrever, mas que teve a dignidade de criar onze filhos e, a exemplo da vida atlética, ser um vencedor no dia a dia. A luta pela vida começou quando ele tinha oito anos de idade. Morava com mais quatro irmãos menores e os pais Teotônio José Ferreira e Amazília Rosa Ferreira em um sítio na Maioba – onde nasceu, no dia 15 de Dezembro de 1928. Pegava as frutas no quintal de casa e saía a pé até o Anil para vendê-las. Foi por lá que deu os primeiros toques em bolas de meia, depois de bexiga, até chegar a de couro.
Dois anos depois veio morar com a família na Rua Paulino de Souza, no Bairro do Matadouro. “Eu não tinha registro de nascimento quando morava na Maioba. Só fui registrado quando cheguei no Matadouro; Isso era um acontecimento comum da época”, disse Lourival.
Com uma personalidade forte, foi se destacando em peladas de futebol batidas no Matadouro. Quando estava com 12/13 anos de idade, a família foi morar no Bairro do João Paulo. Se enturmou com Misael, Benedito, Zé Rocha e Leônidas, todos jogadores do Vitória do Mar e o Canto do Rio do João Paulo. “Não demorou muito e eu estava vestindo a camisa do Canto do Rio juntamente com eles”, lembra.
No início gostava de jogar na meia ou ponta direita. Se orgulha quando diz que era pequeno, mas não se amedrontava com o tamanho dos seus marcadores. Casqueiro, arrumava confusão para si e para os companheiros. Jogava o tempo inteiro falando, orientando os companheiros e provocando os adversário. Tinha um excelente toque de bola, além de ser ligeiro e chutar bem a gol. “Eu não via a hora de chegar o domingo. Depois de uma semana inteira de batalho, jogar bola me relaxava, Até brigar era bom. Chegava em casa leve e pronto para mais uma semana de dureza”.
Por jogar bem, foi convidado para trabalhar como colaborador de ônibus na linha que fazia São José de Ribamar/São Luís. Em troca defendia o Ribamar. Ele lembra de um clássico da confusão entre Ribamar x São Cristóvão. “Dificilmente o jogo terminava. As cascarias acabavam antecipando o final em forma de briga”, frisa. Do lado do time de Ribamar os dois melhores eram Lourival e Neto Peixe Pedra. No São Cristóvão se destacava Gedeão Matos (hoje coronel da PMMA). Paralelo ao campeonato ribamarense, Lourival jogava no Bacuritíua e depois defendeu o Onze da Ilha.
Em 1950/51, quando estava com 22 para 23 anos de idade, Lourival foi levado para fazer um teste no Sampaio Corrêa, time que sempre torceu. Jogou bem e foi aprovado. Por lá encontrou só feras: Baltazar; Cid e Serejo; Reginaldo Mucurão, Jejeca e Decadela;, Boninho, Duó, Geovane, Albano e Zé Pequeno. “Era um timaço! Ficava sem acreditar que iria fazer parte dele. Um sonho realizado. Imagina que eu ainda iria receber um bom dinheiro para jogar no time do meu coração. Minha vida se transformou em pura alegria”, relembra com emoção.
Em 1952 Lourival e toda a equipe do Sampaio Corrêa tiveram que se render ao imbatível Vitória do Mar, que acabou conquistando o único título estadual durante toda a sua existência.
Em 1953 e 1954 só deu Sampaio Corrêa. “Foi uma fase maravilhosa. Fui seleção maranhense e aceitei uma proposta para jogar no Moto Club. Eu ganhava 300 réis no Sampaio e o Papão me ofereceu 2 contos de réis, muito dinheiro. Não pude recusar”.
Em 1955 e 1956 Lourival levantou outro bicampeonato pelo Moto Club, juntamente com Nabor, Zezico, Walber Penha, Baezão e outros craques. Em 1857 a torcida sampaína exigiu a volta dele ao clube. Mesmo assim foram quatro anos de jejum. O Ferroviário ficou com o bicampeonato em 1957/58 e o Moto em 1959/60. As alegrias só voltaram em 1961/62, quando o Sampaio conquistou outro bicampeonato, Lourival estava lá.
Em 1963, quando estava prestes a completar 35 anos de idade, largou o futebol e foi trabalhar como vigia portuário. “Encerrei minha carreira e nunca mais joguei bola, nem peladas. Hoje recordo, com um imenso prazer, alguns nomes com quem joguei no Sampaio Corrêa. São amigos inesquecíveis: Terrível, Cacaraí, Wallace, os coronéis Gedeão Matos, Bebeto e Xavier (Peru), Reginaldo Almeida, Jozafá, Qui Qui Qui (García), Reginaldo Mucurão, Almério, Canhotinho, Chamorro, Biné, Nonato Cassas, Pedro Baa, Neto Peixei Pedra, Enêmer, Ceará, Zé Ferreira, Pipira, Chico Preto, Milson Cordeiro e outros”.
Lourival começou nossa conversa demonstrando sua antiga paixão pela bola. “Tem dia que acordo com uma vontade danada de bater uma bolinha. Depois da minha família, a bola foi a minha maior paixão”. De cara dá pra perceber que para ele o outros da época jogar futebol era puro prazer. O atleta procurava honrar a camisa que vestia. Ao contrário dos dias atuais, o nome do clube estava à frente de qualquer interesse, fossem eles financeiros ou políticos. Com algumas exceções, todos trabalhavam e saiam direto do serviço para o campo. Não pera permitido o uso do “regra três”, ou seja, o reserva. Apenas onze atletas faziam parte da equipe. Quem se machucasse durante uma partida, adoecesse ou faltasse ao jogo por qualquer motivo, desfalcava o grupo. “Nós tínhamos que ser bons de bola e responsável. Todos dependiam de todos”, complementa.
Lourival foi uma pessoa que nunca frequentou uma cadeira de escola, Não saber ler nem escrever, mas que teve a dignidade de criar onze filhos e, a exemplo da vida atlética, ser um vencedor no dia a dia. A luta pela vida começou quando ele tinha oito anos de idade. Morava com mais quatro irmãos menores e os pais Teotônio José Ferreira e Amazília Rosa Ferreira em um sítio na Maioba – onde nasceu, no dia 15 de Dezembro de 1928. Pegava as frutas no quintal de casa e saía a pé até o Anil para vendê-las. Foi por lá que deu os primeiros toques em bolas de meia, depois de bexiga, até chegar a de couro.
Dois anos depois veio morar com a família na Rua Paulino de Souza, no Bairro do Matadouro. “Eu não tinha registro de nascimento quando morava na Maioba. Só fui registrado quando cheguei no Matadouro; Isso era um acontecimento comum da época”, disse Lourival.
Com uma personalidade forte, foi se destacando em peladas de futebol batidas no Matadouro. Quando estava com 12/13 anos de idade, a família foi morar no Bairro do João Paulo. Se enturmou com Misael, Benedito, Zé Rocha e Leônidas, todos jogadores do Vitória do Mar e o Canto do Rio do João Paulo. “Não demorou muito e eu estava vestindo a camisa do Canto do Rio juntamente com eles”, lembra.
No início gostava de jogar na meia ou ponta direita. Se orgulha quando diz que era pequeno, mas não se amedrontava com o tamanho dos seus marcadores. Casqueiro, arrumava confusão para si e para os companheiros. Jogava o tempo inteiro falando, orientando os companheiros e provocando os adversário. Tinha um excelente toque de bola, além de ser ligeiro e chutar bem a gol. “Eu não via a hora de chegar o domingo. Depois de uma semana inteira de batalho, jogar bola me relaxava, Até brigar era bom. Chegava em casa leve e pronto para mais uma semana de dureza”.
Por jogar bem, foi convidado para trabalhar como colaborador de ônibus na linha que fazia São José de Ribamar/São Luís. Em troca defendia o Ribamar. Ele lembra de um clássico da confusão entre Ribamar x São Cristóvão. “Dificilmente o jogo terminava. As cascarias acabavam antecipando o final em forma de briga”, frisa. Do lado do time de Ribamar os dois melhores eram Lourival e Neto Peixe Pedra. No São Cristóvão se destacava Gedeão Matos (hoje coronel da PMMA). Paralelo ao campeonato ribamarense, Lourival jogava no Bacuritíua e depois defendeu o Onze da Ilha.
Em 1950/51, quando estava com 22 para 23 anos de idade, Lourival foi levado para fazer um teste no Sampaio Corrêa, time que sempre torceu. Jogou bem e foi aprovado. Por lá encontrou só feras: Baltazar; Cid e Serejo; Reginaldo Mucurão, Jejeca e Decadela;, Boninho, Duó, Geovane, Albano e Zé Pequeno. “Era um timaço! Ficava sem acreditar que iria fazer parte dele. Um sonho realizado. Imagina que eu ainda iria receber um bom dinheiro para jogar no time do meu coração. Minha vida se transformou em pura alegria”, relembra com emoção.
Em 1952 Lourival e toda a equipe do Sampaio Corrêa tiveram que se render ao imbatível Vitória do Mar, que acabou conquistando o único título estadual durante toda a sua existência.
Em 1953 e 1954 só deu Sampaio Corrêa. “Foi uma fase maravilhosa. Fui seleção maranhense e aceitei uma proposta para jogar no Moto Club. Eu ganhava 300 réis no Sampaio e o Papão me ofereceu 2 contos de réis, muito dinheiro. Não pude recusar”.
Em 1955 e 1956 Lourival levantou outro bicampeonato pelo Moto Club, juntamente com Nabor, Zezico, Walber Penha, Baezão e outros craques. Em 1857 a torcida sampaína exigiu a volta dele ao clube. Mesmo assim foram quatro anos de jejum. O Ferroviário ficou com o bicampeonato em 1957/58 e o Moto em 1959/60. As alegrias só voltaram em 1961/62, quando o Sampaio conquistou outro bicampeonato, Lourival estava lá.
Em 1963, quando estava prestes a completar 35 anos de idade, largou o futebol e foi trabalhar como vigia portuário. “Encerrei minha carreira e nunca mais joguei bola, nem peladas. Hoje recordo, com um imenso prazer, alguns nomes com quem joguei no Sampaio Corrêa. São amigos inesquecíveis: Terrível, Cacaraí, Wallace, os coronéis Gedeão Matos, Bebeto e Xavier (Peru), Reginaldo Almeida, Jozafá, Qui Qui Qui (García), Reginaldo Mucurão, Almério, Canhotinho, Chamorro, Biné, Nonato Cassas, Pedro Baa, Neto Peixei Pedra, Enêmer, Ceará, Zé Ferreira, Pipira, Chico Preto, Milson Cordeiro e outros”.
segunda-feira, 20 de abril de 2015
Juizes maranhenses no quadro nacional em 1976
Matéria interessante do Jornal O Estado do Maranhão, de 09 de Julho de 1976, sobre os árbitros maranhenses indicados para o quadro nacional no ano de 1976.
Nacor Arouche
Movimentando a nossa equipe de reportagem, conseguimos apurar extraoficialmente que o COBRAF já tem em mãos, pronta para enviar à Federação Maranhense de Desportos, a relação dos cinco nomes dos árbitros que irão integrar o quadro nacional para os jogos do Campeonato Brasileiro de Futebol.
Segundo notícias colhidas junto àquele órgão, foi encaminhado expediente ao senhor Diretor do Departamento de Árbitros da FMD, Dr. José Ruy Salomão Rocha, solicitando imediatamente o Curriculum Vitae dos seguintes juízes, integrantes do quadro local: Wilson de Moraes Van Lume, Josenil Souza, José Salgado, Nacor Arouche e Roberval Castro.
Sendo assim, se por toda esta semana por confirmada a notícia, ficarão de fora os senhores Francisco Souza, Claudionor Lopes e Jamil Gedeon Filho, que o ano passado pertenciam ao quadro nacional, permanecendo, entretanto os senhores Van Lume e José Salgado.
Dentre os novos integrantes do quadro nacional, o nome do senhor Roberval Castro se constitui uma surpresa em meio aos desportistas locais, mesmo considerando-se que o referido juiz teve uma rápida ascensão no decorrer do ano passado, tendo dirigido com acerto alguns clássicos do certame de 75.
Josenil Souza foi outro árbitro que se projetou na presente temporada, surgindo como uma das promessas do atual quadro de juízes da FMD, e sua indicação vem servir de incentivo àqueles que pretendem ingressar na difícil carreira.
Quanto a Nacor Arouche, não há nada a acrescentar, ainda que alguns companheiros só tenham criticado severamente após conturbado encontro entre Sampaio Corrêa e Maranhão, atirando-lhe sobre os ombros a responsabilidade atual do tumulto.
Toda a imprensa especializada reconhece as qualidades de Nacor Arouche, sem dúvida alguma, tecnicamente, o melhor juiz do nosso futebol, com uma passagem brilhante na Federação Cearense e por demais conhecido por suas boas atuações em todos os gramados do Nordeste.
O senhores Lercílio Estrela e Renato Rodrigues deixaram de participar da lista, naturalmente, porque o primeiro se desligou deliberadamente do quadro local e o segundo somente se reintegrou ao Departamento este ano, exercendo suas funções o ano passado em Teresina.
Segundo notícias colhidas junto àquele órgão, foi encaminhado expediente ao senhor Diretor do Departamento de Árbitros da FMD, Dr. José Ruy Salomão Rocha, solicitando imediatamente o Curriculum Vitae dos seguintes juízes, integrantes do quadro local: Wilson de Moraes Van Lume, Josenil Souza, José Salgado, Nacor Arouche e Roberval Castro.
Sendo assim, se por toda esta semana por confirmada a notícia, ficarão de fora os senhores Francisco Souza, Claudionor Lopes e Jamil Gedeon Filho, que o ano passado pertenciam ao quadro nacional, permanecendo, entretanto os senhores Van Lume e José Salgado.
Dentre os novos integrantes do quadro nacional, o nome do senhor Roberval Castro se constitui uma surpresa em meio aos desportistas locais, mesmo considerando-se que o referido juiz teve uma rápida ascensão no decorrer do ano passado, tendo dirigido com acerto alguns clássicos do certame de 75.
Josenil Souza foi outro árbitro que se projetou na presente temporada, surgindo como uma das promessas do atual quadro de juízes da FMD, e sua indicação vem servir de incentivo àqueles que pretendem ingressar na difícil carreira.
Quanto a Nacor Arouche, não há nada a acrescentar, ainda que alguns companheiros só tenham criticado severamente após conturbado encontro entre Sampaio Corrêa e Maranhão, atirando-lhe sobre os ombros a responsabilidade atual do tumulto.
Toda a imprensa especializada reconhece as qualidades de Nacor Arouche, sem dúvida alguma, tecnicamente, o melhor juiz do nosso futebol, com uma passagem brilhante na Federação Cearense e por demais conhecido por suas boas atuações em todos os gramados do Nordeste.
O senhores Lercílio Estrela e Renato Rodrigues deixaram de participar da lista, naturalmente, porque o primeiro se desligou deliberadamente do quadro local e o segundo somente se reintegrou ao Departamento este ano, exercendo suas funções o ano passado em Teresina.
Van Lume
José Salgado
Josenil Souza
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