sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Neguinho, o "Deus da Raça" - texto e áudio

Uma pequena homenagem do Blog Futebol Maranhense ao eterno xerifão Neguinho, popularmente conhecido pela sua fibra nos jogos e pela raça com a qual vestia a camisa da equipe que jogava. Deixo, a seguir, a entrevista que o ex-zagueiro deu para o Podcast "Memórias do Futebol Maranhense", falando sobre a sua vitoriosa carreira nos gramados maranhenses e, abaixo, um texto extraído do livro "Memória Rubro-negra: de Moto Club a Eterno Papão do Norte".

  
 Entrevista do ex-zagueiro Neguinho, dia 23 de Março de 2013

Neguinho ao lado dos craques Hamilton e Baezinho, durante o lançamento do livro do Moto Club, em Setembro de 2012

Na decisão do Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão de 1972, o Sampaio Corrêa, após empatar com a Campinense (PB), decidiria a sua sorte nos pênaltis. Como as duas equipes entraram em um acordo e apenas um jogador cobraria as cinco penalidades, coube a um camisa número 3 da Bolívia Querida toda a responsabilidade para o momento talvez mais importante até aquele momento de toda a história do Tricolor. Os cinco pênaltis convertidos pelo lado maranhense e após a primeira cobrança errada dos paraibanos decretaram o início da festa boliviana no gramado do Nhozinho Santos. O responsável que carregou a equipe inteira naqueles cinco pênaltis? Neguinho, que recebeu da imprensa maranhense o sugestivo nome de “Deus da Raça”. Curiosamente, no ano seguinte, o mesmo Deus dos bolivianos foi do céu ao inferno ao errar a cobrança de pênalti que garantiu o rival Moto Club nas disputas do Brasileiro de 1973 (colocou tanta força na cobrança da penalidade que a bola simplesmente foi parar perto do monumento de Catulo da Paixão). Mas a raça descomunal daquele inesquecível zagueiro continuava – e a sua fama Nordeste afora também.

Quem vê Neguinho no alto dos seus mais de 70 anos e ainda na ativa no futebol (evidentemente não mais como profissional, mas defendendo o time da FUGAP, Fundação Garantia do Atleta Profissional), talvez possa ter uma idéia do porque o jogador pendurar a chuteira aos 46 anos. O corpo ainda atlético e a disposição herdada da época em que era profissional respondem a essa questão. Neguinho é um recordista dos gramados: entre amador e profissional, jogou por mais de 30 anos seguidos – e ainda hoje se mantém na ativa, entre peladas e jogos pela Fundação à qual é um dos responsáveis. O maranhense José Ribamar Santos nasceu e foi criado no Bairro do João Paulo, no dia 01 de Maio de 1940. Ainda garoto, teve o primeiro contato com a bola no próprio bairro, aos 16 anos, na Salina do Caratatiua (atrás do 24 BC da Polícia Militar). A influência pelo futebol veio de casa: o seu tio, Dico, foi goleiro do Vitória do Mar, Moto Club, Remo e Belenense do Pará; o seu pai, Bernardo, jogou no Tupan. O garoto não tinha um corpo muito avantajado para atuar na posição de lateral e esse pequeno detalhe foi o motivo do apelido que acompanhou para sempre: a sua mãe era dona de um comércio que vendia doces no João Paulo. Um civil chamado Paulo Fernandes “Jequiri” (goleiro do amador São Paulo, do Bairro do João Paulo) era freguês daquele estabelecimento e sempre brincava ao ver o garoto pelo comércio e pedia à mãe: “Me dê esse neguinho pra eu criar!”. Assim nasceu o “Neguinho” – e Paulo Fernandes se orgulhava em ter, indiretamente, dado esse apelido ao craque do nosso futebol.

Neguinho começou a sua carreira no amador jogando pelo Universal, do próprio Bairro do João Paulo, em 1954. O clube era organizado pelo desportista Adão, que recrutou alguns garotos do bairro para formar a agremiação. O Universal somente disputava jogos amistosos e Neguinho logo chamou a atenção pelas suas atuações, sobretudo pela lateral direita, pela falta da natural habilidade para um meio campista. Em seguida, recebeu um convite para atuar pelo Vasco da Gama do João Paulo, de propriedade de Bendito Fróes, um senhor que trabalhava na Prefeitura. O Vasco jogava no campo do Alto da Glória, onde hoje se situa a Unidade Escolar Sagarana, na Alemanha. Em seguida, a convite de China, Neguinho de transferiu para o Flamengo do Monte Castelo, para as disputas da Segunda Divisão do Campeonato Maranhense, em 1959. Nessa época, a Segunda Divisão era disputada no Santa Isabel e nos campos do Marista e da Escola Técnica (atual CEFET) e servia como porta de entrada para o futebol profissional. E foi isso o que aconteceu, segundo consta2: em 1961, durante um treino contra o Vitória do Mar, Neguinho acabou contratado pelo próprio time da Estiva (o Presidente e o vice do Vitória do Mar eram, respectivamente, Bonésio Silva Santos, da Madre Deus, e Ferreira. A concentração do clube acontecia no Sindicato dos Estivadores, perto do Palácio dos Leões). No clube, Neguinho assumiu a lateral direita na equipe formada por Bastos, Neguinho, Misael, Vareta, Correia, Valber, Zequinha, Cristóvão, Joãozinho, Pelezinho e Bodinho.

 Em 1963, após o clube da Estiva vender os seus principais jogadores, Neguinho foi para o Maranhão Atlético Clube, que passava por um jejum de 12 anos sem títulos. Junto com o lateral, o MAC também trouxe Vareta do Vitória do Mar e o Bode foi logo Campeão Maranhense daquele ano, ao bater o Moto Club por 6x2 na grande decisão. Assim era formado o Maranhão de 1963: Lunga; Neguinho, Negão, Cléssio e Moacir Bueno; Zuza e Barrão; Waldecy, Wilson, Croinha e Alencar. O Papão do Norte era formado pela base bicampeão de 1959/60, com Bacabal; Baezinho, Baezão, Omena e Português; Ananias e Laixinha; Zezico, Hamilton, Nasquinha, Nabor e Neto. No Maranhão, Neguinho até 1966. Quase transferiu-se para o futebol amazonense, mas foi vendido ao Moto Club.

Logo que chegou ao rubro-negro, Neguinho entrou também para a Polícia Militar, onde mantinha essa atividade paralela aos gramados. O Comandante da PM, o Coronel Medeiros, e o sub-comandante, o Coronel Riod, motenses apaixonados, sempre aliviavam para Neguinho poder treinar e jogar. No Papão do Norte, Neguinho viveu uma fase de ouro, conquistando o Tricampeonato Maranhense (1966/67/68) e o Título do Norte (1968). Neguinho sempre foi um guerreiro em campo; fora dele, era uma pessoal extremamente dócil e incapaz de fazer mal a alguém. Mas um momento inusitado marcou a carreira do grande capitão rubro-negro pelo Papão: no dia 25 de Junho de 1968, o Madureira do Rio de Janeiro apresentou-se em São Luis contra o Moto Club, em uma partida amistosa. O jogo seguia normalmente com a vitória dos cariocas pelo placar de 1x0. Miguel, centroavante do Madureira, deu uma entrada maldosa em Neguinho, que revidou. E o pau cantou no Nhozinho Santos. Uma briga generalizada em campo determinou o final da partida e a derrota (parcial) do Papão. No começo de 1969, quando o Moto Club esteve em Salvador para as disputas da fase final da Taça Brasil contra o Bahia, toda a comissão e atletas do clube maranhense rezavam na Igreja do Senhor do Bonfim quando alguns atletas avistaram Miguel ali perto. Receoso, o agora ex-atacante do Madureira passou longe da delegação do Moto. 

 Neguinho, o terceiro em pé, no Expressinho, em 1980

 No Maranhão Atlético Clube, em 1965

 No Moto Club, em 1969. Neguinho é o primeiro em pé

Em sua primeira passagem pelo Moto, o craque teve duas grandes decepções: após jogar e perder duas vezes em Salvador, pela Taça Brasil, Neguinho teve o seu passe negado pela diretoria ao Vitória da Bahia. Em seguida, já no final do seu contrato pelo Moto, o rubro-negro não deu preferência ao seu passe e ao de Carlos Alberto, configurando-se em uma grande repercussão na época (em 1969, o grupo Aboud começou a entrar em falência, motivo pelo qual César deixou de apoiar maciçamente o Moto). Neguinho conseguiu o passe livre e rumou, junto com Carlos Alberto, para o Ferroviário.
No Ferrim, ele formou a chamada defesa “Esquadrão da morte”, com Marcial (goleiro), Neguinho, Alzimar, Vivico e Antônio Carlos. Foram apenas dois anos no clube da ferrovia e um vice-campeonato (1969). Para piorar, Neguinho sofreu uma fratura exposta no braço direito em uma partida contra o Moto Club, ficando afastado dos gramados por um bom tempo. Voltou a atuar em 1972 pelo Sampaio Corrêa, a pedido do treinador Marçal, que organizava um elenco forte para as disputas do Brasileirinho daquele ano. Com 32 anos de idade e sem a mesma vitalidade, Neguinho acabou deslocado para a zaga central. A imprensa reclamava do elenco Tricolor, composto por seis zagueiros. Além de desbancar os concorrentes, Neguinho calou a boca daqueles que o consideravam acabado para o futebol: literalmente levou o Sampaio Corrêa ao título de Campeão Brasileiro naquele ano, após realizar e converter todas as cinco cobranças de pênaltis na grande decisão.

Em 1973, o Sampaio Corrêa, com um elenco cheio de craques, incrivelmente perdeu a vaga para o Brasileiro para o Moto Club, após uma série de três partidas. Com a desclassificação do Sampaio, Djalma Campos recusou-se a ir para o Moto por tomar de conta do time boliviano, que paralisou as suas atividades profissionais por um ano e passou a realizar amistosos pelo interior do Maranhão. Neguinho e Gojoba, contudo, assinaram com o Papão e disputaram o Campeonato Brasileiro daquele ano. Ficou no rubro-negro até 1977, antes mesmo de o clube chegar ao título daquele ano. Porém, uma passagem interessante do atleta em sua segunda passagem pelo rubro-negro ficou por conta da grande decisão do Campeonato Maranhense de 19743, onde o Moto Club foi o campeão: segundo informações4, na véspera da grande decisão contra o Maranhão, o goleiro Edson, que veio do Flamengo-PI, passou a madrugada toda na farra (nessa época, o Moto concentrava na famosa Toca do Rato). Neguinho, capitão do time e disciplinador, o entregou ao treinador Marçal, alegando que Edson não tinha condições de atuar por conta do cansaço físico (leia-se “farra”). Edson foi vetado e em seu lugar atuou Claudinei, goleiro cearense que não tinha muita chance no Moto. Foi a sua consagração. Nessa decisão, vencida pelo Papão do Norte por 2x0, assim atuou o time rubro-negro: Claudinei; Ivan, Neguinho, Sérgio e Antônio Carlos; Gojoba, Soares e Santana; Lima, Paraíba e Coelho.

Neguinho resolveu parar por um tempo como atleta profissional. Empregou-se na empresa da Coca-Cola, em 1977, onde foi enviado à Bahia para um curso de três meses. Em uma pelada em Salvador, gostaram tanto do futebol dele que o convidaram a atuar pelo... O amor aos gramados falou mais alto e, no ano seguinte, Neguinho pediu as contas e assinou com o modesto Expressinho do Bairro da Cohab. Já com 41 anos, o craque pegou a todos de surpresa ao ser contratado pelo Moto Club, a sua terceira passagem pelo Papão. Formou a zaga com Alex, veterano do América (RJ), e Moacir Pernambucano. Neguinho com 40, Alex com 40 e Moacir com 37 anos, esse era o motivo de gozação da torcida adversária e até da própria imprensa, que costumava provocar dizendo que a zaga do Moto tinha 100 anos. E novamente Neguinho calou a boca de todos ao conquistar o bicampeão (1981/82) ao lado de grandes craques: Samuel; Bassi, Irineu, Hamilton e Cabrera; Zé Carlos, Lutércio e Antônio Carlos Maranhense; Evandro, Zé Roberto e Cardosinho. Outra formação desse período foi Samuel; Bassi, Paulo Roberto, Moacir Pernambucano e Zequinha; Tião, Lutércio e Raimundinho; Newton, Gil Lima e Zé Roberto.

 Despedida na inauguração do Estádio Castelão, em 1982

Neguinho dando a volta Olímpica em sua despedida no Castelão, em 1982

O “Deus da Raça” encerrou a sua carreira pelo rubro-negro em 1982, no “Torneio do Trabalhador”, competição de abertura do Estádio Castelão, um dia antes do jogo inaugural entre as Seleções do Brasil e Portugal. No jogo, realizado no dia 01 de Maio de 1982, o Moto Club perdeu para o Expressinho por 1 a 0 – no time da Cohab, treinado pelo experiente Ananias, despontavam o goleiro Juca Baleia e a grande revelação Newton, que brilhou no Campeonato Brasileiro de 82 pelo Papão do Norte. Neguinho foi substituído por Cabrera e deu a tradicional volta olímpica, sendo ovacionado pelo público maranhense, que o via abandonar os gramados aos 42 anos de idade. Abandonar? Três meses longe dos gramados fizeram o eterno xerifão do Moto repensar. Neguinho voltou a atuar, desta vez pelo Boa Vontade, onde jogou ainda por 6 anos. Parou oficialmente em 1986, os 46 anos de idade, passando a realizar jogos festivos e atuar pela FUGAP. Ainda trabalhou pelas Seleções de Pinheiro e Penalva no Torneio Intermunicipal.

Realizado profissionalmente, o jogador guarda apenas uma única mágoa em toda a sua carreira: não ter enfrentado Pelé. No dia 05 de Novembro de 1967, o Santos de Carlos Alberto, Pelé, Coutinho e Edu realizou um amistoso contra a Seleção Maranhense. Na época, Pelé, já consagrado nos gramados, foi recebido no Palácio dos Leões pelo então Governador do Maranhão, José Sarney, que chegou a afirmar: “Vim ver o Santos jogar e vi a Seleção Maranhense”. O Rei do futebol ainda recebeu da FMF um Jubileu de Ouro, troféu em homenagem aos serviços prestados ao futebol nacional. Neguinho, o maior lateral-direito do nosso futebol nessa época, foi relacionado, ficou no banco e, mesmo com o incessante pedido da torcida presente, o treinador Ênio Silva não o colocou a campo. A nossa Seleção perdeu o jogo pelo placar de 1 a 0, com a seguinte formação: Manguito; Paulo (Nivaldo), Alzimar, Alvin da Guia e Corrêa; Nélio (Carlos Alberto) e Barrão (Santana); Garrinchinha, Izaac, Cândido (Américo) e Pelezinho. Segundo informações6, após o amistoso, Neguinho foi receber o dinheiro pela sua escalação na partida no Hotel Central. Ali, o jogador soube o motivo pela qual o treinador Ênio não o lançou a campo contra o Santos de Pelé: ele não entrou a campo por ordens do Governo, conhecedor da fama do atleta pelo Nordeste, temeroso por Neguinho machucar o Rei Pelé, prestes a disputar a Copa do Mundo de 70, em alguma jogada maldosa.

Todos os adjetivos parecem pouco para aquele que dedicou toda uma vida pelos gramados de São Luis. Não à toa, Neguinho ainda hoje é reconhecido pelos torcedores mais antigos pela sua incansável disposição e raça nos campos. Abandonou a carreira como profissional, mas deixou às futuras gerações um belíssimo exemplo de dedicação e vitalidade. “Deus da Raça”, “Lampião” (não respeitava o adversário), “Xerife” (apelido dado pelo radialista Juracy Vieira)... Todos por merecimento!
 
 Neguinho com a camisa do MAC, em 1961

 O primeiro jogador em pé, Neguinho com a camisa do Papão do Norte em 1977

 No Moto Club Campeão da Taça Brasil Norte, em 1968

Sampaio Corrêa 1x2 Santos (SP) - Amistoso em 1957

 Extraído do livro "Sampaio Corrêa - Uma Paixão dos Maranhenses"

Em Outubro de 1957, o Sampaio Corrêa, por intermédio do dr. Luís Passos, atuou contra um combinado formado por marinheiros que serviam em nossa capital e do navio Soares Dutra, ancorado em nosso porto naquela época. O resultado desse encontro envolvendo o terceiro colocado do Campeonato Estadual de 1957 e o combinado formado pelos marujos foi um placar de 6 a 0 para o Sampaio Corrêa, no jogo onde toda a tripulação do Soares Dutra e os funcionários da Capitania dos Portos do Maranhão compareceram ao estádio, pagando cada um os seus ingressos, ajudando, assim, na renda em benefício ao hospital maranhense. Alguns dias após golear os representantes da Marinha, desembarcou em São Luis, sob a chefia de Vicente Feola, o atual bicampeão paulista, Santos Futebol Clube, para uma partida amistosa contra o Sampaio Corrêa. Coube ao ilustre visitante a cota de Cr$ 250 mil pela vinda à capital maranhense. Na partida, disputada no dia 06 de outubro de 1957, os grandes destaques pela imprensa desportiva maranhense ficavam por conta de Manga, Zito e Pepe, àquela altura grandes ídolos da agremiação paulista. No amistoso realizado na capital maranhense, o Sampaio Corrêa abriu o marcador, mas o clube paulista virou a partida, com dois gols de um ainda mortal jogador que, em pouco tempo, tornar-se-ia simplesmente o Rei do futebol33. Após o gol do Sampaio Corrêa, Pelé aproveitou um ‘cochilo’ da defensiva sampaina, com violento chute desferido do setor esquerdo venceu Dodó. O mesmo Pelé, foi o autor do goal da vitoria dos santistas, pouco depois. Vale ressaltar que, até a partida contra o Sampaio Corrêa, Pelé havia marcado apenas 46 gols em sua carreira.

 Santos Futebol Clube no Nhozinho Santos. Pelé é o penúltimo atleta agachado

 Sampaio Corrêa na partida contra o Santos

 Ataque do Santos

Lance do jogo

 FICHA DO JOGO

Sampaio Corrêa 1x2 Santos (SP)
Data: 06 de Outubro de 1957
Local: Estádio Nhozinho Santos
Juiz: Francisco Moreno
Bandeirinhas: Benedito Brandão e Heitor Nunes
Gols: Terrível (Sampaio Corrêa) e Pelé (2 gols)
Sampaio Corrêa: Dodô; Terrível, Arlindo e Walfredo; Elbert e Vareta; Gedeão, Marcos, Pirrita, Nabor e Rack.
Santos (SP): Manga; Mauro e Ivan; Fiatt, Brune e Zito; Dorval, Rubinho, Pagão, Pelé e Pepe

Sampaio Corrêa x Colorado (EUA) - Amistoso Internacional 1983

Trecho extraído do livro "Sampaio Corrêa - Uma Paixão dos Maranhenses" (2011), sobre a partida amistosa envolvendo o Sampaio Corrêa e o primeiro clube de futebol dos Estados Unidos a jogar no Brasil:

Amistoso Internacional no Castelão, em 1983

Pelos anos 80 o futebol dos Estados Unidos começava a sua fase de expansão, principalmente após a passagem de grandes nomes do futebol brasileiro para a popularização desse esporte em terras americanas, como o Rei Pelé, que atuou pelo Cosmos no final da sua carreira. Buscando um maior intercâmbio com outros centros de futebol, a delegação do Colorado, clube de futebol da Primeira Divisão da Liga Norte-Americana e formado por jovens universitário, esteve em uma longa temporada pelo país do futebol. O time norte-americano é dirigido pelo prof. Paul Bartlett e vai iniciar a longa excursão por gramados brasileiros justamente em São Luis. Com grande destaque para os jogadores Léo Figueiredo, Kraig, Gary, Allan, Charis, Rick, Earl, Dwayne e Dale, a delegação do Colorado dos Estados Unidos chegou na noite passada em nossa cidade, para única apresentação contra o Sampaio Corrêa, no Estádio Castelão. O jogo, patrocinado pela FMD através do seu presidente, Domingos Leal, e com o apoio da CBD, será o primeiro jogo de um time do exterior no Estádio Gov. João Castelo. O Sampaio Corrêa não teve nenhuma dificuldade para golear impiedosamente o inexperiente time do Colorado dos Estados Unidos por 8 a 2, ontem à noite, no Estádio ‘Castelão’, com a presença de um público apenas regular. no jogo disputado no dia 05 de julho de 1983.

 Sampaio goleia Colorado, time dos EUA, em amistoso

FICHA DO JOGO

Sampaio Corrêa 8x2 Colorado (EUA)
Data: 05 de Julho de 1983
Local: Estádio Castelão
Público: 1.135 pagantes
Juiz: Josenil Sousa
Bandeirinhas: Nacor Arouche e Renato Rodrigues
Gols: Luís Fernando aos 5, 13 e 19, Dão aos 31 e 44 minutos do rimeiro tempo; Joãozinho Nery aos 6, Galote aos 19, Airton aos 21, Hudson aos 30 e Léo Figueiredo aos 42 minutos do segundo tempo
Sampaio Corrêa: Valter (Glênio); Galote, Hamilton Silva (Marco Silva), Eduardo e Hilton Brunis (Martins); Rosclin, Carlos Alberto (Vander) e Joãozinho Mineiro (Mauro); Joãozinho Nery, Dão (Airton) e Luís Fernando.
Colorado (EUA): John; Marck, Allison, Endy e Nity; Franck, Estives e Brady (Anderson); Michael, Hudson (Léo Figueiredo) e Clarck

Lançamento do livro "Maranhão Atlético Clube, 80 Anos de Glória", do jornalista Haroldo Silva

Aconteceu na noite da última terça feira, 24 de Setembro, na sede social do Maranhão Atlético Clube, uma festa comemorativa aos 80 anos do Bode Gregório. O ponto alto da festa foi o lançamento do Livro "Maranhão Atlético Clube, 80 Anos de Glória", do jornalista e cronista esportivo Haroldo Silva, acompanhado do livreto "Maranhão Atlético Clube, 80 Anos de Glórias + 1", esse último contado a história do título estadual deste ano. Por lá passou muita gente importante como o ex- governador José Reinaldo Tavares, o Deputado Marcelo Tavares, o presidente da Federação Maranhense de Futebol, Antônio Américo, os jornalistas Zeca Soares, Técio Dominicci, muitos atletas, entre eles o conhecidíssimo Zé Roberto.

Haroldo autografando o livro

No lançamento do complemento do livro sobre a história do Maranhão Atlético Clube, terça-feira à noite, o jornalista Haroldo Silva, autor da obra, ao centro com empresário João Vicente Rios, ladeados pelo ex-deputado Celso Coutinho (E) e o advogado João Araújo

Fonte: http://zelopesbacabal.blogspot.com.br/2013/09/maranhao-atetico-clubeganha-livro-por.html

sábado, 21 de setembro de 2013

PÔSTER - Maranhão Atlético Clube - Vice-Campeão Maranhense 1946


Livro "Maranhão Atlético Clube - 80 Anos de Glórias", do jornalista Haroldo Silva

Será lançado na próxima terça-feira, dia 24 de Setembro, na Sede do MAC, o livro "Maranhão Atlético Clube - 80 Anos de Glórias", do jornalista Haroldo Silva. O lançamento ocorrerá durante as festividades de 81 anos do Bode Gregório, com um coquetel no Parque Valério Monteiro, a partir das 19 horas. Em primeira mão, o Blog Futebol Maranhense deixa aqui a capa do belo registro que somente vem a engrandecer a maravilhosa história de vida de um dos maiores clubes do futebol de São Luis e do Nordeste. Acompanha o livro uma edição encartada sobre o aniversário de 81 anos do clube. Vale lembrar que para o próximo ano será lançado outro livro sobre a história do Quadricolor: "Salve, Salve, Meu Bode Gregório: a História do Maranhão Atlético Clube", do professor Hugo Saraiva - no caso, o dono deste blog. O livro do jornalista Haroldo Silva estará à venda durante a festa de aniversário do MAC, na Sede Social do clube, localizada no Bairro da Cohama, ao preço de R$ 50,00, e após o lançamento, em uma banca de revista na Praça Deodoro (defronte ao Banco do Brasil) e em uma livraria no Shopping da Ilha, no Ipase. Vale a pena conferir esse belo registro para a coleção dos livros sobre os clubes maranhenses

Livro do MAC, do jornalista Haroldo Silva

SOBRE O AUTOR* - Haroldo Herbert Silva, maranhense de São Luís, nascido na Maternidade Benedito Leite, a 16 de outubro de 1937, aposentado, mas ainda em atividade e “fazendo rádio melhor que muitos jovens de hoje”, desde o tempo em que a tecnologia atual sequer era imaginada. Filho de Maria das Neves Fonseca Silva e de Miguel Archanjo Silva, HAROLDO SILVA iniciou no rádio em 1955, através de concurso para Narrador Esportivo promovido pela Rádio Ribamar, quando foram aprovados ele, Haroldo, e Abias Almeida. Gerson Tavares, um dos mais competentes homens de rádio e jornalista, era o patrão e chefe da emissora. Muito diferente de hoje.

Magno Figueiredo, com quem Haroldo Silva viajou para o México em 1970, ri às escâncaras, quando lembra que Haroldo Silva foi descoberto na boa prática do rádio, quando “narrava jogos” na antiga Escola Técnica, usando uma caixa de fósforos. Alguns “ouvintes” importantes se deliciavam com as narrações de Haroldo e acabaram tendo grande influência na decisão de participar do concurso na Rádio Ribamar. Não faz tanto tempo. Na Escola Técnica, Haroldo Silva estudou entre 1952 e 1956.

No “cast” da Rádio Ribamar, Haroldo Silva foi ser (e aceitou com orgulho) o terceiro narrador. Já faziam parte da equipe Walber Ramos Martins e Abraão Sekeff Filho. Conta Haroldo Silva que, “naqueles tempos, ser o terceiro Narrador daquela equipe, era muito mais glorioso que ser o primeiro de algumas equipes de hoje”. Não demorou muito e Haroldo Silva resolveu aceitar um convite de Dejard Ramos Martins, contratado pela Rádio Difusora de Raimundo Bacelar, em 1956, para fazer parte de uma equipe que viera integralmente da Rádio Ribamar: Walber, Dejard, Abraão e o próprio Haroldo.

 Haroldo Silva

Inquieto, Haroldo Silva resolveu mudar de ares. Enfrentou uma viagem de 12 longos dias a bordo do navio Raul Soares e foi para o Rio de Janeiro, atendendo convite pessoal de um dos ícones do rádio brasileiro. Enquanto “se arrumava” no Rio de Janeiro, Haroldo Silva fez uso do aprendizado na Escola Técnica e passou a trabalhar na Ishikawajima do Brasil, no estaleiro montado no bairro Caju, onde galgou liderança sindical, fruto do seu “falar fácil e correto”. Do Caju, pela Avenida Brasil, se chega facilmente ao Irajá, de onde se pega a vertente para São João do Meriti. E foi o que fez Haroldo Silva. Foi finalmente ser Narrador na Rádio Clube Fluminense, uma potência da época. A fama e a qualidade acabaram levando Haroldo Silva a aceitar convite para trabalhar na Rádio Difusora de Caxias, prefixo de propriedade do lendário Tenório Cavalcanti, um dos mais renomados políticos e jornalistas de todos os tempos no Rio de Janeiro.

A participação de Haroldo Silva nos meios sindicais do Rio de Janeiro acabou por lhe propiciar demorada viagem pela Europa, com acentuada passagem de conhecimento pela antiga União Soviética, além de Polônia, Itália, Portugal e Tchecoslováquia.

No retorno ao Brasil, foi fácil para Haroldo Silva ingressar na rádio Vera Cruz, ainda como Narrador, e sua ascendência mereceu convite para ingressar na Rádio Mayrink Veiga, agora fazendo parte da equipe de Jornalismo comandando por Saulo Gomes. A volta definitiva para São Luís aconteceu nos primeiros anos da década de 60. Indicado por Murilo Costa Ferreira, Haroldo Silva passou a integrar a Rádio Timbira, onde permaneceu de 1966 a 1968, agora assumindo definitivamente como Comentarista. Trabalhou ainda na Rádio Clube de Teresina, onde iniciou amizade com Juracy Vieira, um dos maiores narradores esportivos do Brasil em todos os tempos.

Haroldo Silva marcou passagem também pela Rádio Educadora. Voltou à Difusora, enquanto se tornava funcionário público na Secretaria Estadual de Administração. Foi cedido à Assembléia Legislativa, onde fez história assessorando ao mesmo tempo os deputados Carlos Guterres e Wilson Neiva. Algo marcante que, infelizmente, não cabe inserir neste momento em que se fala apenas do Radialista Haroldo Silva.

Haroldo Silva continua em plena atividade, aos 75 anos. É comentarista da equipe de Esportes da Rádio Educadora e sua fala fácil, compreensível, coerente e inteligente lhe garante a conquista de muitos ouvintes. Haroldo Silva, inteligente, letrado, voz castigada pela idade, é um eclético e ao mesmo tempo enciclopédico atuando no futebol maranhense.

*fonte: http://blog.jornalpequeno.com.br/josedeoliveiraramos/2012/10/14/haroldo-herbert-silva-o-ecletico-e-enciclopedico/

Euclides Pinto Martins, o piloto do hidroavião Sampaio Corrêa II



Busto de Pinto Martins no aeroporto que leva o seu nome, em Fortaleza (CE)

O nome Sampaio Corrêa surge em homenagem ao hidroavião Sampaio Corrêa II, que aportou em São Luís no dia 12 de dezembro de 1922, sob o comando do piloto brasileiro Pinto Martins e do americano Walter Hinton. O avião tinha sido doado pelo senador carioca José Mattoso de Sampaio Corrêa, presidente do Aeroclube Brasileiro, por isso levava seu nome. Aliás, foram dois os aviões doados pelo senador: Sampaio Corrêa I e Sampaio Corrêa II, sendo que o primeiro pegou fogo, antes do segundo ser doado. Os dois pilotos tentavam realizar a primeira ligação aérea entre as Américas, levantando voo dos Estados Unidos para o Brasil. A vestimenta dos pilotos também deu origem ao primeiro uniforme do clube, pois o brasileiro usava camisa verde e amarela, em linhas verticais e o americano nas cores verde e branca. Ambos vestiam calça caqui. Estas cores foram utilizadas durante muito tempo no uniforme do clube.

Euclides Pinto Martins nasceu em Camocim (CE) no dia 15 de Abril de 1892 e faleceu no Rio de Janeiro, em 12 de Abril de 1924. Foi um aviador brasileiro. Ainda jovem e em fins de 1922 foi escolhido como parte da tripulação de um avião fretado pelo jornal "The New York World", que patrocinava a tentativa de uma viagem aérea pioneira entre as Américas do Norte e do Sul. A viagem começou em Nova Iorque, em novembro de 1922, e terminou no Rio de Janeiro, em fevereiro de 1923, após terem sido cobertos os 5678 quilômetros do percurso com cem horas de vôo a cada instante interrompidos pelos mais variados problemas, e primeiro pouso em águas brasileiras ocorreu no dia 17 de novembro de 1922, quando Martins e seus colegas americanos aterrissaram na foz do rio Cunani. O episódio foi posteriormente narrado pelo próprio Pinto Martins a um repórter do Jornal "O Estado do Pará":

"Quando levantamos vôo de Caiena encontramos forte temporal pela proa. Rompemos o mau tempo com dificuldade, mas tivemos de procurar abrigo. Tomei a direção do aparelho (ele era co-piloto) e depois de reconhecer o rio Cunani aí descemos às 3,30 horas. O tempo, lá fora, era mpetuoso e ameaçador. Não nos foi possível prosseguir e passamos a noite matando mosquitos e com bastante fome, pois não contávamos interromper a rota". Essa e outras aventuras tornaram a viagem New York-Rio uma terrível aventura de obstáculos, só superados pela coragem dos tripulantes.

O trajeto percorrido por Pinto Martins na viagem ao Brasil compreendeu o seguinte roteiro: Nova York – Charleston – Nassau – Porto Rico – Martinica – Port-of-Spain – Georgetown – Paramaribo – Caiena – Belém (PA) - Bragança (PA) – São Luís(MA) – Camocim (CE) – Aracati (CE) – Natal (RN) – Cabedelo (PB) – Recife (PE) – Maceió (AL)– Salvador (BA) – Porto Seguro (BA) – Vitória (ES) – Cabo Frio (RJ) e Rio de Janeiro. Após alcançar 6.143 milhas, em 175 dias e 100 horas de vôo, Pinto Martins desembarca na cidade do Rio de Janeiro, no dia 8 de fevereiro de 1923. Na chegada com o "Sampaio Corrêa II", o cearense foi aclamado como herói nacional e teve calorosa recepção comandada pelo presidente da República, Artur Bernardes. Jornais da época relataram que naquele dia, toda a cidade do Rio de Janeiro parou para homenagear o feito do aviador cearense.

Comércio, indústrias, escolas e demais entidades ligadas à esfera do Distrito Federal deixaram de funcionar às 9 horas para que a população pudesse acompanhar o pouso do "Sampaio Corrêa II", que ocorreu precisamente às 9h40min, na baia de Guanabara. A multidão que presenciou o feito de Pinto Martins foi estimada em cerca de 500 mil pessoas. A comissão especial de recepção ao cearense no Rio de Janeiro foi constituída por várias autoridades, entre elas o prefeito da Cidade, Alaor Prata, e o presidente do Aero Clube do Rio de Janeiro, Sampaio Corrêa. Após o desembarque, o comandante da Defesa Aérea do Litoral, capitão-de-mar-e-guerra Protógenes Guimarães, ofereceu a Pinto Martins e a sua tripulação um almoço comemorativo em um dos hangares da ilha das Enxadas. A título de informação, a estação de passageiros de hidroaviões do Aeroporto Santos Dumont, edificação construída às margens da Baía de Guanabara, foi inaugurada pelo Presidente Getúlio Vargas em 29 de outubro de 1938, 15 anos após o feito do ilustre cearense. Funciona hoje no local, vizinho ao Aeroporto Santos-Dumont, um clube da Aeronáutica. Martins foi recebido pelo presidente Artur Bernardes e recebeu um prêmio de 200 contos de réis. Viajou à Europa, voltou ao Rio e iniciou negociações para explorar petróleo.

Em 1952, atendendo as aspirações dos seus conterrâneos, o Presidente Café Filho sancionou Lei no Congresso oficializando o nome de Pinto Martins para o aeroporto da capital cearense. Justiça, mas ainda pequena, para o homem dinâmico que na década de 1920 soube antever a importância econômica da ligação aérea regular entre os Estados Unidos e o Brasil. E que teve coragem de investir na exploração de petróleo, no Brasil, quando isso era por todos apontado como uma loucura (Sobre a relação de Pinto Martins com a exploração do petróleo, há algumas informações adicionais no livro de Monteiro Lobato "O Escândalo do Ferro e do Petróleo", que o coloca como um dos mártires dos estudos de prospecção de petróleo no Brasil). A viagem New York-Rio de Janeiro também era considerada loucura, mas ele a concluiu. O Aeroporto Internacional Pinto Martins, aeroporto de Fortaleza, leva seu nome.

O livro "Pinto Martins", escrito pelo cearense Tácito Theófilo Gaspar de Oliveira, descreve a repercussão dada pela imprensa carioca ao feito do aviador cearense. O jornal "Correio da Manhã" estampou em sua primeira página: "Os heróicos tripulantes do 'Sampaio Corrêa II' vão receber hoje, enfim, as homenagens do povo da Capital do Brasil". A edição do dia seguinte, do mesmo jornal, afirma: 'O Rio recebeu ontem entusiasticamente os gloriosos tripulantes do Sampaio Corrêa II'. O corpo da matéria diz que '...o hidroavião amerissou na Guanabara às 11h45min, em meio de vibrantes aclamações da massa popular que enchia o recinto da exposição'. O periódico "A Noite", em manchete, destaca: 'A etapa da consagração". O texto da reportagem ressalta que "os heróis do Reide Nova York-Rio nos braços do povo carioca'. E ainda: 'Eletrizante o entusiasmo da chegada dos gloriosos aviadores Hinton e Martins'. No periódico carioca "O Jornal", a manchete de primeira página diz 'Terminou o Reide Nova York-Rio' e cita que 'a chegada dos gloriosos aviadores Pinto Martins e Walter Hinton foi uma verdadeira apotheose popular'.
A morte de Pinto Martins

Pinto Martins morreu no dia 12 de abril de 1924 de maneira prematura e ainda pouco esclarecida, com apenas 32 anos. Por ironia do destino, precisamente um ano e dois meses após ter concluído a memorável travessia sobre o Atlântico. Até hoje, não existe um consenso formado sobre a causa da morte do ilustre cearense. A versão amparada por investigações policiais da época apontava para o suicídio. Existem, no entanto, várias controvérsias sobre o desaparecimento do herói cearense da aviação. O escritor paulista Monteiro Lobato tem um argumento muito incisivo sobre o motivo do desaparecimento prematuro do cearense. Em seu livro "O Escândalo do Petróleo", Monteiro Lobato revela o envolvimento de Pinto Martins com o projeto de prospecção de petróleo, assunto que naquela época era considerado verdadeiro tabu no Brasil. O cearense foi identificado na ocasião como um dos precursores da campanha nacionalista O Petróleo é Nosso. No capítulo 'Os Primeiros Mártires do Petróleo', o livro de Monteiro Lobato faz um relato sobre o mártir número um do petróleo brasileiro, no caso José Bach, 'um incompreendido sábio alemão que o destino fez encalhar em Alagoas...'. Na mesma publicação, Lobato tenta elucidar a forma misteriosa que envolveu a morte de Pinto Martins através da seguinte passagem: 'Mais tarde, um senhor de Maceió adquire da viúva Bach os estudos do infeliz geólogo e associa-se com Pinto Martins para a renovação da iniciativa'.

O grande cearense, que escreveu seu nome com destaque na história da aviação brasileira, foi encontrado morto em um quarto de hotel do Rio de Janeiro, no dia 12 de abril de 1924, pouco mais de um ano após a realização do reide sonhado, sem que ninguém compreendesse tal tragédia. O livro "Pinto Martins: Mártir Número Dois do Petróleo" narra que, na véspera do suposto suicídio, Pinto Martins havia telegrafado ao seu sócio em Maceió. O texto dizia assim: 'Negócio fechado; assinarei contrato dentro de três dias. A sua papelada – mapas, relatórios e mais estudos de José Bach em seu poder – tudo desapareceu'. No livro "Escândalo do Petróleo e do Ferro", também de Monteiro Lobato, o autor sustenta que Pinto Martins foi vítima dos 'poderosos lobbys interessados em atrasar o desenvolvimento brasileiro'.


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

PÔSTER - Sampaio Corrêa - Campeão Maranhense 1976


Sampaio Corrêa e o escândalo Pablito em 1980

O Campeonato Maranhense de 1980 apresentava, além das tradicionais equipes, como MAC, Moto, Imperatriz, São José e Boa Vontade, uma novidade: o Ajax, da cidade de Pindaré. A Bolívia Querida, treinada pelo experiente Nelson Gama, foi campeã com a seguinte base: Alexandre, Tereso, Ernesto, Everaldo e Celso; Rosclin, Pablito e Maia. Fernando, Cabecinha e e Bimbinha. O Sampaio realizou 24 jogos, com 13 vitórias, 8 empates e apenas 3 derrotas. A equipe marcou 51 gols e sofreu 13. O Sampaio Corrêa, mesmo sendo vítima de escândalos desportivos ao longo da sua história, tem sido acusado como o clube mais beneficiado pelas armações. Uma delas deu-se quando das disputas do triangular decisivo ao Campeonato Maranhense de 1980, firmando-se como uma verdadeira polêmica à época segundo relatos. O escândalo ficou por conta do atleta Pablito, do Sampaio Corrêa, julgado pelo no dia 27 de novembro de 1980 pelo Tribunal de Justiça Desportiva e suspenso por três jogos, mas que atuou tranquilamente contra maqueanos e motenses, em decorrência do clube não ter sido avisado nem pelo TJD tampouco pela FMD. A Federação Maranhense de Desportos interpretou o fato de acordo com o interesse do Sampaio Corrêa, afirmando que o clube não havia comparecido à sessão, motivo pelo qual a agremiação não fora comunicada oficialmente antes dos jogos.

Sem a comunicação da Federação ou do TJD, os dirigentes do Sampaio Corrêa lançaram Pablito nas duas partidas finais do triangular, se baseando no Art. 100 da CBD que diz textualmente, que o jogador e o Club terá que ser comunicado oficialmente, quando for punido pelo Tribunais de Justiça, pois só sabiam da punição através da imprensa. Para tal fato, o presidente da Federação, senhor Emílio Biló Murad, justificou que o julgamento havia acontecido na sexta-feira à noite, e no sábado não há expediente na FMD, o que dificultou então a comunicação oficial ao Sampaio.

Sobre o fato, é interessante ressaltar os motivos, articulados pela Federação Maranhense de Desportos em conjunto com o próprio Sampaio Corrêa: era uma sexta-feira, o Sampaio foi orientado sutilmente para não ser representado, muito menos o jogador se fazer presente. No dia seguinte, quando ninguém esperava, Pablito apareceu para enfrentar o MAC. Houve protestos, mas oficialmente o Sampaio não havia sido comunicado. O presidente do TJD não estava no estádio. O time venceu e Pablito também jogou domingo contra o Moto, empatou e o Tricolor foi campeão.





FICHA DO JOGO

Sampaio Corrêa 1x1 Moto Club
Data: 30 de novembro de 1980
Loca: Estádio Nhozinho Santos
Juiz: Lercilio Estrela
Público: 11.162 pagantes
Gols: Celso Alonso (Sampaio Corrêa) e Luís Carlos (Moto Club)
Sampaio Corrêa: Alexandre, Tereso, Ernesto, Everaldo e Celso Alonso; Rosclin, Pablito (Marcelo) e Maia (Zé Ivan); Fernando, Cabecinha e Bimbinha. Técnico: Nelson Gama.
Moto Club: Marcelino, Nascimento, Beto, Irineu e Luís Carlos; Tião, Beato e Edésio; Vicentinho (Gabriel), Adeilton e Alberto. Técnico: Marçal Tolentino Serra.

Podcast - Goleiro Marcial, ex-Ferroviário e Sampaio Corrêa - dia 05 de Outubro

Dia 05 de Outubro, sábado, irá ao ar o último Podcast "Memórias do Futebol Maranhense". E o último entrevistado é o ex-goleiro Marcial, lendária figura do nosso futebol. Relevado pelo Torneio Intermunicipal, Marcial ganhou fama no extinto Ferroviário e no Sampaio Corrêa, onde posteriormente virou treinador de goleiros. O craque foi Campeão Brasileiro da Série C em 1997, na condição de preparador de goleiros, carreira que segue até hoje após abandonar os gramados como profissional. Não perca!!!