terça-feira, 15 de julho de 2014

Mozart, conquistador de títulos


 Matéria de Edivaldo Pereira Biguá e Tânia Biguá, página "Onde Anda Você?", do Jornal O Estado do Maranhão, de 02 de Janeiro de 1998

Sampaio Corrêa em 1950. Em pé: Reginaldo, Ferreirão, Decadela, Zé Rocha, Baltazar e Serejo; Agachados: Bodinho, Albano, Mozart, Geovani e Zé Pequeno

Talento nato. Assim foi Mozart de Sá Tavares, garoto que teve o privilégio de começar a jogar no elitista Águia Negra, time de futebol de campo do colégio Marista, por volta de 1943, e amadurecer atuando nos principais clubes de São Luís.

Na época em que a maioria dos meninos de 15 anos procurava os campos de várzea para bater suas “peladas”, Mozart atendia aos apelos do pai, Gerson Tavares, avesso ao futebol, e restringia sua participação nos treinamentos do Marista e nos Jogos Estudantis.

Como center-forward (centroavante) de um grande vigor físico impressionante e grande domínio de bola, sua passagem para o chamado futebol profissional foi rápida e casual. O colégio Marista da década de 40 funcionava onde hoje é a rádio Educadora, mas os treinamentos do time da escola aconteciam na famosa Quinta do Barão, local onde atualmente a entidade está instalada.

O Moto, do técnico uruguaio Comitante, também se preparava na Quinta do Barão. Um dia faltou um jogo para a equipe reserva. Com sotaque carregado, Comitante pediu para um garoto que estava por lá completar o time. Era Mozart. Mesmo sem recordar os detalhes dessa “estreia”, ele mantém nítida a lembrança dos três gols marcados e do deslumbramento que ocasionou sua bela participação. O convite para integrar o melhor time de São Luís foi imediato, afinal ninguém ia perder a oportunidade de ter um talento para dividir a posição com o “cobra” Pepê. E lá foi Mozart, um simples amador, aprender os macetes da posição de artilheiro como reserva de um craque, considerado até hoje um dos melhores goleadores que passou pelo Maranhão.

Sempre sendo chamado para entrar em um dos tempos dos jogos, Mozart foi logo de cara campeão maranhense, de um Moto que em 1947 conquistava seu tetracampeonato. Em 1948, com a saída do piauiense Pepê, ele assumiu o comando do ataque rubro-negro, mostrando impetuosidade, oportunismo e faro para fazer gols.

Temperamental, brigava sempre quando o assunto era concentração. Na espera da disputa do título, que daria ao Moto o pentacampeonato, Mozart decidiu não cumprir a determinação da diretoria. No dia seguinte, estava em campo conquistando mais um troféu. Porém, com as broncas levadas pelos dirigentes, resolveu sair do Moto.  

 Mozart no Olaria, em 1949

Poderia ter continuado sua trajetória de sucesso não fosse um incidente com um estivador, Leopoldo, que o ameaçou de morte. Apavorado, o pai Gerson Tavares o mandou de navio pra o Rio de Janeiro. O cargueiro Loyd levou cerca de quatro dias para cegar só a Fortaleza. Com a folga dada pelo comandante, Mozart aproveitou o foi assistir ao treino do Fortaleza, que se preparava para enfrentar o Olaria, do Rio de Janeiro. “Nesse dia”, conta ele, “o radialista Barbosa Filho, quando me viu, pediu para a diretoria do Fortaleza me deixar treinar e reforçar o clube no dia seguinte”. Em troca de uma passagem de avião, Mozart aceitou o desafio. O Olaria ganhou o jogo por 1 x 0, mas ele conquistou a diretoria carioca. Quando chegou ao Rio, estava com a sua vaga garantida.

Por volta de 1950, o artilheiro retornava a São Luís. O Sampaio, que sonhava em ser campeão estadual, não se fez de rogado e imediatamente chamou o amador Mozart. Sua característica de goleador continuava. Em um dos históricos amistosos interestaduais, o Tricolor derrotou o Flamengo do Rio por 3x2, depois de estar empatando em 2x2. A vitória veio dos pés de Mozart, num golaço de bicicleta, que quase fez desabar o Estádio Santa Izabel. Mas o sonho do título não conseguiu ser realizado por dois anos seguidos, por causa do Maranhão Atlético Clube, campeão de 1952, e do Vitória do Mar, campeão em 1952. Nos dois anos seguintes, Mozart voltou a conhecer a glória como integrante de seleções maranhense e como jogador do Sampaio, bicampeão maranhense de 1953 e 1954.

O futebol não bastava, já que ele nunca quis se profissionalizar. Com o curso de contador, foi atrás de uma outra profissão. Passou a ser fiscal da previdência do antigo IAPC, hoje INSS. O esporte era acima de tudo uma paixão avassaladora para Mozart, que jogava ainda futebol de salão e basquete. No futsal também arrebatou títulos pelo Santelmo, ao lado de Murilo Gago, Poé, Cléo Furtado e Biné. No basquete, sua invejável mão certeira e a conquista de outros títulos fizeram seu Brito, da ótica A Diamantina e dono do clube Vera Cruz, presenteá-lo com as alianças de seu primeiro casamento.

A invejável forma física, aliada à experiência de quem era um grande atleta, foram os ingredientes necessários encontrados pela diretoria do Ferroviário, que o convidou para fazer parte do timaço de 1957. Mesmo tendo em campo Hamilton, que ficou jogando pela direita, Mozart encerrou sua carreira de atleta amador de futebol por cima, conquistando seu quinto título estadual, o primeiro do Ferrim. Saiu de campo com 29 anos de idade e entrou para os anais do futebol como um dos principais centroavantes que jogaram no Maranhão.


AS ALMOFADAS COLORIDAS NO ESTÁDIO NHOZINHO SANTOS


 Excelente texto do blogueiro Ed Wilson. Não vivi essa época, mas a magia das arquibancadas pode ser sentida em qualquer geração. Vale a pena ler.

Fonte: http://blogdoedwilson.blogspot.com.br/2014/07/as-almofadas-coloridas-do-estadio.html#.U8VYxkCkha9


Quando eu era criança, ia com meu pai assistir aos jogos do Moto Clube, no Estádio Municipal Nhozinho Santos, em São Luís.

Os ônibus sempre davam uma parada informal no posto de gasolina, perto do Canto da Fabril, onde os torcedores desciam e caminhavam até o campo.

Muitos levavam almofadas com as cores do time, feitas por tapeceiros, com espuma coberta de napa, costurada em tiras.

A nossa era rubro-negra. As almofadas serviam para dar mais conforto aos glúteos nas arquibancadas de cimento bruto.

Às vezes, os torcedores mais eufóricos ativavam os apetrechos coloridos nos bandeirinhas e jogadores ruins.

No campo, eram magistrais os duelos entre o lateral motense Célio Rodrigues e o ponta boliviano Bimbinha.

Rodrigues dava carrinhos homéricos no atacante do Sampaio Correa, que bailava no ar como se brincasse em uma cama elástica.

Futebol tem a magia do circo e a arte da guerra. É completo.

No intervalo, chupávamos picolé de côco e morango. Quando sobrava algum dinheirinho, comíamos pastéis caseiros, servidos em cestas de vime forradas com plástico transparente.

Ao final do jogo, o serviço de som do estádio anunciava a renda. Mas, no dia seguinte, acompanhando os programas esportivos pelo rádio, sempre havia a notícia de um assalto ao carro que transportava o dinheiro.

Era comum também a gente ver o campo muito cheio e a renda anunciada ser muito pequena. Qualquer torcedor com o mínimo conhecimento de Matemática sabia que a renda anunciada não correspondia ao total de pagantes no estádio.

A estátua de Catulo da Paixão Cearense, que dá nome ao largo do Nhozinho Santos, é testemunha desse descompasso.

Eu cresci sem entender como a renda era apurada com distorções ou desaparecia em mirabolantes assaltos. A Polícia nunca explicava. E nem a Justiça.

São Luís cresceu e o então governador João Castelo construiu um novo estádio - o Castelão.

Tempos depois, vieram as famosas reformas no Castelão, feias sempre pelas mesmas construtoras, em vários governos. O estádio novo ficava abandonado, deteriorava e vinham as obras.

E o problema da renda continuava. Quando o Castelão ficou fechado por muito tempo, os jogos voltaram a ser realizados no velho Nhozinho Santos.

Depois vieram os tempos áureos do Sampaio Correa, sob a proteção do então presidente da Assembleia Legislativa, Manoel Ribeiro, por cerca de uma década.

Agora, o Sampaio está sob o manto do vereador Sergio Frota.

O Moto está sucateado e o Maranhão Atlético Clube (MAC) perdeu até a sede, um lugar bucólico no bairro da Cohama, vendido para a construção de um shopping.

Passaram-se décadas e a Federação Maranhense de Futebol (FMF) está dominada pelo mesmo grupo político. Nunca saiu do poder.

A FMF é a representação estadual da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que também passou muito tempo controlada pelo esquema de Ricardo Teixeira, transferido a José Maria Marin.

O futebol brasileiro deu esse fiasco na Copa. E novamente as denúncias contra a CBF voltaram à tona.

O ex-jogador Romário diz abertamente que a CBF é um antro de corrupção.

Romário fala, mas a gente não vê e nem ouve, porque a Globo não repercute.

Esse é o problema do monopólio da mídia. Quem não pode pagar os canais fechados é obrigado a ver Galvão Bueno, por força dos contratos entre a Fifa e a CBF.

Esse monopólio impede que a ampla maioria da população ouça o que Romário tem a dizer sobre a corrupção no futebol.

Veja só a que ponto isso chegou. Quando a Globo cobre o envolvimento da máfia na venda irregular de ingressos da Copa, o enfoque das matérias é sempre visando proteger a Fifa. Quanta inocência!

O telespectador, já surdo com os gritos de Galvão, não consegue ouvir o outro lado da notícia.

Sem meias palavras, Romário chama os dirigentes do futebol de ladrões.

Se no Maranhão a renda sumia, fico imaginando o que pode acontecer na CBF e na Fifa, onde corre muito dinheiro.

Haja almofadas atiradas nos estádios.

sábado, 12 de julho de 2014

PÔSTER - Ferroviário Esporte Clube (1968)



Simite, zagueiro tipo exportação


Matéria de Edivaldo Pereira Biguá e Tânia Biguá, página "Onde Anda Você?", do Jornal O Estado do Maranhão, de 11 de Setembro de 2000

Graça Aranha em 1967. Em pé: Juvenal, Paulo, Bastos, Simite, Cazoca e Serra (técnico); Agachados: Galdêncio (massagista), João Pinto, Zé Mamá, China, Zé Osvaldoe Ferreirinha

A dificuldade em pronunciar um sobrenome diferente transformou Smith em Simite. Um quart-zagueiro que se profissionalizou no Vitória do Mar em 1953, quando estava com 18 anos de idade. Em busca do dinheiro, que muitos imaginavam correr no futebol, passou por clubes como Auto Esporte de Teresina de Flamengo de Parnaíba, ambos do Piauí. Dez testes no Fortaleza, mas acabou na Seleção de Sobral/CE. Decepcionado, no final de 1963 retornou a São Luís. Defendeu amistosamente o Sampaio Corrêa e terminou voltado a jogar no Piauí, pelo Comercial de Campo Maior. Novamente na terra natal, três anos depois, passou pelo Ferroviário e Maranhão. Encerrou a carreira de atleta profissional no São José. A grande maioria que o viu jogar admite sem medo de errar que ele era um jogador tipo exportação.

Para começar, Simite tenta explicar o apelido, já que seu nome verdadeiro é Raimundo Nonato Smith Pereira. “Assim que comecei a jogar bola, os amigos insistiram em me chamar de ‘Simite’ e eu, chateado, dizia que meu sobrenome era Smith. Eu chega a soletrar para eles: ‘Esse, erre, i, tê, agá’. Eles, para me sacanear, só me chamavam e Simite. Quando resolvi não ligar mais, o apelido já estava perpetuado”.

Nascido em 30 de Setembro de 1935, filho caçula do senhor Vitorino Pereira e da senhora Joana de Anunciação Smith Pereira (ou outros dois filhos do casal são José e Luís. Simite começou a bater bola descalço no campo onde hoje funciona o Hospital Getúlio Vargas, no bairro da Jordoa, em São Luís, entre os anos de 1946/47. Era metido a jogar na ponta-direita. O primeiro time oficinal que apareceu na vida dele foi o Universal, do bairro do João Paulo. “Lembro-me bem de dois amigos inseparáveis dessa época: Neguinho e Baralhada. Eles eram os grandes nomes do time”. Um belo dia, o zagueiro central do Universal faltou e acabaram improvisando Simite para aquele setor. O melhor de tudo foi que ele jogou bem, gostou da nova posição e acabou de aperfeiçoando ao ponto de ser considerado até hoje como um dos grandes jogadores da posição”.

Durante os quatro anos que defendeu o Universal, demonstrou ter muita personalidade. Era alto para os padrões da época (1m75) e tinha muita disposição. Chegava sempre junto dos atacantes. Era viril e duro, mas leal. Tinha como ponto forte o cabeceio. Jogava por amor à camisa que vestia. O primeiro contrato como atleta profissional foi no Vitória do Mar, em 1953, quando estava com 18 anos de idade.

O Vitória tinha conquistado o inédito e único título da história do clube em 1952 e estava à procura de novos valores. Simite apareceu em um treino, jogou, agradou e imediatamente foi contratado. Juntou-se a Lelé, Benedito Sousa, Abimael, João Cinco, Zé Rolha, Gordo, Misael, Ferreirão, Xapola, Cobrinha, Lobato, Dico Preto, Batatais e outros. Segundo ele próprio, sua permanência no Vitória do Mar durou entre três e quatro anos. Alega que a melhor formação do time da Estiva, durante o tempo que passou por lá, contava com Batatais no gol, Zé Rocha, Simite, Lelé e João Cinco; Benedito Souza e Cobrinha; Ferreirão, Joãozinho, Ivan e Lobato.

Com 22 anos de idade, aceitou o convite do Auto Esporte do Piauí e acabou trocando São Luís por Teresina. “Foi uma boa época para mim. Estava bem e ganhava um salário melhor do que no Vitória do Mar”. Quando tudo parecia que ia melhorar a vida de Simite, veio a notícia no final da temporada que a diretoria do Auto Esporte não queria renovar o seu contrato. Foi um caos total! A salvação chegou com o contrato assinado com o Flamengo de Parnaíba. “Joguei dos dois anos no Flamengo. Fui campeão invicto, ao lado do amigo e conterrâneo Juvenal. Estava tão bem que o Fortaleza se interessou pelo meu passe. Deixei Parnaíba e fui para a capital cearense. Na bagagem, muita esperança de fazer um grande contrato”.

Uma contusão no joelho direito acabou com o sonho de Simite. Sem clube e sem dinheiro, aceitou proposta para disputar o torneio intermunicipal cearense pela Seleção do município de Sobral. Na competição, encontrou-se com os amigos maranhenses Ananinas e Pelado, que jogavam pela Seleção de Camucin. E foi só. Desiludido com o futebol cearense e com a falta de sorte, acabou retornando a São Luís, no final de 1963. Aproveitou a folga para rever amigos e parentes que moravam no Bairro da Madre Deus. Sem ter um emprego certo, Simite aceitou jogar vários amistosos pelo Sampaio Corrêa. De repente, recebeu uma excelente notícia: o Comercia, de Campo Maior, queria contratá-lo para disputar o Campeonato Piauiense. Não pensou duas vezes. Juntou o que tinha e se mandou para o interior do Piauí. “Nos dois anos que fiquei lá (1964/65), fiz boas amizades e ganhei um dinheirinho”. Maiobinha, lateral-direito do Sampaio Corrêa, também foi para o Campo Maior.

No início de 1966, já casado e com um filho, resolveu voltar a São Luís e acabou se ajeitando no Ferroviário Esporte Clube. “Dessa época, lembro-me bem do Américo (Esquerdinha) e Preto Baldez, duas feras na bola e nos estudos. Amigos de fé”.

A idade já estava começando a pesar e a decepção com o futebol ia aumentando. Mas fazer o quê? Na vida, só sabia jogar e ver bons filmes nos cinemas, principalmente no Roxy. O jeito era ver até onde as pernas aguentariam 90 minutos de uma partida.

Em 1967, Simite, Zé Bernardo, Pinagé, Ferreirinha, João Pinto, Burra Preta, Bastos, Juvenal, China e outros foram convidados para defender o Graça Aranha Esporte Clube (GAEC), que disputava a segunda divisão da capital maranhense. “Formamos um belo time e conseguimos conquistar o título e uma vaga para disputar o campeonato de profissionais pelo GAEC. Jogamos só um ano por lá. Em 1968, a maioria transferiu-se para o Maranhão Atlético Clube”.

No MAC, Simite se uniu a Da Silva, Baezinho, Luis Carlos, Elias, Sansão, Yomar, Toca, Euzébio, Antônio Carlos, Hamilton, Dario, Jacinto, Zé Neguinho, Jorge e outros comandados do professor Rinaldi Maia, conquistando o campeonato estadual de 1969. “Lembro-me bem desse título porque jogamos uma melhor de duas partidas contra o Ferroviário. Tínhamos a vantagem de dois empates. No primeiro jogo o placar foi de 1 x 1. Simite não participou da campanha do bicampeonato do MAC em 1970. No início do ano, foi para o São José, time do Bairro do João Paulo e que participava do campeonato profissional maranhense. Disputou uma temporada e resolveu parar após completar 35 anos de vida, 17 como atleta profissional.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Alzimar, zagueiro vencedor


Matéria de Edivaldo Pereira Biguá e Tânia Biguá, página "Onde Anda Você?", do Jornal O Estado do Maranhão, de 04 de Junho de 1998

 Alzimar com a camisa do Moto Club

O torcedor que teve oportunidade de vivenciar o futebol maranhense da década de 60 e 70, só não lembra do jogador Alzimar se perdeu a memória. Ao lado de Vivico, ele formou, senão a maior, uma das melhores duplas de zaga da história. Alzimar de Castro Alves foi um garoto privilegiado. Acostumado a acompanhar os treinos do pai, o zagueiro Waldemar, que atuava no Moto, frequentemente estava convivendo com feras como Walber Penha, Pepê, Galego, Santiago, Carapuça e tantos outros do Moto. Era natural que na Fabril, só procurasse bater as famosas peladas de futebol.

Quem o viu defendendo o Dínamo do capitão Bayma, mesmo descalço, dizia que o rapaz franzino de 15 anos tinha talento e prometia. Quando ele passou para o Marcílio Dias, tendo a oportunidade de enfrentar feras como Zé Carlos, Ferreira e Totó, cada vez mais se convencia da profissão que iria seguir. Mas foi no Guarani, da Vila Passos, do técnico Calazans, que Alzimar chegou ao juvenil do Moto, com apenas 17 anos, em 1962.

Nas preliminares – Os juvenis faziam a festa das preliminares no Nhozinho Santos. Os torcedores lotavam o estádio para ver quem seria uma promessa. O primeiro a descobrir Alzimar foi Antônio Bento Faria, na época diretor do Sampaio Corrêa. Em 1963, o jovem zagueiro, pelo porte físico, era colocado na lateral-direita nos amistosos do Tricolor. Outros juvenis que tiveram a mesma oportunidade foram Ivanildo, Pompeu, Antônio e Maioba. Tudo era gratificante e mais ainda pela chance de conhecer e aprender com craques como Ribeiro, Vadinho, Omena, Chico, Peu, dentre outros.

Na época, a lei do passe era complicada. Alzimar teve que voltar para o Moto, ainda amador. Continuando a disputar o juvenil, foi chamado pelo professor Rinaldi Maia para treinar junto com o profissional. O treinador colocava o inexperiente zagueiro no banco para pegar “cancha”. Um dia Rinaldi Maia resolveu botar Alzimar como lateral para enfrentar o Nacional. Por um azar do destino, ele machucou o joelho e, por falta de um tratamento adequado, ficou fora dos campos por dez meses. Uma contusão que, mesmo sendo curada, terminou fazendo parte da vida dele para sempre. Quando já se sentia em forma, Alzimar foi convocado para a Seleção maranhense Amadora em 1964. No ano seguinte era zagueiro aspirante do rubro-negro.

O Moto vivia um período conturbado. Pra afastar a crise, a diretoria contratou o técnico carioca Alfredo Pereira, que havia sido campeão pelo Sampaio no ano anterior. Foi o treinador quem subiu Alzimar, Zeca e João Pinto. Como o professor tem sempre razão, mais uma vez Alzimar foi colocado para a lateral, agora a esquerda. Sem jeito para a posição, ele jogou meio penso no empate contra o Sampaio pelo Estadual. Já contra o Maranhão Atlético Clube, teve a chance de estrear como zagueiro. Mesmo parecendo um debutante encabulado, ele agradou aos torcedores na vitória motense por 3 x 1. Na decisão do título, no entanto, deu Sampaio, bicampeão com a vitória por 1 x 0. A partir daí começava uma nova campanha no Moto. Alzimar já estava consagrado pelos torcedores. Clássico e habilidoso, ele gostava de sair jogando da defesa para o ataque. Quando precisava ser mais duro, lá estava inibindo os atacantes adversários. Mesmo assim era incapaz de cometer faltas duras. A gentileza se transformava em brabeza quando achava que o árbitro havia se equivocado na marcação. Por causa do seu atrevimento, foi expulso várias vezes.   

 Moto em 1968. Em pé: Neguinho, Vila Nova, Carlos Alberto, Alzimar, Geraldo e Correia; Agachados: Baé, Djalma Campos, Pelezinho, Amauri, Santana e Zezico

Primeiros títulos – Mais contido, Alzimar levou o Moto a ser campeão maranhense em 1966. Em 67 e 68 a história se repetia. E ele estava lá, saboreando o tri estadual. O técnico era o vitorioso Marçal Tolentino Serra. Com tantas conquistas e tantos predicados, era natural que outros clubes pleiteassem o passe do zagueiro. O Ceará Sporting foi um dos que tentaram leva-lo. Ficando mesmo por São Luís, o zagueiro e o Moto levaram em 1969 o título do Meio-Norte, uma espécie de Copa do Brasil regionalizada. O time da época era formado por Vila Nova; Paulo (Neguinho), Alzimar, Alvim da Guia (Geraldo) e Correia; Santana (Ronaldo) e Carlos Alberto; Djalma Campos, Amauri, Pelezinho e Ribamar (Zezico).

Campeão Ferrim – Alzimar ficou no moto até 1970. Como seus salários estavam atrasados, terminou ganhando na justiça seu passe. Ingressou no Ferroviário e calado recebeu críticas da imprensa e dos torcedores, que apostavam na perda de seu prestígio. Sem titubear, o zagueiro mais uma vez demonstrou personalidade. Na dupla com Vivico, formou uma das mais conhecidas zagas do Estado. Muitos atacantes tremiam quando sabiam que iam ser marcados pelos dois. Em campo eles se completavam e se agigantavam. Ao lado de um grupo excelente, comandando por Marçal Tolentino Serra, Alzimar sentiu novamente o gosto de ser campeão maranhense de 71. O grupo era formado por Marcial; Ailton, Alzimar, Vivico e Antônio Carlos; Valdinar e Carlos Alberto; Edson, Mineirinho, Esquerdinha e Coelho. Em 1972 o Sampaio foi campeão estadual. O Ferrim voltava ao título em 1973, sob o comando do técnico Moacir Bueno. Jogavam Martim; Ferreira, Alzimar, Vivico e Carrinho Jorge Santos, Isaías e Carlos Alberto; Seneguinha, Nivaldo e Ozimir.

O zagueiro Alzimar ficou no Ferroviário até 1978, quando resolveu pendurar as chuteiras. Feliz por ter sido apontado desde 1966 até 1971 como o melhor do ano em sua posição, ele declara: “Na minha autocrítica, sei que fui um jogador respeitado pelos meus companheiros, pela imprensa, torcedores e dirigentes. Isso me enche de orgulho”.

Ferroviário em 1971. Em pé: Martins, Alzimar, Ailton, Vivico, Valdinar e Antônio Carlos; Agachados: Antônio, Mineirinho, Joari, Carlos Alberto e Coelho

segunda-feira, 30 de junho de 2014

ESPECIAL - Clubes Maranhenses na Copa do Mundo FIFA 2014


Neste post especial deixo aqui o registro de algumas fotos de torcedores maranhenses ostentando as camisas de Moto, Maranhão e Sampaio Corrêa durante os jogos da Copa do Mundo FIFA 2014. Fotos extraídas das páginas oficiais dos três clubes no Facebook.

MOTO CLUB

Nova invasão de motenses à Arena Castelão, em Fortaleza. Magno Batalha, Pedro Augusto e Ana Carolina Ávila representaram o torcida do Moto Club no jogo Holanda 2 x 1 México, válido pelas oitavas de final da Copa do Mundo FIFA 2014.

Jogo na Arena Castelão é certeza de muitos motenses na arquibancada. Felipe Damous foi ao jogo Holanda 2 x 1 México pelas oitavas de final da Copa do Mundo FIFA 2014 e representou a torcida do Moto Club.

Oitavas de final da Copa do Mundo FIFA na Arena Castelão, em Fortaleza-CE. Os motenses Marcus Paulo e Maurício Bahia representando a torcida do Moto Club no jogo Holanda x México.

Oitavas de finais da Copa do Mundo FIFA 2014. Holanda x México. Fortaleza/CE. Torcedor do Papão presente no Castelão/CE com a camisa do MOTO alusiva à Copa (imagem: transmissão SporTV)

O motense Ademar Danilo representou a torcida do Papão no jogo Grécia 2 x 1 Costa do Marfim, na Arena Castelão, em Fortaleza-CE.

Gustavo Jansen e Nathália Arthuro foram à Arena Castelão, em Fortaleza-CE, para assistir o jogo Grécia 2 x 1 Costa do Marfim.

O motense Daniel Albuquerque Neto acompanhou o jogo Grécia 2 x 1 Costa do Marfim, na Arena Castelão, em Fortaleza-CE.

O motense Crystian Breno representou a torcida do Moto Club no jogo Itália 0 x 1 Uruguai, na Arena das Dunas, em Natal-RN.

Lúcio e Michelli acompanharam mais um jogo da Copa do Mundo FIFA com a bandeira do Moto Club. E haja arquibancada para tanto motense no jogo Coréia do Sul x Argélia, no Estádio Beira Rio, em Porto Alegre-RS.

O motense Samir Santana também representou a torcida do Moto Club no jogo Alemanha 2 x 2 Gana, na Arena Castelão, em Fortaleza-CE.

O motense Alexandre Neiva acompanhou o jogo Uruguai 1 x 3 Costa Rica na Arena Castelão, em Fortaleza-CE, com a camisa do Moto Club.

MARANHÃO ATLÉTICO CLUBE

 Manto do Glorioso durante o jogo Holanda x México, no Estádio Castelão,em Fortaleza.

 Manto do Glorioso durante o jogo Holanda x México, no Estádio Castelão,em Fortaleza.

 Chaveiro do Maranhão no jogo EUA x Gana, em Natal

Chaveiro do Maranhão no jogo Uruguai x Itália, em Natal

SAMPAIO CORRÊA

O boliviano Rodrigo Varela também representou a Bolívia Querida no jogo Holanda x México, válido pelas oitavas de final da Copa do Mundo, na Arena Castelão, em Fortaleza!

O boliviano Sérgio Pinheiro mais uma vez representou a Bolívia Querida! Desta vez, no jogo Holanda x México, válido pelas oitavas de final da Copa do Mundo, na Arena Castelão, em Fortaleza!

 O boliviano Alessandro Sousa estava presente no jogo Holanda x México, válido pelas oitavas de final da Copa do Mundo, na Arena Castelão, em Fortaleza!
 

O boliviano Fernando Vieira também estava presente no jogo Holanda x México, válido pelas oitavas de final da Copa do Mundo, na Arena Castelão, em Fortaleza!

O boliviano Wellington Freitas e seu filho, Wellington Júnior, representaram a Bolívia Querida no jogo Portugal x Gana, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília!

O boliviano Edlisson Henrique representou a Bolívia Querida no jogo Brasil x México, na Arena Castelão, em Fortaleza!

O boliviano Carlos Sousa representou a Bolívia Querida no jogo Grécia x Costa do Marfim, na Arena Castelão, em Fortaleza!

O casal Rômulo Sérgio e Verônica Serra representaram a Bolívia Querida no jogo Portugal x Gana, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília!
 

O boliviano Tiago Tikuna representou a Bolívia Querida no jogo Honduras x Suíça, na Arena da Amazônia, em Manaus!

Foto enviada pelo boliviano Walbene Oliveira, representando a Bolívia Querida no jogo Grécia x Costa do Marfim, na Arena Castelão, em Fortaleza!

O boliviano Rafael Sombra representou a Bolívia Querida ao lado de torcedores brasileiros e mexicanos no jogo Brasil x México, na Arena Castelão, em Fortaleza!

O boliviano Iago Fernandes também estava presente no jogo Brasil x Camarões, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília!

O boliviano Márcio Jardim estava presente no jogo Brasil x Camarões, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília!

O boliviano Luiz Henrique Cunha Neves representou a Bolívia Querida no jogo Brasil x Camarões, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília! 

O boliviano Diego Bastos, sua esposa Raphaela Corrêa e seu filho Murilo Bastos estavam representando a Bolívia Querida no jogo Brasil x Camarões, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília!

Foto enviada pelo boliviano Marcio Andson, presente no jogo Argélia x Coréia do Sul, no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre!

O boliviano Roni César estava presente no jogo Bélgica x Rússia, no Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro!

O boliviano Valdo Carvalho representou a Bolívia Querida no jogo Suíça x Equador, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília!

 
O boliviano Augusto Castro estava presente no jogo Alemanha x Gana, na Arena Castelão, em Fortaleza!
 
Foto enviada pelo boliviano Rildanio Santos, representando a Bolívia Querida no jogo Equador x Suíça, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília!

Foto enviada pelo boliviano Artur Castelo Branco, acompanhado do seu pai, Dionísio, no jogo Suíça x Equador, no estádio Mané Garrincha, em Brasília!

Sampaio Corrêa x Boa Vontade (1984)

Registro do Sampaio Corrêa em campo antes da partida diante do Boa Vontade, pelo Campeonato Maranhense de 1984. O jogo, realizado no Estádio Municipal Nhozinho Santos no dia 23 de Setembro daquele ano, terminou com a goleada boliviana pelo placar de 6 a 0.