sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Sampaio Corrêa 1x1 Ceará - Amistoso de entrega de faixas (1981)



O Sampaio Corrêa promoveu na tarde do dia 21 de Abril de 1981, aproveitando o feriado nacional, a sua festa de entrega de faixas alusivas à conquista do Campeonato Maranhense de 1980, jogando amistosamente contra o Ceará Sporting, campeão alencarino. Os Tricolores exigiram a presença da sua grande torcida como um sinal de reconhecimento pelo trabalho executado pela direção do clube para a conquista de mais um título máximo do nosso futebol.

A vinda do Ceará foi decidida pela presidência do Sampaio Corrêa para a festa do dia 21 de Abril, quase que a pedido dos torcedores, principalmente aqueles que integram a grande colônia cearense radicada em São Luís. A programação elaborada pela direção do Mais Querido maranhense começou às 15 horas, com o jogo preliminar envolvendo os times do Ceará e Fortaleza, formados exclusivamente pelos torcedores dessas duas tradicionais equipes da Terra de Iracema que residem em nossa capital. Depois, o jogo principal entre bolivianos e cearenses.

Dos jogadores que formavam o atual elenco do Sampaio, bem poucos eram remanescentes do time que conquistou o título de 1980. A maioria havia trocado de clube e até mesmo o treinador não era o mesmo. O técnico que levou o time ao título foi o já falecido Nelson Gama, à época defendendo o Tocantins, de Imperatriz.

Dos antigos integrantes do time de 1980, permaneceram na Bolívia apenas o zagueiro Cabrera, os meias Pablito e Rosclin e os atacantes Cabecinha e Bimbinha, além dos juvenis Ivanildo e Vander titulares da equipe em 1981. Os demais já não permaneciam no Tricolor. Riba, falecido recentemente, foi homenageado antes da partida.

O JOGO – O Sampaio Corrêa empatou pelo placar de 1 a 1 com o Ceará no Municipal, depois de estar vencendo parcialmente no primeiro tempo por 1 a 0. O quadro boliviano apresentou um primeiro período muito bom e com merecimento chegou ao gol de abertura do placar aos 13 minutos por intermédio de Ricardo, na cobrança de uma falta. No lance que originou a falta, Bimbinha foi lançado nas costas do lateral e ia penetrar na área quando foi atropelado pelo grandalhão Lula. Na cobrança da infração, Geraldo José passou pela bola e Ricardo colocou na última gaveta, sem possibilidade de defesa para Lulinha.

Com a vantagem de 1 a 0, o Sampaio se resguardou um pouco na defesa, ficando agredindo o Ceará nos contra-ataques, sempre começando por Bimbinha, que reapareceu com muita vontade. No período final, o Ceará mexeu na formação, colocando Jorge Luís na ponta-direita em lugar de Getúlio e Lúcio Santarém no comando de posto de Marciano. As alterações surtiram efeito porque Jorge Luis procurou cair sempre pelo meio e passou a tomar a iniciativa de marcação das jogadas. O time do Sampaio cansou e cedeu terreno.

Dominando no meio campo, o Ceará tomou as rédeas da peleja e atacando forçou o goleiro Nemera a ser uma das principais figuras em campo e praticar grandes defesas. O comandante Lúcio Santarém, de tanto ser lançado, conseguiu o gol de empate aos 27 minutos, aproveitando um cruzamento de Monteiro pelo setor esquerdo. O empate de 1 a 1 acabou sendo um resultado justo para os dois times, dentro de um jogo que apresentou duas fases distintas: a primeira do Sampaio e a segunda do Ceará.


 Gol do Sampaio: Ricardo colocou a bola no ângulo e Lulinha ficou sem ação

FICHA DO JOGO

Sampaio Corrêa 1x1 Ceará
Data:
21 de Abril de 1981
Local: Estádio Nhozinho Santos
Juiz: Josenil Sousa
Bandeirinhas:
José Lima Oliveira e Leopoldo Botão
Renda: Cr$  373.950,00
Público: 3.164 torcedores
Gols: Ricardo aos 11 minutos do primeiro tempo; Lúcio Santarém aos 27 minutos do segundo tempo
Sampaio Corrêa: Memera; Ivanildo (Cabrera), Darci Munique, Darci Ceará e Mendes; Rosclin, Geraldo José e Vander (Pablito); Ricardo, Cabecinha e Bimbinha.
Ceará: Lulinha; Waldemir, Marcelo (Hamilton), Lula e Bezerra; Alves, Zé Eduardo e Josué; Getúlio (Jorge Luís); Marciano (Lúcio Santarém) e Monteiro.

Sampaio Corrêa 1x1 Moto Club - Torneio João Castelo 1981



Sampaio e Moto empataram de 1 a 1 ontem no Estádio Municipal, encerrando a primeira fase do Torneio João Castelo, numa partida que se não foi um primor de técnica, pelo menos apresentou um futebol franco com os dois times procurando sempre o caminho do gol.

O Moto teve melhor presença dentro de campo, mas provou novamente que o ataque precisa melhorar urgentemente, principalmente no tocante ao chamado homem-gol. Mentor, que jogou de centroavante, perdeu boas chances como no período inicial, em dois lançamentos feitos por Edésio e Beato.

O Sampaio Corrêa cedeu terreno ao adversário, notadamente na etapa final, quando foi forçado a mexer na formação do ataque. Como não tem nenhum reserva para o setor ofensivo, o técnico teve que colocar Pablito na ponta-direita e ai o time perdeu a força, pois Cabecinha passou a jogar muito isolado.

Ganhando o duelo no meio de campo com boa atuação de Beato e Edésio contando com o apoio de Raimundinho, que entrou como falto ponta-esquerda, o Moto se fez mais presente no campo ofensivo, dando um trabalho dobrado ao sistema defensivo do Tricolor.

Depois de uma verdadeira novela de muitos capítulos, o ponteiro-direito Pirila finalmente acabou fazendo a estreia. Jogou o futebol de sempre, se bem que tenha recebido poucas bolas, já que os novos companheiros ainda se deram conta que o time agora possuiu um ponta nato: quando pegou na bola, demonstrou excelentes qualidades.

A nova meia cancha do Sampaio com Rosclin, Magela e Vander deu mostras de que precisa de mais jogos. O time ganhou com a entrada de Vander, que encostou bem mais com o centroavante Cabecinha. Quando foram feitas as mexidas numa emergência, perdeu um pouco do ritmo.

O placar de 1 a 1, a rigor, acabou sendo justo, porque longe de ser uma virtude, perder gols é um dos maiores pecados do futebol e por isso os motenses não podem reclamar do resultado.

Na parida preliminar, o Expressinho derrotou o São José por 3 a 0, jogo que serviu apenas para cumprir a tabela do grupo C. Brígido, aos 24 minutos do segundo tempo, novamente Brígido aos 25 e Dirceu aos 30 fizeram o triunfo do Furacão.

Cabecinha levando perigo à área do Moto

 FICHA DO JOGO

Sampaio Corrêa 1x1 Moto Club
Data:
12 de Abril de 1981
Local: Estádio Nhozinho Santos
Renda: Cr$ 151.410,00
Público: 1.271 pagantes
Juiz: Lercílio Estrela
Bandeirinhas: José Salgado e Francisco Sousa
Gols: Cabecinha aos 15 minutos do primeiro tempo; Edésioaos 10 minutos do segundo tempo
Sampaio Corrêa: Memera; Ivanildo, Darci Munique, Darci Ceará e Mendes; Rosclin, Vander e Magela (Toninho); Ricardo (Prado), Cabecinha e Pacheco. Técnico: Valquirio Barbosa
Moto Club: Bessa; Martins, Airton, Irineu (Luís Carlos) e Luís Carlos (Zequinha); Emerson, Beato e Edésio; Pirila, Mentor (Alberto) e Raimundinho. Técnico: Sílvio Barros

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

AMISTOSO - Moto Club 2x0 Atlético Mineiro (1981)



O Atlético Mineiro, vice-campeão brasileiro, chegou a São Luís para uma partida amistosa diante do Moto Club de São Luís, no Estádio Municipal Nhozinho Santos. Foi a primeira vez que o galo veio ao Maranhão e a sua apresentação foi aguardada com grande expectativa pelo público maranhense. A delegação atleticana desembarcou na tarde do dia 27 de Abril de 1981, véspera da partida, com todos os seus principais jogadores, com destaques para Reinaldo, Cerezo, Palhinha, Éder e João Leite, todos atletas de nível de seleção. O Moto Club esteve treinando em tempo integral para a apresentação contra o campeão mineiro.

Silvio Barros e Neguinho acreditavam na boa disposição dos motenses. Para a partida, o Moto foi confirmado com a mesma escalação que vinha jogando e atuado pela última vez em Imperatriz, na derrota para o Cavalo de Aço por 1x0. Apesar de os promotores do jogo terem proposto o empréstimo de alguns jogadores do Maranhão e Sampaio para reforçar o time, os dirigentes rubro-negros foram contrários à ideia por acharem que grande parte da torcida não aceitaria tal coisa. E um dos grandes desfalques do Papão estava na defesa, onde o zagueiro-central Paulinho havia sumido dos treinos sem deixar qualquer informação.

Dizendo-se satisfeito com as duas últimas apresentações do clube sob a sua orientação, embora tenha lembrado que tinha esperava mais do grande elenco que dirigia, o conhecido Pepe, ex-ponta-esquerda do Santos e da Seleção Brasileira, agora treinando o Atlético depois de uma passagem brilhante pelo seu ex-clube santista, atendeu aos repórteres ainda no aeroporto, respondendo com muita simplicidade as perguntas e até lembrando de fatos da sua carreira como jogador de futebol. Em determinado momento sua memória funcionou mesmo e ele perguntou pelo ex-zagueiro Terrível, que há quase 20 anos defendeu o Sampaio Corrêa. Interrogado porque tanta lembrança daquele jogador maranhense, sobejamente respeitado pelos atacantes e principalmente pelos extremas, Pepe apenas completou: “o apelido já diz tudo”. Terrível, como sua geração bem recorda, era o tipo de jogador Raçudo, que não temia nem mesmo tendo à frente craques famosos que até hoje tanto quanto Pepe ainda não o esqueceram.

Sobre o time que dirige, o treinador mostrou-se confiante na possibilidade da conquista do próximo campeonato, “porque o elenco é um dos melhores do país e isto deixa a gente mais tranquilo”. Pepe justificou a ausência do Atlético nas finais da Taça de Ouro, dizendo que “o regulamente precisa ser modificado, para que tenhamos critérios mais justos na hora da classificação e da disputa final”.

No dia da partida, 28 de Abril, assim perfilaram as duas equipes, diante de um bom público que compareceu ao Municipal: Moto Club: Bessa; Martins. Airton, Irineu e Luís Carlos; Emerson, Beato e Edésio; Pirila, Jorge Guilherme e Raimundinho Lopes; Atlético Mineiro: João Leite; Orlando, Osmar, Luisinho e Jorge Valença; Chicão, Cerezo e Palhinha; Frazão, Reinaldo e Éder. O torcedor passou para assistir noventa minutos de futebol e acabou vendo um espetáculo feio, provocado pelos jogadores do Atlético Mineiro e endossado por mais uma arbitragem nervosa de Nacor Arouche, que expulsou quatro jogadores da equipe visitante, o técnico Pepe e ainda por cima revidou a agressão de um dirigente do clube mineiro. O jogo não chegou ao seu final. Aos 25 minutos do segundo tempo o Atlético ficou reduzido a sete homens e retirou-se de campo quando perdia por 2 a 0. A renda foi recorde, superando os dois milhões de cruzeiros (Cr$ 2.200.000,00).

 Jogadores do Atlético Mineiro do Aeroporto do Tirirical, em São Luís

 Técnico Pepe, do Atlético Mineiro


O JOGO – O público que compareceu ao Municipal para assistir um espetáculo de primeira grandeza, praticado pelos carques do Atlético Mineiro e os modestos jogadores do Moto, deixaram aquela praça de esportes decepcionados e até irritados com tanta balbúrdia. O Atlético Mineiro não jogava bem quando sofreu o primeiro gol, logo aos 9 minutos, em jogada individual do juvenil Raimundinho Lopes, que driblou três defensores mineiros, inclusive Cerezo e Osmar, para atirar sem chance de defesa para o goleiro João Leite. Aos 16 minutos o atacante Palhinha subiu legalmente com Emerson para tentar a cabeçada, mas o juiz assinalou uma falta contra o Atlético. Palhinha reclamou e recebeu o cartão amarelo. Tornou a reclamar e recebeu o cartão vermelho e foi expulso. O jogo, que ainda sem sequer agradava o público, piorou. Inconformados com a expulsão de Palhinha e a inferioridade no marcador, os jogadores atleticanos tentaram tumultuar ainda mais o espetáculo, reclamando rigorosamente contra as marcações e recebendo em troca três cartões amarelos do juiz Nacor Arouche.

Para aumentar a dose de inconformismo do Atlético, que não jogava nada de bola, o juiz acertadamente invalidou um gol feito por Éder, que estava impedido. Depois Nacor começou a se perder na arbitragem e a inverter ou deixar de marcar faltas, culminando com uma marcação aos 40 minutos contra o gol de João Leite. A barreira andou duas vezes e receberam cartões todos os jogadores que nela se encontravam. O lateral Valença reclamou ou ofendeu o juiz e recebeu o cartão vermelho. O banco do Atlético, que já havia invadido o campo na hora que o gol de Éder foi nulo, desta vez não deixou por menos. O técnico Pepe foi tomar satisfações com o juiz e também foi expulso. O direto Marcelo Guzela também se aproximou do árbitro para ofendê-lo moral ou fisicamente e acabou recebendo um tapa (de leve), não reagido porque a estas alturas o juiz já estava sob proteção da polícia.

O primeiro tempo foi encerrado logo depois e os dirigentes, apesar de muitas ameaças de não autorizar o retorno da equipe para o segundo tempo, resolveu desistir da ideia. Mas em represália, trocaram Reinado por Chico Spina e fizeram mais duas modificações. Irritados com as encenações do juiz que cava catão amarelo sempre que ouvia determinada reclamação, perdendo o jogo e não mostrando absolutamente nada de futebol, os jogadores irritaram-se ainda mais após o segundo gol rubro-negro, assinalado de cabeça por Jorge Guilherme, aos 20 minutos, numa falha de João Leite. Momentos antes, Éber, por excesso de reclamação, foi expulso. Reduzido a oito homens, o Atlético, cada vez mais irritado, ficaria mais tarde com apenas sete, quando Luisinho também foi premiado por desrespeito ao árbitro. Os dirigentes do Atlético entraram em campo e retiraram o time, aos 25 minutos do segundo tempo.

O árbitro Nacor Arouche foi apontado pela torcida presente ao Municipal como o principal responsável pelos desagradáveis acontecimentos registrados, em virtude do time mineiro ter ficado reduzido a apenas seis jogadores, pelas expulsões de Palhinha, Jorge Valença, Éder, Luisinho e Chico Spina. Para os torcedores e até para a crônica esportiva, faltou pulso ao apitador para levar o jogo até o final sem ser necessário recorrer ao cartão vermelho. “Expulsar todo mundo é a coisa mais fácil que existe e qualquer um pode fazer, já que dentro de campo o árbitro é soberano em suas decisões; o difícil mesmo é impor respeito e com categoria conduzir o espetáculo sem arranhões”.

Nacor Arouche foi acusado até mesmo de incompetente. Para muitos, ele entrou premeditado a fim de aproveitar da fama dos jogadores do Atlético e procurar aparecer às custas deles, se transformando como é do seu costume na “vedete” do jogo. Os jogadores e dirigentes do Atlético saíram revoltados com o apitador, que desde o começo do jogo procurou irritar todo o time. Alguns mais comedidos do quadro mineiro, como o caso do volante Toninho Cerezo, comentaram o acontecido, fazendo também críticas aos próprios jogadores do Atlético, que entraram no jogo do árbitro e foram atrás dos seus erros para complicar mais as coisas. “Infelizmente o jogador brasileiro ainda não está acostumado à ideia de que dentro de campo quem manda é o apitador, mesmo que assinale erradamente, como vinha acontecendo”.

O árbitro Nacor declarou em todas as entrevistas que concedeu que saiu do Estádio Municipal com a consciência tranquila de ter cumprido fielmente com o seu papel, na aplicação da lei do jogo. Acusou jogadores do Atlético de indisciplinados, afirmando que eles não queriam jogar e tentaram lhe desmoralizar dentro de campo. Nacor disse mais que ninguém no Brasil conhece mais as 17 regras do que ele e que se considera um dos três melhores árbitros do país. “Eu nasci geograficamente errado. Se tivesse nascido no Rio ou em São Paulo, seria o rei do apito”.





 

VÍDEO - Gol de Cabecinha pelo Sampaio Corrêa contra o Cruzeiro (1981)



Neste post deixo o famoso gol do centroavante Cabecinha, ídolo do Sampaio Corrêa nas décadas de 70 e 80, diante do Cruzeiro em pleno Mineirão, pelo Campeonato Nacional de 1981. O gol de Cabecinha foi eleito como o "Gol do Fantástico", da Rede Globo. Nesse jogo, Darcy Munique, do Sampaio Corrêa, quebrou a perna do cruzeirense Joãozinho. 

VÍDEO


FICHA DO JOGO

Cruzeiro-MG 1x1 Sampaio Corrêa
Data:
25 de Janeiro de 1981
Local: Estádio Mineirão
Árbitro: José Pereira Sobrinho (GO)
Renda: Cr$ 1.513.750,00
Público: 14.115 pagantes
Gols: Roberto César aos 35 minutos do primeiro tempo; Cabecinha aos 33 minutos do segundo tempo
Cruzeiro (MG): Luís Antonio; Zé Carlos, Zezinho, Luís Carlos e Luís Cosmo; Alexandre (Vanderley), Eduardo e Roberto César; Carlinhos, Luís Carlos Teixeira e Joãozinho (Jesum). Técnico: Cláudio Duarte.
Sampaio Corrêa: Passarinho; Tereso, Darcy Munique, Darcy Ceará e Cabrera; Rosclin, Toninho e Magela (Maia); Zezinho (Fernando), Cabecinha e Bimbinha. Técnico: Otacir Viana

sábado, 27 de setembro de 2014

PÔSTER - Maranhão Atlético Clube - 82 anos



Augusto, lateral técnico e virtuoso


Matéria de Edivaldo Pereira Biguá e Tânia Biguá, página "Onde Anda Você?", do Jornal O Estado do Maranhão, de 19 de Julho de 1999

Ferroviário Esporte Clube campeão maranhense de 1957. Em pé: Gentil, Peruzinho, Augusto, Santos, Walber Penha e Ribeiro Garfo Pau; Agachados: Pitú, Neto Peixe-Pedra, Waltair, Frango e Vicente

Augusto Carlos Freitas Parga foi criado por uma tia/madrinha que morou na Camboa e Monte Castelo, bairros de São Luís e em São José de Ribamar, cidade balneária que fica a 35 km do centro da capital maranhense. Começou a jogar aos 12 anos de idade e, anos 23 anos, conquistou o título estadual defendendo a “máquina” montada pelo Ferroviário esporte Clube, em 1957. Por ser baixinho, Raçudo e canhoto no pé, foi apelidado por Bebeto, companheiro de clube, de Pecoré. Quem o viu em campo afirma que ele era respeitado até pelas torcidas adversárias. Era um lateral-esquerdo técnico e viril.

A história de Augusto começa quando os pais dele e mais oito irmãos deixam São Luís em 1937 e vão para o Rio de Janeiro. Apenas ele (dois anos de idade) ficou sob a tutela da tia/madrinha Morena, que morava na Rua Viana Vaz, no Bairro da Camboa. Por volta dos 10 anos começou batendo peladas descalço com amigos. Ao completar 11 anos, mudou-se para o bairro do Areial (hoje Monte Castelo).

Em 1949, quando já estava com 14 anos, Augusto foi chamado para jogar no Íbis do Areial, ao lado do goleiro Cambota, do meio-de-campo Oscarzinho e do centroavante Professor. “Eles eram os craques do íbis. Eu cheguei para jogar na lateral-esquerda e aos poucos fui conquistando meu espaço no time”, relembra.

Em 1950 o Prefeito de São José de Ribamar, Amadeu Freitas, tio de Augusto, convidou o sobrinho e a tia/madrinha Morena para se mudarem para lá. Eles aceitaram o convite. Neste mesmo ano Augusto começou a jogar no Palmeiras, time respeitado na cidade e nos municípios vizinhos. “Lá tive o prazer de jogar ao lado de Reginaldo Fofão, Minguinho, Vicente (goleiro) e Neto, que depois veio a assinar contrato com o Moto Club, Maranhão, Ferroviário e Paysandu do Pará. Ele sabia de bola”.

Durante três anos, Augusto se destacou como lateral-esquerdo e zagueiro do Palmeiras de São José de Ribamar. O que chamava atenção dos torcedores era como aquele baixinho (1m60 e 63 quilos) pudesse ser tão esperto na defesa. Chegava junto dos atacantes e era Raçudo e zangado (quando gaguejava, era melhor sair de perto dele). Não abria pra ninguém. Quando tomava uma pancada, passava terra no lugar batido e continuava jogando. Tinha uma excelente impulsão, o que acabava compensando a falta de altura. Além de tudo, fazia seus gols porque chutava forte com a perna esquerda e cabeceava bem, Era técnico.

Em 1953, Jafé Mendes Nunes, radialista e jornalista esportivo que avia assumido a direção técnica da Seleção da cidade de Anajatuba-MA, soube que o Palmeiras de São José de Ribamar tinha muita gente boa que poderia reforçar sua equipe no Torneio Intermunicipal. Ele pegou seis jogadores do Palmeiras: Augusto, Hildebrando, Vicente, Miranda, Reginaldo e Fuzica. O time ficou em terceiro lugar no torneio, atrás de Rosário (campeão) e Morros (vice-campeão). O resultado técnico foi tão bom na competição que vários atletas das seleções de Rosário, Morros e Soa José de Ribamar acabaram sendo contratados pelas equipes profissionais de São Luís. Augusto foi para o Ferroviário. O goleiro Juraci e o centroavante Ferreirão trocaram a seleção de Rosário pelo Maranhão Atlético Clube. O lateral-esquerdo Ribamar, da Seleção de Morros, foi para o Sampaio Corrêa, e o seu companheiro, o ponta-direita Zezico, pai de Oliveira, que hoje joga na Fiorentina, foi para o Moto Club.

Augusto chegou no Ferroviário no segundo semestre de 1953. Foi trabalhar na Estrada de Ferro para assegurar um salário melhor e assinou contrato como “não-amador” para disputar o campeonato estadual pelo clube dos funcionários da REFFSA. Entrou na posição como uma luva, jogando ao lado de Dodó, Carapuça (que era seu ídolo), Gentil, Bebeto, Quadrado, Vicente, Waltair, Frango, Cleoci e Esmagado. O time era bom, mas não ganhava campeonato. O único título veio em 1957 e de forma espetacular e incontestável porque o time do Ferroviário era uma verdadeira máquina. “O goleiro era o lendário Walber Penha. Ai vinha Ribeiro Garfo de Pau, Santos, eu e Esmagado; Zuza, Toquinha e Neto; Pitú, Hamilton e Nabor. E tinha ainda Peruzinho, Gentil, Negão e outros. Além dos atacantes, ainda tínhamos Santos, que era um zagueiro artilheiro”.

No ano seguinte, o Ferroviário conquistou o bi. Augusto, que havia sofrido uma forte contusão nos meniscos do joelho direito, não participou da campanha. “Tive que ficar de fora desta conquista inédita do Ferrim. Nesta temporada, ganhei o título de primeiro atleta profissional maranhense a se submeter a uma cirurgia do joelho. Quem me operou foi o dr. Damasceno Figueiredo”.

Um fato curioso desta época contado por Augusto é que atleta, quando se machucava com uma certa gravidade, deixava o campo e ia para o Pronto Socorro Municipal, fazia um curativo qualquer e retornava ao campo e continuava jogando normalmente. “Quando as contusões eram simples, jogavam um éter no local afetado e voltávamos a jogar na hora. Eu substituía o éter por terra ou areia dos próprios campos em que jogava”.

Em 1959, depois da recuperação da cirurgia no joelho, Augusto ainda treinou no Moto Club durante uns quatro meses. Por lá encontrou Casquinha e ex-amigos que haviam deixado o Ferroviário, como Esmagado, Hamilton, Nabor e Laxinha. O joelho voltou a incomodar e Augusto, 24 anos de idade, foi obrigado a interromper uma carreira que poderia ser muito mais gloriosa, mas, segundo ele, “foi a vontade de Deus”.

Nos anos seguintes, ficou jogando amadoristicamente no América de São José de Ribamar, dirigido pelo filho de José Raimundo Lobato, que era coletor na cidade. “Ele me arrumou um emprego como fiscal da Prefeitura e do Estado. Em 1963 restei concurso para a Campanha de Erradicação de Malária – CEM – que depois virou Sucam – FNS, onde me aposentei em 1994, depois de juntar os tempo de serviços como atleta profissional, funcionário da REFFSA e FNS”.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

VÍDEO - Matéria sobre os 82 anos do Maranhão Atlético Clube (TV Brasil) - 24/09/2014


Matéria sobre os 82 anos do Maranhão Atlético Clube exibida no programa "Repórter Maranhão", da TV Brasil, dia 24 de Setembro de 2014. A matéria mostrou entrevista com o compositor e poeta Celso Borges, com a torcedora símbolo do MAC, dona Sebastiana, e o centroavante Riba, carque do MAC nas décadas de 60 e 70 e maior artilheiro da história do clube atleticano. 

FOTOS e VÍDEOS - Festa de lançamento do livro do Maranhão Atlético Clube (24 de Setembro de 2014)


Aconteceu na noite na última quarta-feira, 24 de Setembro, a festa pelos 82 anos de vida do Glorioso e o lançamento do livro "Salve, Salve, meu Bode Gregório: a História do Maranhão Atlético Clube", na sua sede social, localizada no Bairro da Cohama. Contando com a presença de um bom número de torcedores, simpatizantes e ex-jogadores do clube atleticano, como Riba, Bacabal, Hiltinho, Moura (craque da década de 40 e 50), Robenildo, dentre outros, o professor Hugo Saraiva levou ao público uma publicação de 440 páginas e cheio de fotos históricas. No lançamento, algumas pessoas ligadas ao clube, como ex-atletas, dirigentes e maqueanos ilustres foram homenageados. Deixo neste post algumas fotos iniciais e alguns vídeos sobre o evento. Posteriormente colocarei mais registros da festa de lançamento do livro. Aproveito para deixar registrado aqui, publicamente, o meu sincero agradecimento a toda diretoria atleticana pela logística e apoio durante o lançamento do livro.

VÍDEOS


 Início das homenagens a ex-atletas, dirigentes, torcedores e organizadas do MAC


Homenagem ao ex-jogador e já falecido Yomar, representado pelo seu filho, Júlio César

  
 Lançamento do livro do MAC - Globo Esporte (25 de Setembro de 2014)



Lançamento do livro - Programa Show de Bola (TV Difusora) - 25 de Setembro de 2014

FOTOS