Uma pequena homenagem do Blog Futebol Maranhense Antigo ao Moto Club de São Luis pelos seus 77 anos de vida.
sábado, 13 de setembro de 2014
Valdinar, “o moço de Coroatá”
Matéria de Edivaldo Pereira Biguá e Tânia Biguá, página "Onde Anda Você?", do Jornal O Estado do Maranhão, de 03 de Abril de 2000
Uma das formações do Ferroviário, campeão maranhense de 1971. Em pé: Martinho, Ivan, Vivico, Valdinar, Alzimar e Antônio Carlos; Agachados: Edson Sarará, Amaro, Carlos Alberto, Santana e Coelho
É comum um garoto nascer no interior e vir morar na capital do estado em busca de melhores oportunidades e qualidade de vida. Com Valdinar a coisa aconteceu de forma inversa. Nascido em São Luís, se tornou respeitado e admirado em Coroatá, cidade do interior do estado que fica a aproximadamente 330 quilômetros da capital. Despontou jogando no Artístico e encerrou a carreira de atleta profissional no Ferroviário Esporte Clube. O radialista e jornalista Jota Alves, quando ia falar de Valdinar nos programas ou nas transmissões esportivas, enfatizava a origem do craque. Dizia ele: “Valdinar, o moço de Coroatá”.
O nome de Valdinar é, na verdade, Valdimar (com m) Vieira do Norte. Nascido na Estrada da Vitória, Monte Castelo, no dia 31 de Dezembro de 1947, foi parar em Coroatá aos quatro anos de idade. Seu Roque, pai dele, passou a trabalhar na REFFSA –Rede Ferroviária Federal – daquela cidade e levou consigo a família. A principal preocupação do pai era com os estudos dos cinco filhos. Um detalhe interessante é que nenhum irmão, nem Valdinar, jogava futebol. Ele teve os primeiros contatos com a bola quando já estava com 17 anos de idade, através das peladas batidas no campo do Santa Cruz. Lá começaram a chama-lo de Valdinar. O nome ficou. Ele próprio gosta de ser chamado dessa forma.
Modestamente Valdinar diz que era muito ruim de bola. Nas peladas, não tinha posição certa. “Eu corria atrás da bola. Zé Santana, Pedrinho, Totó, Zé Henrique, Siba, Ribinha e outros amigos da época sabiam das minhas limitações técnicas. Eles, assim como eu, nos espantamos quando recebi o convite para jogar no Artístico, time que tinha como ídolo Morais, centroavante que jogou no Maranhão Atlético Clube”. Foi justamente Morais a fazer o convite. Ele interrompeu a pelada, chamou Valdinar e disse: “garoto, você tem futuro se encarar a bola com seriedade. Gostaria que você jogasse com a gente no domingo que vem, me Pedreiras”. Valdinar foi para casa e comentou o acontecido com o pai, que não acreditava no que estava ouvindo. “Todo mundo só falava que eu era ruim de bola. Como é que o Morais viu qualidade no meu futebol?”. O certo é que, depois de uma noite de sábado mal dormida pela expectativa de pela primeira vez calçar chuteiras e vestir a camisa de um time oficial, Valdinar encarou o desafio com tranquilidade. Entrou como titular e acabou vencendo o adversário por 2x1, no campo deles. O pai, que foi vê-lo jogar, ficou orgulhoso.
Esse foi o primeiro e único jogo dele pelo Artístico. “Walter Polary, coletor estadual e diretor do Santa Cruz, me convidou para jogar no time dele. Me empregou na Fábrica de Mosaico, permitindo que eu trabalhasse pela manhã e treinasse à tarde. A partir dali comecei a ganhar dinheiro com o futebol”.
Após quinze dias de trabalho na Fábrica de Mosaico, Valdinar recebeu convite para jogar no Ferroviário de Caxias. Um amigo do pai dele, que trabalhava na REFFSA de Caxias, o convenceu da transferência de cidade. “Me deram salário, casa, comida e uma bicicleta. Era a primeira vez que eu possuía uma coisa só minha, conquistada por méritos meus. Estava radiante e encarei com muito profissionalismo essa nova situação de minha vida”. Passou a ser ídolo da cidade ao lado de Galego.
Valdinar atuava como médio-volante (cabeça-de-área). De um excelente vigor físico, não tinha técnica apurada, mas sabia bater na bola. Chutava forte com a perna direita. Fazia gols de fora da área. Era viril, chegava junto. “Fungava no cangote dos adversários”, como contam. Sua maior característica era a força de vontade, já que detestava perder. Corria os quatro cantos do campo atrás da vitória.
Depois de Caxias, Valdinar disputou um campeonato intermunicipal maranhense por Coroatá e outro no Piauí pela cidade de Oeiras. Passou pelo River de Teresina e acabou aceitando o convite de Evandro Ferreira, diretor do Ferroviário Esporte Clube de São Luis, e voltou para a cidade onde nasceu. “Quando vim para o Ferrim, vieram comigo de Coroatá Ribinha (quarto-zagueiro) e Raimundinho (meia-esquerda), craques de bola. Infelizmente não treinaram bem e acabaram retornando ao interior”.
Com 22 anos de idade, Valdinar vestiu a gloriosa camisa do time da Estrada de Ferro de São Luís. “Foi uma grande emoção jogar ao lado de Neguinho, Nélio, Tutinha e outras feras que formaram o Ferrim de 1969”.
O Maranhão Atlético Clube montou um time imbatível em 1969 e 1970 e acabou levando o bicampeonato estadual. Em 1971 a vez foi do Ferroviário comemorar o título. O grupo contava com excelentes atletas. Martinho (goleiro que veio do Ceará); Neguinho, Alzimar, Vivico e Antônio Carlos; Valdinar, Joari (carioca) e Carlos Alberto; Edson Sarará (pernambucano), Mineirinho (capixaba) e Coelho. Ainda tinha Santana, Esquerdinha, Ivan, Amaro, Carrinho, Marcial (goleiro), Gimico e outros. Ficou no Ferrim até 1972. No ano seguinte alguns problemas pessoais obrigaram-no a trocar São Luís por Brasília. Após oito meses, estava retornando ao Maranhão, acabou parando em Imperatriz, onde jogou pela Sociedade Atlética Imperatriz. De lá foi para Coroatá. Três meses depois recebeu convite do Dr. Franco, então Presidente do Ferroviário, para retornar ao time da Estrada de Ferro. Foi empregado na REFFSA, jogou durante uns seis meses e resolveu dar um tempo com a bola.
Em 1976 defendeu o Vitória do Mar no estadual de profissionais. Nesse período eu vivia tranquilo. Tinha um emprego garantido e batia minha bolinha sem compromisso. Estava tão bem na competição que logo após o término fui convidado a retornar ao Ferroviário. Aceitei. Fiquei lá mais uma temporada. Em Setembro de 1977 encerrei a carreira de atleta profissional de futebol.
O nome de Valdinar é, na verdade, Valdimar (com m) Vieira do Norte. Nascido na Estrada da Vitória, Monte Castelo, no dia 31 de Dezembro de 1947, foi parar em Coroatá aos quatro anos de idade. Seu Roque, pai dele, passou a trabalhar na REFFSA –Rede Ferroviária Federal – daquela cidade e levou consigo a família. A principal preocupação do pai era com os estudos dos cinco filhos. Um detalhe interessante é que nenhum irmão, nem Valdinar, jogava futebol. Ele teve os primeiros contatos com a bola quando já estava com 17 anos de idade, através das peladas batidas no campo do Santa Cruz. Lá começaram a chama-lo de Valdinar. O nome ficou. Ele próprio gosta de ser chamado dessa forma.
Modestamente Valdinar diz que era muito ruim de bola. Nas peladas, não tinha posição certa. “Eu corria atrás da bola. Zé Santana, Pedrinho, Totó, Zé Henrique, Siba, Ribinha e outros amigos da época sabiam das minhas limitações técnicas. Eles, assim como eu, nos espantamos quando recebi o convite para jogar no Artístico, time que tinha como ídolo Morais, centroavante que jogou no Maranhão Atlético Clube”. Foi justamente Morais a fazer o convite. Ele interrompeu a pelada, chamou Valdinar e disse: “garoto, você tem futuro se encarar a bola com seriedade. Gostaria que você jogasse com a gente no domingo que vem, me Pedreiras”. Valdinar foi para casa e comentou o acontecido com o pai, que não acreditava no que estava ouvindo. “Todo mundo só falava que eu era ruim de bola. Como é que o Morais viu qualidade no meu futebol?”. O certo é que, depois de uma noite de sábado mal dormida pela expectativa de pela primeira vez calçar chuteiras e vestir a camisa de um time oficial, Valdinar encarou o desafio com tranquilidade. Entrou como titular e acabou vencendo o adversário por 2x1, no campo deles. O pai, que foi vê-lo jogar, ficou orgulhoso.
Esse foi o primeiro e único jogo dele pelo Artístico. “Walter Polary, coletor estadual e diretor do Santa Cruz, me convidou para jogar no time dele. Me empregou na Fábrica de Mosaico, permitindo que eu trabalhasse pela manhã e treinasse à tarde. A partir dali comecei a ganhar dinheiro com o futebol”.
Após quinze dias de trabalho na Fábrica de Mosaico, Valdinar recebeu convite para jogar no Ferroviário de Caxias. Um amigo do pai dele, que trabalhava na REFFSA de Caxias, o convenceu da transferência de cidade. “Me deram salário, casa, comida e uma bicicleta. Era a primeira vez que eu possuía uma coisa só minha, conquistada por méritos meus. Estava radiante e encarei com muito profissionalismo essa nova situação de minha vida”. Passou a ser ídolo da cidade ao lado de Galego.
Valdinar atuava como médio-volante (cabeça-de-área). De um excelente vigor físico, não tinha técnica apurada, mas sabia bater na bola. Chutava forte com a perna direita. Fazia gols de fora da área. Era viril, chegava junto. “Fungava no cangote dos adversários”, como contam. Sua maior característica era a força de vontade, já que detestava perder. Corria os quatro cantos do campo atrás da vitória.
Depois de Caxias, Valdinar disputou um campeonato intermunicipal maranhense por Coroatá e outro no Piauí pela cidade de Oeiras. Passou pelo River de Teresina e acabou aceitando o convite de Evandro Ferreira, diretor do Ferroviário Esporte Clube de São Luis, e voltou para a cidade onde nasceu. “Quando vim para o Ferrim, vieram comigo de Coroatá Ribinha (quarto-zagueiro) e Raimundinho (meia-esquerda), craques de bola. Infelizmente não treinaram bem e acabaram retornando ao interior”.
Com 22 anos de idade, Valdinar vestiu a gloriosa camisa do time da Estrada de Ferro de São Luís. “Foi uma grande emoção jogar ao lado de Neguinho, Nélio, Tutinha e outras feras que formaram o Ferrim de 1969”.
O Maranhão Atlético Clube montou um time imbatível em 1969 e 1970 e acabou levando o bicampeonato estadual. Em 1971 a vez foi do Ferroviário comemorar o título. O grupo contava com excelentes atletas. Martinho (goleiro que veio do Ceará); Neguinho, Alzimar, Vivico e Antônio Carlos; Valdinar, Joari (carioca) e Carlos Alberto; Edson Sarará (pernambucano), Mineirinho (capixaba) e Coelho. Ainda tinha Santana, Esquerdinha, Ivan, Amaro, Carrinho, Marcial (goleiro), Gimico e outros. Ficou no Ferrim até 1972. No ano seguinte alguns problemas pessoais obrigaram-no a trocar São Luís por Brasília. Após oito meses, estava retornando ao Maranhão, acabou parando em Imperatriz, onde jogou pela Sociedade Atlética Imperatriz. De lá foi para Coroatá. Três meses depois recebeu convite do Dr. Franco, então Presidente do Ferroviário, para retornar ao time da Estrada de Ferro. Foi empregado na REFFSA, jogou durante uns seis meses e resolveu dar um tempo com a bola.
Em 1976 defendeu o Vitória do Mar no estadual de profissionais. Nesse período eu vivia tranquilo. Tinha um emprego garantido e batia minha bolinha sem compromisso. Estava tão bem na competição que logo após o término fui convidado a retornar ao Ferroviário. Aceitei. Fiquei lá mais uma temporada. Em Setembro de 1977 encerrei a carreira de atleta profissional de futebol.
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
ÁUDIO - Entrevistas de divulgação do livro do Maranhão Atlético Clube
Deixo neste post algumas fotos e o áudio das entrevista com Hugo Saraiva, divulgando o livro do Maranhão Atlético Clube nos programas "Rolando a Bola", da Rádio Difusora AM (11 de Setembro de 2014), "Capital Esportes", da Rádio Capital AM 1180, dia 12 de Setembro de 2014, e "Viva o Esporte", da Rádio Pioneira de Teresina, dia 13 de Setembro.
PROGRAMA ROLANDO A BOLA
FOTOS
FOTOS
ÁUDIO - PROGRAMA ROLANDO A BOLA
PROGRAMA VIVA O ESPORTE (TERESINA/PI)
Próximas datas de divulgação do livro do MAC: segunda, dia 15, nos programas FONTENELE COMENTA e PANORAMA ESPORTIVO. Na terça, programa ABRINDO O VERBO.
Próximas datas de divulgação do livro do MAC: segunda, dia 15, nos programas FONTENELE COMENTA e PANORAMA ESPORTIVO. Na terça, programa ABRINDO O VERBO.
Para ouvir ao vivo, deixo
os links:
RÁDIO MIRANTE AM: http://imirante.globo.com/miranteam/player/popup_am.html
RÁDIO MIRANTE AM: http://imirante.globo.com/miranteam/player/popup_am.html
LINK RÁDIO TIMBIRA: http://www.ma.gov.br/timbira/
sábado, 6 de setembro de 2014
Edison Moraes Rêgo
Matéria de Edivaldo Pereira Biguá e Tânia Biguá, página "Onde Anda Você?", do Jornal O Estado do Maranhão, de 08 de Novembro de 1999
Maranhão Atlético Clube em 1956. Em pé: Marianinho, Serra Pano de Barco, Balduíno, Cabeça, Derval, Moacir Bueno e Leôncio Rodrigues; Agachados: Nélio, Jaime, Moares, Moacir Graça, Edison e Rabelo Carne Assada
Bim, Anjo, Doutor Formiga e Mascote, estes foram alguns dos apelidos de Edison de Moraes Rêgo, um ponta de 1m57 de altura e 46 kg de peso, que infernizou as defesas de que enfrentou o Maranhão Atlético Clube de 1956 a 1960e o Sampaio Corrêa em 1961. Foi um atleta inteligente e bastante solidário com os companheiros de profissão. Jogar bola era uma coisa nata. Jogava porque sabia e, acima de tudo, gostava.
Edison Moraes Rêgo nasceu em Pedreiras, interior do Estado, no dia 22 de Dezembro de 1939. Recorda-se bem de que, quando estava com oito para nove anos de idade, acompanhava os atletas da Seleção Pedreirense nos jogos que faziam na cidade contra equipes e seleções de outras cidades. Nessa época ele era conhecido como Bim e já disputava peladas calçando chuteiras, mesmo a contragosto da família. “Não adiantava me proibir de jogar. Não sonhava em ser um atleta profissional, eu apenas queria jogar bola, só isso”, disse ele.
Quando estava com 11 para 12 anos de idade, depois de concluído a quarta série do primário, Edison foi mandado para São Luís. Ficou na casa de um tio e foi prestar exame de admissão no Colégio Marista. Foi aprovado e se tornou interno do colégio. Se destacou como aluno e atleta. “O colégio tinha três seleções. Uma de alunos menores, médios e maiores. Eu, mesmo sendo da ala menor, jogava no meio dos maiores. O que importava na época era o tamanho da bola que eu jogava e não o tamanho do corpo que eu tinha”.
No colégio, Edison passou a ser conhecido como Doutor Formiga. Nessa época, o Maranhão Atlético Clube treinava em um dos campos do Marista. Um dos ídolos da torcida atleticana era o Rabelo, conhecido como Carne Assada. Antes de um treino do MAC, Carne Assada vu Edison batendo bola em um dos campos do Marista e ficou impressionado com a habilidade daquele garoto franzino. O indicou para o técnico paraguaio Luiz Comitante, que dirigia o MAC na época. “Comitante gostou de mim e queria falar com a minha família para que me autorizasse a jogar. Como eu estava sob responsabilidade do colégio, ele foi falar com o diretor do Marista. Me lembro perfeitamente que, depois de alguns minutos de conversa, ele disse ao irmão para me fazer comer muito quiabo e maxixe para crescer e ficar forte”.
No dia 01 de Maio de 1956, quando ainda iria completar 17 anos de idade, Edison vestiu oficialmente a camisa do MAC em um jogo de portas abertas no Estádio Nhozinho Santos, contra o Vitória do Mar. Chovia muito. O MAC ganhou de 4x1 e Edison deixou a sua marca de artilheiro. “Um gol inesquecível. A bola foi cruzada da direita e u me apoiei no zagueiro Mizael, do Vitória Dei meia bicicleta e fiz um golaço. Foi a primeira vez que senti uma torcida vibrar e me emocionei muito. Sempre fui boliviano, mas naquele momento comecei a gostar do MAC”.
A partir daí Edison passou a ser admirado pela torcida atleticana e respeitado pela imprensa, que não poupava elogios à inteligência dele. Diziam os cronistas e locutores esportivos que ele era rápido, habilidoso, que tinha um excelente domínio de bola, chegava fácil à linha de fundo, cruzava bem e ainda ajudava na marcação no meio de campo. Jogava de ponta-direita ou esquerda. Botava a bola onde queria e se tornou exímio batedor de pênaltis. “Em um Torneio Início, bati 19 pênaltis e converti todos. Eu não tinha medo de goleiros”. Foi nessa época que Edison ganhou ao apelidos de Anjo e Mascote. Anjo porque era branco demais e Mascote porque era muito pequeno e nem parecia um jogador profissional.
Uma formação atleticana que Edison gostou de jogar tinha Derval no gol; Cabeça e Moacir Bueno; Marianinho, Serra “Pano de Barco” e Maçarico; Moacir Graça, Nélio, Moraes, Jaime e Edison. “Um excelente time. Pena que nós só ganhávamos torneios início. Taça Cidade de São Luís e outras competições menores. Na hora do campeonato estadual, quando conseguíamos muito, éramos vice-campeões”.
No MAC Edison ficou até 1960. Foi convidado para jogar em equipes de fora do Estado, mas a família não deixava. No ano seguinte, transferiu-se para o Sampaio e juntamente com Dadá, Peu, Fernando, Massaú, Canhotinho, Decadela, Milson Cordeiro, Vadinho, Damasceno e outras cobras, acabou conquistando o título estadual de 1961 com a camisa do seu time de coração.
Paralelo ao futebol de campo, Edison foi jogador de futebol de salão. Foi atleta fundador do Elétron e depois jogou pelo Próton. “Tive o prazer de jogar com Marinaldo, Rômulo, Vadico, Parú, Nonato e Elias Cassas, César Bragança, Cadico, Virão, Milson Cordeiro e outros”.
Em 1962, Edison sofreu uma entorse no joelho em um treino no Sampaio Corrêa. Seguidamente, em outro treino, acabou fraturando o mesmo joelho. Ficou no estaleiro um bom tempo. Tinha medo de operar e acabou ficando com uma sequela forte no joelho (até hoje). Neste mesmo ano, prestou concurso para o Banco do Estado do Maranhão (BEM), foi aprovado e acabou abandonando o futebol profissional. “Foram anos maravilhosos como atleta profissional. Só que havia chegado o momento de escolher entre segui carreira como profissional da bola (bichado) ou ser bancário. Escolhi o banco e fui para Pindaré-Mirim, como escriturário”.
Depois de Pindaré Edison foi transferido para Viana. Lá fez um excelente trabalho na agência do banco e na seleção de futebol local que chegou a conquistar o bicampeonato do Torneio Intermunicipal. “Nessa época descobri o ponta-esquerda Dario e o trouxe para o MAC em São Luís. Com o tempo ele se firmou como um dos maiores atletas do clube atleticano”.
Depois que se transferiu da cidade de Viana, Edison não conseguiu mais jogar futebol, nem em peladas, por causa do joelho. Daí pra frente o negócio dele era a carreira de bancário.
Edison Moraes Rêgo nasceu em Pedreiras, interior do Estado, no dia 22 de Dezembro de 1939. Recorda-se bem de que, quando estava com oito para nove anos de idade, acompanhava os atletas da Seleção Pedreirense nos jogos que faziam na cidade contra equipes e seleções de outras cidades. Nessa época ele era conhecido como Bim e já disputava peladas calçando chuteiras, mesmo a contragosto da família. “Não adiantava me proibir de jogar. Não sonhava em ser um atleta profissional, eu apenas queria jogar bola, só isso”, disse ele.
Quando estava com 11 para 12 anos de idade, depois de concluído a quarta série do primário, Edison foi mandado para São Luís. Ficou na casa de um tio e foi prestar exame de admissão no Colégio Marista. Foi aprovado e se tornou interno do colégio. Se destacou como aluno e atleta. “O colégio tinha três seleções. Uma de alunos menores, médios e maiores. Eu, mesmo sendo da ala menor, jogava no meio dos maiores. O que importava na época era o tamanho da bola que eu jogava e não o tamanho do corpo que eu tinha”.
No colégio, Edison passou a ser conhecido como Doutor Formiga. Nessa época, o Maranhão Atlético Clube treinava em um dos campos do Marista. Um dos ídolos da torcida atleticana era o Rabelo, conhecido como Carne Assada. Antes de um treino do MAC, Carne Assada vu Edison batendo bola em um dos campos do Marista e ficou impressionado com a habilidade daquele garoto franzino. O indicou para o técnico paraguaio Luiz Comitante, que dirigia o MAC na época. “Comitante gostou de mim e queria falar com a minha família para que me autorizasse a jogar. Como eu estava sob responsabilidade do colégio, ele foi falar com o diretor do Marista. Me lembro perfeitamente que, depois de alguns minutos de conversa, ele disse ao irmão para me fazer comer muito quiabo e maxixe para crescer e ficar forte”.
No dia 01 de Maio de 1956, quando ainda iria completar 17 anos de idade, Edison vestiu oficialmente a camisa do MAC em um jogo de portas abertas no Estádio Nhozinho Santos, contra o Vitória do Mar. Chovia muito. O MAC ganhou de 4x1 e Edison deixou a sua marca de artilheiro. “Um gol inesquecível. A bola foi cruzada da direita e u me apoiei no zagueiro Mizael, do Vitória Dei meia bicicleta e fiz um golaço. Foi a primeira vez que senti uma torcida vibrar e me emocionei muito. Sempre fui boliviano, mas naquele momento comecei a gostar do MAC”.
A partir daí Edison passou a ser admirado pela torcida atleticana e respeitado pela imprensa, que não poupava elogios à inteligência dele. Diziam os cronistas e locutores esportivos que ele era rápido, habilidoso, que tinha um excelente domínio de bola, chegava fácil à linha de fundo, cruzava bem e ainda ajudava na marcação no meio de campo. Jogava de ponta-direita ou esquerda. Botava a bola onde queria e se tornou exímio batedor de pênaltis. “Em um Torneio Início, bati 19 pênaltis e converti todos. Eu não tinha medo de goleiros”. Foi nessa época que Edison ganhou ao apelidos de Anjo e Mascote. Anjo porque era branco demais e Mascote porque era muito pequeno e nem parecia um jogador profissional.
Uma formação atleticana que Edison gostou de jogar tinha Derval no gol; Cabeça e Moacir Bueno; Marianinho, Serra “Pano de Barco” e Maçarico; Moacir Graça, Nélio, Moraes, Jaime e Edison. “Um excelente time. Pena que nós só ganhávamos torneios início. Taça Cidade de São Luís e outras competições menores. Na hora do campeonato estadual, quando conseguíamos muito, éramos vice-campeões”.
No MAC Edison ficou até 1960. Foi convidado para jogar em equipes de fora do Estado, mas a família não deixava. No ano seguinte, transferiu-se para o Sampaio e juntamente com Dadá, Peu, Fernando, Massaú, Canhotinho, Decadela, Milson Cordeiro, Vadinho, Damasceno e outras cobras, acabou conquistando o título estadual de 1961 com a camisa do seu time de coração.
Paralelo ao futebol de campo, Edison foi jogador de futebol de salão. Foi atleta fundador do Elétron e depois jogou pelo Próton. “Tive o prazer de jogar com Marinaldo, Rômulo, Vadico, Parú, Nonato e Elias Cassas, César Bragança, Cadico, Virão, Milson Cordeiro e outros”.
Em 1962, Edison sofreu uma entorse no joelho em um treino no Sampaio Corrêa. Seguidamente, em outro treino, acabou fraturando o mesmo joelho. Ficou no estaleiro um bom tempo. Tinha medo de operar e acabou ficando com uma sequela forte no joelho (até hoje). Neste mesmo ano, prestou concurso para o Banco do Estado do Maranhão (BEM), foi aprovado e acabou abandonando o futebol profissional. “Foram anos maravilhosos como atleta profissional. Só que havia chegado o momento de escolher entre segui carreira como profissional da bola (bichado) ou ser bancário. Escolhi o banco e fui para Pindaré-Mirim, como escriturário”.
Depois de Pindaré Edison foi transferido para Viana. Lá fez um excelente trabalho na agência do banco e na seleção de futebol local que chegou a conquistar o bicampeonato do Torneio Intermunicipal. “Nessa época descobri o ponta-esquerda Dario e o trouxe para o MAC em São Luís. Com o tempo ele se firmou como um dos maiores atletas do clube atleticano”.
Depois que se transferiu da cidade de Viana, Edison não conseguiu mais jogar futebol, nem em peladas, por causa do joelho. Daí pra frente o negócio dele era a carreira de bancário.
VÍDEO - Juca Baleia retorna ao Expressinho e conquista o acesso no Maranhense
Matéria e vídeo do Programa "Esporte 10", da TV Mirante, exibido no dia 06 de Setembro de 2014.
VÍDEO
Uma figura muito conhecida no futebol maranhense. Tem uma grande história como jogador, e agora pode ter também como dirigente. - Estamos tentando fazer um trabalho. A dificuldade é grande, principalmente em um time considerado pequeno como o Expressinho.
Ele é Juvenal Marinho dos Passos, mas se tornou até nacionalmente conhecido como Juca Baleia. O apelido se deve a contestada forma física. Tudo realmente era difícil para ele. No começo da carreira foi até rejeitado.
Antes de defender o Expressinho, o goleiro treinou na base do Sampaio, mas não foi aproveitado no time principal. - Passei cinco anos no Sampaio no juvenil e não tive oportunidade - explica Juca. Juca então começou a dar a resposta no próprio time do bairro em que ele morava: o Expressinho, também conhecido como o Furacão da Cohab. - O Expressinho sempre foi um time que era calo no sapato dos times grandes.
Depois de 10 anos Juca finalmente voltou ao Sampaio. Agora como titular absoluto e destaque em três títulos estaduais. Em 1992 ganhou projeção nacional pelos jogos contra o Palmeiras pela Copa do Brasil. - Tinha bolas que os caras depois perguntavam "rapaz como tu agarrou essa bola?". Eu joguei até com 110kg. Cheguei a jogar até com 120kg.
Mesmo quem nunca viu Juca jogar profissionalmente ouviu boas histórias dessa época. - Ele era gordinho, mas defendia bem - diz o zagueiro Lucas, do Boa Vontade.
Depois que encerrou a carreira há 20 anos Juca foi dirigente da Agap, (Associação de Garantia ao Atleta Profissional), em um trabalho com jogadores veteranos. Mas uma outra vontade ainda seria realizada e envolvia uma paixão de juventude.
Quase 40 anos depois, Juca Baleia voltou ao Expressinho como um apoiador. Quer chegar à primeira divisão, mas com os pés no chão. - Se não tiver uma organização, melhor ficar parado, tentando organizar alguma coisa. Porque ir para fazer feio, a gente não vai.
Ele reencontrou o clube na Série B do Campeonato Maranhense, mas não perdeu tempo. A apresentação do Expressinho para o primeiro treino aconteceu faltando dois meses e 20 dias para o início da divisão de acesso. Tanta antecipação já fazia parte do planejamento de Juca.
Quando, finalmente, o Estadual começou dia 6 de agosto um susto logo na estreia. Derrota por 1 a 0 diante do Boa Vontade. Tudo bem, a partir daí o Furacão da Cohab deslanchou. A vitória por 2 a 0 sobre A americano veio com gols de Alex campos, que já era do elenco do Expressinho em 2013.
O restante da campanha destacou jogadores com passagens por muitos clubes do Maranhão. Mazinho, ex-Moto, Dilton, que foi jogador do MAC e Sampaio; Marquinhos jogou no Americano; Rogério, ex-Iape e MAC. Além do experiente Tim Marcos, que passou por quase todos os clubes da capital maranhense, além de defender o Imperatriz e Bacabal.
Foi Tim Marcos que marcou o primeiro gol da partida que poderia valer o acesso. Era a semifinal contra o Timon com Neguinho, ampliando o placar para 2 a 0. O terceiro gol veio com Marquinhos. O Timon ainda diminuiu, mas a festa já estava garantida e 12 anos depois o Expressinho garantia o retorno à Série A do Campeonato Maranhense.
Jogadores inspirados pela história, do agora dirigente, Juca Baleia. Um, em especial, teve uma responsabilidade a mais: o goleiro Laerte. Dono da posição que consagrou Juca, por isso ganhou uma atenção especial do ex-goleiro do Expressinho.
- Sempre deu conselho pra gente honrar essa camisa, com muita determinação e força de vontade como ele honrou - diz Laerte sobre os conselhos de Juca Baleia.
No Nhozinho Santos o fim de uma etapa nessa caminhada rumo à volta à primeira divisão do Estadual. Na última quarta-feira, Expressinho e Sabiá, já garantidos na primeira divisão de 2015, decidiram o título da Série B. Na torcida, Juca Baleia começou calmo e viu o Expressinho fazer 3 a 0 com gols de Alex Campos e Neguinho. O Sabiá ainda descontou com Marquinho.
No fim do jogo, mesmo com o Expressinho vencendo, Juca gritava, gesticulava e tentava arrumar o time da arquibancada. Depois do apito final, a taça de campeão, símbolo dessa volta à elite do futebol maranhense.
Um sonho realizado por Juca Baleia, que retornou ao Expressinho para mais uma missão que foi cumprida. - Agora é só alegria. Mas antes tivesse jogando, porque de fora é muito mais difícil - diz Juca após a conquista do título.
Ele é Juvenal Marinho dos Passos, mas se tornou até nacionalmente conhecido como Juca Baleia. O apelido se deve a contestada forma física. Tudo realmente era difícil para ele. No começo da carreira foi até rejeitado.
Antes de defender o Expressinho, o goleiro treinou na base do Sampaio, mas não foi aproveitado no time principal. - Passei cinco anos no Sampaio no juvenil e não tive oportunidade - explica Juca. Juca então começou a dar a resposta no próprio time do bairro em que ele morava: o Expressinho, também conhecido como o Furacão da Cohab. - O Expressinho sempre foi um time que era calo no sapato dos times grandes.
Depois de 10 anos Juca finalmente voltou ao Sampaio. Agora como titular absoluto e destaque em três títulos estaduais. Em 1992 ganhou projeção nacional pelos jogos contra o Palmeiras pela Copa do Brasil. - Tinha bolas que os caras depois perguntavam "rapaz como tu agarrou essa bola?". Eu joguei até com 110kg. Cheguei a jogar até com 120kg.
Mesmo quem nunca viu Juca jogar profissionalmente ouviu boas histórias dessa época. - Ele era gordinho, mas defendia bem - diz o zagueiro Lucas, do Boa Vontade.
Depois que encerrou a carreira há 20 anos Juca foi dirigente da Agap, (Associação de Garantia ao Atleta Profissional), em um trabalho com jogadores veteranos. Mas uma outra vontade ainda seria realizada e envolvia uma paixão de juventude.
Quase 40 anos depois, Juca Baleia voltou ao Expressinho como um apoiador. Quer chegar à primeira divisão, mas com os pés no chão. - Se não tiver uma organização, melhor ficar parado, tentando organizar alguma coisa. Porque ir para fazer feio, a gente não vai.
Ele reencontrou o clube na Série B do Campeonato Maranhense, mas não perdeu tempo. A apresentação do Expressinho para o primeiro treino aconteceu faltando dois meses e 20 dias para o início da divisão de acesso. Tanta antecipação já fazia parte do planejamento de Juca.
Quando, finalmente, o Estadual começou dia 6 de agosto um susto logo na estreia. Derrota por 1 a 0 diante do Boa Vontade. Tudo bem, a partir daí o Furacão da Cohab deslanchou. A vitória por 2 a 0 sobre A americano veio com gols de Alex campos, que já era do elenco do Expressinho em 2013.
O restante da campanha destacou jogadores com passagens por muitos clubes do Maranhão. Mazinho, ex-Moto, Dilton, que foi jogador do MAC e Sampaio; Marquinhos jogou no Americano; Rogério, ex-Iape e MAC. Além do experiente Tim Marcos, que passou por quase todos os clubes da capital maranhense, além de defender o Imperatriz e Bacabal.
Foi Tim Marcos que marcou o primeiro gol da partida que poderia valer o acesso. Era a semifinal contra o Timon com Neguinho, ampliando o placar para 2 a 0. O terceiro gol veio com Marquinhos. O Timon ainda diminuiu, mas a festa já estava garantida e 12 anos depois o Expressinho garantia o retorno à Série A do Campeonato Maranhense.
Jogadores inspirados pela história, do agora dirigente, Juca Baleia. Um, em especial, teve uma responsabilidade a mais: o goleiro Laerte. Dono da posição que consagrou Juca, por isso ganhou uma atenção especial do ex-goleiro do Expressinho.
- Sempre deu conselho pra gente honrar essa camisa, com muita determinação e força de vontade como ele honrou - diz Laerte sobre os conselhos de Juca Baleia.
No Nhozinho Santos o fim de uma etapa nessa caminhada rumo à volta à primeira divisão do Estadual. Na última quarta-feira, Expressinho e Sabiá, já garantidos na primeira divisão de 2015, decidiram o título da Série B. Na torcida, Juca Baleia começou calmo e viu o Expressinho fazer 3 a 0 com gols de Alex Campos e Neguinho. O Sabiá ainda descontou com Marquinho.
No fim do jogo, mesmo com o Expressinho vencendo, Juca gritava, gesticulava e tentava arrumar o time da arquibancada. Depois do apito final, a taça de campeão, símbolo dessa volta à elite do futebol maranhense.
Um sonho realizado por Juca Baleia, que retornou ao Expressinho para mais uma missão que foi cumprida. - Agora é só alegria. Mas antes tivesse jogando, porque de fora é muito mais difícil - diz Juca após a conquista do título.
VÍDEO - Expressinho campeão maranhense da Série B 2014
Matéria do Globo Esporte (local) sobre o acesso do Furacão da Cohab, o Expressinho Futebol Clube.
VÍDEO
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
VÍDEO - Programa Esporte Geral, na Rede TV! (São Luís) - 04 de Setembro de 2014
Na manhã desta quinta-feira, 04 de Setembro, rolou a gravação no programa Esporte Geral, na Rede TV! (São Luís), com a divulgação o
livro "Salve, Salve, meu Bode Gregório: a História do Maranhão Atlético Clube". Sob o comando do jovem repórter Adércio Júnior, o autor Hugo Saraiva comentou um pouco sobre o futebol maranhense e os livros sobre Moto, Maranhão e Sampaio Corrêa. O programa foi ao ar no mesmo dia, com reprise no dia seguinte, sexta-feira.
VÍDEO
em breve colocaremos aqui o vídeo do programa
FOTOS
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Argemiro Guará e seu chute potente
Matéria de Edivaldo Pereira Biguá e Tânia Biguá, página "Onde Anda Você?", do Jornal O Estado do Maranhão, de 30 de Março de 1998
Time do MAC, do técnico Fatiguê, em 1954. Em pé: Alfredinho (auxiliar), Schalcher, Pui, Serra, Jaime, MOacir, Argemiro Guará e Carne Assada; Agachados: Cabeça, Nunes, Peru, Derval, Zé Ferreira e Moacir
Argemiro Braga Guará foi um atleta igual a muitos que pegaram aquela febre de paixão pelo futebol quando ainda eram pequenos. Uma geração que dava os primeiros passos no final da década de 40, fascinada por um esporte que não era visto com bons olhos. Superando qualquer preconceito que pudesse haver, ele mostrou acima de tudo que tinha talento. Tanto que jogou no profissional do Maranhão Atlético Clube como amador e até hoje faz parte da memória de muitos que o viram atuar.
Seu nome de “jogueiro” ficou Argemiro. No Largo da Cadeia, onde hoje fica o Hospital Dutra, reforçava o Paissandu do seu Joaquim. Como outro garoto também brigava pela mesma posição, seu Joaquim era obrigado a deixar Argemiro de titular na posição, por causa de sua canhota potente, deslocando o concorrente para a meia-esquerda. Esse concorrente nada mais era que Canhoteiro, que em pouco tempo viria a se tornar um dos maiores, senão o maior, jogador do país, ex-São Paulo e Seleção Brasileira. “Nunca vi em minha vida alguém como Canhoteiro, nem Pelé”, declara Argemiro, completando que foi um privilégio ter convivido com o craque no início da sua vida atlética.
Além do Paissandu, Argemiro integrou vários times dos colégios por onde passava, dentre eles o São Luís, o Ateneu e a Academia do Comércio. Mas despontar mesmo, ele começou no Santos, do Tabocal, dirigido por Jafé Nunes. “O time era o melhor do amador. Jogávamos com a equipagem oficial do Santos paulista”. Uma lembrança do quanto Jafé era caprichoso quando se dispunha a comandar um time.
Despontando – O campeonato amador era disputado no Santa Izabel. Argemiro já chamava atenção pela facilidade que tinha em se deslocar, pelos dribles desconcertantes que dava e principalmente pela visão de campo que possuía; uma vantagem desfrutada pelos companheiros de equipe, que sempre recebiam passes perfeitos para marcar gols, apesar do gramado com “grama de burro”, como chamavam as touceiras do estádio, que além de atrapalhar, causavam contusões.
O filho de Valério Monteiro, Presidente do Maranhão Atlético Clube, também chamado Valério, convidou o garoto para completar o time aspirante maqueanos nos idos de 1951. Com 15 anos ele agradou em cheio a diretoria. Uma comitiva saiu para pediu que o seu pai, o velho Guará, ex-jogador de futebol, assinasse a ficha de filiação do filho como não-amador para integrar o quadro de futebol.
Partida inesquecível – No MAC, Argemiro brilhou mesmo sem conquistar títulos. Exímio chutador com igual habilidade nos dois pés, era o tormento dos goleiros. Também um hábil armador, sabia colocar a bola nos pés do companheiro em melhor condição de ataque, mostrando acima de tudo que possuía espírito de equipe.
Sua maior prova de fogo que até hoje é lembrada por muitos torcedores maranhenses foi no amistoso do MAC contra o Flamengo, no Estádio Santa Izabel, por volta de Dezembro de 1953. Nos vestiários, ele soube que seria marcado pelo lateral-direito Marinho, que também vestia a camisa da Seleção Brasileira. “Me preocupei com a informação. Marinho era o número 1 do Brasil. Foi difícil a marcação, mas consegui me sair bem”, comenta, modesto. Na verdade, com 18 anos de idade, ele deu um verdadeiro passeio em Marinho. Apesar de jogar muito bem, o MAC perdeu por 3x0.
Quando acabou o jogo, a diretoria flamenguista convidou Argemiro para integrar a equipe, que ainda iria fazer várias partidas pelo Nordeste, mas ele preferiu não se arriscar e ficou por aqui mesmo. Esse receio de se aventurar na profissão pouco reconhecida de jogador de futebol fez com que recusasse outros convites feitos pelo Remo de Belém do Pará e Sport de Recife. Até convocação para a Seleção Maranhense de 1954 Argemiro abdicou. “Não tinha interesse na Seleção”, justifica.
O serviço militar retirou-o do MAC, em 1955. No exército, defendeu o General Sampaio, Ainda fez parte do Bahia, da Segunda Divisão, levado pelo Major Pereira. No ano seguinte, já casado, largou os campos, pois o seu pensamento era o futuro da nova família que acaba de formar.
Futsa, nova opção – Como meio de se manter na ativa, Argemiro passou a jogar futebol de salão do Santelmo, ao lado de Ribasco, Cleon Furtado, Biné, Mozart, Ranilson, dentre outros. Os torcedores passaram a ver de perto a potência dos chutes dele, que contribuíram para a conquista de um tricampeonato no final da década.
Um emprego público federal fez com que ele viesse transferência para a cidade de Barcelona, em Minas Gerais. A fama de grande ponta-esquerda o levou a atuar pelo Olímpico e no América por pouco tempo. De volta a São Luís, em 1964, se dedicou inteiramente aos estudos para o concurso do Banco da Amazônia (BASA). Quando passou, foi designado para trabalhar em Belém. Ainda jogou futebol de salão no Remo, ao lado de craques como Valmoro, Graco, Jaiminho e Guilherme Saldanha. Pelo campeonato de bancários, não deixava de dar sua contribuição. E foi lá que ele se aposentou de vez da bola, que tratava com muita intimidade.
Seu nome de “jogueiro” ficou Argemiro. No Largo da Cadeia, onde hoje fica o Hospital Dutra, reforçava o Paissandu do seu Joaquim. Como outro garoto também brigava pela mesma posição, seu Joaquim era obrigado a deixar Argemiro de titular na posição, por causa de sua canhota potente, deslocando o concorrente para a meia-esquerda. Esse concorrente nada mais era que Canhoteiro, que em pouco tempo viria a se tornar um dos maiores, senão o maior, jogador do país, ex-São Paulo e Seleção Brasileira. “Nunca vi em minha vida alguém como Canhoteiro, nem Pelé”, declara Argemiro, completando que foi um privilégio ter convivido com o craque no início da sua vida atlética.
Além do Paissandu, Argemiro integrou vários times dos colégios por onde passava, dentre eles o São Luís, o Ateneu e a Academia do Comércio. Mas despontar mesmo, ele começou no Santos, do Tabocal, dirigido por Jafé Nunes. “O time era o melhor do amador. Jogávamos com a equipagem oficial do Santos paulista”. Uma lembrança do quanto Jafé era caprichoso quando se dispunha a comandar um time.
Despontando – O campeonato amador era disputado no Santa Izabel. Argemiro já chamava atenção pela facilidade que tinha em se deslocar, pelos dribles desconcertantes que dava e principalmente pela visão de campo que possuía; uma vantagem desfrutada pelos companheiros de equipe, que sempre recebiam passes perfeitos para marcar gols, apesar do gramado com “grama de burro”, como chamavam as touceiras do estádio, que além de atrapalhar, causavam contusões.
O filho de Valério Monteiro, Presidente do Maranhão Atlético Clube, também chamado Valério, convidou o garoto para completar o time aspirante maqueanos nos idos de 1951. Com 15 anos ele agradou em cheio a diretoria. Uma comitiva saiu para pediu que o seu pai, o velho Guará, ex-jogador de futebol, assinasse a ficha de filiação do filho como não-amador para integrar o quadro de futebol.
Partida inesquecível – No MAC, Argemiro brilhou mesmo sem conquistar títulos. Exímio chutador com igual habilidade nos dois pés, era o tormento dos goleiros. Também um hábil armador, sabia colocar a bola nos pés do companheiro em melhor condição de ataque, mostrando acima de tudo que possuía espírito de equipe.
Sua maior prova de fogo que até hoje é lembrada por muitos torcedores maranhenses foi no amistoso do MAC contra o Flamengo, no Estádio Santa Izabel, por volta de Dezembro de 1953. Nos vestiários, ele soube que seria marcado pelo lateral-direito Marinho, que também vestia a camisa da Seleção Brasileira. “Me preocupei com a informação. Marinho era o número 1 do Brasil. Foi difícil a marcação, mas consegui me sair bem”, comenta, modesto. Na verdade, com 18 anos de idade, ele deu um verdadeiro passeio em Marinho. Apesar de jogar muito bem, o MAC perdeu por 3x0.
Quando acabou o jogo, a diretoria flamenguista convidou Argemiro para integrar a equipe, que ainda iria fazer várias partidas pelo Nordeste, mas ele preferiu não se arriscar e ficou por aqui mesmo. Esse receio de se aventurar na profissão pouco reconhecida de jogador de futebol fez com que recusasse outros convites feitos pelo Remo de Belém do Pará e Sport de Recife. Até convocação para a Seleção Maranhense de 1954 Argemiro abdicou. “Não tinha interesse na Seleção”, justifica.
O serviço militar retirou-o do MAC, em 1955. No exército, defendeu o General Sampaio, Ainda fez parte do Bahia, da Segunda Divisão, levado pelo Major Pereira. No ano seguinte, já casado, largou os campos, pois o seu pensamento era o futuro da nova família que acaba de formar.
Futsa, nova opção – Como meio de se manter na ativa, Argemiro passou a jogar futebol de salão do Santelmo, ao lado de Ribasco, Cleon Furtado, Biné, Mozart, Ranilson, dentre outros. Os torcedores passaram a ver de perto a potência dos chutes dele, que contribuíram para a conquista de um tricampeonato no final da década.
Um emprego público federal fez com que ele viesse transferência para a cidade de Barcelona, em Minas Gerais. A fama de grande ponta-esquerda o levou a atuar pelo Olímpico e no América por pouco tempo. De volta a São Luís, em 1964, se dedicou inteiramente aos estudos para o concurso do Banco da Amazônia (BASA). Quando passou, foi designado para trabalhar em Belém. Ainda jogou futebol de salão no Remo, ao lado de craques como Valmoro, Graco, Jaiminho e Guilherme Saldanha. Pelo campeonato de bancários, não deixava de dar sua contribuição. E foi lá que ele se aposentou de vez da bola, que tratava com muita intimidade.
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
Nélio, um exemplo que veio de Coroatá
Matéria de Edivaldo Pereira Biguá e Tânia Biguá, página "Onde Anda Você?", do Jornal O Estado do Maranhão, de 13 de Setembro de 1999
Seleção Maranhense x Santos, em 1967.Em pé: Manguinho, Paulo, Alzimar, Alvim da Guia, Nélio e Corrêa; Agachados: Isaac, Cândido, Barrão e Pelezinho
O maranhense ainda sente orgulho da safra de excelentes jogadores de futebol surgidos em décadas passadas. Mas não foram todos que reuniram qualidades como um inesquecível meio-campista do Maranhão Atlético Clube de 1956 a 1959. Nélio de Carvalho Ribeiro, em pouco tempo de carreira, mostrou inúmeros talentos: era hábil na distribuição de bolas, decidido ao partir para o ataque, inteligente para armar jogadas e, acima de tudo, um amigo. Foi procurado por dirigentes de grandes equipes do país, inclusive pelo Vasco da Gama/RJ, no tempo de Belini, Orlando, Pinga, Leivinha, Coronel e do meia Valter Marciano, que ia embora para o Real Madrid e queriam alguém para substituí-lo. Para Nélio, os dirigentes, que só pensavam em ganhar dinheiro com a venda do passe dele, terminaram atrapalhando seu futuro promissor.
Nélio nasceu em Caxias/MA(28/02/1937) e foi, com apenas três anos, para a cidade de Coroatá. Na década de 50 fundou ao lado de Osvaldinho, Leodinha, Bulau, José Amorim, dente outros, o Bangu coroatense. Jogava como ponta-direita.
Todo mundo sabia que Nélio era craque. Confiante nesse talento, o cunhado Antônio Ferreira Novaes, já falecido, trouxe-o para um teste no Maranhão Atlético Clube em 1956. Na mesma semana ele estreava contra o Sampaio Corrêa com vitória. A torcida aprovou a contratação e a imprensa de São Luís teceu altos elogios. Também, pudera. Com seus 19 anos, Nélio jogava com extrema facilidade como falso-ponta, que sempre seguia pelo meio-campo, armando as jogadas para o time ao estilo Zico e Rivaldo. Além de excelente tecnicamente, era considerado muito inteligente, capaz de antecipar jogadas, colocando a bola aonde queria.
A partir daí a carreira do jogador foi de sucesso, apesar da falta de títulos. Como frequentemente os clubes estaduais da época organizavam amistosos contra equipes do eixo Sul/Sudeste, ele teve a oportunidade de atuar no MAC, moto e Sampaio, jogando contra os craques Didi, Nilton Santos, Garrincha, Tomé Quarentinha e Beto (Botafogo/RJ), Zizinho e Zózimo (Bangu/RJ), Carlos Alberto Torres, Pelé, Clodoldo, Edu, Orlando, Peçanha, Zito (Santos/SP), Belini, Orlando, Pinga, Leivinha, Coronel, Valter Marciano (Vasco da Gama/RJ), além de outros times nordestinos e nortistas.
O jogo Seleção Maranhense x Botafogo/RJ até hoje está vivo em sua memória. Apesar da derrota por 2x0, Nélio terminou ganhando dinheiro do saudoso dirigente maqueano e botafoguense Valério Monteiro. “Seu Valério disse que eu não conseguiria ultrapassar o mestre Didi. Além do dinheiro, ainda passei um bom tempo gozando dele”, relembra.
Outro jogo marcante: Sampaio x Vasco, em 1959. Nélio, cedido por empréstimo, jogou o fino da bola ao lado de Dodó, Mão Levada, Milson, Arlindo, Terrível e Vareta (Serra); Marcos e Rack; Louro (Nélio), Henrique Santos, Pirrita e Garcia. A Bolívia Querida marcou primeiro, através de Pirrita, na cobrança de pênalti claro, marcado firmemente pelo árbitro Leôncio Rodrigues. O chamado super-super campeão carioca empatou. O Sampaio fez 2x1 através de jogada de Nélio, que veio pela direita, driblou Ortuno (substituindo Coronel), passou por Orlando e quando Belini e Hélio (goleiro) saíram em cima dele, a bola ficou batendo. Henrique Santos, no bolo, marcou o gol. O Sampaio cedeu o empate, mas o resultado de 2x2 foi considerado tão brilhante que a torcida invadiu o campo para comemorar a atuação do grupo.
O talento mostrado por Nélio foi seu grande diferencial. No dia seguinte o técnico vascaíno Martin Francisco quis obter informações sobre ele. Um mês depois chegava a passagem para o maranhense ir para o Rio de Janeiro. Mas, segundo Nélio, o MAC pediu tão alto pelo passe que a transação não pode ser feita. “Eu era da categoria não-amador, mas havia assinado um contrato em branco. Quando a diretoria do Vasco perguntou sobre o valor do meu passe, o MAC cobrou 100 contos de réis, muito dinheiro para a época”. Essa foi a grande decepção.
Nélio sempre quis um emprego bom, já que o futebol maranhense era muito pobre e não dava para ganhar dinheiro com a profissão, pelo menos no estado. Muitos dizem que se ele tivesse ido jogar no Vasco da Gama, com certeza teria se dado bem. No mesmo período, Porquinho (Maranhão), do Sampaio, viajou para o Rio de Janeiro e ficou no Vasco da Gama. Nélio voltou para Coroatá, onde foi trabalhar nas lojas Pernambucanas.
Para não perder o contato com a bola, jogava no Santa Cruz, de Walter Polary. Vinha a São Luís apenas quando era convocado para defender a Seleção Maranhense, já que ninguém podia ignorar um meia do quilate dele. Atuou ao lado de Walber Penha, Hamilton, Esmagado, Barrão, Zuza, Peru, Santana, Pelezinho, Garrinchinha, Nabor, Vivico, Neguinho, Alvim da Guia, Carlos Alberto, Laxinha, Neto, Alzimar, etc.
Por volta de 1968, com 31 anos de idade, foi chamado pelo Ferroviário Esporte Clube, de São Luís, onde jogou até meados de 1970. Passou a ser auxiliar técnico, conquistando seu único título estadual em toda a sua carreira, em 1971. No ano seguinte ficou como técnico no lugar do treinador Jordam. Foi campeão do Torneio Cidade de São Luis. Parou depois disso.
Nélio nasceu em Caxias/MA(28/02/1937) e foi, com apenas três anos, para a cidade de Coroatá. Na década de 50 fundou ao lado de Osvaldinho, Leodinha, Bulau, José Amorim, dente outros, o Bangu coroatense. Jogava como ponta-direita.
Todo mundo sabia que Nélio era craque. Confiante nesse talento, o cunhado Antônio Ferreira Novaes, já falecido, trouxe-o para um teste no Maranhão Atlético Clube em 1956. Na mesma semana ele estreava contra o Sampaio Corrêa com vitória. A torcida aprovou a contratação e a imprensa de São Luís teceu altos elogios. Também, pudera. Com seus 19 anos, Nélio jogava com extrema facilidade como falso-ponta, que sempre seguia pelo meio-campo, armando as jogadas para o time ao estilo Zico e Rivaldo. Além de excelente tecnicamente, era considerado muito inteligente, capaz de antecipar jogadas, colocando a bola aonde queria.
A partir daí a carreira do jogador foi de sucesso, apesar da falta de títulos. Como frequentemente os clubes estaduais da época organizavam amistosos contra equipes do eixo Sul/Sudeste, ele teve a oportunidade de atuar no MAC, moto e Sampaio, jogando contra os craques Didi, Nilton Santos, Garrincha, Tomé Quarentinha e Beto (Botafogo/RJ), Zizinho e Zózimo (Bangu/RJ), Carlos Alberto Torres, Pelé, Clodoldo, Edu, Orlando, Peçanha, Zito (Santos/SP), Belini, Orlando, Pinga, Leivinha, Coronel, Valter Marciano (Vasco da Gama/RJ), além de outros times nordestinos e nortistas.
O jogo Seleção Maranhense x Botafogo/RJ até hoje está vivo em sua memória. Apesar da derrota por 2x0, Nélio terminou ganhando dinheiro do saudoso dirigente maqueano e botafoguense Valério Monteiro. “Seu Valério disse que eu não conseguiria ultrapassar o mestre Didi. Além do dinheiro, ainda passei um bom tempo gozando dele”, relembra.
Outro jogo marcante: Sampaio x Vasco, em 1959. Nélio, cedido por empréstimo, jogou o fino da bola ao lado de Dodó, Mão Levada, Milson, Arlindo, Terrível e Vareta (Serra); Marcos e Rack; Louro (Nélio), Henrique Santos, Pirrita e Garcia. A Bolívia Querida marcou primeiro, através de Pirrita, na cobrança de pênalti claro, marcado firmemente pelo árbitro Leôncio Rodrigues. O chamado super-super campeão carioca empatou. O Sampaio fez 2x1 através de jogada de Nélio, que veio pela direita, driblou Ortuno (substituindo Coronel), passou por Orlando e quando Belini e Hélio (goleiro) saíram em cima dele, a bola ficou batendo. Henrique Santos, no bolo, marcou o gol. O Sampaio cedeu o empate, mas o resultado de 2x2 foi considerado tão brilhante que a torcida invadiu o campo para comemorar a atuação do grupo.
O talento mostrado por Nélio foi seu grande diferencial. No dia seguinte o técnico vascaíno Martin Francisco quis obter informações sobre ele. Um mês depois chegava a passagem para o maranhense ir para o Rio de Janeiro. Mas, segundo Nélio, o MAC pediu tão alto pelo passe que a transação não pode ser feita. “Eu era da categoria não-amador, mas havia assinado um contrato em branco. Quando a diretoria do Vasco perguntou sobre o valor do meu passe, o MAC cobrou 100 contos de réis, muito dinheiro para a época”. Essa foi a grande decepção.
Nélio sempre quis um emprego bom, já que o futebol maranhense era muito pobre e não dava para ganhar dinheiro com a profissão, pelo menos no estado. Muitos dizem que se ele tivesse ido jogar no Vasco da Gama, com certeza teria se dado bem. No mesmo período, Porquinho (Maranhão), do Sampaio, viajou para o Rio de Janeiro e ficou no Vasco da Gama. Nélio voltou para Coroatá, onde foi trabalhar nas lojas Pernambucanas.
Para não perder o contato com a bola, jogava no Santa Cruz, de Walter Polary. Vinha a São Luís apenas quando era convocado para defender a Seleção Maranhense, já que ninguém podia ignorar um meia do quilate dele. Atuou ao lado de Walber Penha, Hamilton, Esmagado, Barrão, Zuza, Peru, Santana, Pelezinho, Garrinchinha, Nabor, Vivico, Neguinho, Alvim da Guia, Carlos Alberto, Laxinha, Neto, Alzimar, etc.
Por volta de 1968, com 31 anos de idade, foi chamado pelo Ferroviário Esporte Clube, de São Luís, onde jogou até meados de 1970. Passou a ser auxiliar técnico, conquistando seu único título estadual em toda a sua carreira, em 1971. No ano seguinte ficou como técnico no lugar do treinador Jordam. Foi campeão do Torneio Cidade de São Luis. Parou depois disso.
ÁUDIO - Entrevista Juca Baleia à Rádio ESPN (05 de Maio de 2014)
O ex-goleiro Juca Baleia, do Sampaio Corrêa, chamou a atenção em 1992 por enfrentar o Palmeiras, pela Copa do Brasil, e, na ocasião, realizou grandes defesas mesmo com mais de 100 quilos. Em entrevista à Rádio ESPN, ele falou da expectativa do reencontro entre as equipes, na próxima quarta-feira. Atualmente, Juca atua como cronista esportivo e revelou também a história do ex-atacante Caio, campeão mundial pelo Grêmio, em 1983, e que hoje é taxista no aeroporto de São Luís. Entrevista de 05 de Maio de 2014.
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